LIÇÕES DE BRAVURA
14 de abril de 1945

A CONQUISTA DE MONTESE

O 3º Pelotão da 2ª Companhia do 11º Regimento de Infantaria ocupava, desde 10 de março de 1945, a posição defensiva da Região de Biccochi, Cota 930, quando, às 5h do dia 12 de abril, recebeu ordem, por via telefônica, para organizar uma patrulha de reconhecimento, que, sob o comando de um Sargento, teria pó missão reconhecer a elevação de Montaurigula e, caso não encontrasse resistência, chegar até Montese.

A patrulha, fortemente armada, com 21 homens, sendo três especialistas em minas, partiu às 9h da sua posição de combate (Biccochi), alcançando Montaurigula, sem resistência. Galgou essa elevação e progrediu na encosta sul, rumo geral leste-oeste. Após atingir a metade da elevação, que possuía a forma de uma colina alongada, encontrou um campo de minas antipessoal; o esclarecedor da patrulha já havia caminhado alguns passos dentro do campo, quando percebeu, por sorte e felicidade, as minas, pois algumas se achavam expostas. Passou, então. A atuar a equipe de minas, retirando 82 minas antipessoal.

Após, cerca de 2 horas de espera, a patrulha transpôs o campo minado, prosseguindo na missão.

O moral da tropa atacante era alto; havia gana por parte de alguns soldados, o que levou o comandante do pelotão a conter aqueles que se expunham inutilmente.

Quando o comandante do pelotão realizava os reconhecimentos para assaltar algumas casas “suspeitas” no flanco direito do inimigo, recebeu ordem do comandante da companhia para se desengajar e afastar-se das casas, posto que o Batalhão iria bombardear as resistências inimigas com morteiros 81mm, visando facilitar a conquista do objetivo.

Ao ultimar o reconhecimento de outro flanco, o comandante da patrulha recebeu ordem para retrair, porque a Artilharia Divisionária iria atirar na região e a patrulha já havia ultrapassado, em muito, o tempo programado.

FASES DO ATAQUE A MONTESE – A conquista da cidade de Montese, que era a missão principal da 2ª Companhia, foi planejada para ser realizada em duas fases bem distintas:

1ª FASE: Missão secundária às 9h – ataque com dois pelotões a dois postos avançados do inimigo.

2ª FASE: Missão principal às 12h – ataque à cidade de Montese, também com dois pelotões.

Na hora aprazada, o pelotão do 1º escalão transpôs, em linha, a crista, sob o espontar de foguetes de estrelas vermelhas, anunciando o ataque. A tropa ultrapassou os pontos mais elevados com grande rapidez, apesar do terreno íngreme. Após o pelotão ter vencido um terço do percurso, sua retaguarda foi batida por densa e compacta barragem de artilharia, que cortou o fio telefônico em vários pontos e colocou fora de combate um soldado da equipe de minas e outro de saúde.

O grupo, após pequeno deslocamento, parou e assinalou a existência de minas. O comandante do pelotão, ao chegar ao ponto assinalado pelo sargento, constatou, com satisfação, que não se tratava de um campo minado e sim de armadilhas, feitas com fios de arame ligados a minas antipessoal.

Ao chegar ao topo das elevações de Montese, o pelotão tinha perdido o contato com a companhia; o telefone não funcionava por terem os cabos sidos rompidos pelos tiros da artilharia inimiga; o rádio deixou de captar e transmitir mensagens, por causa de distância e ondulações do terreno.

O segundo grupo empregado teve o seu avanço sustado por fogos vindos do flanco direito, tendo de permeio um terreno limpo.
Quando se preparava para tomar o dispositivo de assalto, foi surpreendido por inesperado e denso bombardeio da nossa Artilharia, que o envolveu e ao inimigo. Em seguida, atingiu as posições inimigas, quando não havia ainda se dissipado a fumaça das granadas. Os alemães permaneciam no fundo de seus abrigos, e já os nossos ultrapassavam suas posições, perfeitamente camufladas. Os alemães tentaram, então, reagir, mas foram postos fora de combate.

Rompidas as defesas, os grupos foram levados para a frente e empregados na consolidação da posição conquistadas e nos ataques aos flancos inimigos.

O 2º Grupo de Combate, logo após juntar-se ao 1º, foi empregado para dominar resistências que hostilizavam nosso flanco direito. Postado em situação favorável e atirando de curta distância sobre um abrigo onde havia sido localizada uma metralhadora inimiga, fez com que os seus ocupantes levantassem um lenço, para logo em seguida se entregarem e as resistências silenciarem.

Depois de demorada luta, em que se conquistou o terreno palmo a palmo, conseguiu-se, no final do dia, dominar as resistências inimigas, fazendo-as retrair após sofrerem algumas baixas.

Ao cair da noite de 14 de abril, estavam dominadas as encostas sudoestes da cidade e quebrada a capacidade defensiva da infantaria alemã, que, desnorteada, abandonou suas posições, deixando no campo de luta alguns mortos e oito prisioneiros. Do nosso lado, houve quatro baixas, sendo um morto e três feridos.

Na noite de 14 para 15 de abril, Montese, não obstante encontrar-se sob domínio das tropas brasileiras, abrigava ainda elevado número de soldados inimigos, o que não impediu a artilharia alemã de desencadear sobre a cidade, naquela noite, cerca de 2.800 tiros.

Na manhã do dia 15, ainda debaixo de maciço fogo da artilharia alemã, a tropa brasileira ultimou a limpeza da cidade.

A conquista de Montese repercutiu favoravelmente nos altos escalões e mereceu dos generais americanos os mais efusivos elogios. Essa batalha ficará marcada para sempre na memória dos soldados brasileiros, pelas lições de bravura e competência operacional dos “pracinhas”.


"Na jornada de ontem, só os brasileiros mereceram as minhas irrestritas congratulações; com o brilho de seu feito e seu espírito ofensivo, a Divisão Brasileira está em condições de ensinar às outras como se conquista uma cidade".
General Crittenberger - Comandante IV Corpo de Exercito.


FONTE:
Adaptação do texto de autoria do
Coronel Iporan Nunes de Oliveira

Revista do Exército Brasileiro.

Matéria gentilmente enviada por
Zenaide Duboc - Barbacena, MG
(Colaboradora do site)