Sd Paulo Stankevecz
Ex-Combatente da 2ª Guerra Mundial


6º RI - Regimento de Infantaria - Regimento Ipiranga
Caçapava - SP

Durante a Segunda Guerra Mundial, no ano de 1944, cerca de vinte e cinco mil soldados brasileiros foram enviados à Itália para auxiliar o Exército dos Estados Unidos e parar o avanço das tropas nazistas na Europa.

Os soldados brasileiros, chamados atualmente de “Pracinhas”, reuniram-se no Rio de Janeiro/RJ e atravessaram o Oceano Atlântico, rumo à Itália, numa viagem de navio que durou cerca de duas semanas.

Quando a Força Expedicionária Brasileira - FEB desembarcou no porto Nápoles, centro-sul da Itália, coube a ela a missão de enfrentar o exército alemão, o qual estava situado ao norte da península, dominando a região correspondente aos Montes Apeninos.

Foi nesse contexto que o ex-combatente Paulo Stankevecz foi enviado ao campo de batalha. Natural de São José dos Pinhais/PR, nascido no ano de 1921, Paulo Stankevecz, brasileiro, filho de eslavos e italianos, serviu o Exército Nacional no ano de 1939, no 20° Batalhão de Infantaria Blindado, em Curitiba/PR. Entretanto, foi recrutado para participar da guerra somente no ano de 1944.

Emblema utilizado pelos
expedicionários paranaenses

Segundo relatos do ex-combatente, o Exército brasileiro se reuniu no Rio de Janeiro/RJ para embarcar à Itália, em navios com camas improvisadas com lençóis suspensos, amarrados pelas extremidades. Muitas pessoas passaram mal durante a viagem. Paulo Stankevecz auxiliou nos trabalhos da cozinha durante a travessia do oceano.

Ao desembarcar no Porto de Nápoles, após dezesseis dias de viagem, Paulo Stankevecz foi enviado à cidade de Civitavecchia, nos arredores de Roma, onde auxiliava na montagem de caminhões enviados pelos Estados Unidos, os quais seriam futuramente utilizados em combates.

Depois da visita de um oficial brasileiro em Civitavecchia, Paulo Stankevecz foi solicitado para servir de motorista, ao norte da Itália, junto ao front de batalha contra os alemães. Foi assim que o soldado brasileiro foi enviado até a cidade de Castelnuovo (passando por Pisa e Lucca), na região situada entre as cidades de Florença e Bolonha, e viveu uma das experiências mais difíceis de sua vida.

Comprovante de ingresso no front de batalha, emitido pela
Força Expedicionária Brasileira – FEB.

Seguindo o plano traçado pelas forças aliadas, coube ao Exército brasileiro avançar sobre o território montanhoso dominado pelos alemães, correspondente à região de Monte Castelo e Castelnuovo. Missão ingrata, já que os alemães tinham maior campo de visão e de fogo por estarem na parte superior das montanhas, o que gerou a perda de muitas vidas brasileiras.

No caminho em direção ao norte, na cidade de Porretta Terme, o ex-combatente perdeu um de seus amigos de guerra, Constantino Marochi, conforme relatou em uma entrevista:

Sd Constantino Marochi - 6º RI
Id.: 1G-290.451

“Eu cheguei a Porretta (Porretta Terme), também num local onde morreu Constantino Marochi, meu companheiro. Não lembro bem onde foi. Uma bomba estourou... Isto deu vontade de atacar, eu vi a morte dele... uma bomba de morteiro, ele era atirador de morteiro; eu estava levando comida e munição, os soldados trouxeram ele para a casa de um italiano, eles rezavam. Morreu também um paulista junto, não lembro o nome”.

 


Soldados brasileiros no front de batalha, em Castelnuovo – Norte da Itália.

Enquanto serviu como motorista, Paulo Stankevecz voluntariamente se ofereceu para servir de mensageiro na região da frente de batalha. Em uma dessas viagens, passou com o seu jeep em uma mina terrestre, em Castelnuovo, sendo ele e seu companheiro arremessados para fora do veículo. Ambos conseguiram se salvar com vida.

