Sd Mário Couto
Ex-Combatente da 2ª Guerra Mundial

11° RI - Regimento de Infantaria - Regimento Tiradentes
São João del-Rei - MG

Mário Couto nasceu em 03 de maio de 1921, em Belo Horizonte, Minas Gerais. Filho de Teófilo Couto e Ana de Morais Couto.

Em 1943, foi "sorteado", segundo ele, esse era o termo usado para quem era escolhido para fazer parte do CPM (Centro de Preparação Militar). Neste Centro, recebeu suas primeiras instruções ainda como civil.

Estas instruções duraram mais ou menos 60 dias e em seguida foi enviado para incorporar a 8ª Cia do 10º RI aqui em Belo Horizonte. Mais tarde, foi transferido para a 6ª Cia do 11º RI em São João del-Rei/MG e de la, seguiu com toda a Unidade para mais instruções na cidade do Rio de Janeiro, onde ficaram aguardando o dia do embarque. Em 22 de setembro de 1944, compondo o 2º Escalão da FEB o soldado Mário Couto embarca no navio "Gen Meigs" com destino àNápoles, Itália.

Durante sua trajetória no Teatro de Operações da Itália muitas coisas aconteceram, mas o fato que mais lhe marcou foi a patrulha feita em Abetaia no dia 17 de fevereiro de 1945, chamada por ele de "Trágica Patrulha".

Trágica Patrulha
Abetaia - 17.02.1945

 

O 1° pelotão da 6ª Cia do 11° RI recebeu a missão de fazer uma patrulha de combate na localidade de nome Vale, localizada logo depois de Abetaia, nas proximidades de Monte Castelo. Éramos orientados pelo 2º Ten Bruno Vollmer, comandante do pelotão. Na véspera da missão foi apresentado ao pelotão o 2° Sgt Fernando Fontes, e a pedido do tenente veio falar comigo na manhã do dia 16 de fevereiro de 1945, véspera da realização da patrulha, querendo saber dos preparativos e orientações para a missão.

As 23:30 horas o tenente reuniu a turma e perguntou se havia alguém sem condição de fazer parte da perigosa missão. Apenas um se manifestou negativamente e foi prontamente substituído pelo soldado Francisco de Almeida, meu grande amigo e cozinheiro. A meia noite partimos todos confiantes no sucesso da missão. Eu e o soldado Salvador Claudino Chacon estávamos na função de esclarecedor.

Ao chegarmos a Abetaia uma parte do pelotão foi vistoriar a primeira casa a esquerda e a outra foi vistoriar a segunda casa a direita. Eu, Vivaldo José da Paz e o tenente Bruno Vollmer, fomos para o 2° andar da segunda casa, onde encontramos inúmeras armadilhas que tivemos muito cuidado para não tocá-las. Quando estávamos saindo ouvimos uma grande explosão na parte inferior, que causou o desmoronamento de parte da casa. Logo em seguida ouvimos gritos pedindo socorro, com muito sacrifício devido à poeira e a grande quantidade de entulho conseguimos descer parte da escada e neste momento reconhecemos a voz do 3º Sgt Otton Arruda Lopes, que havia entrado pela porta dos fundos e pulado um balcão. O tenente lhe perguntou sua localização e em seguida, mandou que eu verificasse. Quando cheguei a porta encontro um companheiro petrificado como uma estátua que me falou “abri está porta e explodiu lá dentro”. Entrei e avistei sentado no chão, a minha esquerda, o sargento Fontes e a minha frente o sargento Otton soterrado pelos escombros, somente sua cabeça estava descoberta Iniciei o trabalho para salvar o companheiro, removendo as pedras, tijolos e terra que o cobriam. Neste momento localizei o soldado Almeida já morto, seu corpo estava em cima do sargento, e mais a direita, o corpo do soldado Geraldo Ribeiro de Resende. Pedi socorro e o colega José Antônio dos Santos (450) prontamente atendeu ao meu pedido e começamos a retirada do sargento Otton. O José Antônio dos Santos estava tão desorientado que não tinha forças suficientes para carregar o sargento e transpor o balcão para que saíssemos da casa. Neste momento fui obrigado a ser até um pouco agressivo para que ele voltasse ao normal, só assim conseguimos levar o sargento Otton para fora da casa e ficamos a salvo do desmoronamento. Quando o colocamos no chão ele falou “Couto estou com as costas no frio” foi quando o soldado Ademir Dias dos Santos colocou uma tábua debaixo para protegê-lo.

Lembro-me quando o tenente pediu ao sargento para não gritar ou reclamar e o sargento Otton calou-se. Os alemães ainda estavam por perto, por isso o tenente havia feito o estranho pedido ao ferido. Voltei ao trabalho para retirar os demais colegas. Fui até o sargento Fontes e pedi que segurasse em volta do meu pescoço para poder erguê-lo e quando o levantei uma das pernas caiu e a outra ficou pendurada, tive que recolocá-lo novamente ao chão, neste momento ele falou “mamãe” e tombou a cabeça já sem vida. Encerramos retirando o corpo do sargento e dos soldados Almeida e Resende.

Após os serviços de resgate dos feridos e dos mortos, eu, Vivaldo e Marcelino fomos para frente da casa, quando neste momento o companheiro Marcelino teve uma crise nervosa e queria de qualquer jeito atacar os alemães e foi com muito custo que conseguimos contê-lo e acalmá-lo.

