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O
Patrono do Serviço de Assistência Religiosa do Exército
nasceu em Morada Nova, no interior de Minas Gerais, em 13 de fevereiro
de 1913, sendo batizado com o nome de Antônio Álvares
da Silva. Iniciou seus estudos no Colégio dos Franciscanos,
em Divinópolis (MG) e os concluiu na Holanda (Europa), de onde
retornou para o Brasil a fim de ser ordenado sacerdote. Nascia, assim,
o Frei Orlando.
Em 1937, Frei Orlando foi destacado para o Colégio de Santo Antônio,
em São João del-Rei, MG, onde lecionou Português
e História. Foi nessa histórica cidade mineira que ele
viu a 2ª Guerra Mundial eclodir e presenciou a preparação
do Brasil para tomar parte nesse evento que marcou o século XX.
Quando o Comandante do 11º RI - Regimento de Infantaria, "Regimento
Tiradentes", Coronel Delmiro Pereira de Andrade,
já acantonado no Rio de Janeiro, enviou despacho telegráfico
ao Comissariado dos Franciscanos em São João del-Rei,
solicitando a indicação de um religioso para capelão
militar, Frei Orlando apresentou-se como voluntário
para integrar a Força Expedicionária Brasileira. Na Itália,
ele prestou inúmeros e valiosos serviços às tropas
brasileiras, integrando as fileiras do 11º RI.
Às
vésperas da Tomada de Monte Castelo, Frei Orlando
quis visitar uma das companhias da linha de frente. Perto da cidade
de Bombiana, foi vítima de uma fatalidade, um disparo acidental
o matou.
O Patrono do SAREx foi enterrado no Cemitério Brasileiro Militar
de Pistóia. Em dezembro de 1960, seus restos mortais foram trasladados
para o Monumento aos Mortos na 2ª Guerra Mundial, na cidade do
Rio de Janeiro.
O
Capitão Francisco Ruas Santos, em documento valioso
descreve como ele viu morrer o nosso querido Frei Orlando:
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| FREI
ORLANDO |
Frei
Orlando, Capelão do Batalhão, estivera pela manhã
do dia 20 de fevereiro de 1945, no desempenho de seus deveres funcionais,
em visita as posição da 4ª Cia., na região
entre Falfare e Columbura. A zona da 4ª e a 6ª Companhias,
esta indo de Falfare a Bombiana, eram as que estavam sendo mais castigadas
pelos alemães. Por isso, Frei Orlando, no observatório
do Batalhão, em Monte Dell’Oro, manifestou ao Major Ramagem,
seu Comandante, a intenção de visitar também
a 6ª Cia. Quis, então, atingir as posições
dessa Companhia pelo caminho mais curto, que ia do observatório
a casa M di Bombiana e desta a Bombiana. Mas o Major Ramagem não
concordou com esse itinerário, pois, na ocasião, estava
todo ele sendo pesadamente batido pelos alemães. Sugeriu ao
Capelão que do observatório ganhasse a contra-encosta
de Monte Dell’Oro e fosse até o PC do Batalhão
em Docce, de onde poderia chegar às posições
da 6ª por um caminho menos exposto.
Frei Orlando encaminhou-se
para Docce pelo itinerário lembrado pelo Major e achava-se
à margem do caminho que ligava o PC do Batalhão ao ponto
cotado 789, a 300 metros de Bombiana, quando por ele sua eu num “jeep”,
para esta última região. O Capelão, inteirado
da direção da viatura, nela tomou lugar. No “jeep”
já se encontravam o Cabo Gilberto Torres Ruas, motorista, um
praça do II Batalhão e um militar italiano, posto à
disposição do Regimento, para os serviços de
transporte em montanha.
Frei Orlando, em caminho,
depois de dizer o que fizera pela manhã e o que pretendia fazer,
falava de uma irradiação feita pelos holandeses livres
para a parte ocupada de seu país. A uma observação
qualquer chegou a soltar uma das suas costumeiras gargalhadas. O “jeep”
marchava lentamente pelo caminho conduzindo ao ponto cotado 789, quando,
de repente, estaca, imobilizado por uma pedra. Prendia esta o eixo
dianteiro. Os passageiros conseguem retirar a viatura, que é
posta alguns metros além da pedra fatídica. Tomo a manivela
do “jeep” e me esforço para removê-la. O
italiano, no intuito de ajudar-me, recurva-se junto à pedra
e também tenda retira-la a violentas coronhadas de sua carabina.
