O
que mais ficou na minha memória foi que no dia 24 de dezembro
de 1944, véspera de Natal fiz parte de uma patrulha em Monte
Castelo; pouco antes da meia noite a artilharia inimiga bombardeava
a nossa retaguarda, mas algumas bombas estouraram bem na nossa frente.
O Capitão deu ordem para que permanecêssemos deitados.
Passados alguns minutos o tenente Antonio Calderelli gritou: enfermeiro,
fui atingido! Agachado, fui até ele e vi que um estilhaço
tinha atingido o seu ombro esquerdo... de imediato apliquei duas medidas
de morfina, e com a tesoura tirei o estilhaço.
Cobri o ferimento com sulfa em pó
e dei oito comprimidos de sulfamilanina par ele. Enfaixei todo seu
braço junto ao seu corpo, e ele falou que não estava
doendo. Com a ordem do capitão viemos recuando, ele apoiado
no meu ombro. Estava escuro, caminhamos mais de uma hora, quando escutamos
um grito – avance a senha!...
Eu respondi: brasileiro... trago um ferido, o vulto veio ao nosso
encontro... era o motorista da ambulância que estava escondida.
Viemos
de ambulância até a seção de tratamento
que estava instalada na cidade de Porretta Terme.
Após uns 10 anos viemos a nos encontrar, pois o companheiro
lecionava na escola de Administração de Negócios,
aonde eu era tesoureiro.
Conversamos
muito, e ele contou que foi enviado para os Estados Unidos onde lhe
colocaram uma clavícula de platina.
FONTE:
Matéria
gentilmente enviada pelo 1º Sgt Flavio Costa
Sócio
Especial da ANVFEB - Regional de SBC
(Matéria publicada no Informativo "O
Veterano" do mês de setembro de 2006)
