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Sr
Isidoro e sua neta Tatiane |
Era
1942. A cidade do Rio de Janeiro presenciava o término da 3ª
Reunião de
Consultas dos Ministros do Exterior das Repúblicas Americanas,
que originou a aprovação da resolução que
sugeria o rompimento de relações dos Estados americanos
com os países do eixo. No discurso final, o Chanceler brasileiro
Oswaldo Aranha anunciou o rompimento das relações diplomáticas
brasileiras com o Japão, Itália e Alemanha. No final mesmo
ano, o jovem cidadão Isidoro Teodoro da Silva, voluntariamente,
incorporava na Escola Motomecanizada no Rio de Janeiro. O fato de ser
arrimo de família, não foi utilizado como desculpas para
ser dispensado, ao contrário de muitos outros sem o mesmo espírito
patriótico.
No quartel e através da imprensa Isidoro acompanhou a evolução
dos acontecimentos relacionados à guerra: a organização
da defesa das regiões Norte e Nordeste do Brasil, o encontro
de Roosevelt e Vargas, a aprovação das medidas para criação
da Força Expedicionária Brasileira (F.E.B), a abertura
para o Corpo de Voluntariado brasileiro, os constantes afundamentos
de navios brasileiros e o desfile da FEB.
Isidoro lembra que estava prestes a ser dispensado do Exército,
pois já havia cumprido seu tempo de serviço obrigatório,
no entanto, a dispensa havia sido cancelada por causa da guerra. D.
Benta dos Anjos Teodoro, sentiu o peito apertar quando soube que seu
único filho iria atravessar o oceano para enfrentar uma das batalhas
mais sangrentas da história. Antes de incorporar na FEB, Isidoro
havia sido transferido para uma unidade em Recife – PE. Após
a realização dos exames médicos, foi incluído
no 5º escalão, integrando o Depósito de Pessoal.
O veterano embarcou com a certeza de que ao chegar ao velho mundo a
história seria outra. Por isso, aproveitou a viagem, leu, comeu,
contou e ouviu piadas, cantou, jogou e participou entusiasmado dos exercícios
rotineiros de ataque ao navio.
- Embarcados no navio Gen Meigs éramos 5128 homens ansiosos por
fazer companhia aos outros brasileiros que já haviam conquistado
Massarossa, Camaiore, Monte Prano, Fornaci, Barga, Galiciano, Barga
entre outras vitórias. Foram 15 intermináveis dias a bordo,
até que no dia 22 de fevereiro, um após a conquista de
Monte Castelo, chegamos a Nápoles. “Sorte dos alemães
que estavam em Monte Castelo, pois estávamos com a corda toda.”,
comenta Isidoro.
Quando desembarcou em Nápoles Isidoro presenciou o caos: “eu
vi o que a intolerância da guerra havia provocado. Milhares lamentavam
pela destruição. Outros milhares choravam pelos mortos.
Outros tantos nem conseguiam chorar sem forças. Estavam magros
e desnutridos. A esperança parecia ser um sentimento quase esquecido,
mas ela insistia em se fazer presente nos olhos das crianças.
Ali vi a nobreza da ação da FEB. O brasileiro não
poderia ficar de fora e precisava dar sua parcela de colaboração
em nome da liberdade. Em nome da vida”.
O Filho do casal Benta dos Anjos Teodoro e Vereano Dias da Silva, adora
o campo. Nascido no dia 02 de janeiro de 1925, em Coxim, na época,
Estado de Mato Grosso, hoje Mato Grosso do Sul, quando tinha apenas
um ano perdeu o pai, morto por ter dado apoio a famosa Coluna Prestes.
Do episódio herdou 4 mil hectares de terra que assumiu após
retornar da guerra. “Desde 2000, são meus filhos que administram
as terras, mas sempre que posso aproveito apareço por lá
para matar a saudade”, revela Isidoro.
Viúvo, pai de cinco filhos o veterano revela o carinho que tem
pela família. Tatiane S. Barbosa da Silva, Terapeuta Ocupacional,
traduz a importância de ser uma dos 11 netos do herói:
“Meu avô sempre foi um grande exemplo a ser seguido. Eu
tive o privilegio impar de personificar por intermédio dele,
o que li nos livros de história e ouvi dos professores na sala
de aula. Graças ao meu avô e os outros expedicionários
o soldado brasileiro passou a ser respeitado e admirado pela coragem
e cordialidade”.
A conquista destacada por Tatiane é reforçada por Isidoro:
“O que fizemos na Itália representou o passo inicial para
modernização da doutrina, equipamentos, armamento e transportes
nas Forças Armadas e também, a conquista da notoriedade
mundial. Após a segunda grande guerra o Brasil passou a ser requisitado
para compor as Forças de Paz da ONU e da OEA. Infelizmente o
governo da época não valorizou o legado e muitos veteranos
morreram a mingua”.
62 anos depois da guerra, o veterano faz uma sábia reflexão:
“não existe bem mais precioso do que a vida que nos foi
dada de graça. É preciso ter opinião para não
desperdiçá-la em drogas, bebidas e outros vícios.
É preciso saber viver. E quem viu uma guerra de perto sabe que
quando se tem um sonho, e quando esse sonho é a vida e a liberdade,
nenhum obstáculo é grande demais para ser superado”.
FONTE:
Matéria gentilmente enviado
por
Vanderley Santos Vieira – Jornalista
(Colaborador do site)

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