Em outra missão de entrega de mensagens, o corajoso “Pracinha” foi abençoado com a sorte. Durante a travessia da região de batalha, Paulo Stankevecz, pilotando um jipe militar, foi atingido no seu dedo indicador da mão, por um disparo de arma, sem sofrer maiores ferimentos. Entretanto, o passageiro do jeep não teve a mesma sorte, já que foi atingido no peito e faleceu no local.

Jeep utilizado pelo combatente Paulo Stankevecz durante as missões militares.

O fascismo italiano já tinha sido derrubado quando da chegada do Exército brasileiro. Porém, alguns italianos ainda apoiavam o regime de direita e se uniram aos alemães. Isso tornava muito maior o perigo, pois o inimigo era, muitas vezes, desconhecido. Entretanto, a maior parte dos italianos tinha uma relação amistosa com os brasileiros, como acontece nos atuais dias.

Os “Pracinhas” brasileiros também lutaram contra as forças da natureza. Durante o inverno dos anos 1944/1945, nevou com freqüência e com grande intensidade nas regiões dos Montes Apeninos. Muitos brasileiros sofreram os rigores de temperaturas abaixo de zero e sequer conheciam a neve. O soldado Paulo Stankevecz já conhecia a neve no Brasil, durante a nevasca de julho de 1928, em Curitiba/PR, mas mesmo os paranaenses acostumados ao frio sofreram com a falta de roupas adequadas e abrigos.

Soldados brasileiros em dia de neve, nas proximidades de Castelnuovo – Norte da Itália – Inverno de 1944/1945. À direita, Paulo Stankevecz.

A comida, muitas vezes, era improvisada. Na maioria das vezes, a comida servida eram latas de conservas (feijoada em conservas). O simples desejo de dormir era impedido pelo medo de ser atingido pelo inimigo de combate. Por isso, muitos soldados tinham que alternar, com seus parceiros combatentes, no sono e na vigilância.

Algumas estórias engraçadas também foram presenciadas pelo ex-combatente. Paulo Stankevecz possuía um amigo loiro, com o apelido de “Alemão”, como era conhecido por todos os companheiros de exército. Certo dia, “Alemão” foi para o front e foi preso pelos soldados americanos, confundido com um verdadeiro soldado nazista. A confusão somente foi esclarecida algum tempo depois, com a libertação de “Alemão”.

Paulo Stankevecz (à esquerda) abraçado a “Alemão” (à direita), logo após a libertação deste último pelos soldados americanos.

Após o fim da guerra, os soldados brasileiros tiveram alguns momentos de lazer antes de retornar para o Brasil, realizando passeios pelas cidades libertadas e conhecendo as principais localidades da parte norte da Itália. Alguns “Pracinhas”, incluindo o combatente Paulo Stankevecz, dirigiram-se para a região do Lago di Como, arredores de Milão. Ao tentarem adentrar na Suíça, foram impedidos de ingressar naquele país e tiveram que permanecer na Itália.

Soldados brasileiros na região do Lago di Como
Paulo Stankevecz (primeiro à esquerda) e outros dois soldados brasileiros passeando por Castelnuovo, após a libertação da cidade.

Ao retornar para o Brasil, Paulo Stankevecz voltou a viver em São José dos Pinhais/PR, na região de Curitiba/PR, e logo se casou com Madelena Luiza Hungarato Stankevecz, filha de italianos, nascida em 1931, com quem convive até os atuais dias. Deste casamento, tiveram oito filhos e dez netos.

Paulo Stankevecz – Ano de 1944.
Paulo Stankevecz – Atualmente vive em São José dos Pinhais/PR, casado com Madalena Luiza Hungarato Stankevecz.

Apesar de ter vivido os horrores da Segunda Guerra Mundial, sentindo frio e fome e presenciando, de forma impotente, a morte de companheiros brasileiros, foi uma experiência que certamente contribuiu para a vivência de mais de oitenta anos.

FONTE:
Artigo escrito e enviado pelo Dr. Rafael Velloso Stankevecz, Juiz de Direito,
natural de Curitiba/PR. Neto do Veterano Paulo Stankevecz.

