Cabo Heli José do Nascimento
Ex-Combatente da 2ª Guerra Mundial

6º  Regimento de Infantaria Regimento Ipiranga
Caçapava, SP

Sentado prazerosamente em sua cadeira preferida, o ex-combatente Expedicionário, Heli José do Nascimento, comentou sobre o elogio que recebera em Boletim Regimental nº 177, de 30 de junho de 1945 – página 1.572. A página, amarelada pelo tempo, diz o seguinte:

Incumbido do transporte de alimentação para Companhia. Percorrendo estradas lamacentas à noite ou de dia, sistematicamente batidas pela artilharia ou morteiros inimigos numa profundidade cerca de dois quilômetros, conduziu invariavelmente a hora marcada as rações para sua Companhia. Louvo-o pela coragem, espírito de sacrifício, abnegação e solidariedade com que cumpriu sua missão na árdua e gloriosa jornada de Monte Castelo.

Sr. Heli e família em sua residência

Percorrer estradas lamacentas dia e noite, batidas pela artilharia ou morteiros inimigos, por dois meses, indiscutivelmente foi uma missão titânica cumprida rigorosamente pelo herói. Quando foi convocado para guerra, o Cabo da 7ª Companhia do 3º Batalhão do 6º Regimento de Infantaria atendeu voluntariamente o chamado da pátria. O pai, único parente informado, conscientemente entendeu a importante tarefa que o filho tinha que realizar.

No Rio de Janeiro, Heli foi um dos primeiros soldados a embarcar no Navio General Mann. Era sua primeira viagem nesse tipo de transporte. Ao contrário de muitos outros soldados, adorou a viagem sem ter sofrido com o incômodo enjôo. Na Itália 50% de sua esquadra pereceu em combate. Heli recorda que lutou nas batalhas de Monte Castelo, Montese, Fornovo, Camaiore, Fornacci, Zocca, Collecchio, Monte Prano, Monte Belvedere, Porreta Terme e Pisa. Da jornada o herói comenta:

- No começo nós precisamos nos adaptar ao combate real e isso não foi nada fácil. Os treinamentos nem se comparavam com a realidade. Graças a Deus, durante toda permanência na guerra não fui atingido nem ferido. Quase perdi o pé, mas o responsável foi o gelo, porém, uma sábia italiana tratou de mim por dois dias com compressa de água morna.

Mas o pior da guerra não foi o risco de perder o pé. Durante uma patrulha, viu seu melhor amigo, o Cabo Luiz Gomes de Quevedo, ser infelizmente, atingido por uma granada de morteiro:

– Pra mim, foi o pior momento do conflito. A granada de morteiro caiu exatamente na cabeça dele. A cena foi horrível. Na verdade, a morte, muitas vezes inevitável, despertava uma incoercível sensação de impotência.

Sr. Heli em sua residência

Para contrapor o desapontamento causado pelas perdas, Heli comenta que teve o prazer de visitar Roma e conhecer bons contadores de causos. A sensação inconfundível da vitória, como por exemplo, a rendição da divisão alemã, além de justificar a qualidade do soldado brasileiro, servia como um combustível que restaurava nossas forças e aumentava o ânimo para continuarmos lutando.
O último episódio que marcou a permanência do Herói na Força Expedicionária Brasileira deu-se quando do desembarque no Rio de Janeiro:
- A festa da recepção no Rio foi linda. Nunca tinha visto tanta gente na minha vida.

Após a guerra voltou para Santa Maria para trabalhar na plantação de arroz. A experiência deu know how ao veterano e, em pouco tempo, já estava administrando uma fazenda no noroeste do Paraná. Lá conheceu a esposa Maria Irene Assunção Nascimento. O casamento já dura 51 anos. Três filhas, um neto e um bisneto são os frutos desse matrimonio.

Nascido em Santa Maria – RS, em 27 de junho de 1922, o veterano mudou-se para Campo Grande em 1978 onde reside atualmente. Hoje o herói está com 84 anos, e mesmo depois de 62 anos, seus feitos na Itália continuam servindo com exemplo, principalmente para sua filha Iara Nascimento:

– Naquela época, a informação era restrita. Não se tinha a facilidade de confirmar um fato com a rapidez de hoje. Mesmo assim, movidos pela certeza de que o ideal era nobre - e de fato era - os veteranos da Força Expedicionária Brasileira lutaram voluntariamente convictos pelo bem da humanidade.

FONTE:
Matéria gentilmente enviado por
Vanderley Santos Vieira – Jornalista
(Colaborador do site)

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