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Luiz Luciano da Fonseca I/2º ROAuR - Regimento de Obuses Auto Rebocado |
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Os
escritos abaixo foram retirados de depoimentos e histórias contadas
pelos familiares do Pracinha.
Nossas vidas são repletas de vitórias e derrotas, e de Heróis de ficção, onde o cinema, desenhos e quadrinhos nos apresentam personagens com super poderes, seres indestrutíveis e capazes de tudo. Embora hábeis para nosso entretenimento, eles não são capazes de como nós de chorar e enfrentar o medo real da morte e nos deixar de herança um orgulho honroso de uma lição de vida!
Muitos dos nossos verdadeiros heróis podem estar vivos e bem perto de nós, no corpo hoje marcado pelo tempo, mas na mente e em suas fortes palavras um exemplo de vivência, de um verdadeiro herói. É
assim com cada “Pracinha”, cada soldado, independente de
patente, que embarcou para o “Teatro de Operações
de Guerra da Itália”. Luiz Luciano da Fonseca nasceu na cidade de Mogi Mirim no ano de 1919. Trabalhou desde muito cedo, ainda criança sonhava em dirigir grandes caminhões.
Aos oito anos de idade já trabalhava como lavador de carros nas lojas e concessionárias dá época, na adolescência trabalhou em oficina mecânica, aprendendo o ofício, conheceu superficialmente o idioma Inglês tendo um velho dicionário, em virtude a paixão por veículos e seu funcionamento, tentava entender os manuais que ganhava (a maioria em Inglês), movido pela curiosidade.
Aos 20 anos tornou-se motorista, e em 1940 ingressou no exército, tendo servido no 6º RI em Caçapava. Neste período acompanhava todas as notícias da guerra que varria a Europa e as atrocidades cometidas pelo famigerado Adolf Hitler e seus comparsas pelos noticiários de jornais e rádios. Estes fatos geravam profunda revolta no coração daquele jovem da época que acreditava no respeito a vida do ser humano e na espiritualidade, onde a guerra e a maldade comandada pela “Mão de ferro”, sob o signo da “Suástica”, dizimava milhares de inocentes dia após dia. No final do ano de 1941 o soldado “Fonseca” deu baixa, ficando na reserva do Exército Brasileiro. Logo, o Brasil também se tornava vítima, e o governo de Getúlio Vargas, passou a organizar sua Força Militar. Em 1943 o cidadão Luiz Luciano, foi novamente convocado pelo Exército. Conforme relato dos familiares, o que contou foi sua noção de Italiano (herdado do convívio com os avós então imigrantes), além da boa habilidade no volante e experiência em mecânica de veículos. Infelizmente a família, entrou em desespero, sua mãe, irmãs e namorada, choraram com o temor de ter o estimado na linha de guerra. Embarcou para Itália, no 2º Escalão, sentiu muito temor, pois a viagem foi sofrida, e a recepção italiana foi hostil, no primeiro momento. Tão logo começou o treinamento, (quase não pode estar a disposição, pois existia a carência de motoristas no V Exército), mal se adaptou ao seu caminhão, e já estava a serviço, antes mesmo de seu grupamento seguir diretamente ao fronte de batalha.
Fonseca foi empregado em missões de transporte de soldados e outras tarefas solicitadas pelos Norte Americanos e com autorização de seus oficiais superiores da FEB. Logo
seu caminhão, já tinha um apelido “Sem Tempo”,
tamanha eram as tarefas, como transporte de pessoal, correspondências,
reboque de Obuses e também o fogo cruzado. Num dos comboios, sob o comando de militares do V Exército chegou a levar destacamentos de soldados Norte Americanos, até perto da fronteira da Alemanha, em deslocamentos perigosos, em sua maioria a noite, com os faróis das viaturas apagados, com apenas um pequeno lampião em cima do capô, evitando a visualização da aviação inimiga. Outra
passagem triste relatada pelo Pracinha , foi a que ele já havia
se acostumado ao cheiro fétido da morte, do fronte, mas houve
um período, que este cheiro insuportável tomou também
o “Sem Tempo”, ofuscando até o cheiro forte de combustível
, Fonseca inspecionou todo o veículo, sem nada encontrar, então
resolveu procurar, embaixo, quando se defrontou com a cena que o atormentou
pelo resto de sua vida! Também
se entristecia pelo fato da perda de companheiros, e pelo sofrimento
principalmente de crianças que eram inocentes vítimas
da violência, de um conflito que não era delas.
Evitou execuções sumárias, tanto pelas mãos de brasileiros, americanos e partizans, fato muitas vezes comum, mas indigno na visão daquele homem. Foi grande sua felicidade no momento que sentiu que a guerra estava terminando, foi o dia de um grande feito da FEB, a rendição de 20.000, Alemães, que na verdade não tinham noção de tão poucos eram os soldados da FEB, mas foi um dia de muito trabalho, pois ficara encarregado de revistas.
Mas
as felicidade estava próxima pois aquelas cenas remitiam a tão
esperada volta ao Brasil! Com
o termino da guerra Luiz Luciano da Fonseca retornou a São Paulo
e em seguida a Mogi Mirim, onde a princípio teve muitas dificuldades.
Exerceu
a profissão de motorista e caminhoneiro, até o ano de
1987, onde veio a falecer em virtude a um derrame. Nossos sinceros agradecimentos a família Fonseca, pelas descrições e narrativas de memórias, aqui contidas. |
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FONTE: Matéria
gentilmente enviada por Tomaz A. F. Ribeiro
Imagens cedidas ao Tomaz A. F. Ribeiro por Girassol Coleções