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Após sete décadas de convívio
pacífico com as demais Nações, o Brasil foi compelido,
moralmente, a participar da 2ª Guerra Mundial. Tomou essa grave
decisão em desagravo à soberania ultrajada, à neutralidade
desrespeitada, ao afundamento covarde de navios mercantes desarmados
e, sobretudo, para garantir a sobrevivência da democracia e dos
valores morais e espirituais da Humanidade, ameaçados pela sanha
totalitária e liberticida do nazi-fascismo.
A
Força Expedicionária Brasileira (FEB), em que pesem as
dificuldades iniciais encontradas, durante a sua organização,
treinamento e aclimatação ao teatro de operações
europeu, contribuiu, de modo significativo, para o triunfo da causa
aliada, reafirmando perante o mundo, o valor combativo do soldado brasileiro.
A
21 de fevereiro de 1945, exatamente há 63 anos atrás,
a FEB tomou de assalto o Monte Castelo, posição fortemente
organizada e presumivelmente inexpugnável, não somente
pele situação privilegiada de dominância como por
estar defendida por um adversário adestrado, experiente e combativo,
que já repelira, com êxito, três ataques anteriores
desfechados pelos aliados.
A
conquista de Monte Castelo constituíra-se num imperativo moral
para os bravos expedicionários. Desafiados pelos insucessos e
estimulados pelos sentimentos de honra e dignidade, os nossos soldados
encaram, com firmeza e coragem, a crua realidade da guerra e prepararam-se,
durante um rigoroso inverno, para o confronto decisivo. A intensificação
da instrução, as infiltrações audazes das
patrulhas, os golpes-de-mão, a inquietação da artilharia
e dos morteiros inimigos, a chuva, a neve, a temperatura de 18 graus
abaixo de zero, foram sacrifícios necessários ao enrijecimento
dos nossos pracinhas, transformando-os em combatentes de escol. Na data
que hoje comemoramos, lançaram-se com ímpeto irresistível
ao ataque, esmagando resistências, desentocando os defensores
das casa-matas, conquistando o objetivo que há muito os desafiava.
Ao evocarmos o feito heróico de Monte Castelo, motivo de justa
ufania para todos os brasileiros, rendamos as nossas homenagens a todos
aqueles que atenderam, solícitos, ao chamamento da Pátria
em perigo. Aos valorosos soldados, que completaram o sucesso obtido
em Monte Castelo, coroando-o com as vitórias de La Serra, Fornovo,
Collecchio, Castelnuovo e Montese. Aos que, vitoriosos, tiveram a felicidade
de retornar aos seus lares e, aos menos afortunados, que pagaram com
o sacrifício supremo de suas vidas, o preço de nossa liberdade.
A pátria agradecida não os esqueceu. Os seus nomes permanecerão
indelevelmente gravados em nossas mentes e nossos corações,
como exemplos de patriotismo, abnegação, idealismo, fé
no primado da justiça e da democracia e repúdio às
ideologias totalitárias, quaisquer que sejam as suas colorações.
FONTE:
Adaptação da Ordem do Dia do Ministro do Exército
Sylvio Couto Coelho da Frota
Fevereiro
de 1976 - Noticiário do Exército nº 4517

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