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Ismael da Costa Neves Ex-Combatente da 2ª Guerra Mundial 6º RI - Regimento de infantaria - Regimento Ipiranga Caçapava, SP |
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Da Viagem Seguimos viagem de lancha e trem e chegamos na Vila Militar no Rio de Janeiro dia 18 de novembro de 1944 e no dia seguinte fomos escoltados a um posto de saúde fazer exames, não tivemos tempo para esperar o resultado. Do Embarque Em 23.11.1944 o 4º Escalão da FEB, partiu levando 4.691 homens a bordo do navio americano General Meigs sob o comando do Cel. Mário Travassos designado a construir o depósito do pessoal (DP/FEB). A viagem no navio pelo oceano atlântico apesar de muito bem guarnecida e confortável, tinha diversos divertimentos, cada qual tinha sua cama (beliche) fomos escoltado com 02 (dois) Cruzadores e 01 (um) Detroirs, mesmo assim tínhamos consciência do perigo que corríamos. O calor era muito grande e a alimentação americana muito diferente dos nossos costumes (sem sal) junto com o balanço do navio a maioria enjoava e não conseguia alimentar, eu, por exemplo, só tomava café e comia pão até o nosso comandante perceber que estávamos todos mal, e pediu ao comandante do navio que fizesse comida brasileira, a partir daí foi feito feijão preto com salsicha e assim as coisas melhoraram. O calor forte sufocava, quando disseram: estamos passando pela linha do Equador senti o vento frio e o tempo ficou encoberto. Entramos no mar mediterrâneo, águas mais mansa. Foram muitos dias até começar aparecer serras à nossa direita, estávamos costeando a África, passamos no Forte de Gibraltar à noite. A chegada na Itália Em 05.12.1944, pela manhã o navio estava parado, deram ordem para subir no convés, para surpresa, era Itália, Porto de Nápoles. O cenário era de tristeza e fracasso causado pela guerra. Os Italianos foram chegando e pegavam tudo que os soldados jogavam. A ordem foi para que todos descessem para seus lugares pra evitar espionagem, passamos o dia dentro do navio. Começa nova jornada A noite ordem para desembarque, descemos no escuro carregando todo equipamento que trazíamos e andamos alguns metros no escuro onde 60 (sessenta) embarcações ligeiras nos aguardava. L.C.I – Landing Craft Infantary, mais 36 (trinta e seis) horas em mar encapelado. Como era triste, todos nós enjoados e vomitando. No dia 08/12/44 ao clarear o dia chegamos no Porto, era Livorno e ao desembarcar vi uma coisa estranha, era balão de barragem. Os caminhões transportes foram encostando e o pessoal embarcando seguia em comboio, fomos para um acampamento na área da Quinta Real de São Róssore nas imediações da cidade de Pisa. Ali armamos barraca e ficamos de dois em dois durante 15 dias recuperando da viagem e no dia 23 seguimos para o ponto final na área de Staffoli no eixo Pisa – Montecatini, onde passamos receber intensiva instrução sobre o gelo e a lama. Em 15.02.1945 fui transferido para o Front, chegamos à noite em Riola onde estava o comando do 2º Btl. do 6º RI, Maj Henrique Cordeiros Oeste. No dia seguinte fui incluído na Seção de Abastecimento do Btl. Auxiliar de mecânico. Não fui caçar alemão de Riola, subimos até Farné cordilheira dos Alpes, voltamos acompanhando os infantes rumo a Montese até o ataque e vitória, assistimos de perto granadas de morteiros e tanques a toda hora. Voltamos a Zocca onde a companhia do 6º RI já havia tomado. Seguimos para região de Collecchio onde a 148ª Divisão Alemã estava já sem saída em Fornovo. Ficamos em Sto. Ilário Bragança e S. Vitale até evacuar os prisioneiros e todo material apreendido dos alemães. Em 07/05/44 teve ordem para irmos até o Rio do Pó. Alegava ter 200 alemães sem poder atravessar o rio. Seguimos cedo, a primeira cidade Parma, em seguida Bolonha onde só se via escombro, em seguida Modena. Chegamos no final da tarde em Castelnuovo-Scrívia, onde recebemos ordem para pousar. Por volta das 19 horas gritaram: fim da guerra na Itália. O ten. Byt me disse: Mato Grosso! Acabou a guerra para nós, agora vamos passear. A partir daquele dia ficamos hospedados na casa de uma família muito boa, Sr. Guisepe e dona Maria até o dia 13/06/45 quando saiu o ultimo comboio de nossa companhia, rumo ao porto de embarque. Fizemos dois pousos sendo que o segundo foi a um km de Roma, ocasião em que o Papa Pio XII, pediu ao Comando Geral Brasileiro que levasse o exercito brasileiro até o Vaticano para ser abençoado por ele. Chegamos em Francolise de onde 20 dias depois embarcamos de volta para nosso querido BRASIL. O Retorno ao Brasil No navio brasileiro D. Pedro II, paramos na Espanha onde mascates aproveitaram para negociar, em seguida outra parada em Dácar na África. Finalmente Brasil, Recife –PE onde fomos recebidos pelo povo que nos esperavam em grande comício na Praça 13 de Maio. Seguimos para o Rio de Janeiro, onde chegamos em 08/08/1945. Aguardei o despacho em Caçapava e segui para minha terra natal, meu Mato Grosso. Só cheguei em minha velha residência no dia 09/09/1945, onde minha mãe e meus irmãos já haviam perdido as esperanças de me ver de volta, pois morava na zona rural lugar de difícil acesso para chegar correspondência. A minha mãe não continha de tanta felicidade ao me ver retornando, graças à Deus vivo e com saúde. Aqui vai o meu abraço a todos os meus irmãos Febianos. Acervo fotografico
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