| Realização
do Ataque ao Monte Castelo
21 de fevereiro
de 1945
( Matéria extraída
do site - www.anvfeb.com.br
)
Aviões
da FAB haviam arrasado a resistência germânica
de Mazzancana, numa arrojada participação
no combate terrestre e num exemplo inesquecível de união
dos expedicionários do ar e da terra.
Às
vinte horas do dia 20 de fevereiro, o Batalhão
do Major Uzêda (I/1º RI) procedeu à
substituição de elementos americanos em Mazzancana,
passando a noite de 20/21 em verificação agressiva
do contato.
Imperava
na tropa brasileira a certeza da vitória.
A
jornada de 21 de fevereiro assinalaria, de qualquer modo, a captura
de Monte Castelo. Mostraria a tropa brasileira
que a sua técnica e a sua agressividade cooperariam decisivamente
para o bom êxito do Plano Encore.
Desembocou
o nosso ataque à hora prefixada, isso é, às
05:30 horas da manhã.
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| Soldados
disparam morteiro calibre 81 mm em posição
protegida por toras e sacos de areia. |
As
reações inimigas fizeram-se sentirem enérgicas
e crescentes, dando margem a lances imprevistos e flutuações
inevitáveis.
O
Batalhão do Major Uzêda progrediu
com certa ousadia sobre a crista, enquanto o III/1º RI mantinha
a frente atingida, defrontando alguns pontos fortes alemães
(1).
Às
09:00 horas, a 5ª Cia. II/1º RI, comandada
pelo Capitão Valdir Sampaio, foi empregada
pelo Coronel Caiado na esteira do Batalhão
Uzêda, em virtude desta unidade estar desenvolvendo
esplendido ritmo no seu avanço. Resistências, contrárias,
entretanto, forçaram os montanheses americanos a marcar
passo ao Norte de Capella di Ronchidos.
Monte
Della Torraccia oferecia uma reação indômita
ao progresso da 10ª Divisão de Montanha.
Em
presença de tal situação, não se realizou
o que fora previsto no Plano Encore: a simultaneidade
rítmica nos ataques montanheses e brasileiros a Della
Torraccia e Monte Castelo, respectivamente.
Não obstante isso, a Divisão Brasileira
continuou a atacar, de conformidade com a ordem do General
Crittenberger, vinda, alias, ao encontro dos desejos
da tropa brasileira.
Tirando
partido da precisão e violência da Artilharia
do General Cordeiro de Farias (2),
o ataque brasileiro redobrou de fúria e impulsão,
tendo em vista conquistar Monte Castelo ainda
na jornada de 21 de fevereiro, o que seria um auxílio ponderável
aos montanheses americanos, contidos pelas resistências
de Della Torraccia.
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| A
Artilharia brasileira teve papel fundamental na conquista
de Monte Castelo |
Pouco antes do meio dia, porém, houve alguma balburdia
lá para a zona da 10ª Divisão de Montanha,
defrontando o Batalhão do Major Uzêda:
resistências inesperadas e de certo resultantes dos contra-ataques
alemães desferidos sobre as valentes tropas do General
Hays. Mais tarde, cerca das 14:30 horas, já eliminados
os ninhos de Cargé e a cota 1036, voltou o I/1º RI
a abrir caminho, conquistando então as cotas 930
e 875.
Em
concordância com a progressão do Batalhão
Uzêda, o III/1º RI, por volta das 14:30 horas,
contando com o apoio eficaz de nossa artilharia, com a 7ª
Cia. Subjugou rapidamente o ponto forte de Fornello.
Nessa ocasião, o Coronel Caído de Castro
empenhou o II/1º RI (menos a 5ª Cia.), realçando
assim a pressão sobre a rampa Sudoeste do famigerado baluarte.
Paralela
e simultaneamente ao emprego acima mencionado, o Batalhão
Ramagem (II/11º RI) avançava em direção
a Abetaia e assegurava valiosa cobertura à
ação que contornava a resistência de cota
887.
Finalmente,
às 17: 20 horas a defesa inimiga entrou em colapso (3).
Seguiram-se operações de limpeza, com a captura
dos defensores remanescentes, e a ocupação definitiva
das encostas do arrogante morro.
