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Manoel Siqueira Castro. Na parede
Diplomas e Roteiro da FEB. |
21
de novembro de 1941. O jovem Manoel Siqueira Castro, se apresenta no
11º Regimento de Cavalaria Independente, em Ponta Porá,
MS. Se fosse pelo tenente ele seria dispensado do serviço militar,
o diálogo foi assim:
- Você é muito criança, não serve! Disse
o oficial.
- Pois eu vim para ficar, e vou ficar! Respondeu Manoel.
Espantado com a convicção e coragem do jovem, restou ao
oficial incorporá-lo à tropa. O soldado Manoel mostraria
na prática, muito em breve, que a àquela decisão
do tenente estava mais do que certa. Após três anos de
bons serviços prestados era chegada a hora da prova de fogo.
Ele lembra como se fosse hoje o dia em que o comandante do esquadrão
ordenou:
- Atenção para as atividades de amanhã: café,
e exame médico. O uniforme é o de educação
física. Entendido!
-Sim senhor! Respondeu a tropa.
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Vet.
Manoel Siqueira Castro e sua
esposa D. Helena Dutra Castro. |
Entrávamos
de três em três na enfermaria. O médico foi examinando
um a um superficialmente e dizia: pode sair, dispensado! Quando chegou
na minha vez, o exame foi minucioso. Apesar do doutor não ter
dito nada eu sabia que tinha passado no exame. Só não
sabia ainda para quê, porém, no mesmo dia, o Boletim Interno
esclareceu minha dúvida. Eu iria para guerra. Recorda Manoel.
Manoel foi
transferido para 6º RI - Regimento de Infantaria para exercer a
função de atirador de morteiro do Pelotão de Petrecho
da 5ª Companhia. Pronto, só faltava cruzar o oceano atlântico.
Dessa jornada o veterano conta sorrindo um episódio: A viagem
foi maravilhosa até o quinto dia. A partir daí o navio
começou a balançar. A coisa ficou feia. Por causa do enjôo
fiquei quatro dias sem comer. Minha cara não era das melhores,
mesmo assim brinquei com o colega que também estava péssimo.
Ananias! Vem aqui medir esse caixão para ver se cabe em ti! Mede
em você, pois tu tá pior que eu! As brincadeiras da viagem
serviam para a gente esquecer o enjôo.
Após
o desembarque e as instruções regulamentares previstas,
a Força Expedicionária Brasileira estava pronta para o
combate. Antes do ataque a tropa comentava: amanhã a cobra vai
fumar. E fumava mesmo! Descreve Manoel.
Nascido
em 29 de julho 1923, na cidade de Amabai, MS, hoje com 83 anos, Manoel
Castro Siqueira, é casado há 52 anos com Helena Dutra
Castro. O casal tem sete filhos, treze netos e quatro bisnetos. O veterano
não dispensa uma boa pescaria, mesmo que seja em pesque-e-pague,
e como todo bom pescador, a habilidade de contar histórias é
uma das artes que domina muito bem.
Depois do término do conflito, Manoel trabalhou na fazenda até
ser nomeado para trabalhar nos Correios onde se aposentou. Da guerra
a lição que ficou marcada em sua vida é a da lealdade
ao próximo. Ali, no meio do fogo inimigo, nossas vidas dependiam
um do outro. A confiança era contínua mesmo quando a cobra
fumava, citou Manoel acrescentando que em momentos de dificuldade é
necessário ter esperança, persistência e paciência:
Deixa que vá como está, que bem no fim da certo.
FONTE:
Matéria gentilmente enviada
por
Vanderley Santos Vieira – Jornalista
(Colaborador do site)

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