Sd Zgmundo Koslowski
Ex-Combatente da 2ª Guerra Mundial

Depósito de Pessoal da FEB

O ex-combatente Soldado Zgmundo Koslowski, filho de Tomaz e Maria Koslowski, nasceu em 1º de maio de 1921, em Rio Claro do Sul, distrito do município de Mallet-PR.

Trabalhava como agricultor quando incorporou no 13º Regimento de Infantaria, atual 13º Batalhão de Infantaria Blindado, em Ponta Grossa-PR.

Embarcou rumo à Europa a bordo do navio de transporte norte-americano USS Gen. M. C. Meigs, com o 3º Escalão.

No front, trabalhava como cozinheiro, após ter concluído o curso que o habilitava para a função.

Das lembranças da guerra, comenta sobre a praticidade que o alimento norte-americano proporcionava, pois geralmente ele era enlatado e pré-cozido, e as refeições eram preparadas nos então modernos fogões à gasolina.

A primeira lembrança triste que ele tem, é a do falecimento de um Sargento conhecido seu, na viagem de trem de Ponta Grossa até Caçapava-SP.

Embarcamos e chegamos em Castro. Lá em Castro tinha um Sargento nosso mesmo, da 6ª Companhia, e tinha uma ponte, onde passavam viaturas. Ele acenou com a mão, bateu com a cabeça na ponte e morreu. Então paramos em um lugar e voltamos para Castro, mas o Sargento estava morto.

Também recorda-se da dura viagem de Nápoles até Livorno, à bordo das embarcações leves LCI:

Chegamos em Nápoles e pegamos aquelas embarcações pequenas. Meu Deus! Aquilo jogava pra cá, aquilo jogava pra lá. Aquilo não tinha fim. Ninguém comia, só vomitava. E me atacou também, mas graças ao bom Deus chegamos em Livorno.

Em uma conversa descontraída no salão nobre do 5º BEC Bld, o Senhor Zigmundo lembra-se de uma situação na qual ele se envolveu e quase foi punido, quando socorreu uma jovem italiana de mais ou menos 14 anos de idade, que não conseguia parar em pé de tanta fome:

Tinha uma mocinha, de uns 15 ou 14 anos. E eu fui visitar uma espécie de um túnel que fizeram lá, os italianos, numa serra. Fizeram pra esconder gado, porque o alemão comia tudo. Levavam não sei quantas cabeças de gado por baixo da terra. Tinha uma poça de água, acho que dava uns dez metros, assim. A água corria de cima e batia naquela poça lá em baixo. O gado podia berrar lá em baixo e ninguém escutava. Veja só a invenção deles. Então eu descobri aquilo com o meu amigo e fomos pra lá. Aí tava aquela mocinha lá. Chegamos e tava aquele barulhão de gado, fazendo eco, dava um ronco desgracido, mas aquele eco só dava pra ouvir lá dentro, por causa da água que batia na poça.

Fomos ver e tava passando uma sanguinha de água pelo meio daquele túnel, e aquilo lá fechando tudo, só tinha uma entrada pra eles trazerem o gado. Então tinha água à vontade, pegava um pouco de água e ia. E os alemães não descobriram aquilo, ficou largado tudo até terminar a guerra.

No fim, nós saímos de lá e tava aquela coitada tudo “sporcati”, tudo arrebentada, eu nem conto do quê... o Senhor já sabe mais ou menos... aí:

- Niente mangiare!

Quis cair e eu a peguei. Quis desmaiar. Eu disse pra nós subir. Eu levei ela até uma cantina italiana, mas não tinha nada, só água. Tinha um poço do lado. Aí ela disse:

- Niente acqua, piacere.

Eu fui tirar, e lá não tinha manivela, tinha um tronco com uma caixa de madeira, que empurrava até o fundo. Não tinha balde, tinha uma caixa toda furada. Eu tirei do poço e dei pra ela, ela tomou então disse:

- Niente mangiare!

O nosso acampamento ficava a uns seiscentos metros dali, talvez um pouco mais. Eu disse:

- Vamos pra lá.

Eu era soldado do rancho. Cheguei lá, passei margarina no pão. Peguei quatro ou seis pães. Ah meu Deus!!! O Capitão tava sentado... me chamou:

- O que você vai fazer com isso?

Eu disse:

- É pra uma italiana coitada lá.

Ele disse que não, nada disso, que era pra ela se virar, me chamou atenção e então eu respondi não sei o que pra ele, que mandou me levar. Eu tava indo, e ele tínhamos um “referee” e apitou. O capitão mandou trazer-me de volta e disse:

- Te perdôo! Mas não me faça mais isso. Porque seis pães, depois faltam pros soldados.

Não vi mais essa coitada. Porque tinha duas trincheiras que os soldados saíam, uns quatro metros uma da outra. Depois fizeram uma valeta pelo meio e depois passava. Passei lá e não vi essa moça, ficou esperando lá a coitada. Mas se visse... 14 anos, fraca que já tava.

Quando retornou para Brasil, o Senhor Zgmundo continuou os seus trabalhos na lavoura e também trabalhou como carpinteiro. Casou-se com a Senhora Lydia Zwiezikowski, sua companheira a 58 anos, com quem teve oito filhos: Leonardo, Edeviges, Cacilda, Isabel, Rodolfo, Eleonor, Cataria, Jorge e Ambrósio.

Atualmente, o Senhor Zgmundo é residente no município de Mallet.

FONTE:
Matéria gentilmente enviada pelo
3º Sgt Ciotta - 5º BEC Bld

Página Principal - www.anvfeb.com.br