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Natural
de São João del-Rei - MG
UNIDADE:
III/11º- Regimento de Infantaria
POSTO
DE GRADUAÇÃO:
2º Sargento. Foi promovido s 1º Sargento durante a campanha.
Retornando ao Brasil,
permaneceu nas fileiras do Exército até sua transferência
para a reserva no posto de Capitão.
CONDECORAÇÕES:
Medalha de Campanha - Medalha de Guerra - Madalha Sangue do Brasil -
Militar de
Prata - Pacificador - Cruz de Combate de 1ª Classe e Militari Medal
(Inglesa)
(Entrevistado por um membro da Diretoria da ANVEFEB/Juiz de Fora.)
UM ACONTECIMENTO QUE FICOU GRAVADO EM SUA MEMÓRIA
Interrogado sobre um acontecimento que havia ficado gravado em sua memória,
ocorrido durante a Campanha da FEB. Na Itália respondeu:
“Eu poderia, meu caro companheiro, responder a sua pergunta contando
um acontecimento. Mas vou além. Quero transmitir um pouco da
minha ou, melhor, da nossa emoção e do nosso entusiasmo.
O poeta, a meu ver, é um iluminado. Ele, em uma única
quadra transmite aquilo que uma outra pessoa qualquer não seria
capaz de transmitir com um amontoado de palavras. E o que ele diz em
versos, pela sua sutileza e harmonia, fica de tal modo gravado em nosso
subconsciente que basta um acontecimento relacionado com o fato para
que suas palavras aflorem à nossa mente.
Isto aconteceu comigo durante a memorável campanha da FEB. Na
Itália, nos meses de setembro e novembro de mil novecentos e
quarenta e quatro.
Já adaptado à rotina diária de bordo do grande
navio de transporte de tropa do Exército Americano, “Gen.
Meigs”, no quarto dia do nosso embarque no Porto do Rio de janeiro,
eu e meus companheiros começamos a procurar um meio de “matar
o tempo”, a fim de esquecer os problemas pessoais. No convés
do navio observando os movimentos dos habitantes do mar, isto é
um peixe voador ou u peixe de grande porte que pareciam acompanhar o
navio, surgiu inesperadamente em minha mente a lembrança do meu
tempo de estudante, em uma escola primária, em minha terra natal.
Lembrei-me e que, diariamente, antes do início das aulas, cantávamos
uma canção patriótica: o Hino á Bandeira,
de autoria do poeta-soldado – Olavo Braz Martins dos Guimarães
Bilac era o que mais gostávamos.
Nesse mesmo dia, pouco mais tarde, vimos surgir ao longe, justamente
onde parecia que o mar se encontrava com o céu, a ponta de um
mastro e, logo após, uma bandeira a nossa Bandeira que, soprada
pelo vento, caminhava em nossa direção. Era o Cruzador
Bahia, da nossa Marinha de Guerra que vinha se incorporar à Escolta
que deveria nos acompanhar durante a viagem.
Nesse momento, toda a alacridade cessou como por encanto. O silêncio,
entretanto, explicava tudo: aqueles bravos que ali se encontravam não
tinham palavras nem maneira de externar o encantamento do quadro que
observavam ou – quem sabe? – estavam pensando no que haviam
deixado para trás, isto é, as suas famílias, os
seus amigos, enfim, a Pátria...
Nesse momento surpreendi-me cantando baixinho:
“SALVE
LINDO PENDÃO DA ESPERANÇA;
SALVE SÍMBOLO AUGUSTO DA PAZ!
TUA NOBRE PRESENÇA À LEMBRANÇA.
A GRANDEZA DA PÁTRIA NOS TRÁZ.”
No dia 18 de novembro de 1944, acantonados na montanha região
de Filétole, na Itália, para o último reajustamento,
iniciamos um treinamento para adaptação, aquilo que haveríamos
de enfrentar, isto é, a chuva, o frio, a lama e a neve. O dia
seguinte (19 de novembro), dia do culto à Bandeira, amanheceu
bonito. Não estava chovendo e também, não havia
nevado durante a noite. O tempo parecia compreender que queríamos
homenagear nossa Bandeira e estava colaborando.
Frei Alfredo, nosso bravo Capelão Militar (III/11º Regimento
de Infantaria), havia tido a feliz idéia de plantar, na região
de nosso estacionamento, um grande mastro de madeira, para que nela
fosse hasteado o nosso Pavilhão Nacional.