O artigo já teve publicação na revista “Insieme”, na edição de outubro/2008 (nº. da edição: 118)
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EDITOR E DIRETOR RESPONSÁVEL
Jornalista Desiderio Peron - Reg. 552/04/76v-PR

EM ITALIANO

Durante la Seconda Guerra Mondiale, nel corso del 1944, circa venticinquemila soldati brasiliani sono stati inviati in Italia per aiutare l'esercito statunitense a bloccare l’avanzata delle truppe naziste in Europa.

I soldati provenienti dal Brasile, chiamati oggi "pracinhas", furono riuniti a Rio de Janeiro/RJ ed attraversarono l'Oceano Atlantico, verso l’Italia, per un viaggio in nave che durò circa due settimane.

Quando la “Força Expedicionária Brasileira – FEB” sbarcò nel porto di Napoli, centro-sud d'Italia, dovette affrontare l’esercito tedesco, che era situato a nord della penisola, tenendo sotto controllo la regione corrispondente agli Apenini.

Fu in questo contesto che l'ex combattente Paulo Stankevecz venne inviato nel campo di battaglia. Nato a São José dos Pinhais/PR, nel corso del 1921, Paulo Stankevecz, brasiliano, figlio di slavi e italiani, serviva l'esercito nazionale nel corso del 1939, con il 20° Battaglione di Fanteria, a Curitiba/PR. Comunque, venne reclutato per partecipare alla guerra solo nel corso del 1944.



Emblema utilizzato dalla spedizione dei “parananeses”

Secondo le dichiarazione dell’ex-combattente, l’esercito brasiliano si riunì a Rio de Janeiro/RJ per salire a bordo verso l'Italia, su navi con letti improvvisati di lenzuoli sospesi, legati alle estremità. Molte persone si ammalarono durante il viaggio. Egli contribuì nei lavori della cucina mentre attraversavano l'oceano.

Quando sbarcò nel porto di Napoli, dopo sedici giorni di viaggio, venne inviato nella città di Civitavecchia, vicino a Roma, dove contribuì all'assemblaggio di camion inviati dagli Stati Uniti, che sarebbero stati utilizzati nella guerra.

Dopo la visita di un ufficiale brasiliano a Civitavecchia, gli venne chiesto di servire come autista, nell'Italia settentrionale, vicino al fronte di battaglia contro i tedeschi. Fu quindi inviato al Comune di Castelnuovo (via Pisa e Lucca), nella regione situata tra le città di Firenze e Bologna, e visse una delle esperienze più difficili della sua vita.



Prova di entrata nel fronte di battaglia, emanato dallla “Força Expedicionária Brasileira – FEB”

Per seguire il piano delle forze alleate, l'esercito brasiliano doveva avanzare su un territorio di montagna controllato dai tedeschi, corrispondente alla zona di Monte Castello e Castelnuovo. Missione ingrata, dal momento che i tedeschi avevano un maggior campo di visione e di fuoco, perche erano posizionati sulle montagne, situazione che determinò la perdita di molte vite brasiliane.

Sd Constantino Marochi - 6º RI
Id.: 1G-290.451

Sulla strada verso il nord, nella città di Porretta Terme, Paulo perdette uno dei suoi amici di guerra, Costantino Marochi, come ha riferito in una intervista: "Sono venuto a Porretta (Porretta Terme), anche in un luogo dove morì Constantino Marochi, mio compagno. Non ricordo bene dove è sucesso. Esplose una bomba ... Questo mi diede la volontà di attaccare, vidi la sua morte ... causata da una bomba di mortaio, egli era tiratore di mortaio, io stavo prendendo cibo e munizioni, i soldati lo portarono a casa di un italiano e pregarono. Morì anche un paulista insieme, non ricordo il nome"




Soldati brasiliani nel fronte di battaglia, a Castelnuovo - Nord d’Italia.

Come autista, Paulo Stankevecz si ofrrì come messaggero nella regione del fronte di battaglia. In uno di questi viaggi, la sua jeep saltò su una mina antiuomo a Castelnuovo, e lui ed il suo compagno furono sbalzati fuori dal veicolo. Ma entrambi si salvarono.

