Major José Giesbrecht
Ex-Combatente da 2ª Guerra Mundial
1923 2008

4ª Cia. 11º RI - Regimento de Infantaria - Reg. Tiradentes

São João del-Rei, MG

José Giesbrecht nasceu no dia 20 de setembro de 1923 na cidade de Rio de Janeiro. Seu pai era escrivão de polícia, mas depois se formou em engenharia civil e a atividade de engenheiro exigia que a família viajasse muito. Ele tinha dois anos quando a família foi para Campo Grande e aos 10, após o falecimento da mãe, se mudou para Belo Horizonte. Seu pai, sem muita demora, veio a se casar novamente e o menino José foi morar com o seu avô, o alemão Guilherme Giesbrecht, engenheiro agrimensor, vindo a conhecer muitas outras regiões do país. Seu avô trabalhou em diferentes pontos do território nacional, em obras pioneiras, como a Estrada de Ferro Minas-Rio, Três Corações a Varginha, Estrada de Ferro Bahia-Minas e outras. Para Giesbrecht foi impossível esquecer os tempos passados nas cidades de Governador Valadares, Teófilo Otoni, o grandioso Rio Doce, o pico do Ibituruna ... Passado alguns anos voltou para Belo Horizonte para completar seus estudos e o garoto de apenas 17 anos, que até então só estudava, se apresentou voluntariamente no dia 8 de janeiro de 1941 ao quartel de Belo Horizonte. Para muitos o Exército era apenas uma obrigação, apenas a maneira pela qual se poderia conseguir o certificado de alistamento para depois poder fazer os outros documentos pessoais. Mas para o carioca José Giesbrecht o Exército representava mais, era um objetivo, uma escolha de vida. Começava aí uma carreira de sucesso, glória e inúmeros elogios.

O jovem Sgt Giesbrecht no 10º RI

No dia 1º de março do mesmo ano foi incorporado na 4ª Cia. do 10ª Regimento de Infantaria. No dia 1º de setembro foi promovido a Cabo e devido ao seu empenho, vontade e dedicação, no ano seguinte, no dia 16 de fevereiro foi promovido a 3º sargento. Por causa da guerra na Europa e da necessidade de mais combatentes fortalecendo as praias do nordeste, em abril de 1942 ele foi destacado para a cidade de Campina Grande no estado da Paraíba, sendo incorporado na 1ª Cia. do 22º Batalhão de Caçadores.

Nessa viagem ele conta um caso inusitado: como todos os sargentos tinham direito a viagens de 1ª classe nos trens e navios, ele e muitos outros colegas da mesma patente foram rebaixados a cabos e, assim que chegaram a seus destinos finais foram novamente promovidos ao cargo que exercia antes da viagem. Giesbrecht acredita que isso foi feito para reduzir custos do Exército.

Em Campina Grande havia três quartéis o que contribuiu para que houvesse muitos casamentos na região e também foi nesta ocasião que o Sargento Giesbrecht conheceu o grande amor de sua vida, Cleocene Calado, com quem é casado há 64 anos e teve nove filhos. Ele conta rindo que no 1º encontro ela lhe deu um fora, mas ele não perdeu a esperança e sabendo onde ela morava, ficou de tocaia no ponto de ônibus, onde ela costumeiramente descia e, quando ela desceu, ele perguntou se podia acompanhá-la até a sua casa. Ela foi logo dizendo que não queria namorar com militar porque seu pai falava que militar só queira namorar ao que Giesbrecht retrucou dizendo: eu vou provar para o seu pai que o militar namora, noiva e casa, e já marcou o dia que iria a sua casa falar com seu pai. Deu tudo certo, o Sargento caiu no agrado do futuro sogro e no dia 21 de dezembro de 1942 ele casaram, só no civil porque a igreja só casava com autorização do exército e esta não era dada, motivada com certeza pelo estado de guerra estabelecido. A certidão de casamento só foi apresentada ao exército no ano de 1943 juntamente com a certidão de nascimento da 1ª filha.