Eram precisamente 11 horas quando a solenidade começou. Naquele
momento, com o pensamento voltado a Pátria distante, fiz uma
rápida comparação sobre a diferença de fuso
horário entre o Brasil e a Itália e mentalmente disse
a mim mesmo:- no Brasil são 7 horas...
Depois de uma bonita alocução sobre a data, relembrando
os deveres do cidadão para com a Pátria, foi dado o comando
de:
- SENTIDO!...
- EM CONTINÊNCIA À PÁTRIA DISTANTE!...
- APRESENTAR ARMAS!
Foi com os olhos marejados de lágrimas que a grande maioria acompanhou
a elevação da Bandeira no alto do mastro. Mais uma vez
surpreendi-me cantando baixinho:
“CONTEMPLANDO
O TEU VULTO SAGRADO!...
COMPREENDEMOS O NOSSO DEVER
O BRASIL POR SEUS FILHOS AMADOS
PODEROSO E FELIZ HÁ DE SER”

Um outro acontecimento que ficou gravado em minha memória e que
merece ser contado foi a morte de FELISBINO DOS SANTOS,
um bravo companheiro tombado no campo de luta. Foi a primeira morte
em ação de combate que assistimos.
No dia 12.11.45, nosso pelotão (Petrecho da 7ª Cia. do III/11º
RI) recebeu a missão de verificar a existência de posições
alemãs na cota 1.100 do Monte Pianote, na região de Gabba
de Lizano de Belvedere. Eram cerca de 14 horas, quando o bravo Tenente
Geraldo Sebastião Bezerra, Comandante do Pelotão, depois
de estabelecer que o Sargento Romeu Rosa deveria ocupar posição
com suas peças de metralhadoras de modo a dar-nos cobertura,
(iniciamos a marcha para o cumprimento da missão).
Para surpresa de todos nós, nenhuma resistência encontramos,
porém, em dado momento o tenente verificou que havíamos
penetrado na zona inimiga e tínhamos ultrapassados uma posição
inimiga que estava taticamente abandonada, sendo tal fato imediatamente
comunicado ao Comando do Batalhão que ao mesmo instante preparou
um golpe de mão, que seria dado por um dos Pelotões de
Fuzileiros da 7ª Cia., apoiado por tiros de morteiros e de metralhadoras
da Companhia e do Batalhão.
Já começava a escurecer, quando a operação
foi iniciada. Mas, o inimigo, ardiloso e experimentado, estava preparado
para resistir e, assim que o Pelotão de Fuzileiros iniciou a
manobra, foi varrido pela metralha das armas automáticas, ao
mesmo tempo em que as tropas de apoio recebiam forte bombardeio de artilharia.
A confusão que se estabeleceu foi grande, principalmente porque
houve vários enquistamentos de tiros de metralhadores do nosso
próprio Batalhão.
Findo o combate, tínhamos perdido 3 bravos companheiros e, entre
eles, o Soldado FELISBINO DOS SANTOS, do meu Pelotão.
Parado junto a Felisbino, estava eu pensando na morte daquele companheiro
tão cheio de alegria de viver tão querido por todos os
companheiros, quando ouvi o Tenente dizer:
- Vamos embora, Valentim. Não adianta ficar olhando e pensando.
A guerra é assim mesmo. Este pode ser o fim que nos espera.
- Felizmente não foi”
NOTA: O então Sargento Valentim foi ferido em campanha.
É possuidor da CRUZ DE CMBTE DE 1ª CLASSE, por bravura pessoal.
Seu comandante, Capitão Olegário de Abreu Memória,
citou-o “como exemplo a ser apontado aos nossos camaradas”,
porque, ferido em combate, continuou em ação, só
tendo se retirado quando lhe era impossível prosseguir, dada
a perda de sangue que sofrera. Foi condecorado com MILITARI MEDAL, do
Exército Inglês.
O
Soldado FELISBINO DOS SANTOS, era natural de Conselheiro Lafaiete, filho
de Balbino Felisbino dos Santos e de Henriqueta Geraldina dos Santos.
Faleceu em combate no dia 12 de fevereiro de 1945, em Gebba, Agraciado
com MEDALHA DE CAMPANHA SANGUE DO BRASIL E CRUZ DE COMBATE DE 2ª
CLASSE.
FONTE:
Do livro "Histórias de Pracinhas" Contadas por eles
mesmos
Autor: Vet Maj Álvaro Duboc Filho
Matéria
gentilmente enviada por
Zenaide Duboc
Filha do Vet Maj. Álvaro Duboc Filho
(Colaboradora do site)
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