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Natural
de Juiz de Fora, MG
UNIDADE:
Batalhão de Saúde
POSTO OU GRADUAÇÃO:
3º Sargento, Ao retornar ao Brasil, reintegrou-se as fileiras do
Exército
até ser transferido para a reserva no posto de Capitão.
CONDECORAÇÕES:
Medalhas de Campanha
Medalha de Guerra
Militar de Bronze
Pacificador
“United Plack Meritorious Service (Americana)”.
Entrevistado por um membro da Diretoria da Anvefeb /Juiz
de Fora.
UM
ACONTECIMENTO QUE FICOU GRAVADO EM SUA MEMÓRIA
Não
é fácil – disse o entrevistado – recordar
com nitidez, fatos ocorridos a cerca de 40 anos e pelos quais minha
vida passou como “outra face” da guerra, em alguns de seus
aspectos menos conhecidos e nada espetaculares, porém muito humano.
Lembrar a emoção do embarque no grande transporte de tropas
e os preparativos para a viagem – para nós, verdadeiro
salto no escuro, pois o Atlântico ainda era “habitado”
por submarinos e “visitados” por aviões do Eixo...
- à noite, causou-nos surpresa o deslumbrante contraste entre
a iluminação feérica dos imponentes navios “General
Meiggs” e “General Mann” onde estávamos e o
rigoroso “black-out” do caís do porto...
Lembrar o inesperado encontro, no segundo dia a bordo, com o cabo OLIMPIO
que, dez dias atrás, havia se casado com MARIA – minha
prima do Paraná - e tome queixas dolentes e suspiros saudosos
do jovem guerreiro por sua formosa Mariazinha...
Lembrar a chegada a Nápoles e a curta permanência em seu
semi destruído porto onde, a vista do Vesúvio, foi motivo
de uma citação em carta que dirigi a meus pais: “desta
distância e sem o seu característico penacho de fumo, o
Vesúvio parece um pacato morro das Minas Gerais...”
Lembrar a viagem Nápoles-Livorno, nas barcaças LCI: o
violento temporal e a tromba d’água que caiu entre a praia
e o comboio de barcaças. Estas saltavam sobre as enormes ondas
que então se formavam, mercê da tempestade.
- em meio à faina dos marujos, a inquietante informação:
”minas desgarradas”. As minas avistadas foram destruídas
a tiros de metralhadoras de bordo...
Lembrar alguns jocosos, dos quais é possível destacar:
-Em novembro fui designado para auxiliar o Ten. Dentista NIZIO, na censura
da correspondência a ser encaminhada para o Brasil. Dessa atividade
lembro-me do trecho da carta de uma enfermeira para sua família,
que citava: “o frio é intenso e à noite cai muita
neve, tanto que de manhã eu mando um soldado retirar com a pá
a neve da porta de minha barraca”. Mas o inverno, que não
sabia dos anseios da jovem missivista, somente apresentou-me um mês
depois...
- Certa feita, no acantonamento de Marina de Piza, o Sgt, PACHE DE FARIA,
a esvaziar a marmita dos restos do seu almoço, pegou-a pela extremidade
da alça e, talvez por comodismo, ao invés de despejá-la
no latão de lixo, atirou os restos de comida num lance de mais
de um metro e, a marmita, articulada como era, girou sobre o eixo e
despejou o seu conteúdo para trás, na carga do Sgt. PACHE...
Lembrar a indescritível emoção – corações
vibrantes de patriotismo e lágrimas aflorando aos olhos –
quando cantamos o Hino Nacional ao fim da missa solene na Catedral de
Pisa onde, segundo a lenda – ou fato histórico o balanço
de seus lustres tangidos talvez pelo vento, inspirou Galileu a idéia
de que a Terra, por si “se move”.
Nota:
Foi com esta narrativa, Por ele mesmo escrita, que o Capitão
RR IVO ZANETTI, atendeu ao convite de um elemento da Diretoria da Anvefeb/JF
para contar um acontecimento que havia ficado gravado em sua memória.
FONTE:
Do livro "Histórias de Pracinhas" Contadas por eles
mesmos
Autor: Vet Maj Álvaro Duboc Filho
Matéria
gentilmente enviada por
Zenaide Duboc
Filha do Vet Maj. Álvaro Duboc Filho
(Colaboradora do site)
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