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ÚLTIMO
TIRO DE ARTILHARIA E A RENDIÇÃO INCONDICIONAL ALEMÃ |
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O 1º/2º Regimento de Obuses 105 Auto-rebocado (1º/2º RO 105 Au R - "III Grupo da Força Expedicionária Brasileira - Grupo Souza Carvalho", atual 20º Grupo de Artilharia de Campanha Leve), permanecia acantonado em Bibbiano quando, à 01h00 de 28 de abril, chegou o chefe da 2ª Seção do Estado-Maior da Artilharia Divisionária da Força Expedicionária Brasileira (FEB), Major Antônio de Mendonça Molina, com a ordem para que o III Grupo 105 "enviasse uma bateria em apoio ao I Batalhão do 6° Regimento de Infantaria (RI), que seria empregado contra a tropa alemã em movimento para o Norte, na região de Collecchio - Fornovo di Taro (a 60 km de Bibbiano)." O comandante do grupo, Tenente-Coronel Souza Carvalho, designou a 2ª Bateria, sob o comando do Capitão Valmiki Erichsen, para cumprir essa missão. A bateria foi acionada de imediato e aprestados os obuseiros para a marcha. O deslocamento foi realizado com muita cautela. Às 07h00, a 2ª Bateria alcançou Collecchio, depois de passar por Parma. Próximo dela estava o 6° RI. Informes dos italianos diziam que os alemães haviam retraído dois a três km para o sul de Collecchio, na noite anterior. COMBATE DE COLLECCHIO – FORNOVO DI TARO O Capitão Valmiki apresentou-se ao comandante do 6° RI (atual 6º Batalhão de Infantaria Leve), Coronel Nelson de Mello, que tinha enviado um ultimato de rendição incondicional. Decidida a ocupação de posição das quatro peças nas proximidades da "posição de espera", foi a bateria apontada para a direção geral 4.000 milésimos, correspondente ao eixo de marcha do 1º Btl/6° RI. A partir das 13h00, o Batalhão Gross do 6º RI iniciou a marcha ao encontro dos alemães. Até as 16h00, nenhuma ligação fora estabelecida com a 2ª Bateria, em sua posição de tiro, pelos observadores avançados, dada a impossibilidade da observação terrestre durante a progressão através dos densos bosques da área. Às 16h00, o Tenente-Coronel Souza Carvalho chegou à linha de fogo e determinou ao tenente Raposo que transmitisse aos observadores avançados ordem para realizarem tiros sobre a localidade de Gaiano. Com a noite recrudesceu o combate, progredindo o Batalhão Gross com muita dificuldade devido à tenaz resistência alemã. A tropa brasileira empregava, nos seus ataques, morteiros, metralhadoras, lança-rojões, tudo de que dispunha. E os alemães contra-atacavam, inclusive apoiados por metralhadoras antiaéreas de 20 mm, cujos projéteis traçantes riscavam o ar no rumo de nossa tropa. Foram selecionadas como objetivos as localidades de Segalara e Gaiano, onde o escalão superior informava haver concentrações de tropa alemã. Os tiros realizados pela bateria sobre Segalara, em forma de rajada, foram muito oportunos e eficazes, de grande efeito moral para a nossa Infantaria. Dois problemas passaram a preocupar o Tenente Raposo: a partir das 20h00 percebeu-se a escassez de munição e os indícios de que patrulhas inimigas estariam se aproximando da posição ocupada pela nossa Artilharia. Foi designado o Sargento Pedrozelli para trazer o máximo de munição, do acantonamento de Bibbiano, no menor tempo possível. Missão exemplarmente cumprida, apesar dos grandes obstáculos que encontrou. A segurança imediata da linha de fogo contra a provável incursão de patrulhas alemãs foi providenciada com as medidas tomadas para a defesa da posição pelo Tenente Marcel Padilha, que acabara de chegar de Bibbiano. Distribuíram-se as metralhadoras e os lança-rojões disponíveis, e foram colocadas sentinelas móveis para bloquear os acessos à linha de fogo pelos flancos da posição. RENDIÇÃO INCONDICIONAL
Diante
da importância do fato, o Coronel Nelson de Mello dirigiu-se
ao comandante da FEB, general Mascarenhas de Moraes, que
designou os coronéis Brayner e Castello Branco para o
encaminhamento das negociações em termos incondicionais. Tendo como comandante da linha de fogo da 2ª Bateria do III Grupo da FEB, "Grupo Souza Carvalho", o Tenente Amerino Raposo, as peças a cargo dos sargentos Joaquim Matheus e Luiz Pedrozzelli executaram a última rajada da Artilharia brasileira em campos da Itália à 01h45 de 29 de abril de 1945. Às
18h30, apresentou-se o comandante da Divisão italiana, General Mario
Carloni. O General Zenóbio da Costa foi designado
para escoltá-lo até Florença. O último militar a se apresentar, ao anoitecer
do dia 30 de abril, foi o comandante da 148ª DI, General Otto Fretter
Pico. "A manobra de Collecchio/Fornovo, com o aprisionamento da vanguarda e cerco do grosso adversário, resultou do esforço obstinado dos brasileiros, eficazmente aproveitado pela grande velocidade de marcha proporcionada pelo transporte motorizado da Infantaria realizado pelas viaturas da Artilharia. O inimigo dispunha de copiosos meios em pessoal, armamento e munição. A tropa era de escol:quase todos os chefes de maior graduação e inúmeros oficiais traziam no punho esquerdo o distintivo do Afrika Korps, comandado pelo célebre Vonn Rommel em território africano. Possuíam disciplina e preparo técnico. Apesar disso, capitularam, porque a Divisão brasileira não lhes deixou outra alternativa.O Exército Brasileiro mostrou-se digno do seu passado e à altura, concorrendo brilhantemente para que à nossa Pátria fosse reservado um lugar na reconstrução do mundo".
FONTE:
Página Principal - www.anvfeb.com.br
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