Há sessenta e quatro anos, o comandante da (1ª DIE),
General João Batista Mascarenhas
de Moraes, prestes a enganjar-se na Ofensiva da Primavera,
dirigiu-se aos seus comandados para dizer-lhes que a hora decisiva
da guerra tinha chegado e que a vitória dependia do empenho
de cada um dos integrantes da Força Expedicionária
Brasileira (FEB). Os Pracinhas entenderam a mensagem e aceitaram
o desafio. Vencer era o que mais importava na luta pela promoção
da liberdade no mundo.
A
1ª DIE, integranda ao IV Corpo de Exército,
participou do grande esforço ofensivo que, de 09 de abril à
02 de maio de 1945, foi lançado pelos Aliados, no norte da
Itália, com o objetivo de romper as posições
defensivas adversárias - a famosa Linha Genghis
Khan - e chegar aos Alpes, bloqueando todas as rotas
de retraimento do inimigo para o interior da Alemanha. As tropas brasileiras
receberam a missão de conquistar o maciço de Montese,
considerado um dos mais bastiões da linha defensiva alemã,
e cobrir o flanco esquerdo da 10ª Divisão
de Montanha do Exército norte-americano.
As forças inimigas, sem mais esperanças de reverter
o quadro que lhes era negativo no transcurso da guerra, buscavam oferecer
forte resistência ao avanço dos Aliados. Para isso, estabeleceram-se
defensivamente nas elevações ao sul da cidade de Bolonha
- importante nó rodoferroviário - e se esforçaram
para bloquear as grandes vias penetrantes que dirigiam-se para o norte
italiano.
O ataque do IV Corpo de Exército estava previsto
para ser desencadeado no dia 12 de abril, porém teve de ser
adiado devido às péssimas condições meteorológica
que inviabilizaram o apoio aéreo às forças atacantes.
Dos dias mais tarde, às 08:30 min, os aviões aliados
levantaram vôo e, durante 40 minutos, transpuseram a linha de
contato para atuar sobre as posições defensivas adversárias.
Ás 09hs10min, foi a vez da artilharia aliada realizar os fogos
de preparação. E, finalmente às 09h35min, veio
a ordem para o avanço da 1ª DIE e da 10ª
Divisão de Montanha.
No
dia 14 de abril de 1945, a 1ª DIE venceu uma
das batalhas mais difíceis empreendidas em território
europeu. Deparou com um adversário disposto a não ceder
terreno e precisou atravessar terreno minado sob intensos fogos inimigos.
Nenhuma dessas dificuldades desanimou as tropas brasileiras que, no
início da tarde, conseguiu entrar na vila situada ao sul do
maciço de Montese. Conquistada a posição, nossos
pracinhas continuaram o ataque sobre o restante das elevações,
cobrindo o flanco esquerdo da 10ª Divisão de Montanha
e obrigando as forças alemãs a retrair para a margem
esquerda do rio Panaro.
Na
Manhã de 15 de abril, o comandante do IV Corpo de Exército
manifestou-se com entusiasmo: "Na jornada de ontem, só os
brasileiros mereceram as minhas irrestritas congratulações;
com o brilho do seu feito e seu espírito ofensivo, a divisão
brasileira está em condições de ensinar às
outras como se conquista uma cidade".
A
conquista de Montese marcou significativamente
o início da Ofensiva da Primavera. Somadas às vitórias
obtidas pelos Aliados em Vergato, Tole, Monte Mosca, Monte Pero, Monte
Sole, Monterumici e Monte Adone, essa façanha militar brasileira
contribuiu, decisivamente, para o completo desmantelamento do dispositivo
alemão e o fim da II Guerra Mundial menos de um mês mais
tarde.
Hoje,
ao comemorar o 64º aniversário da Tomada de Montese, a Força
Terrestre rende merecida homenagem à Força Expedicionária
Brasileira. A bravura dos nossos expedicionários em território
estrangeiro, durante uma cruenta guerra que marcou o século XX,constitui
exemplo que devemos seguir todos os dias.

Entrada triunfal das tropas brasileiras na Vila Montese.
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