Natural
de Juiz de Fora - MG
UNIDADE:
III/11º Regimento de Infantaria
POSTO DE GRADUAÇÃO:
Soldado. Ao retornar ao Brasil foi licenciado e reintegrou-se as suas
atividades civis.
CONDECORAÇÃO:
Medalha de Campanha
(Entrevistado pela aluna Carmem Suely Serpa)
UM
ACONTECIMENTO QUE FICOU GRAVADO EM SUA MEMÓRIA
Interrogado
sobre um acontecimento que havia ficado gravado em sua memória,
respondeu:
- “Acredito que foi a morte do Tenente BELFORT ARANTES, ocorrido
no dia 6 de fevereiro de 1945, foi o acontecimento que mais me impressionou,
apesar de ter sido testemunha de inúmeros acontecimentos impressionantes.
Não sou capaz de descrever como foi o acidente, nem o que deu
origem a ele, mas, todos sabíamos que o Tenente Belfort era
uma pessoa extraordinariamente responsável e muito zelosa de
suas atribuições de Comandante de Pelotão.
Logo que assumiu a responsabilidade do setor destinado ao seu Pelotão,
se empenhou num reconhecimento em redor do mesmo, que estava coberto
de uma camada de fina de neve. Do lugar, em que me encontrava, acompanhava
os movimentos do tenente e isto, não é de se estranhar
porque o tenente era o comandante e, como tal o nosso líder,
e, também porque não era grande o espaço do terreno,
ocupado pelo Pelotão. Observando sua movimentação,
ao redor do setor ocupado pelo Pelotão, parecia que procurava
alguma coisa. Tive o pressentimento de que ele estaria desconfiado
de que haveria naquela região, deixada pelos alemães,
minas e armadilhas. De repente, ouvimos uma explosão e o levantamento
de fumaça, justamente no local onde se encontrava o Tenente
Belfort.
Para nós, seus comandados, o impacto foi terrível e
muito chocante. Tivemos que catar aqui e acolá pedaços
de seu corpo para ser colocado em um lençol. Isto nos traumatizou
profundamente, não só pelo fato em si, mas também
porque conhecendo como conhecíamos o nosso comandante, sentíamos
que ele foi acidentado porque procurava evitar que um de seus comandados
o fosse”.
NOTA:
José Belfort de Arantes filho – 2º Tenente R/2, era
natural de Pequeri-MG.
Filho de José de Belfort de Arantes e de Ince Tostes de Arantes.
Faleceu em ação no dia 6 de fevereiro de 1945, em Bagga,
sendo agraciado com as Medalhas de Campanha – Sangue do Brasil
e Cruz de Combate de 1ª Classe.
No “Boletim
Especial” consta o seguinte:
“Este oficial, no dia 29 de novembro de 1944,
comandando um Pelotão do escalão de Ataque, na operação
para conquistar Monte Castelo, atingiu galhardamente o objetivo
fixado, onde foi fortemente hostilizado por fogos de artilharia
inimiga e morteiros. Seu Pelotão manteve por mais de 72 horas
o ponto mais avançado da linha de contato de toda frente
da FEB. As condições topográficas eram ingratas
e graças ao espírito de sacrifício a a bravura
que, o Tenente Belfort soube transmitir aos seus soldados, foi possível
o cumprimento de ordem de manter a todo custo aquela posição.
Na frente, ao sul do Monte Gorgolesco, inúmeras vezes o Tenente
Belfort partiu em Patrulhas em busca do contato e procura de informações,
e em todas elas não obteve jamais um instante de desânimo.
A sua extraordinária noção de cumprimento do
dever e a sua firme vontade de manter a integridade da posição,
cuja defesa estava sob sua responsabilidade direta, fizeram com
que, enfrentando as contrárias, condições fosse
o Tenente Belfort cair num campo de minas anti-pessoal, no qual,
perdeu a vida.”
FONTE:
Do livro "Histórias de Pracinhas" Contadas por
eles mesmos
Autor: Vet Maj Álvaro Duboc Filho
Matéria
gentilmente enviada por
Zenaide Duboc
Filha do Vet Maj. Álvaro Duboc Filho
(Colaboradora do site)
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