A
Força Expedicionária Brasileira escreveu seu nome na
historia dos grandes Exércitos graças à atuação
de homens que acreditaram fielmente na missão designada. Homens
que tinham certeza de não sucumbiriam frente aos obstáculos.
Homens que assumiram uma responsabilidade acima de suas limitações
e responderam a altura e muito mais do que muitos esperavam. Homens
que se adaptaram com extrema criatividade aos reveses da fome e do
frio. Homens que aprenderam intensamente o sentido dos sentimentos
de medo, alegria, saudade, euforia e decepção. Homens
que estiveram frente a frente com a morte e escolheram viver. Homens
bons, humildes, perseverantes, firmes, exemplares e justos. Homens,
como o Soldado Veterano MARIO PEREIRA DA SILVA, que foram dignos do
titulo que possuem e que fazem parte do seleto grupo que podemos chamar
HERÓIS.
Nascido no ano de 1923, na pequena cidade de Ribas do Rio Pardo, interior
do Estado de Mato Grosso (hoje Mato Grosso do Sul), Mario era o filho
mais velho de seis irmãos (três homens e três mulheres),
do casal
José
Vitoriano da Silva e Abadia Pereira da Silva. Foi o único convocado
para guerra. Melhor dizendo voluntario. Ele conta assim como foi convocado.
“Havia um praça antigo que estava desesperado para sair
do Exercito. Tinha pavor de guerra e estava na lista dos convocados.
Eu não fui relacionado. Quando nos encontramos e soubemos das
intenções um do outro, não perdemos tempo e fomos
conversar com o comandante:
– Senhor eu gostaria de ser dispensado e conceder minha vaga
para o soldado Mario. O comandante perguntou:
- E você Mario o que diz.
Respondi prontamente.
– Eu quero ir comandante, pode contar comigo. Minha resposta
foi tão convicta que acredito que aquele oficial teve certeza
que a troca favoreceria a FEB. Minha mãe soube por telefone
que eu ia a guerra. Desesperada foi ate o quartel tentar minha liberação
em vão, pois quando ela chegou eu já havia partido.
Imaginem a agonia dela. Ainda bem que a sorte, a prudência e
Deus permitiram que eu voltasse são e salvo.
O Veterano partiu com destino a Itália no 1° Escalão.
Era um dos soldados da primeira tropa brasileira a pisar em solo europeu.
Foi incorporado a Companhia de Comando do 2° Batalhão do
6° Regimento de Infantaria, na função de remuniciador.
O fato de serem os primeiros a chegar Itália, nem precisa dizer
que Mario esteve presente em praticamente todos os combates da FEB.
A função designada o transformou num constante alvo
dos alemães. Os deslocamentos eram feitos com o incomodo acompanhamento
de rajadas de metralhadores, tiros de fuzis, tiros de morteiros e
canhões “Era complicado porque eu tinha que sair de minha
trincheira e muitas vezes os alemães tinham o comando da posição,
ou seja, visão privilegiada do cenário do terreno. Eu
usava jipes, quando o acesso permitia. E usava também cavalos
quando não havia condições de trafego de veículos.
Sinceramente não existe coisa pior do que bombas e balas caindo
perto de você. Mas a missão tinha que ser cumprida. E
comigo foi.” – comenta Mario.
Em Monte Castelo, Montese e outros baluartes conquistados, a tarefa
do veterano era cumprida da melhor maneira. Mario não deixou
de perceber que a fuga dos alemães era precedida de destruição:
“Eles abandonavam o material destruído, preparavam armadilhas,
não enterravam os mortos, obstruíam as estradas, derrubavam
pontes enfim. Mesmo fugindo, os inimigos deixavam a marca de sua covardia”.
Quando a guerra acabou Mario voltou para o Brasil, e após a
dispensa trabalhou numa marcenaria, depois numa fazenda em Bonito-MS,
e por fim, foi aprovado no concurso da empresa Estatal Noroeste e
la se aposentou. Casou-se com Faustina Rocha da Silva e juntos trouxeram
ao mundo 10 filhos, que presentearam o casal com 18 netos e um bisneto.
O matrimonio dura mais de 50 anos, um exemplo de amor para a geração
atual que parece não dar muito valor a longevidade do casamento.
Hoje com 84 anos, o Febiano, leva a vida tranquilamente com a certeza
de que a sua dedicação profissional e pessoal foram
plenamente realizadas.
- Bravo quando preciso; prudente sempre; sabedoria nos momentos certos;
no respeito o segredo da amizade; na esperança e dedicação
o caminho do sucesso e no dialogo a solução de muitos
problemas que poderiam ter evitado muitas guerras, inclusive a 2ª.
São dicas de um herói exemplar que adora ler as historias
da revista Read’s Digest, talvez por que ali naqueles personagens
mágicos e reais, enxergue a si próprio. Realmente o
comandante tinha toda razão ao autorizar a incorporação
de Mario na gloriosa FEB. O mundo agradece.
FONTE:
Matéria gentilmente enviado
por
Vanderley Santos Vieira – Jornalista
(Colaborador do site)

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