Sd. Rômulo Flávio Machado França
Ex-combatente da 2ª Guerra Mundial

1º RI - Regimento Infantaria - Regimento Sampaio
Rio de Janeiro - RJ

Rômulo Flávio Machado França, integrante do 1º RI - Regimento Sampaio, Companhia de Petrechos Pesados do II Batalhão, Pelotão de Morteiros, 5ª Seção. Comandante 2º Ten Oliveira de Paula, cabo com função de Sargento comandante da peça, dado que o sargento comandante não estando em condições psíquicas, foi para a retaguarda se tratar e o retorno ficou adido ao comando da Cia. Assim, fiquei responsável direto pela peça de morteiro, comandante da peça e cabo apontador.

Não fui promovido a sargento, por desentendimento com o comandante da Cia. Capitão Floriano Peixoto Corrêa.

Fui convocado em 1942, na época era estudante do pré-engenharia em João Pessoa Paraíba e incorporado a Cia. de Metralhadoras do III Batalhão do 15º Regimento de Infantaria, 7ª Região Militar.

Para aprimorar o nosso adestramento, já que presumivelmente iríamos para a guerra todo o Regimento foi deslocado de trem para o interior de Pernambuco, para o local denominado Campo de Instrução de Engenho Aldeia, no qual preparamos o acampamento para permanência de seis meses e iniciamos exercícios estritamente militares, tais como marchas, exercícios de tiro real, exercícios de combate, ataque, defesa, utilização de armas automáticas, morteiros, bazucas, canhões 105 mm, patrulhas diurnas e noturnas, patrulhas de contato para fazer prisioneiros, etc.

Depois de seis meses, voltamos para João Pessoa, oportunidade em que foram abertas inscrições para a FEB e apresentei-me como voluntário. Fui com alguns companheiros, enviado pelo comando da 7ª Região Militar para Recife e de lá com uma turma de uns 320 cabos e sargentos, nos embarcaram no navio Almirante Jaceguai e nos despacharam para o Rio de Janeiro.

Chegamos ao Rio no dia 2/07/44, o 6º RI já tinha embarcado para a Itália e os cabos e sargentos foram incorporados ao 1º RI - Regimento Sampaio do Rio de Janeiro e ao 11º RI de São João del-Rei, estacionado na Vila Militar.

Fui para o Regimento Sampaio, incluído na Cia de Petrechos Pesados do III Batalhão, pelotão de Morteiros. Comandante da Cia. Capitão Floriano Peixoto Corrêa e o comandante do pelotão de Morteiros, 1º Ten Glauco Castro e Silva.

Embarcamos no dia 20/09/44 com destino à Itália no navio de transportes norte-americano “General Mann” com 5.000 homens, e saímos da Baía da Guanabara no dia 22/09/44, chegando a Nápoles no dia 06/10/44. No mesmo dia saímos de Nápoles com destino a Livorno em LCI ( landing Craft Infantry), mas ou menos 60 unidade, transportando 10.000 homens (1º RI , 11º RI, Eqd. Rec. e Bia de Cmdo da A.D.1/E) navegando pelo mar Terreno. No dia 11/10/44 chegamos a Livorno e ficamos aguardando transporte para Quinta de San Rossore, acampamento organizado pelo V Exército Americano.

De 10/11/44 a 18/11/44 exercícios com novo armamento, recebido pela tropa incompleto mesmo assim, continuamos com a programação determinada pelo comando. Inicio de outono, com chuva, frio intenso e formação de lama, dificultando a movimentação da tropa.

Dia 20/11/44, deslocamento da tropa para o front; em caminhões cobertos com lona com destino a Borgo Capano, lugarejo situado nas montanhas, perto de Porreta Terme.Estrada tortuosa, lamacentas, desfiladeiros imensos, no escuro, e para piorar a situação fria intenso e muita lama.