Em dezembro deste ano foi deslocado para a cidade de João Pessoa, e foi destacado guarnecendo a praia de Cabedelo, a 18 km de João Pessoa, conhecida por suas águas mornas e calma, tidas como piscinas naturais. Sua posição no Exército lhe rendia algumas regalias e como na cidade praiana onde ele estava não havia quartel, os soldados dormiam em barracões no porto mesmo. Ele, porém, dormia numa pensão com sua esposa e filha.

Desde janeiro de 1942 o Brasil tinha rompido oficialmente as relações diplomáticas com os países do Eixo e a notícia desse rompimento gerou uma reação violenta do Governo de Berlin e o ditador alemão ordenou que fosse desencadeada uma ofensiva submarina na costa brasileira. Começou, então, uma guerra não declarada. Uma reação violenta a um simples rompimento diplomático. Cerca de 32 navios brasileiros foram torpedeados de fevereiro de 1942 até agosto de 1943 e o então Ministro das Relações Exteriores, Embaixador Oswaldo Aranha, emitiu uma nota oficial declarando guerra aos governos de Berlin e Roma, seguida do decreto de estado de guerra pelo então presidente Getúlio Vargas, que determinou mobilização geral do país.

Os que estavam em carreira militar teriam que prestar serviços à pátria e expor suas vidas para enfrentar o inimigo. O Exército, então, parou de dar baixa aos soldados e todos foram submetidos a severos treinamentos. Muitos ficariam em solo brasileiro, protegendo o país de uma possível invasão alemã, outros seriam mandados para a Itália. Em agosto de 1943 foi criada a Força Expedicionária Brasileira sob o comando do General Mascarenhas de Moraes.

E agora, José? Poderiam perguntar os amigos e parentes deste corajoso homem diante da notícia que iria combater em terras italianas. Sua filha sequer tinha completado o primeiro ano de vida, estava com apenas 10 meses e sua esposa encontrava-se no 4º mês de sua segunda gravidez. Nada disso, porém, foi o bastante para que o então 3º Sargento fugisse da responsabilidade.

A confirmação de que o Brasil iria definitivamente entrar na guerra veio em maio de 1944 e, assim que recebeu a notícia, José pediu licença e voltou para Campina Grande. Ele arrumou algumas coisas e partiu para João Pessoa juntamente com a esposa, deixando a filha com a avó materna. Ficaram lá até a véspera de seu embarque para o Rio de Janeiro, quando resolveu pegar um trem para levar Cleocene de volta para casa. A data do embarque não lhe sai da cabeça: 19 de julho de 1944.

Sgt Giesbrecht integra a gloriosa FEB

É com lágrimas nos olhos que o ex-combatente conta que ao voltar para casa deixou a mulher deitada, desmaiada na cama e foi embora. Já era madrugada, precisava partir ou então perderia o trem. No caminho, duas dores o acompanhavam: a tristeza da partida e o fato de não saber se havia deixado a esposa viva ou morta naquela cama.

O 15º Regimento de Infantaria, do qual o Sargento Giesbrecht fazia parte, foi para o Rio de Janeiro se juntar ao 11º RI Os militares ficaram em treinamento no Capistrano, uma região da Vila Militar, até o dia 20 de setembro, juntamente no dia de aniversário de José Giesbrecht, quando embarcaram no navio General Meiggs que estava aportado na Baía de Guanabara. No entanto, a viagem começou apenas dois dias depois, pois os comandantes esperavam uma brecha na movimentação das tropas alemãs nas águas do Atlântico para poderem zarpar do Armazém 10 do cais do porto do Rio de Janeiro. José estava alocado no porão do navio onde tinham vários beliches para o pessoal se ajeitar. Guarda da viagem, até hoje, a lembrança dos vários tropeços que aconteceram porque o navio foi perseguido por submarinos e das inúmeras vezes tiveram que parar em alto mar porque a embarcação balançava muito. Mas finalmente chegaram lá.

O desembarque aconteceu na cidade de Nápoles, no dia 5 de outubro, porém a tropa de Giesbrecht foi logo reembarcada em barcaças de assalto, que possibilitavam o desembarque em praias sem a necessidade de um porto, e mandadas para Livorno, na fronteira com Pisa, região da Toscana na Itália. Lá chegando, os combatentes tiveram o primeiro real contato com a guerra. A cidade acabara de sofrer um ataque aéreo alemão e ainda fumegava, era um cenário de destruição.

