José
Giesbrecht nasceu no dia 20 de setembro de 1923 na cidade de Rio de
Janeiro. Seu pai era escrivão de polícia, mas depois
se formou em engenharia civil e a atividade de engenheiro exigia que
a família viajasse muito. Ele tinha dois anos quando a família
foi para Campo Grande e aos 10, após o falecimento da mãe,
se mudou para Belo Horizonte. Seu pai, sem muita demora, veio a se
casar novamente e o menino José foi morar com o seu avô,
o alemão Guilherme Giesbrecht, engenheiro agrimensor, vindo
a conhecer muitas outras regiões do país. Seu avô
trabalhou em diferentes pontos do território nacional, em obras
pioneiras, como a Estrada de Ferro Minas-Rio, Três Corações
a Varginha, Estrada de Ferro Bahia-Minas e outras. Para Giesbrecht
foi impossível esquecer os tempos passados nas cidades de Governador
Valadares, Teófilo Otoni, o grandioso Rio Doce, o pico do Ibituruna
... Passado alguns anos voltou para Belo Horizonte para completar
seus estudos e o garoto de apenas 17 anos, que até então
só estudava, se apresentou voluntariamente no dia 8 de janeiro
de 1941 ao quartel de Belo Horizonte. Para muitos o Exército
era apenas uma obrigação, apenas a maneira pela qual
se poderia conseguir o certificado de alistamento para depois poder
fazer os outros documentos pessoais. Mas para o carioca José
Giesbrecht o Exército representava mais, era um objetivo, uma
escolha de vida. Começava aí uma carreira de sucesso,
glória e inúmeros elogios.
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O
jovem Sgt Giesbrecht no 10º RI |
No
dia 1º de março do mesmo ano foi incorporado na 4ª
Cia. do 10ª Regimento de Infantaria. No dia 1º de setembro
foi promovido a Cabo e devido ao seu empenho, vontade e dedicação,
no ano seguinte, no dia 16 de fevereiro foi promovido a 3º sargento.
Por causa da guerra na Europa e da necessidade de mais combatentes
fortalecendo as praias do nordeste, em abril de 1942 ele foi destacado
para a cidade de Campina Grande no estado da Paraíba, sendo
incorporado na 1ª Cia. do 22º Batalhão de Caçadores.
Nessa viagem ele conta um caso inusitado: como todos os sargentos
tinham direito a viagens de 1ª classe nos trens e navios, ele
e muitos outros colegas da mesma patente foram rebaixados a cabos
e, assim que chegaram a seus destinos finais foram novamente promovidos
ao cargo que exercia antes da viagem. Giesbrecht acredita que isso
foi feito para reduzir custos do Exército.
Em
Campina Grande havia três quartéis o que contribuiu para
que houvesse muitos casamentos na região e também foi
nesta ocasião que o Sargento Giesbrecht conheceu o grande amor
de sua vida, Cleocene Calado, com quem é casado há 64
anos e teve nove filhos. Ele conta rindo que no 1º encontro ela
lhe deu um fora, mas ele não perdeu a esperança e sabendo
onde ela morava, ficou de tocaia no ponto de ônibus, onde ela
costumeiramente descia e, quando ela desceu, ele perguntou se podia
acompanhá-la até a sua casa. Ela foi logo dizendo que
não queria namorar com militar porque seu pai falava que militar
só queira namorar ao que Giesbrecht retrucou dizendo: eu vou
provar para o seu pai que o militar namora, noiva e casa, e já
marcou o dia que iria a sua casa falar com seu pai. Deu tudo certo,
o Sargento caiu no agrado do futuro sogro e no dia 21 de dezembro
de 1942 ele casaram, só no civil porque a igreja só
casava com autorização do exército e esta não
era dada, motivada com certeza pelo estado de guerra estabelecido.
A certidão de casamento só foi apresentada ao exército
no ano de 1943 juntamente com a certidão de nascimento da 1ª
filha.
Em
dezembro deste ano foi deslocado para a cidade de João Pessoa,
e foi destacado guarnecendo a praia de Cabedelo, a 18 km de João
Pessoa, conhecida por suas águas mornas e calma, tidas como
piscinas naturais. Sua posição no Exército lhe
rendia algumas regalias e como na cidade praiana onde ele estava não
havia quartel, os soldados dormiam em barracões no porto mesmo.
