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Cap
Joaquim de Castro |
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Com uma semana de preparo, em 27 de novembro o III Batalhão, sob o comando do Maj Cândido Alves da Silva, deslocou-se para Sila, para participar do “Batismo de Fogo” do 11º RI Expedicionário no terceiro ataque a Monte Castelo, principal posição fortificada do inimigo na área. Os dois ataques anteriores não tinham logrado sucesso, tanto pela forte resistência dos alemães quanto pela hostilidade do clima gelado e pelo terreno íngreme que não era favorável aos atacantes. Nesse terceiro ataque, o III Batalhão, junto com a Companhia de Obuses, apoiaria o ataque principal feito pelo 1º RI Expedicionário, do Rio de Janeiro, no dia 29 de novembro. A 8ª Companhia, a comando do Cap João Manoel de Faria Filho, era uma das subunidades que primeiro enfrentariam o inimigo, depois da intensa “guerra de nervos” vivida no Brasil, no Atlântico e nas longas semanas na Itália. Disputava em expectativa e vibração com a 9ª Companhia, do Cap Hugo de Andrade Abreu, que posteriormente ficaria famoso como general pára-quedista. Desde as 18h do dia 28, todos já ocupavam suas posições de ataque, “com o mais sadio patriotismo, alevantado moral e os olhos fitos no Brasil” como relataria o Comandante do Batalhão. Na noite da véspera foram intensas as patrulhas de reconhecimento realizadas por aquela “mineirada irrequieta”.
Às 04h do dia 29 de novembro, a 8ª Companhia se deslocou para a linha de partida, de onde saiu às 08h para o ataque de flanco no setor de Abetaia, chamado de “corredor da morte”. O 3º Pelotão, comandado pelo 2º Ten Agostinho José Rodrigues, avançava alinhado com os demais, sob o terrível “fogo amarrado” dos tedescos (alemães) entrincheirados, repleto de cercas farpadas, obstáculos, neve e muita lama. Com esse esforço concentrado, a 8ª Companhia atingiu seu objetivo inicial, um ponto cotado a 1 km além da linha de contato. Por causa do insucesso das ações do 1º Batalhão do 1º RI no ataque principal contra uma defesa mais forte, à esquerda do dispositivo de ataque, o Cmt do III Batalhão do 11º RI deu a ordem de retraimento às 7ª e 8ª Companhias. Seus Pelotões acabaram por recuar novamente até a linha de partida, trazendo consigo, do campo de luta, cinco combatentes mortos e vinte e três feridos.
Entre esses últimos, o 3º Sgt JOAQUIM DE CASTRO, Cmt do 1º Grupo de Combate do 3º Pelotão da 8ª Companhia. Durante o ataque, ao avançar com seu GC, ultrapassava as linhas de trincheiras inimigas “fox holes” consideradas abandonadas. A neve estava acumulada sobre a camuflagem das trincheiras quando, se desviando dos tiros frontais, o Sgt Castro sentiu o chão ceder e caiu dentro de uma delas. De seu interior pulou para fora, em disparada, um “tedesco” que a ocupava e que aproveitou para disparar uma rajada de sua metralhadora de mão (a famigerada “Lurdinha”) tentando eliminar de vez aquele brasileiro atrevido. Nesse ponto, valeu a instrução individual do rolamento para o lado, o que veio a trocar a perda da sua vida pela perda dos ossos de seu pé esquerdo, atingido pelos tiros. Pelo estrago feito, até hoje existe a dúvida se esses tiros não vieram de metralhadora alemã pesada, MG-34 ou MG-45 sobre tripé, que varria a frente dos defensores. Imediatamente foi substituído no comando do GC (Grupo de Combate) pelo seu Cabo Auxiliar e, após o retraimento da subunidade, mandado para o posto de evacuação da Companhia, de onde foi encaminhado para o hospital de campanha do Batalhão de Saúde da 1ª DIE.
Devido à gravidade da fratura e fragmentação do pé esquerdo, com alguma possibilidade de recuperação, foi transportado por via aérea para o Hospital La Garde, em Nova Orleans - Louisiana, nos Estados Unidos onde, após preparação especializada, foi submetido a uma cirurgia de implante de prótese de platina que lhe devolveu os movimentos do pé. Como passou longo tempo em recuperação nos EUA, retornou ao Brasil bem mais tarde que os demais expedicionários. E por este motivo não recebeu as homenagens de boas vindas que o povo brasileiro prestou ao exército vitorioso, no Rio de Janeiro e nas cidades de origem dos pracinhas.
Ao retornar ao 11º RI em São João del-Rei em meados de 1945, foi reformado por incapacidade física permanente devido ao ferimento recebido. Casou-se com a noiva Odete Resgalla no dia 1º de julho, com quem veio a ter oito filhos. Em março de 1947 foi promovido ao posto de 2º Tenente, e a 1º Tenente em abril de 1957. Permaneceu residindo em São João del-Rei até o ano de 1961, quando então se mudou para Belo Horizonte. Em outubro de 1973 foi promovido, para fins de vencimentos, a Capitão. Foi um dos fundadores da Seção Regional de BH da ANVFEB, chegando a fazer parte de sua diretoria. Com o passar do tempo, doou todos seus objetos, fardas, agasalhos, equipamentos individuais, cartões postais, fotografias, documentos e lembranças da guerra aos museus da FEB, tanto de BH quanto de São João del-Rei. Participou de todos os encontros nacionais de veteranos da ANVFEB até o ano de 2004. Como homenagem, recebeu os títulos de Cidadão Honorário de São João del-Rei, de Santa Bárbara e de Pedro Leopoldo, todas em Minas Gerais. Atualmente reside com sua esposa Dª Odete na Avenida Assis Chateaubriand, na esquina em frente à sede da ANVFEB, Seção Regional de Belo Horizonte. Recebeu,
por sua participação na II Guerra Mundial, as seguintes
condecorações: O Capitão Joaquim de Castro faleceu em Belo Horizonte em 26 de março de 2009. FONTE:
Página Principal - www.anvfeb.com.br
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