A 1ª Divisão de Infantaria Expedicionária, da qual o Sargento fazia parte, foi incorporada ao 5º Exército Norte-Americano.

A tropa se assentou no acampamento de Tenuta di San Rossore, conhecido como o campo de caça do Rei da Itália, nos arredores de Pisa, aonde conheceu as táticas que seriam usadas e recebeu vestimentas e armamento novo, todo norte-americano. Foi uma dura fase de aprendizado para os brasileiros, que tiveram o treinamento no Brasil feito com armas alemãs, diferentes das que seriam usadas durante os combates na Itália.

- A primeira coisa que nós vimos, assim que chegamos lá, foi à torre inclinada – lembra José um pouco nostálgico.

A tropa permaneceu em San Rossore até novembro, quando foi transferida para a região de Monte Castelo e entrou em combate exatamente no dia 4 de dezembro de 1944. Esta seria apenas a primeira de muitas tentativas até a conquista daquela região.

José se sente orgulhoso por ter participado da campanha que tomou Monte Castelo, uma cidade fundamental em qualquer estratégia de guerra por ficar localizada no vale do Rio Pó, cortando os Montes Alpinos. Era por ela a passagem mais fácil entre sul e norte da Itália. Após a conquista da cidade, as tropas brasileiras continuaram avançando em direção ao norte do país, forçando a recuada alemã. Foi a vitória brasileira mais representativa na história dessa histórica participação.

1º Tenente

É rindo que José lembra da época de treinamento pré-guerra, tempo que ele afirma ter sido bem pior do que a própria guerra. Além do treinamento normal já praticado anteriormente, os soldados participavam de missões de socorro e salvamento nas praias, onde recolhiam destroços de navios e, algumas vezes até náufragos sobreviventes das batalhas no mar. Os norte-americanos trouxeram para o Brasil um sistema de treinamento muito forte, que por muitas vezes fazia com que os soldados passassem fome ou fossem obrigados a comer plantas e animais que caçavam durante os exercícios. Já na guerra a situação se apresentava de forma completamente diferente. O combatente era tratado como peça mais importante e recebia todas as regalias. Potes de comida e água, papel higiênico, cigarro e fósforo chegavam aos montes para quem estava no front. Quando a região de combate era de difícil acesso, os suprimentos poderiam demorar a chegar, mas nunca faltavam.

Uma característica das tropas brasileiras era a facilidade com que eles riam deles mesmos e buscavam encarar a situação que enfrentavam com mais tranqüilidade. O tenente não esquece de uma piada existente na época que dizia que o pessoal que ia para a resistência (frente de combate) era o saco A e o pessoal que ficava nos depósitos era chamado de saco B, em comparação com os sacos que eles carregavam durante a guerra. Mas ser um “saco B” não era vantagem do ponto de vista de Giesbrecht:

- Eles sofriam mais que a gente porque nós tínhamos todas as regalias enquanto eles tinham até falta de coisas. No front a gente tinha até gelo.

O saco A continha itens de primeira necessidade, como uma muda de roupa, um sapato, um cobertor, o capacete e arma, além de um porta-retrato e o soldado o levava consigo para onde quer que fosse. Já no saco B ficavam as coisas menos utilizadas, que não necessariamente precisavam ficar junto do combatente. Este saco ficava na retaguarda e era nele que os soldados guardavam suas recordações, achados de guerra e objetos comprados nos momentos de folga.

O pragmatismo norte-americano foi fundamental pra que os brasileiros conseguissem enfrentar o rigoroso inverno europeu. Giesbrecht conta que, nos piores dias, chegava a usar quatro calças para agüentar o frio, e que esta vestimenta era cedida pelos EUA para os combatente brasileiros. Para quem passou o inverno todo nas trincheiras, enfrentando o chão coberto de gelo decorrente da água da chuva que empoçava e congelava, essa colaboração americana fora de muita valia.