Ele, porém, dormia numa pensão com sua esposa e filha.
Desde janeiro de 1942 o Brasil tinha rompido oficialmente as relações
diplomáticas com os países do Eixo e a notícia
desse rompimento gerou uma reação violenta do Governo
de Berlin e o ditador alemão ordenou que fosse desencadeada
uma ofensiva submarina na costa brasileira. Começou, então,
uma guerra não declarada. Uma reação violenta
a um simples rompimento diplomático. Cerca de 32 navios brasileiros
foram torpedeados de fevereiro de 1942 até agosto de 1943 e
o então Ministro das Relações Exteriores, Embaixador
Oswaldo Aranha, emitiu uma nota oficial declarando guerra aos governos
de Berlin e Roma, seguida do decreto de estado de guerra pelo então
presidente Getúlio Vargas, que determinou mobilização
geral do país.
Os que estavam em carreira militar teriam que prestar serviços
à pátria e expor suas vidas para enfrentar o inimigo.
O Exército, então, parou de dar baixa aos soldados e
todos foram submetidos a severos treinamentos. Muitos ficariam em
solo brasileiro, protegendo o país de uma possível invasão
alemã, outros seriam mandados para a Itália. Em agosto
de 1943 foi criada a Força Expedicionária Brasileira
sob o comando do General Mascarenhas de Moraes.
E agora, José? Poderiam perguntar os amigos e parentes deste
corajoso homem diante da notícia que iria combater em terras
italianas. Sua filha sequer tinha completado o primeiro ano de vida,
estava com apenas 10 meses e sua esposa encontrava-se no 4º mês
de sua segunda gravidez. Nada disso, porém, foi o bastante
para que o então 3º Sargento fugisse da responsabilidade.
A confirmação de que o Brasil iria definitivamente entrar
na guerra veio em maio de 1944 e, assim que recebeu a notícia,
José pediu licença e voltou para Campina Grande. Ele
arrumou algumas coisas e partiu para João Pessoa juntamente
com a esposa, deixando a filha com a avó materna. Ficaram lá
até a véspera de seu embarque para o Rio de Janeiro,
quando resolveu pegar um trem para levar Cleocene de volta para casa.
A data do embarque não lhe sai da cabeça: 19 de julho
de 1944.
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Sgt
Giesbrecht integra a gloriosa FEB |
É
com lágrimas nos olhos que o ex-combatente conta que ao voltar
para casa deixou a mulher deitada, desmaiada na cama e foi embora.
Já era madrugada, precisava partir ou então perderia
o trem. No caminho, duas dores o acompanhavam: a tristeza da partida
e o fato de não saber se havia deixado a esposa viva ou morta
naquela cama.
O 15º Regimento de Infantaria, do qual o Sargento Giesbrecht
fazia parte, foi para o Rio de Janeiro se juntar ao 11º RI Os
militares ficaram em treinamento no Capistrano, uma região
da Vila Militar, até o dia 20 de setembro, juntamente no dia
de aniversário de José Giesbrecht, quando embarcaram
no navio General Meiggs que estava aportado na Baía de Guanabara.
No entanto, a viagem começou apenas dois dias depois, pois
os comandantes esperavam uma brecha na movimentação
das tropas alemãs nas águas do Atlântico para
poderem zarpar do Armazém 10 do cais do porto do Rio de Janeiro.
José estava alocado no porão do navio onde tinham vários
beliches para o pessoal se ajeitar. Guarda da viagem, até hoje,
a lembrança dos vários tropeços que aconteceram
porque o navio foi perseguido por submarinos e das inúmeras
vezes tiveram que parar em alto mar porque a embarcação
balançava muito. Mas finalmente chegaram lá.
O desembarque aconteceu na cidade de Nápoles, no dia 5 de outubro,
porém a tropa de Giesbrecht foi logo reembarcada em barcaças
de assalto, que possibilitavam o desembarque em praias sem a necessidade
de um porto, e mandadas para Livorno, na fronteira com Pisa, região
da Toscana na Itália. Lá chegando, os combatentes tiveram
o primeiro real contato com a guerra. A cidade acabara de sofrer um
ataque aéreo alemão e ainda fumegava, era um cenário
de destruição.