Voltei a minha função de esclarecedor dando cobertura ao mensageiro Jorge Justino dos Santos. Depois de algumas horas fui à igreja em Bombiana onde estavam os mortos e também o sargento Otton, gravemente ferido, horas depois foi levado para o hospital de Livorno.

Somente após meu regresso ao Brasil tomei conhecimento que o sargento Otton Arruda Lopes havia perdido parte de sua perna direita. Foi mandado para os Estados Unidos da América, e depois de se submeter a várias cirurgias, teve que fazer uso permanente de aparelho para lhe equilibrar a perna.

Acervo Fotográfico

3º Sgt Otton Arruda Lopes (Tenente, após a guerra)
Fotografia que foi oferecida ao soldado Mário Couto
O Sgt Otton Arruda Lopes, sempre demonstrou muita gratidão e reconhecimento ao Soldado Mário Couto por lhe ter salvado a vida naquela trágica patrulha. Em um de seus encontros com o Veterano Mário Couto na ANVFEB Regional de Belo Horizonte ele redigiu em um pequeno pedaço de papel uma mensagem demonstrando seu reconhecimento.
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" Mário Couto, a guerra nos trouxe grandes sofrimentos, mas, a mim, principalmente, me concedeu a ventura de conhecer o verdadeiro amigo que é você. Eu e minha família agradecemos a sua dedicação e amizade. Pedimos a Deus saber correspondê-las. Abraços de seu amigo. Otton Arruda Lopes - 01.05.1984"
Nesta fotografia recente ainda pode-se ver a casa, agora reformada,
(assinalada com a seta vermelha) onde tudo aconteceu.
Mário Couto - 1944
Mário Couto - 2008
Mário Couto (no centro, o mais alto) em Alessandria - 1945
Mário Couto, em pé, 2º da direita para esquerda
Alcides Daim, J. Messias, Iango, Justino e Couto
Hora do rancho - Mário Couto, o 5º da esquerda para a direita
Alessandria - 1945
Cb Sena, Vivaldo, Couto, Jorge e Gaúcho
Sd Alcides Daim - Nápoles - 02.09.1945
Sd Carlos dos Santos
Sd José Marcelino
Desfile no Rio de Janeiro - 1944
Cartão com mensagem
Sd Salvador Claudino Chacon Sd Mário Couto
Cb Sena, Sd Mário Couto e Sd Carlos
Drex, Jorge, Sena, Mário Couto e Paulistinha
Mario Couto, Sena, Jorge, Daim e Carlos
"Santinho" quando o Cel Viotti foi candidato a vereador
Jorge (P...) e Mário Couto
Soldados da 6º Cia.
Sd Jorge do Carmo
Sgt Moacir
Sd Mateus Sd Osvaldo Marquezane (Iango)
Toniete, Mário Couto, Domingo 20
e Carlos dos Santos
Sd Carlito Sena Cardoso
Carioca, Mário Couto e Cb Sena
Sd Gunther Baldi e Alcides Daim (Carioca)
Sd Adolfo Tosta
(Paulistinha, o mais novo da turma)
Sd Jorge da Silva (P...)
Cap Geraldo Rodrigues da Costa (Cap China)
Sd Francisco Gomes de Morais
Desfile em São João del-Rei - 21.04.1967
Mário Couto (assinalado com a marca amarela)
Solenidade do Dia da Vitória - 08 de maio de 1975
(1. Cap Divaldo Medrado 2. Vet. Mário Couto 3. Aureliano Chaves, na época Governador de Minas Gerais)
Chacon, Drex e Mário Couto
Sd Alcides
Mário Couto e Orestes Abraão
07 de setembro de 1949 - (1) Mário Couto
Veteranos após desfile de 7 de setembro - Década de 70
(Mário Couto, o terceiro da direita para a esquerda)
Veteranos da FEB
Veteranos no Parque Municipal de Belo Horizonte - Década de 40 - Da esq./dir.: Sra e filhos do Vet. Antônio Fagundes, Vet. Antônio Fagundes, Vet. Antônio Moreira, Vet Mário Couto, Vet. Drex, Vet. ?, Vet. Resende e Vet. Paulo Lourenço de Freitas.
Chacon, Edécio, Couto, Hermogenes, Quadrado, Messias, Geraldo Surdo, Septino Giorno, Antônio (Português), Ferreira, Beto, Manoel Campos, Orlando, Mateus e Gambá.
No bairro de Ramos, Rio de Janeiro, no dia do desembarque - 1945
Vet. Jamyson, sua esposa Sra. Augusta, Sra. Maria Felícia, esposa do
Vet. Mário Couto, o Vet. Mário Couto e o Vet. Geraldo Gomes dos Reis.

Fotografia ao lado do Monumento ao Expedicionário - Caçapava/SP
(Onozo, Couto, Reis, Quadrado, Cap Estrela e Geraldo "PM"

Foto tirada em um Hotel Fazenda - 1995
(Cap Ary e Mário Couto)
Festinha dos aniversariantes de maio de 2008 - Vet Ten Cel Joel Lopes Vieira e sua esposa Sra Zir, Sra Eurides Barbabela, Vet Mário Couto e Vet Geraldo Gomes dos Reis.
Festinha dos aniversariantes de maio de 2008 - Vet Cap Medrado, Vet Ten Cel Joel Lopes Vieira e sua esposa Sra Zir, Sra Eurides Barbabela, Vet Mário Couto e Vet Geraldo Gomes dos Reis.

FONTE:
O próprio Veterabo

FOTOGRAFIAS:
Vet. Mário Couto e Roberto R. Graciani

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