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Marechal
João Batista Mascarenhas de Moraes Ex-Combatente da 2ª Guerra Mundial Comandante da 1ª D.I.E. Divisão de Infantaria Expedicionária |
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Trabalho de pesquisa organizado pela Direção Nacional dos Veteranos da F.E.B. – Seção Regional de Juiz de Fora/MG – Em comemoração ao centenário de nascimento do bravo Comandante da Força Expedicionária Brasileira. O Marechal João Batista Mascarenhas de Moraes, considerado como símbolo do soldado brasileiro, nasceu a 13 de novembro de 1883, na cidade de São Gabriel, Estado do Rio Grande do Sul e faleceu na cidade do Rio de Janeiro, no dia 17 de setembro de 1968. Era filho de Lafaiete Appolinário de Moraes e de Manoela Mascarenhas de Moraes. Contava apenas 10 anos de idade quando sua cidade foi abalada com a notícia do combate que se travou em suas proximidades, entre as tropas legalistas do Coronel Portugal e as revolucionárias do General Salgado e do Caudilho Gumercindo Saraiva, o que resultou na vitória das tropas revolucionárias e o massacre das tropas legalistas com inomável barbaridade. O massacre das tropas legalistas abalou profundamente o espírito do pacífico e ordeiro povo de São Gabriel. Muitas famílias abandonaram a cidade e emigraram. Entre as famílias emigrantes, estava a de Appolinário de Moraes, bem sucedido comerciante, que abandonou tudo para se transferir para Porto Alegre. Este acontecimento, como não podia deixar de ser, ficou gravado no espírito daquele menino de 10 anos de idade, tornando-o um fervoroso respeitador da ordem e das autoridades constituídas. O seu pendor pela carreira militar, começou, como ele mesmo disse, na sua “infância deslumbrada pelo brilho das espadas e o vibrar dos clarins”. Aos 14 anos, só em Porto Alegre, porque seus pais haviam retornado à São Gabriel, trabalhando e estudando, conseguiu ingressar na Escola Preparatória e de Tática de Rio Pardo, no Rio Grande do Sul. De lá, após a conclusão do curso, saiu para ingressar na Escola Militar do Brasil que também era conhecida por Escola da Praia Vermelha, no Rio de Janeiro. Cursava o 3º ano quando explodiu a revolta por motivo da vacina obrigatória que, na opinião apaixonada dos exaltados positivistas, era um atentado à liberdade individual. Influenciados pela força da propaganda contrária ao Presidente Rodrigues Alves movida pelo Correio da Manhã, os cadetes aderiram ao levante, menos o cadete Mascarenhas de Moraes, que apesar de muito jovem, teve a coragem para manifestar lealmente que “não cabia ao Exército e muito menos aos cadetes de Escola Militar, intervir pelas armas na direção política do país”. Nessa atitude, sempre repetida, colocou sua vida profissional. Nunca, durante o transcorrer de sua longa carreira militar, participou de levantes armados com a finalidade de depor o governo constituído. Quando houve a famosa revolta comunista na Escola de Aviação, em 1935, o corpo de cadetes da Escola Militar de Realengo, marchou, sob seu comando, para combater os revoltosos. Foi a primeira vez na história militar brasileira que os cadetes do Exército saíram de seu quartel para defender a ordem e a legalidade. Com o fechamento da Escola Militar, foi incluído no 23º Batalhão de Infantaria, como soldado, sendo pouco depois transferido para o 6º Batalhão de Artilharia de posição. Reaberta a Escola, a ela regressou em 23 de agosto de 1905 e, depois de completar o curso e ser declarado ALFERES ALUNO, voltou ao 6º Batalhão de Artilharia e Posição. Promovido a 2º Tenente, foi mandado servir no 1º Regimento de Artilharia e Campanha, aquartelado em sua cidade natal, mas aos poucos nele permaneceu porque pouco depois, foi designado para integrar a Comissão Demarcadora do Limite com a Bolívia. Em 1908, foi promovido a 1º Tenente e voltou ao Rio de Janeiro para completar, na Escola do realengo, o curso de Estado Maior e de Engenharia Militar. Em 1910, foi promovido a 1º Tenente e retornou à Comissão Demarcadora de Limites. Em 1915, casou-se com ALDA RIBEIRO BRANDÃO. Em 1918, foi promovido a Capitão; em 1921, recebeu as estrelas de Major; Tenente Coronel em 1928; Coronel em 1921; General de Brigada em 1937 e de Divisão em 1942. Comandava a 2ª Região Militar, quando a 10 de agosto de 