No dia 21/11/44 entrada em combate, á noite na região de Torre de Nerone, local de difícil acesso, sob as vistas dos alemães nas alturas dos Apeninos, com minas espalhadas pela região, cerradas fogo de artilharia e armas automáticas, como que testando o moral da tropa recém chegada ao front. Revidamos de imediato, com a ajuda da nossa artilharia, morteiros e armas automáticas prontas ação dos infantes, forçando os alemães a recuarem retraindo as suas patrulhas.

O meu batismo de fogo consta do Diário de Operações do III Batalhão, notando-se a ação do Pelotão de Morteiros e das 3 Cia. Integrantes da unidade, durante o dia 22/11, o Blt. sofreu tiros de inquietação por morteiros 80 mm e canhões 85mm sem baixas, porém cerca das 17 horas, forte bombardeio sobre as posições do BTL, com baixas, com dois mortos e seis feridos, prolongando-se o bombardeio até as 19 horas.

Sofremos três levas de ataques sucessivos, tendo o inimigo s aproximado das nossas posições até 50 metros de distância, todos repelidos, retirando-se após as 24 horas, com vários cadáveres e sangue espalhados em frente as nossas posições, identificados no amanhecer do dia seguinte.Por esse motivo o comando do batalhão fez referências elogiosas aos oficiais e praças, mandando constar em sues assentamentos.

O inverno de 44/45, considerado como um dos mais rigorosos no norte da Itália, encontrou a 1ª DIE em situação defensiva, no vale do Reno.Nesse setor, eminentemente montanhoso, a neve acumulou-se em camada, normalmente, superior a um metro, solidificando-se em suas partes, mas profundas, temperatura chegando a atingir 20º graus negativos. Ficamos dentro do fox-hole, enfrentando condições climáticas tão adversas, praticamente todo o inverno, conseguindo nos adaptar à vida sobre o gelo e dar continuidade ao cumprimento da nossa missão de guerra.

Durante dois meses, aproximadamente, as ações limitaram-se ao movimento diário de patrulhas, bombardeiros de artilharia e morteiros, tanto para destruição de objetivos móveis ou fixos, como para inquietação, alguns golpes-de-mão w em algumas situações trocas de tiros com armas automáticas e individuais.

Foram efetuados 4 ataques ao Monte Castelo nos dias 24,25 e 29 de novembro e dia 12 de dezembro. Tomei parte neste último, também infrutífero, e sofremos pesadas perdas em mortes e feridos. 28 feridos e 5 mortos e 16 extraviados o tempo naquela oportunidade, era chuvoso, o terreno escorregadio, lamacento, lama até o joelho, dificilmente se conseguia arrancar um pé do atoleiro e longos trechos foram transpostos em marcha de quatro és porque impossível manter o equilíbrio nas encostas escorregadias.O inimigo, aproveitando-se da situação, nos metralhava com grande facilidade, com armas automáticas, morteiros, canhão 88 mm. Não vou relatar todo o episódio por ser longo e triste.Por fim, depois de tantos sacrifícios, recebemos ordens de retraimento.Isso nos custou grandes perdas.

Por ocasião da nossa retida, tivemos informações de civis da existência de 5 feridos mna terra de ninguém. O comandante do meu pelotão de morteiros organizou uma patrulha e mesmo na balbúrdia da situação, fomos mesmo metralhados por armas automáticas até o local e conseguimos retirar os nossos companheiros daquela situação terrível consta do boletim de operações do III Batalhão.

Quanto ao ataque do dia 21/02/45, com a tomada de Monte Castelo, foi feito com perfeição, a 10ª Divisão de Montanha Norte Americana, atacou o Monte Belvedere pela direita e a DIE pelo centro com o ataque frontal comandado pelo II do Sampaio ao qual pertencia apoiado pelo 6º RI e 11º RI, com a intervenção da Força Aérea Brasileira e de toda a artilharia divisionária tudo correu como previsto pelo V Exército Americano.Transcrever a ação seria por demais longa e em todos os anais da FEB consta com todos os detalhes. Em seguida, Montese, Zocca, Vignola, Vale do Pó, Alexandria, Piacenza, Collecchio, Fornovo di Taro e final da Guerra.

FONTE:
Matéria gentilmente enviada pela
Sra. Olindina Paschoaletti

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