FORNOVO
DI TARO |
O avanço do 6º RI (Cel. Nelson de Mello) na direção de Fornovo surpreendeu tropa alemã na estrada Fornovo-Goiana-Collecchio e provocou da parte do Cmt do 6º RI (Major Oest) a iniciativa de enviar o vigário local como emissário junto à tropa alemã, com o fim de levar a esta, à viva voz, a intimação de rendição incondicional, de acordo com as leis internacionais. Seguiram-se os passos de entendimento dos Comandantes brasileiros e alemães, orientados pelo intuito humano daqueles de poupar sacrifícios humanos. O General Mascarenhas seguia com real interesse esses passos, que atendiam a sua alta orientação. Entrementes, a 28 de abril de 1945, o 6º RI iniciava o ataque a Fornovo, enquanto os nazistas atacavam e bombardeavam as posições brasileiras de Segalara, em desesperado esforço para romper o cerco. Nesta jornada de 28 de abril, a tropa brasileira se empenhara vitoriosamente nos recontros de Gaiaño, Segalara Respiccio e Felegara, ou melhor dito, participava de ampla e generalizada ação na zona Fornovo para onde convergiam todas as direções do ataque e daí a denominação de combate de Fornovo, em cujo término ocorreu o envolvimento e a captura da 148ª DI alemã. Planejada no devido tempo, essa manobra mereceu do ilustrado General Silvio Portella, antigo e emérito instrutor da Escola de Estado-Maior, calorosos elogios de operação tipicamente divisionária, dispondo dos próprios meios; com larga previsão e arriscada montagem no rebatimento para noroeste, em direções divergentes, completamente diversas às operações gerais das tropas amigas; com os riscos da larga articulação e descentralização, tudo sem prejuízo da orientação e intervenção em tempo do chefe divisionário, que nunca se arreceou de ir aos escalões avançados, em condições de tomar pessoalmente medidas rápidas para a convergência de esforços. Manobra bem dirigida pelo General Mascarenhas a ficar em nossa História Militar como "manobra clássica". Acentua-se que "empenhando somente metade da Divisão, o hábil Chefe brasileiro alcançou a rendição de forças mui superiores, veteranas de uma companhia de vários anos, em boas condições físicas, embora fatigadas (fadiga que também atingia a nossa gente), bem municiadas e dispondo de copioso material de guerra, como conta do butin arrecadado. A rendição se processou sob orientação direta do General Mascarenhas que bem instruiu os seus representantes nos entendimentos, o Coronel Lima Brayner e Tenente Coronel Humberto Castello Branco, rendição incondicional, com o cumprimento integral das leis de guerra. Nota-se que, a esse tempo, o General Ruscott, comandante do IV Corpo de Exército aliado, autorizava o comandante brasileiro a aceitar a capitulação ou a proceder a destruição das unidades nazi-fascistas. A completa rendição das tropas inimigas, com o seu copioso material, se operou em excepcional ordem e regularidade, com espirito de humanidade, dispensando os brasileiros aos vencidos tratamentos condigno, apesar do rigor aconselhado em tais circunstâncias, inclusive a proteção contra as represálias dos guerrilheiros italianos. Às 18:00 hs. de 30 de abril, encerrava-se, com a apresentação do General Comandante das Divisões nazi-fascista, a rendição total na zona a cargo da Divisão brasileira com 14.779 prisioneiros, 4.000 cavalos, 80 canhões de diferentes calibres, mais de 1.500 viaturas de todos os tipos, além de abundante cópia de munição e centenas de veículos de tração animal. Dirigiu os trabalhos de rendição o Coronel Lima Brayner, Chefe do EM da 1ª DIE. Alcançou o nosso biografado e excepcional privilégio de realizar esse episódio de capitulação, em um conflito internacional, incorporando-o à História do Brasil, acontecimento que só teve par na rendição de Uruguaiana, na Guerra de Tríplice Aliança contra o governo do Paraguai. Assim mesmo, esta, em território nacional e embora na presença dos chefes dos três Estados, não teve o vulto e a significação da primeira, incondicional, imposta pela decisão do combate, com a captura de tropas aguerridas, em pleno vigor combatente e copioso material de guerra. O General Mascarenhas, com todos os seus comandados, alcançou essa grande glória, motivo de justo orgulho para o Exército brasileiro, que teve a seus pés, quebrado, o arrogante panache de poderosas tropas nazi-facistas. Tudo isso ocorria enquanto mais
ao Norte, ainda na Itália, se negociava a rendição
do grosso das tropas nazistas, a qual só entraria em vigor a
partir de 2 de maio. |