Em meio a tiros, granadas, bombardeiros e tudo mais que ilustrava o cenário de guerra, o momento mais constrangedor era a hora de ir ao banheiro. Os soldados tinham que fazer as necessidades de pé, porque o uso de várias calças não permitia que eles dobrassem a perna. Como se isso não bastasse, eles ainda precisavam de ajuda de outro colega para se apoiarem e não cair.

Outra coisa que incomodava o combatente era não poder tomar banho constantemente. A água praticamente congelada não era nada convidativa e para driblar essa situação, os soldados picotavam as caixinhas de ração, que vinha envoltas com um tipo de cera e, criavam uma pequena fogueira na qual aqueciam canecas de água que usavam para a higiene íntima.

Gritou o sentinela
Que soou o toque de recolher
(Um atraso) pode te custar três dias
Companheiro, já estou indo
E então dissemos adeus
Como gostaria de ir contigo
Contigo, Lili Marlene

Lili Marlene era o hino extra-oficial dos soldados da 2ª guerra e é, também, a música que não sai da cabeça de Giesbrecht quando ele lembra daquela época. A coincidência histórica é que a letra desta música foi escrita por um soldado alemão chamado Hans Leip, que a compôs na forma de um pequeno poema durante a 1ª Guerra Mundial. Marlene Dietrich tornou a música famosa em 1943.

Durante a guerra a comunicação era deficitária. Sem os avanços tecnológicos de hoje, era praticamente impossível entrar em contato com a família que havia ficado no Brasil. José driblava as dificuldades escrevendo cartas sempre que podia. A censura era ferrenha, pois o medo de que um lote de cartas fosse interceptado pelo inimigo era tanto que qualquer informação que pudesse explicitar locais, número de combatentes ou de tropas era recortado do papel com uma gilete. A única informação que podia ser transmitida era a de que tudo estava bem.

Outra forma de contato que José mantinha com a família, principalmente com a esposa, era mandando o ordenado que recebia na Itália para o Brasil. Durante a guerra os combatentes recebiam três ordenados de quatro mil liras cada. Um que ia direto pra família ou para a esposa, outro que ficava depositado no Banco do Brasil e um último que era entregue para os soldados no local do combate. Todo o dinheiro que José enviou para a esposa durante a guerra serviu para que ela comprasse a casa alugada em Campina Grande, na qual os dois moravam e continuaram habitando por algum tempo depois de sua volta.

A viagem de volta foi muito melhor que a de ida, como não poderia deixar de ser. Havia a alegria de estar voltando para casa vivo, de rever os parente que ficaram e o sonho maior, conhecer seu filho novo que havia nascido durante a guerra e que ele ainda não tinha visto. Nem por foto.

A prova de que apenas o amor pela família é capaz de derrubar lágrimas no rosto de José acontece quando ele fala sobre a notícia no nascimento do seu filho Marcos Maurício.

O Sargento recebeu um telegrama na Itália, em pleno front, durante a primavera. Era o número 46, que na relação que eles tinham significava “nasceu um menino”. A alegria foi muito grande, praticamente inexplicável. Mas isso é o que ele diz. Hoje as suas lágrimas explicam aquilo que as palavras, às vezes, não traduzem.

Para completar a alegria, José voltou para o Brasil no mesmo navio que o levou para a guerra, o General Meigs. Só que desta vez ele viajou de camarote. Eram apenas 16 pessoas na parte nobre do navio. E ele agora era um deles. Fruto do reconhecimento de seus serviços prestados durante os últimos meses. Mal sabia ele que ficariam para sempre guardadas as lembranças das camas macias com lençóis de linho, bem diferentes do beliche no porão onde ele passou toda a viagem de ida. Posteriormente, esses lençóis foram roubados pelos brasileiros, que usavam o tecido para confeccionar roupas. Nem mesmo os pedidos insistentes do comandante do navio para que nada fosse roubado surtiram efeito.

Quando entravam no navio, cada um dos militares recebia um cartão que podia ser de várias cores. Estes cartões tinham, também, uma numeração que servia para organizar os horários de ida para o refeitório. O alto-falante anunciava uma cor e um número para avisar qual grupo deveria ir até lá fazer a única refeição diária. Ia um grupo de cada vez, dependendo da cor do cartão e da numeração que era chamada. O único cartão que tinha acesso livre no refeitório era o de cor branca. Para a sorte de Giesbrecht, sua volta para casa lhe ofereceu, além do camarote, um cartão branco para o refeitório.

