Sd Moacir Aleixo
Ex-Combatente da 2ª Guerra Mundial

11º RI - Regimento Infantaria - Regimento Tiradentes
São João del-Rei - MG

Era um dia normal como qualquer outro. Tudo transcorria normalmente até que o Soldado Moacir Aleixo viu a relação dos militares convocados para Força Expedicionária Brasileira. Para sua surpresa seu nome não estava lá. Como não havia motivo que justificasse sua exclusão da lista dirigiu-se até a sargenteação para esclarecer o fato. Chegando lá pediu para o Sargento Candelário incluí-lo. Tempos depois encontrou com o tenente - que por questões éticas preserva o nome -, perguntou-lhe:

- Você pediu para o colocar seu nome na lista da F.E.B.?
- Pedi sim senhor Tenente!
- Você tem certeza?
- Absoluta senhor!
- Você é burro! Burro! Se meu nome estivesse nesta relação eu faria qualquer coisa para sair dela.

Aleixo sabia que entraria na guerra para lutar contra o mais temido exército do mundo. Sabia que nenhuma guerra no mundo poderia ser vencida sem sacrifício. Incorporado no dia 02 de outubro de 1943, no extinto 18º Batalhão de Caçadores, em Campo Grande, o jovem soldado sabia que as coisas valiosas têm um preço, mas não a vida e a liberdade. A opção de ser um anônimo soldado de infantaria não fazia sentido para si. Não seria um comentário tendencioso de um tenente que mudaria sua decisão. Talvez no fundo o oficial tentasse protege-lo. Mas vai saber.

Aos 85 anos de vida, Moacir lembra que exerceu a função de atirador de metralhadora da 5ª Companhia, do 11º Regimento de Infantaria, de São João del-Rei – MG. Recorda-se também que partiu no 2º Escalão e precisou de quatro dias para adaptar-se ao balanço do navio.

- Desembarcamos em Nápoles e depois fomos para Livorno, onde ficamos acampados em Tenuta - San Rossore, nas proximidades da cidade de Pisa. Fiquei admirado com a organização imbatível dos americanos, pois, apesar do frio desgraçado, tínhamos água quente para tomarmos banho. Diante da posição privilegiada não pude deixar de fugir para visitar a torre Pisa. Naquela época subi até o último andar. Hoje se permite apenas a contemplação - contou Moacir.

Durante a campanha da F.E.B. na 2ª Guerra Mundial, 2772 militares foram feridos. No dia 26 de fevereiro de 1945, às 2 horas e 30 minutos, durante um deslocamento noturno, a guerra acabava para o filho de Germano Aleixo e Ana Aparecida de Castro Aleixo. Demoraria bastante para o paulista da cidade de Avaí voltar a andar e correr, o ferimento causado pela mina antipessoal atingiu as duas pernas e reduziu em 50% a sua capacidade da audição.

Quando a guerra acabou Aleixo estava hospitalizado e foi trasladado para o Lagarde General Hospital, em New Orleans, Estado da Lousiana -EUA. No dia 20 de julho de 1945 finalmente retornou ao Brasil. Quando desembarcou em Recife, ironicamente encontrou com o tenente que tentou impedi-lo de ir para guerra. Cumprimentou-o normalmente e viu que o antigo chefe havia sido promovido ao posto de Capitão. Não preciso nenhuma palavra a respeito do fato que naquele momento o oficial estava cumprimentando não mais um simples soldado, mas sim, um nobre herói.

No dia 2 de outubro de 1945 Moacir Aleixo foi licenciado e somente em 19 de agosto de 1969, recebeu a duas condecorações do Exército Brasileiro: a medalha Sangue do Brasil e de medalha de Campanha. Recebeu ainda da F.E.B. a medalha Jubileu de Ouro da Vitória e medalha Mérito da Força Expedicionária Brasileira.

Em 1951 mudou-se para Campo Grande – MS, e em 1955 casou-se com Hermínia Vargas Aleixo, que lhe deu os filhos Eduardo Aleixo - Engenheiro Civil, Ana Aleixo e Glória Aleixo - Administradoras, Marcos Aleixo – Cirurgião e Moacir Aleixo – Professor de Educação Física. A árvore genealógica da família do herói conta com mais 10 netos e um bisneto.
Daniel Vasques Aleixo, 24 anos, futuro Engenheiro Agrônomo comentou:

- A história de vida do meu avô é primorosa e exemplar. Ele voltou vivo, apesar das seqüelas, de um dos piores conflitos mundiais. É claro que sou orgulhoso de ser neto de um verdadeiro herói.

A coragem é um atributo nato em heróis. Moacir demonstrou isso quando manteve sua palavra apesar da pressão do oficial. Lutou contra o nazismo, foi gravemente ferido, mas sobreviveu para servir de exemplo de que certas coisas merecem o sacrifício.

Vet. Moacir Aleixo
Vet. Moacir Aleixo e seu neto Daniel V. Aleixo
Biblioteca do Engarde General Hospital New Orleans Lousiana EUA.
Refeitório do Engarde General Hospital New Orleans Lousiana EUA.
Festa da População da cidade de Avaí-SP
Saudando os heróis da cidade, entre eles, Moacir Aleixo.
Povo nas ruas de Avaí-SP a espera dos Heróis.
Foto do Pai (Germano aleixo) ao lado do Herói Moacir Aleixo.
Leito Engarde General Hospital New Orleans Lousiana EUA
Homenagem pública aos heróis veteranos em Avaí-SP em 1945.
Os Heróis caminham pelas ruas de Avaí-SP.
Biblioteca Engarde General Hospital New Orleans Lousiana EUA.
Única Foto da Mãe do herói (Ana Aparecida Aleixo)
Vet.. Moacir Aleixo
Vet.. Moacir Aleixo e sua esposa Sra. Hermínia Vargas Aleixo

FONTE:
Matéria gentilmente enviado por
Vanderley Santos Vieira – Jornalista
(Colaborador do site)

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