In un'altra missione per la consegna dei messaggi, il coraggioso "pracinha" venne baciato dalla fortuna. Durante l’attraversamento della zona di battaglia, guidando una jeep militare, fu colpito al dito della mano, da un colpo di arma, senza subire gravi lesioni. Il passeggero della jeep non ebbe lo stesso destino, morì sul colpo colpito al torace.


Jeep utilizzata dal combattente Paulo Stankevecz durante missioni militari

Il fascismo era già stato rovesciato quando giunse l’esercito brasiliano. Ma alcuni italiani ancora sostenevano il regime di destra e si unirono tedeschi. Questa circostanza creò ancora più pericoli, perché il nemico era spesso sconosciuto. Tuttavia, la maggior parte degli italiani ebbe un cordiale rapporto con i brasiliani, come ai giorni nostri.

I "pracinhas" brasiliani combatterono anche contro le forze della natura. Durante l'inverno degli anni ’44 e ‘45, nevicò spesso e con grande intensità nella regione degli Apenini. Molti brasiliani soffrirono la rigidità delle temperature sotto zero e probabilmente nessuno di loro conosceva ancora la neve. Paulo già la conosceva perchè nel luglio 1928, a Curitiba / PR, aveva nevicato ma anche i paranaensi abituati al freddo soffrirono per la mancanza di un adeguato abbigliamento e luoghi per ripararsi.



Soldati brasiliani in giorno di neve, vicino a Castelnuovo - Nord d’Italia -
Inverno degli anni ’44 e ‘45. Sulla destra, Paulo Stankevecz.

Il cibo era spesso improvvisato. Nella maggior parte dei casi, era in lattine di conserve (feijoada a lunga scadenza). Il semplice desiderio di dormire era impedito dal timore di essere colpiti dal nemico. I soldati facevano i turni con i compagni per chi dormiva e chi faceva la guardia.

Paulo assistette ad alcune storie divertenti. Aveva un amico biondo, soprannominato "Tedesco", questo il nome con cui era noto a tutti i commilitoni. Una volta, "Tedesco" andò verso il fronte e venne arrestato dai soldati americani, che lo scambiarono con un vero soldato nazista. L’errore venne chiarito solo dopo un po’ di tempo e “Tedesco” rilasciato.



Paulo Stankevecz (sulla sinistra) abbracciato a "Tedesco" (sulla destra),
subito dopo la liberazione di quest'ultimo per i soldati americani.

Dopo la fine della guerra, i soldati brasiliani ebbero anche momenti di tempo libero prima di tornare in Brasile, potendo fare gite nelle città liberate e conoscendo le principale città della parte settentrionale d'Italia. Alcuni "pracinhas", tra cui Paulo, andarono verso la zona del Lago di Como, vicino a Milano. Ma volendo visitare la Svizerra, vennero bloccati al confine dovendo così rimanere in Italia.


Soldati brasiliani nella zona del Lago di Como



Paulo Stankevecz (primo sulla sinistra) e altri due soldati a visitare Castelnuovo, dopo la liberazione della città.

Tornato in Brasile, Paulo Stankevecz tornò a vivere a São José dos Pinhais / PR, vicino a Curitiba / PR, e più tardi si sposò con Madelena Luiza Hungarato Stankevecz, figlia di italiani, nata nel corso del 1931, con la quale tuttora vive. Da questa unione sono nati otto figli e dieci nipoti.




Paulo Stankevecz - Anno di 1944.




Paulo Stankevecz - Oggigiorno vive a Sao Jose dos Pinhais/PR, sposato con Madalena Luiza Hungarato Stankevecz

Nonostante aver vissuto gli orrori della Seconda Guerra Mondiale, le sensazione di freddo, fame e testimoniato, impotente, alla morte dei compagni brasiliani, fu un'esperienza che certamente fa parte dei suoi ottanta e passa anni di vita.


FONTE:
Articolo scritto da Rafael Velloso Stankevecz, nipote di Paulo Stankevecz,
giudice di diritto, nato nel 22/08/80, a Curitiba / PR.



www.anvfeb.com.br