A 1ª Divisão de Infantaria Expedicionária, da qual
o Sargento fazia parte, foi incorporada ao 5º Exército
Norte-Americano.
A tropa se assentou no acampamento de Tenuta di San Rossore, conhecido
como o campo de caça do Rei da Itália, nos arredores
de Pisa, aonde conheceu as táticas que seriam usadas e recebeu
vestimentas e armamento novo, todo norte-americano. Foi uma dura fase
de aprendizado para os brasileiros, que tiveram o treinamento no Brasil
feito com armas alemãs, diferentes das que seriam usadas durante
os combates na Itália.
-
A primeira coisa que nós vimos, assim que chegamos lá,
foi à torre inclinada – lembra José um pouco nostálgico.
A tropa permaneceu em San Rossore até novembro, quando foi
transferida para a região de Monte Castelo e entrou em combate
exatamente no dia 4 de dezembro de 1944. Esta seria apenas a primeira
de muitas tentativas até a conquista daquela região.
José se sente orgulhoso por ter participado da campanha que
tomou Monte Castelo, uma cidade fundamental em qualquer estratégia
de guerra por ficar localizada no vale do Rio Pó, cortando
os Montes Alpinos. Era por ela a passagem mais fácil entre
sul e norte da Itália. Após a conquista da cidade, as
tropas brasileiras continuaram avançando em direção
ao norte do país, forçando a recuada alemã. Foi
a vitória brasileira mais representativa na história
dessa histórica participação.
É
rindo que José lembra da época de treinamento pré-guerra,
tempo que ele afirma ter sido bem pior do que a própria guerra.
Além do treinamento normal já praticado anteriormente,
os soldados participavam de missões de socorro e salvamento
nas praias, onde recolhiam destroços de navios e, algumas vezes
até náufragos sobreviventes das batalhas no mar. Os
norte-americanos trouxeram para o Brasil um sistema de treinamento
muito forte, que por muitas vezes fazia com que os soldados passassem
fome ou fossem obrigados a comer plantas e animais que caçavam
durante os exercícios. Já na guerra a situação
se apresentava de forma completamente diferente. O combatente era
tratado como peça mais importante e recebia todas as regalias.
Potes de comida e água, papel higiênico, cigarro e fósforo
chegavam aos montes para quem estava no front. Quando a região
de combate era de difícil acesso, os suprimentos poderiam demorar
a chegar, mas nunca faltavam.
Uma
característica das tropas brasileiras era a facilidade com
que eles riam deles mesmos e buscavam encarar a situação
que enfrentavam com mais tranqüilidade. O tenente não
esquece de uma piada existente na época que dizia que o pessoal
que ia para a resistência (frente de combate) era o saco A e
o pessoal que ficava nos depósitos era chamado de saco B, em
comparação com os sacos que eles carregavam durante
a guerra. Mas ser um “saco B” não era vantagem
do ponto de vista de Giesbrecht:
- Eles sofriam mais que a gente porque nós tínhamos
todas as regalias enquanto eles tinham até falta de coisas.
No front a gente tinha até gelo.
O saco A continha itens de primeira necessidade, como uma muda de
roupa, um sapato, um cobertor, o capacete e arma, além de um
porta-retrato e o soldado o levava consigo para onde quer que fosse.
Já no saco B ficavam as coisas menos utilizadas, que não
necessariamente precisavam ficar junto do combatente. Este saco ficava
na retaguarda e era nele que os soldados guardavam suas recordações,
achados de guerra e objetos comprados nos momentos de folga.
O
pragmatismo norte-americano foi fundamental pra que os brasileiros
conseguissem enfrentar o rigoroso inverno europeu. Giesbrecht conta
que, nos piores dias, chegava a usar quatro calças para agüentar
o frio, e que esta vestimenta era cedida pelos EUA para os combatente
brasileiros. Para quem passou o inverno todo nas trincheiras, enfrentando
o chão coberto de gelo decorrente da água da chuva que
empoçava e congelava, essa colaboração americana
fora de muita valia.
Em
meio a tiros, granadas, bombardeiros e tudo mais que ilustrava o cenário
de guerra, o momento mais constrangedor era a hora de ir ao banheiro.
