Sd Pedro Américo de Souza
Ex-Combatente da 2ª Guerra Mundial

6º RI - Regimento Infantaria - Regimento Ipiranga
Caçapava - SP

Dizem alguns estudiosos que se compararmos as atuações na Segunda Guerra Mundial das potências União Soviética, Estados Unidos e Inglaterra, com atuação do Brasil, conclui-se que fizemos pouco. Será?

Será que o aço que produzimos para suprir a máquina de guerra aliada e o auxílio fornecido ao ceder uma parte de nosso território, batizado de “Trampolim da Vitória”, não foi tão importante? Será que se Vargas fizesse uma aliança com Hitler a história seria a mesma?

Quando 25.334 brasileiros resolveram cruzar o oceano rumo á batalha mais cruel que o mundo já viu, entre eles estava Pedro Américo de Souza. Do episódio ele conta:

- Recebi com orgulho a notícia da convocação, ao contrário de muitos, que com o tradicional “jeitinho brasileiro”, escaparam de suas responsabilidades. O amor pela pátria fortaleceu minha decisão.

Mas e hoje? Quantos estariam dispostos a fazer o que os veteranos fizeram pelo Brasil e pelo mundo? Quantos estariam dispostos a lutar uma guerra que não tinha provocado? Quantos teriam a coragem que Pedro Américo de Souza teve de deixar sua família para combater o exército mais temido do mundo?

Nascido em Itajaí-SC, em 20 de agosto de 1920, Pedro Américo foi incluído no efetivo do Exército Brasileiro com soldado em 2 de maio de 1939, no 14º Batalhão de Caçadores em Florianópolis. Em 29 de abril de 1940, foi excluído por término de serviço. Em 19 de junho de 1943, foi reintegrado no 20º Regimento de Infantaria. Com a composição da Força Expedicionária Brasileira, o herói incorporou no 6º Regimento de Infantaria, na função de soldado, embarcando no primeiro escalão com destino à Itália no dia 2 de julho de 1944. A viagem Pedro relata da seguinte forma:

- Foi muito ruim e longa. Fui uma das vítimas constante do famigerado enjôo. Ainda mais que eu nunca havia viajado de barco. O pior é que aqueles dias pareciam ser intermináveis.

Logo que desembarcaram em Nápoles passaram por três dias de treinamento intenso. Não demorou muito para os veteranos se depararem com a destruição, medo, ansiedade, confrontos, superação, adaptação, sobrevivência, heroísmo, morte, decepções, derrotas e vitórias.

- A guerra é uma atitude estúpida, egoísta, agressiva e desumana inventada pelo homem para resolver conflitos. Acredito que ela poderia ser evitada se houvesse mais diálogo e compreensão entre os países e os homens que os conduzem.”, relatou Pedro.

As sábias palavras foram extraídas da experiência do herói nas batalhas de Montese, Florença, Pistóia, e Monte Castelo. Pedro conta que nos piores momentos, sem nenhuma cerimônia, evidenciava-se a morte, o sofrimento e os incômodos gemidos de dor:

- Transparecia nos olhos a insegurança e angústia da população. O inesperado sempre se fez presente. Um amigo faleceu lendo uma carta que havia recebido da namorada.

Da guerra Pedro trouxe uma medalha, e, apesar de ter participado dos piores combates da Força Expedicionária Brasileira, a sorte sempre o manteve ileso de qualquer ferimento. Ao chegar no Brasil o herói participou intensamente da calorosa recepção feita pela multidão de brasileiros no Rio de Janeiro. Após as festas casou-se com Hilda da Silva Souza. União que já dura 62 anos e que deus bons frutos: seis filhos e sete netos.

A vida segue seu rumo. Após a guerra Pedro trabalhou como agricultor e estivador. A família destaca as principais características do herói: trabalhador, amável, determinado, honesto e idealista.

O veterano Pedro Américo é um dos 25 mil homens da FEB dotados de sensibilidade visionária. Ele interveio, mesmo sem saber, no curso de milhares de vidas que foram salvas graças a sua atuação. Um autor desconhecido disse que às vezes, lavando as mãos sujamos a consciência. Nem precisa dizer que a de Pedro está limpa.

Talvez o efetivo da Força Expedicionária Brasileira fosse mesmo pequeno. Clarck citou “Se não posso realizar grandes coisas, posso pelo menos fazer pequenas coisas com grandeza”, e isso Pedro Américo de Souza e a F.E.B., fez com todas as letras na Itália. Seus pequenos gestos tornaram-se gigantes e ecoam até hoje na história.

Para quem deseja ser vencedor, a fórmula ensinada pelo veterano é a seguinte:
- Estudar, trabalhar e lutar pelos seus ideais.
Entendeu! Então o que estás esperando?

FONTE:
Matéria gentilmente enviado por
Vanderley Santos Vieira – Jornalista
(Colaborador do site)

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