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| O
Cel Aguinaldo Caiado de Castro, Cmt do 1° RI, logo após
a conquista de Monte Castelo, dirigiu-se a esta região
em visita de inspeção à sua Unidade. |
A
soldagem das novas posições brasileiras em Monte
Castelo, com as demais da porção oriental
do setor, logo se operou com a ocupação de Abetaia
pelo Batalhão Ramagem (II/11º RI).
O Regimento Sampaio instalou-se definitivamente
nos objetivos conquistados.
Destacaram-se
elementos fortes do Batalhão Franklin
(III/1º RI) para guarnecer Monte Della Casellina,
como posto avançado da Divisão Brasileira,
com o duplo objetivo de garantir a cobertura das posições
recém capturadas e assegurar a imediata tomada do movimento
ofensivo, apesar de ainda não ser favorável a situação
aos nossos aliados em Della Torraccia (4).
E
assim Monte Castelo passou para as mãos
brasileiras. Dezenas de cadáveres, muitos deles contendo
até máquinas infernais de destruição,
estavam ali a testemunhar o encarniçamento da luta prolongada
e a provar a requintada criminalidade das forças que guarneceram
o sinistro morro.
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| Patrulha
no gêlo. |
Com
a captura de tal elevação, escrevera a
Força Expedicionária Brasileira o
capítulo mais emocionante de sua vida.
Monte
Castelo, resistindo durante três meses às
investidas das armas aliadas, erigira-se a cidadela da presumida
invencibilidade germânica.
Para
os brasileiros, no entanto, representará um símbolo
e um marco na vida de nossa tropa em terras de ultramar. Constituiu
o índice do valor de nossa gente.
Significou
a sangrenta forja de nossa agressividade. Traduziu a odisséia
anônimadas atrevidas incursões de nossas patrulhas,
avançando sob nevadas cortantes no gelo resvaladiço,
a se esgueirarem através dos núcleos da defesa inimiga,
em busca do prisioneiro e da informação.
Sumidouro
de centenas de vidas patrícias, a sua captura pelas nossas
forças constituiu um dever de consciência e um imperativo
de dignidade militar. Assinalou o início de uma série
de vistorias esplendidas para nossas armas, vitórias que
elevaram o nome do Brasil e o prestígio de nosso Exército.
(1)
- Antes das sete horas,
o III/11º RI, reserva divisionária,
ocupava Gaggio Montano, onde passou
a aguardar ordens.
(2)
- A nossa Artilharia, superiormente
orientada pelo General Cordeiro de Farias,
apoiou a ação sobre Monte Castelo
com oportunidade e decisiva eficiência, ora em benefício
do conjunto atacante, ora em proveito de um e de outro Batalhão.
Teve papel proeminente na tomada do mencionado baluarte e sua
ação nas últimas horas da jornada abreviou
a decisão do ataque. Posteriormente, vários prisioneiros
de guerra declararam que as concentrações preliminares
desse ataque ao Monte Castelo “eram
de arrebentar os nervos de qualquer um”.
(3)
- As primeiras tropas a alcançarem o cimo de Monte
Castelo, neste ataque, foram as Cias. Comandadas
pelos Capitães Everaldo José da Silva
e Paulo de Carvalho,
pertencentes ao I/1º RI e III/1º RI,
respectivamente.
(4)
- Os defensores de Monte Della Torraccia
resistiram com redobrada obstinação e ainda na
jornada de 23 de fevereiro contra atacaram os montanheses americanos.
A conquista de Monte Castelo significou
o desbordamento em curso do reduto de Torraccia
e passou a desempenhar um valioso apoio às operações
da 10ª Divisão de Montanha.
De tal forma sentiu o inimigo o torneamento de Torraccia,
que sua artilharia, na manhã de 22 de fevereiro, castigou
os brasileiros ocupantes de Monte Castelo
com pesados e constante bombardeios. Torraccia
ainda não tombara e as posições brasileiras
de Monte Castelo, na jornada de 24
de fevereiro, ainda recebiam mais de mil granadas dos canhões
germânicos.
FONTE:
A FEB pelo Seu Comandante
(Matéria
extraída do site www.anvfeb.com.br)
Mal
J. B. Mascarenhas de Moraes
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