Os soldados tinham que fazer as necessidades de pé, porque
o uso de várias calças não permitia que eles
dobrassem a perna. Como se isso não bastasse, eles ainda precisavam
de ajuda de outro colega para se apoiarem e não cair.
Outra coisa que incomodava o combatente era não poder tomar
banho constantemente. A água praticamente congelada não
era nada convidativa e para driblar essa situação, os
soldados picotavam as caixinhas de ração, que vinha
envoltas com um tipo de cera e, criavam uma pequena fogueira na qual
aqueciam canecas de água que usavam para a higiene íntima.
Gritou
o sentinela
Que soou o toque de recolher
(Um atraso) pode te custar três dias
Companheiro, já estou indo
E então dissemos adeus
Como gostaria de ir contigo
Contigo, Lili Marlene
Lili Marlene era o hino extra-oficial dos soldados da 2ª guerra
e é, também, a música que não sai da cabeça
de Giesbrecht quando ele lembra daquela época. A coincidência
histórica é que a letra desta música foi escrita
por um soldado alemão chamado Hans Leip, que a compôs
na forma de um pequeno poema durante a 1ª Guerra Mundial. Marlene
Dietrich tornou a música famosa em 1943.
Durante
a guerra a comunicação era deficitária. Sem os
avanços tecnológicos de hoje, era praticamente impossível
entrar em contato com a família que havia ficado no Brasil.
José driblava as dificuldades escrevendo cartas sempre que
podia. A censura era ferrenha, pois o medo de que um lote de cartas
fosse interceptado pelo inimigo era tanto que qualquer informação
que pudesse explicitar locais, número de combatentes ou de
tropas era recortado do papel com uma gilete. A única informação
que podia ser transmitida era a de que tudo estava bem.
Outra
forma de contato que José mantinha com a família, principalmente
com a esposa, era mandando o ordenado que recebia na Itália
para o Brasil. Durante a guerra os combatentes recebiam três
ordenados de quatro mil liras cada. Um que ia direto pra família
ou para a esposa, outro que ficava depositado no Banco do Brasil e
um último que era entregue para os soldados no local do combate.
Todo o dinheiro que José enviou para a esposa durante a guerra
serviu para que ela comprasse a casa alugada em Campina Grande, na
qual os dois moravam e continuaram habitando por algum tempo depois
de sua volta.
A
viagem de volta foi muito melhor que a de ida, como não poderia
deixar de ser. Havia a alegria de estar voltando para casa vivo, de
rever os parente que ficaram e o sonho maior, conhecer seu filho novo
que havia nascido durante a guerra e que ele ainda não tinha
visto. Nem por foto.
A
prova de que apenas o amor pela família é capaz de derrubar
lágrimas no rosto de José acontece quando ele fala sobre
a notícia no nascimento do seu filho Marcos Maurício.
O
Sargento recebeu um telegrama na Itália, em pleno front, durante
a primavera. Era o número 46, que na relação
que eles tinham significava “nasceu um menino”. A alegria
foi muito grande, praticamente inexplicável. Mas isso é
o que ele diz. Hoje as suas lágrimas explicam aquilo que as
palavras, às vezes, não traduzem.
Para
completar a alegria, José voltou para o Brasil no mesmo navio
que o levou para a guerra, o General Meigs. Só que desta vez
ele viajou de camarote. Eram apenas 16 pessoas na parte nobre do navio.
E ele agora era um deles. Fruto do reconhecimento de seus serviços
prestados durante os últimos meses. Mal sabia ele que ficariam
para sempre guardadas as lembranças das camas macias com lençóis
de linho, bem diferentes do beliche no porão onde ele passou
toda a viagem de ida. Posteriormente, esses lençóis
foram roubados pelos brasileiros, que usavam o tecido para confeccionar
roupas. Nem mesmo os pedidos insistentes do comandante do navio para
que nada fosse roubado surtiram efeito.
Quando
entravam no navio, cada um dos militares recebia um cartão
que podia ser de várias cores. Estes cartões tinham,
também, uma numeração que servia para organizar
os horários de ida para o refeitório. O alto-falante
anunciava uma cor e um número para avisar qual grupo deveria
ir até lá fazer a única refeição
diária. Ia um grupo de cada vez, dependendo da cor do cartão
e da numeração que era chamada. O único cartão
que tinha acesso livre no refeitório era o de cor branca. Para
a sorte de Giesbrecht, sua volta para casa lhe ofereceu, além
do camarote, um cartão branco para o refeitório.
