Imagine
um homem bem articulado. Imagine ser surpreendido por uma pessoa que
possui o dom da oratória. Pense no melhor palestrante que já
viu.
Cogite uma conversa informal com uma pessoa dotada de uma profunda
fundamentação teórica e prática de vários
assuntos (advocacia, economia, direito, história, geografia
e, principalmente sobre a FEB). Acrescente a essa mesma pessoa o sentimento
de patriotismo, ética, honestidade e simpatia. Tente encontrar
no seu círculo de amizades alguém assim.
Por
incrível que pareça esse homem existe. Além de
tudo o que foi dito, ele é um dos 25.334 heróis brasileiros
da Força Expedicionária Brasileira que marcaram presença
no conflito de julho de 1944 a maio de 1945.
Nascido
em 02 de maio de 1921, na cidade de Piraí do Sul - PR, o 2º
Sargento Infante Benedito Ravedutti, serviu na Companhia de Serviços
do 11º RI, na função de Auxiliar de Suprimento.
Seus 85 anos de vida resumem a guerra em dois momentos, um triste
e um alegre. O triste e permanente foi toda a guerra: "Desde
o dia da chegada estivemos embaixo de bombardeio o tempo todo. Mas,
nada se comparou a Fornovo, onde se travou um dos combates mais sangrentos.
Numa noite apenas, tombaram em campo 1200 homens, 800 mortos e 400
feridos". Para o herói, o melhor e mais alegre momento,
sem dúvida nenhuma, foi o dia em que a guerra acabou.
No
dia em que voltou para o Brasil, lembra da recepção
à tropa feita pela mulher e filha de Getúlio Vargas:
"Dona Darcy Vargas nos serviu bolo e chocolate". O veterano
recorda ainda, que foi tomado na rua pela família Correia e
Castro. "Essas pessoas me levaram para sua casa, me arrumaram
roupas, barbeiro, comida e pouso por quatro dias".
Casado
há 30 anos com Srª Elza Soares de Oliveira Ravedutti,
com quem teve uma filha, o veterano foi instrutor do Curso de Intendência
do Centro de Preparação de Oficiais da Reserva, em Curitiba
- PR. Após a dispensa do Exército, trabalhou no setor
administrativo da Policia Federal, formou-se em advocacia e exerceu
a nobre tarefa da transmissão de conhecimentos. Durante seis
anos lecionou a matéria Direito Constitucional na FUCMAT -
Faculdades Unidas do Mato Grosso, atual UCDB - Universidade Católica
Dom Bosco.
Ravedutti é
um homem de hábitos simples como assistir TV, conversar, apreciar
uma boa leitura e aplicar sua habilidade de fazer conta. "Ele
é um excelente matemático" comenta a filha Vanessa
Bianca Ravedutti. No cardápio adora uma polenta. Na ANVFEB/MS
exerce a função de Orador Oficial, atividade essa que
corresponde à frase que ele costuma repetir: "O que merece
ser feito, merece ser bem feito".
Vanessa define
o perfil do veterano com a propriedade de quem conviveu toda vida
com o herói: "Não tem como descrever. Meu pai é
"O herói" da minha vida pessoal, da família
e da guerra. Ele me ensinou duas coisas importantes, a moral e a ética.
Mas, a herança mais valiosa que ele me deu foi o estudo".