Esta dispara. Frei Orlando, que se achava parado a uns três
metros, é atingido pelo projétil, solta um grito e leva
a mão ao peito, dá alguns passos à frente, tirando,
ao mesmo tempo, com a mão direita, do bolso do casaco, o seu
terço e balbuciando, às pressas, uma Ave-Maria. Corro
para ele e o faço deitar-se à margem do caminho. A oração,
apenas começada, é abafada pelo ofegar da agonia. Tudo
isso, desde o fatal disparo, dura uns dez segundos.
Retorno rapidamente a
Docce, em busca de socorro médico e trago o Capitão
João Batista Pereira Bicudo, facultativo do Batalhão.
Este pôde apenas verificar achar-se morto o Capelão,
desde o momento, talvez, em que acabara de ser deitado à margem
do caminho. O italiano abraçado ao corpo do Capelão,
chorava e se lamentava. Um pastor das redondezas contemplava esta
cena. O médico descobre-se, persigna-se e reza pela alma de
Frei Orlando, no que é seguido pelo Capitão e pelo Cabo.
Eram, aproximadamente,
14:00 horas do dia 20 de janeiro de 1945...
Texto
extraído do livro “De São João del-Rei
ao Vale do Pó”
Autor: Gentil Palhares
Decreto
que instituiu o Patrono do Serviço de Assistência Religiosa
do Exército
"O
presidente da República, usando da atribuição que
lhe confere o artigo 74, letra a) da Constituição, e considerando
que o capelão militar, capitão Antônio Álvares
da Silva, Frei Orlando, tombado na linha de frente, em Bombiana, Itália,
a 20 de fevereiro de 1945, prestou inestimáveis serviços
à Força Expedicionária Brasileira, nas fileiras
do Regimento Tiradentes, onde sua memória é justamente
venerada, considerando haver ele demonstrado possuir peregrinas virtudes
morais e cívicas que o recomendam à posteridade como modelo
do verdadeiro sacerdote e capelão militar; resolve instituí-lo
Patrono do Serviço de Assistência Religiosa do Exército
Brasileiro, criado, em caráter permanente, por Decreto-lei n°
8.921, de 28 de janeiro de 1946."
Histórico
do Serviço de Assistência Religiosa do Exército
(SAREx)
Muitos
religiosos acompanharam os soldados brasileiros nas guerras travadas
no século passado. Nos intervalos dos confrontos, sacerdotes
e combatentes se reuniam para prestar o culto a Deus. Tudo isso resultava
do funcionamento da Repartição Eclesiástica do
Exército Imperial, fundada em 24 de dezembro de 1850 e encarregada
de proporcionar assistência religiosa às nossas tropas.
Os nossos compêndios de História Militar citam os trabalhos
realizados por vários capelães militares, especialmente
na Guerra da Tríplice Aliança. Com o advento do regime
republicano e a separação de Estado e Igreja no Brasil,
entretanto, foram abolidos temporariamente os serviços espirituais
no meio castrense.
Décadas
depois, precisamente no ano de 1944, fase em que o Brasil preparava
a Força Expedicionária Brasileira para combater na Itália,
durante a 2ª Guerra Mundial, foi restabelecido o serviço
de amparo espiritual à tropa. Criava-se, naquela ocasião,
o Serviço de Assistência Religiosa das Forças Armadas,
sendo logo nomeados os primeiros capelães para o Exército,
Marinha e Aeronáutica.
Desde
então, o Serviço de Assistência Religiosa do Exército
vem prestando os mais relevantes serviços ao bem-estar espiritual
da Força Terrestre. Compartilhando a fé divina com os
militares que professam outras crenças religiosas, os capelães
militares têm acompanhado e confortado nossas tropas em todas
as situações em que se fazem necessários.
FONTE:
Acervo Roberto R. Graciani |