1943, recebeu do então Ministro da Guerra, um rádio cifrado, em caráter “urgente”, consultando-o se aceitava o comando de uma das divisões que deveriam constituir o CORPO EXPEDICIONÁRIO. Horas depois, não em caráter “urgente”, mas “urgentíssimo”, enviou a seguinte resposta: MUITO HONRADO E COM SATISFAÇÃO RESPONDO AFIRMATIVAMENTE A CONSULTA DE V. EXCELÊNCIA, EM RÁDIO”. Como Comandante da FORÇA EXPEDICIONÁRIA BRASILEIRA na PENÍNSULA ITÁLICA, tinha a responsabilidade assumida com o Governo Brasileiro de Supremo Mandatário de nossa Força Expedicionária; as de orientar a tropa sob seu comando para o cumprimento da missão recebida e ao mesmo tempo responder perante o Comando Americano pela atuação da força sob seu comando. Sua decisão de organizar, com as viaturas das Unidades da Artilharia um serviço de transporte, com a finalidade de dar maior movimentação à Divisão Brasileira e, conseqüentemente, meios para executar a manobra de “perseguição ao inimigo” com a rapidez que a situação impunha, ressalta a figura ímpar de chefe competente, honesto, humano e eficiente que era, porém modestamente, nenhuma iniciativa tomava sem antes obter o apoio do seu Estado maior. Esta decisão do General Mascarenhas de Moraes, foi integralmente aprovada pelo General Cordeiro de Farias, Comandante da Artilharia Divisionária que em comovente prova de colaboração, determinou providências urgentes no sentido da organização do serviço de transporte. A contribuição da ARTILHARIA no sentido de organizar, com suas viaturas, um “Serviço de Transporte” foi de significativa relevância. Os triunfos obtidos na última semana de abril, que redundaram no cerco das tropas alemãs em FORNOVO DI TARO e a prisão de toda uma Divisão de Infantaria Alemã, colocou em evidência a agressividade de nossa INFANTARIA e a eficiência das demais Armas e Serviços. Inegavelmente, a F.E.B. teve um grande Comandante. Um Comandante que, corajosamente chamou a si todas as responsabilidades, mas ao terminar a Campanha, atribuiu as vitórias conseguidas a seus oficiais e soldados. O Deputado Oscar Passos, em um discurso pronunciado na Câmara dos Deputados, no dia 2 de outubro de 1951, afirmou que “O MARECHAL MASCARENHAS DE MORAES SIMBOLIZA O SOLDADO BRASILEIRO DE HOJE,COMO OSÓRIO E CAXIAS,SIMBOLIZARAM OS DE ONTEM.” Terminada a guerra, regressou à Pátria e, em maio de 1946, pede sua transferência para a reserva, se despede do Exército. São estas as suas palavras:
Para um Soldado que somente viveu do Exército e para o Exército, ao Serviço do Brasil, não pode haver nem maior honra nem maior conforto”. A 16 de setembro do mesmo ano (1946), foi recebido pela ASSEMBLÉIA NACIONAL CONSTITUINTE, ocasião em que lhe foi concedida às honras de MARECHAL DO EXÉRCITO. A 12 de setembro de 1951, na Câmara dos Deputados, recebeu as insígnias do MARECHALATO, sendo revertido ao serviço ativo do Exército, em caráter vitalício, nos termos da Lei 1.488, de 10 do mesmo mês e ano. No discurso que pronunciou, de agradecimento, naquela oportunidade, destacamos os seguintes trechos:
Tanto quanto me permite ver e sentir a razão humana, compreendo, entre desvanecido e cioso das responsabilidades, a verdadeira significação da Lei que fez retornar à atividade, no mais Alto Posto da Hierarquia Militar, aquele que comandou a FORÇA EXPEDICIONÁRIA BRASILEIRA. De fato, regressando ao país, num momento conturbado por paixões política de toda ordem e intensidade, geradas naturalmente pelo entre choque de idéias e aspirações que haviam ao mundo ao mais sangrentos dos conflitos humanos, nenhum elemento dessa Força se valeu da difícil Conjuntura Nacional para agravar problemas, dificultar a ação das autoridades constituídas ou beneficiar-se de situações duvidosas. Posso proclamar hoje e com certo orgulho o faço, que foi irrepreensível, sob esse aspecto em particular o procedimento de todos os membros da FORÇA EXPEDICIONÁRIA BRASILEIRA, individual e coletivamente, desde o mais graduado dos chefes ao mais humilde dos comandados”. Seu último trabalho como Comandante de Força Expedicionária Brasileira, foi o repatriamento dos Mortos durante a Segunda Guerra Mundial. Em suas “Memórias”, este notável brasileiro que tanto dignificou o Exército Nacional e a Pátria, declara:
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