Giesbrecht promovido a 2º Ten e condecorado

Infelizmente, quando chegaram ao Brasil, foram roubados os sacos B do batalhão todinho. Era ali que José trazia suas lembranças, como roupas que ele usou naquele período, coisas que comprou, além de alguns retratos tirados por lá. Nada nunca foi achado.

José havia recebido inúmeros elogios, em terras italianas, por seu desempenho, o que lhe rendeu uma indicação para 2º tenente. No entanto, quando chegou ao Brasil, ele foi licenciado e ficou afastado do Exército esperando retornar o posto no regimento a que pertencia. Após oito meses, José Giesbrecht foi reintegrado, já como 2º tenente, e mandado de Campina Grande para o Território de Fernando de Noronha, onde ficou por dois anos até ser novamente transferido para João Pessoa. Em 1953, ele foi promovido a 1º tenente e foi destacado para servir no Centro de Recrutamento.

Além dos elogios, o tenente também chegou a pegar cadeia. Atitude normal na mocidade, afinal, que jovem nunca desrespeitou regras? Os motivos eram sempre os mesmos: ou tinha sido “mal criado” com os superiores ou saíra para ver a namorada quando não podia. E a punição era implacável. Embora na época não visse tanto problema nas suas atitudes, hoje ele reconhece que tais punições eram merecidas.

José Giesbrecht e sua família

- Mas eu tenho muito mais elogios de moral, vigor físico, coragem, desprendimento e arrojo – diz o combatente, todo orgulhoso. Em junho de 1945 foi condecorado com a Medalha Cruz de Combate de 1ª classe, a mais alta das condecorações em tempos de guerra, além das Medalhas de Campanha em abril de 1946 e a de Guerra em maio de 1947.

Capitão Giesbrecht no C.R em João Pessoa, PB

Em 1961, já como Capitão, José Giesbrecht resolveu mudar de cidade para facilitar o estudo dos filhos. Na época escolheu Campinas como destino, pela boa fama das escolas da cidade e pela presença de um tio, Lucas Augusto do Nascimento, que servia na Escola Preparatória de Cadetes da cidade. Ele foi transferido então para Campinas e passou a servir como Delegado da Junta de Alistamento Militar.

Porém o ex-combatente não esperava sofrer, em tão pouco tempo, uma perda inigualável, que o marcou tanto quanto a guerra. Ele lembra, novamente chorando, quando foi ver de perto a Piracema, época de reprodução dos peixes, quando estes nadam contra a maré, no Rio Atibaia. Na ocasião resolveu levar seu filho Marcone, de seis anos de idade, para testemunhar esta maravilha da natureza. Era o dia 9 de janeiro de 1963 e, para desespero do pai, num momento de distração sua e dos outros filhos presentes, o garoto caiu no rio e morreu afogado.

O ex-combatente foi reformado, em 1967, já como major, e desde aquela época nunca mais trabalhou. Segundo ele, a aposentadoria que recebia do Exército sempre foi suficiente para sustentar a família.

José Giesbrecht

Hoje ele ainda vive em Campinas com a esposa e o filho Marcilio. Tem 23 netos, 15 bisnetos e leva uma vida tranqüila, que em nada faz lembrar da rotina do quartel com a qual conviveu por tanto anos.

Nota: Meu pai deu este depoimento em vida e veio a falecer no dia 25 de junho de 2008 e para mim, seu filho Marcilio, foi um privilegio trabalhar na elaboração deste relato sobre a sua rica e extensa existência. Às vezes eu pensava que ele já tinha nascido militar, tamanha sua identificação com o Exército Brasileiro. Foi um homem íntegro, justo, e sempre disposto a ajudar a quem precisasse.

 

Referências Bibliográficas
Memórias de Guerra: O olhar e a voz dos Expedicionários
Monografia do Curso de Jornalismo - PUCC - Campinas/SP - 2006

Fonte:
Matéria gentilmente enviada por
Marcílio Giesbrecht
Filho do Major José Giesbrecht


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