MULHER .BRASILEIRA
ENFERMEIRAS DA FEB

O Brasil precisava de enfermeiras. Pelo Decreto nº 6.097, de 15 de dezembro de 1943, foi criado o Quadro de Enfermeiras do Exército, no Serviço de Saúde.

Esse Quadro destinava-se à formação de enfermeiras militares.

Abertos ao voluntariado, apresentaram-se as enfermeiras candidatas Curso de Adaptação realizou-se no Rio de Janeiro, pela Diretoria de Saúde do Exército, e nas sedes das Regiões Militares, pelas chefias dos Serviços de Saúde, no prazo de seis semanas.

As aulas práticas tiveram desenvolvimento por meio de estágios matinais no Hospital Central do Exército. Educação física, treinos de natação, instrução militar, ordem unida e de adaptação ao meio militar foram dirigidos por professores de educação física e natação, e por oficiais do Exército. Essas instruções foram realizadas na Escola de Educação Física do Exército e no Colégio Militar do Rio de Janeiro.

Ao término de um curso intensivo, o aproveitamento das alunas foi apreciado por meio de testes formulados pelos professores, exceto nos ramos de educação física e ordem unida. As consideradas habilitadas foram relacionadas e propostas para nomeação, ao Ministério da Guerra.

Em fase de efetiva preparação expedicionária, foram convocadas para o serviço ativo do Exército. Tornaram-se aptas para o ingresso no Serviço de Saúde da FEB e foram enviadas para o “front”. Eram consideradas enfermeiras de 3ª classe, com vencimentos de 2º Sargento. O objetivo das enfermeiras militares da FEB, oferecendo-se voluntariamente para servir à Pátria, outro não foi senão o de cooperar com os nossos bravos soldados, enfrentando, sem receio, até mesmo a incompreensão humana.

Em número de 73, 67 do Exército e 6 da Aeronautica as enfermeiras foram enviadas para a região de operações em pequenos grupos, por via aérea. Chegando à Itália, experimentaram duras provações, por não possuírem posto ou graduação militar, uma vez que as enfermeiras norte-americanas eram oficiais com patente de 2º tenente a Coronel.

De acordo com sua qualificação, não podiam, as brasileiras, conviver no círculo de oficiais, ao qual pertenciam as “nurses” norte-americanas, daí o isolamento que se esboçava contra elas. Por tais motivos e por não haver alternativa o General João Baptista de Moraes, Comandante da FEB, em entendimento com o Coronel Dr. Emmanuel Marques Porto, Chefe do Serviço de Saúde da FEB, “promoveu” as enfermeiras brasileiras ao posto de 2º tenente. Dessa forma, tiveram sua situação resolvida na parte relacionada com a hierarquia militar. Entretanto, seus vencimentos permaneceram, durante toda a campanha e até seu licenciamento do serviço ativo já em território nacional, equiparado aos de 2º Sargento.

Na Itália, como 2º tenentes, foram distribuídas pelas Seções Brasileiras que funcionavam anexas aos hospitais do V Exército norte americano, escalonados em Nápoles aos Apeninos, trabalhando ao lado das companheiras norte-americanas.

Somente aqueles que dedicaram suas vidas para salvar o próximo, compartilhando o dia-a-dia da guerra, podem aquilatar a grandeza moral de que eram possuidoras nossas enfermeiras.

FONTE:
Revista VERDE OLIVA - Edição Histórica.
Adaptação do texto de autoria do Marechal José Machado Lopes
Revista do Exército Brasileiro.

Matéria gentilmente enviada por
Zenaide Duboc - Barbacena, MG
(Colaboradora do site)