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João de Lavor Reis e Silva Ex-Combatente da 2ª Guerra Mundial 1917 † 2000 1º RI - Regimento Infantaria - Regimento Sampaio Rio de Janeiro, RJ |
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Foi alocado no 1º RI, o famoso Regimento Sampaio, na Vila Militar, em Marechal Hermes, onde as tropas estiveram sob treino durante meses, antes de embarcar no 2º Escalão que seguiu para a Itália, em 22 de setembro de 1944. Meu pai dirigia um jeep em seu pelotão, o 6º da 3ª companhia , por coincidência, sob comando de um amigo do Pedro II, capitão Paulo de Carvalho. Como falava um pouco de inglês, era chamado eventualmente para ajudar nas conversas entre soldados do 5º US ARMY e a FEB. Este grupamento participou dos primeiros ataques a Monte Castelo e seu pelotão foi um dos primeiros a chegar ao cume do monte, depois do ataque vitorioso em fevereiro de 1945.
Algumas de suas histórias sobre a guerra contam sobre o dia em que seu pelotão fazia uma patrulha e pernoitou numa igreja, onde se depararam ao amanhecer com um monte de corpos nos fundos da mesma. Sua pior lembrança era o "cheiro da morte, que ficava entranhado nas narinas e não saia da memória", além do medo dos ataques e do estampido assustador de morteiros, metralhadoras e canhões alemães. Nunca relatou se chegou a matar algum inimigo em ação. Também falava da profunda tristeza em ver a população das cidades e lugarejos, mulheres, crianças e velhos, sem ter o que comer, mendigando e vivendo entre escombros. Numa ocasião, meu pai dirigia um jeep, rebocando munição para um posto de tiro, quando ficou sob fogo de morteiros alemães. Escapou por pouco, retornou a pé ao seu PC e foi encaminhado para o hospital, onde se recuperou por alguns dias de surdez temporária. Depois deste evento, foi encaminhado para operações de intendência na retaguarda. O fato que mais lamentou sobre sua volta da guerra foi ter perdido um livro, que parecia ser um original manuscrito raríssimo, com memórias do pensador iluminista Voltaire, que achou nos escombros de uma casa, uma das poucas coisa que trazia em seu "saco B", além de uma Lugger e um capacete alemão como souvenires. Os pertences na bagagem da maioria dos soldados da FEB foram saqueados na chegada dos navios ao Rio...
As poucas fotos de meu pai na época da guerra foram tiradas depois das hostilidades, no acampamento em Francolise, passeios em Roma e Pompéia, além da volta ao Brasil no navio General Meighs. Arranjar uma câmera fotográfica era tarefa difícil para a maioria. Depois da guerra, meu pai se tornou técnico em administração, depois funcionário público federal do Ministério da Agricultura e depois, do Planejamento. Ao longo de alguns anos do retorno a vida normal, chegou a escrever um roteiro para um filme sobre a guerra. Curiosamente, a seqüência inicial que escreveu no seu roteiro era muito parecida com a abertura do filme "O resgate do Soldado Ryan" (1998), onde o personagem traz a lembrança (flashback) suas memórias de guerra, com seus filhos e netos, num cemitério. Meu pai não criou muitos vínculos com associações de ex-combatentes, mas ajudou muito alguns amigos veteranos menos favorecidos, nos tempos difíceis do pós-guerra. Não comentava muito comigo e meus irmãos sobre a guerra, o que depois descobrimos ser corriqueiro entre as famílias de outros veteranos, onde filhos, esposas e netos relatam o mesmo.
Hoje, é da maior importância ver iniciativas que resgatem
a memória dos que estiveram na guerra, sob fogo inimigo, representando
nosso país num momento climático da História, ao
custo da própria vida. Honras sejam feitas a todos estes pequenos
grandes heróis brasileiros!
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