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Giesbrecht
promovido a 2º Ten e condecorado |
Infelizmente,
quando chegaram ao Brasil, foram roubados os sacos B do batalhão
todinho. Era ali que José trazia suas lembranças, como
roupas que ele usou naquele período, coisas que comprou, além
de alguns retratos tirados por lá. Nada nunca foi achado.
José
havia recebido inúmeros elogios, em terras italianas, por seu
desempenho, o que lhe rendeu uma indicação para 2º
tenente. No entanto, quando chegou ao Brasil, ele foi licenciado e
ficou afastado do Exército esperando retornar o posto no regimento
a que pertencia. Após oito meses, José Giesbrecht foi
reintegrado, já como 2º tenente, e mandado de Campina
Grande para o Território de Fernando de Noronha, onde ficou
por dois anos até ser novamente transferido para João
Pessoa. Em 1953, ele foi promovido a 1º tenente e foi destacado
para servir no Centro de Recrutamento.
Além
dos elogios, o tenente também chegou a pegar cadeia. Atitude
normal na mocidade, afinal, que jovem nunca desrespeitou regras? Os
motivos eram sempre os mesmos: ou tinha sido “mal criado”
com os superiores ou saíra para ver a namorada quando não
podia. E a punição era implacável. Embora na
época não visse tanto problema nas suas atitudes, hoje
ele reconhece que tais punições eram merecidas.
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José
Giesbrecht e sua família |
-
Mas eu tenho muito mais elogios de moral, vigor físico, coragem,
desprendimento e arrojo – diz o combatente, todo orgulhoso.
Em junho de 1945 foi condecorado com a Medalha Cruz de Combate de
1ª classe, a mais alta das condecorações em tempos
de guerra, além das Medalhas de Campanha em abril de 1946 e
a de Guerra em maio de 1947.
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Capitão
Giesbrecht no C.R em João Pessoa, PB |
Em
1961, já como Capitão, José Giesbrecht resolveu
mudar de cidade para facilitar o estudo dos filhos. Na época
escolheu Campinas como destino, pela boa fama das escolas da cidade
e pela presença de um tio, Lucas Augusto do Nascimento, que
servia na Escola Preparatória de Cadetes da cidade. Ele foi
transferido então para Campinas e passou a servir como Delegado
da Junta de Alistamento Militar.
Porém o ex-combatente não
esperava sofrer, em tão pouco tempo, uma perda inigualável,
que o marcou tanto quanto a guerra. Ele lembra, novamente chorando,
quando foi ver de perto a Piracema, época de reprodução
dos peixes, quando estes nadam contra a maré, no Rio Atibaia.
Na ocasião resolveu levar seu filho Marcone, de seis anos de
idade, para testemunhar esta maravilha da natureza. Era o dia 9 de
janeiro de 1963 e, para desespero do pai, num momento de distração
sua e dos outros filhos presentes, o garoto caiu no rio e morreu afogado.
O
ex-combatente foi reformado, em 1967, já como major, e desde
aquela época nunca mais trabalhou. Segundo ele, a aposentadoria
que recebia do Exército sempre foi suficiente para sustentar
a família.
Hoje
ele ainda vive em Campinas com a esposa e o filho Marcilio. Tem 23
netos, 15 bisnetos e leva uma vida tranqüila, que em nada faz
lembrar da rotina do quartel com a qual conviveu por tanto anos.
Nota:
Meu pai deu este depoimento em vida e veio a falecer no dia 25 de
junho de 2008 e para mim, seu filho Marcilio, foi um privilegio trabalhar
na elaboração deste relato sobre a sua rica e extensa
existência. Às vezes eu pensava que ele já tinha
nascido militar, tamanha sua identificação com o Exército
Brasileiro. Foi um homem íntegro, justo, e sempre disposto
a ajudar a quem precisasse.
Referências
Bibliográficas
Memórias de Guerra: O olhar e a voz dos Expedicionários
Monografia do Curso de Jornalismo - PUCC - Campinas/SP - 2006
Fonte:
Matéria gentilmente enviada por
Marcílio Giesbrecht
Filho do Major José Giesbrecht

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