Sd Francisco Meroto
Ex-Combatente da 2ª Guerra Mundial

11º RI – Regimento Infantaria – Regimento Tiradentes
São João del-Rei - MG

Natural de Juiz de Fora - MG

UNIDADE:
III/11º Regimento de Infantaria

POSTO DE GRADUAÇÃO:
Soldado. Ao retornar ao Brasil foi licenciado e reintegrou-se as suas atividades civis.

CONDECORAÇÃO:
Medalha de Campanha

(Entrevistado pela aluna Carmem Suely Serpa)

UM ACONTECIMENTO QUE FICOU GRAVADO EM SUA MEMÓRIA

Interrogado sobre um acontecimento que havia ficado gravado em sua memória, respondeu:

- “Acredito que foi a morte do Tenente BELFORT ARANTES, ocorrido no dia 6 de fevereiro de 1945, foi o acontecimento que mais me impressionou, apesar de ter sido testemunha de inúmeros acontecimentos impressionantes.

Não sou capaz de descrever como foi o acidente, nem o que deu origem a ele, mas, todos sabíamos que o Tenente Belfort era uma pessoa extraordinariamente responsável e muito zelosa de suas atribuições de Comandante de Pelotão.

Logo que assumiu a responsabilidade do setor destinado ao seu Pelotão, se empenhou num reconhecimento em redor do mesmo, que estava coberto de uma camada de fina de neve. Do lugar, em que me encontrava, acompanhava os movimentos do tenente e isto, não é de se estranhar porque o tenente era o comandante e, como tal o nosso líder, e, também porque não era grande o espaço do terreno, ocupado pelo Pelotão. Observando sua movimentação, ao redor do setor ocupado pelo Pelotão, parecia que procurava alguma coisa. Tive o pressentimento de que ele estaria desconfiado de que haveria naquela região, deixada pelos alemães, minas e armadilhas. De repente, ouvimos uma explosão e o levantamento de fumaça, justamente no local onde se encontrava o Tenente Belfort.

Para nós, seus comandados, o impacto foi terrível e muito chocante. Tivemos que catar aqui e acolá pedaços de seu corpo para ser colocado em um lençol. Isto nos traumatizou profundamente, não só pelo fato em si, mas também porque conhecendo como conhecíamos o nosso comandante, sentíamos que ele foi acidentado porque procurava evitar que um de seus comandados o fosse”.

NOTA: José Belfort de Arantes filho – 2º Tenente R/2, era natural de Pequeri-MG.
Filho de José de Belfort de Arantes e de Ince Tostes de Arantes.
Faleceu em ação no dia 6 de fevereiro de 1945, em Bagga, sendo agraciado com as Medalhas de Campanha – Sangue do Brasil e Cruz de Combate de 1ª Classe.

No “Boletim Especial” consta o seguinte:

“Este oficial, no dia 29 de novembro de 1944, comandando um Pelotão do escalão de Ataque, na operação para conquistar Monte Castelo, atingiu galhardamente o objetivo fixado, onde foi fortemente hostilizado por fogos de artilharia inimiga e morteiros. Seu Pelotão manteve por mais de 72 horas o ponto mais avançado da linha de contato de toda frente da FEB. As condições topográficas eram ingratas e graças ao espírito de sacrifício a a bravura que, o Tenente Belfort soube transmitir aos seus soldados, foi possível o cumprimento de ordem de manter a todo custo aquela posição.

Na frente, ao sul do Monte Gorgolesco, inúmeras vezes o Tenente Belfort partiu em Patrulhas em busca do contato e procura de informações, e em todas elas não obteve jamais um instante de desânimo.

A sua extraordinária noção de cumprimento do dever e a sua firme vontade de manter a integridade da posição, cuja defesa estava sob sua responsabilidade direta, fizeram com que, enfrentando as contrárias, condições fosse o Tenente Belfort cair num campo de minas anti-pessoal, no qual, perdeu a vida.”

FONTE:
Do livro "Histórias de Pracinhas" Contadas por eles mesmos
Autor: Vet Maj Álvaro Duboc Filho

Matéria gentilmente enviada por
Zenaide Duboc
Filha do Vet Maj. Álvaro Duboc Filho
(Colaboradora do site)