A Força Aérea Brasileira na
2ª GUERRA MUNDIAL

A despeito da neutralidade mantida pelo Brasil no início da Segunda Guerra Mundial, em julho de 1941 o governo brasileiro autorizou secretamente os norte-americanos a utilizarem bases aéreas e navais situadas no país sobretudo no Norte e no Nordeste para garantir a defesa do continente americano. Assim, logo após sua criação, a FAB foi chamada a participar dessa preparação defensiva.

 Com o auxílio norte-americano, começaram a ser construídas bases aéreas ao longo do litoral brasileiro e foi intensificada a formação de pessoal, principalmente de oficiais-aviadores. A II Zona Aérea, abrangendo todo o Nordeste, passou a ter um papel preponderante na defesa do Atlântico Sul. A principal missão da FAB nesse momento foi o patrulhamento aéreo contra os submarinos alemães.

Em agosto de 1942, quando o Brasil declarou guerra à Alemanha e à Itália, começou-se a pensar no envio de tropas brasileiras para o exterior. Em agosto de 1943, finalmente, foi estruturada a FEB (Força Expedicionária Brasileira), que incluía uma esquadrilha de aviação destinada à ligação e à observação.

Em janeiro de 1944, foram enviados aos EUA quatro oficiais da FAB para treinamento enquanto 350 homens partiam para a base aérea de Água Dulce, no Panamá. Enquanto isso, era treinado no Brasil o pessoal de manutenção. Ao mesmo tempo, foi decidido que a FAB enviaria ao Mediterrâneo, além da Esquadrilha de Ligação e Observação, um Grupo de Aviação de Caça, sob o comando do Major-Aviador Nero Moura.

Em 20 de julho de 1944, foi oficialmente criada a 1ª Esquadrilha de Ligação e Observação da FEB, sob o comando do Capitão-Aviador João Afonso Fabrício Belloc. Tratava-se de um pequeno contingente de 30 homens subordinado à artilharia divisionária e destinado aos trabalhos de regulação do tiro da artilharia, de observação do campo de batalha e de missões de ligação. Os pilotos e o pessoal de manutenção dos aviões seriam fornecidos pela FAB, enquanto os observadores aéreos seriam oficiais do Exército, da arma de artilharia.

O embarque dos cinco escalões da FEB para a Itália foi iniciado em julho de 1944, estendendo-se até fevereiro de 1945.

Em setembro de 1944, a FAB enviou para a frente de batalha seu Grupo de Caça, integrado por cerca de quatrocentos homens. O desembarque no porto de Livorno acorreu no mês de outubro seguinte.

O Grupo de Caça se integrou na Força Aérea Aliada do Mediterrâneo, comandada pelo General norte-americano Ira Eaker. Operou na Itália principalmente como uma unidade de caças-bombardeiros, realizando bombardeios de pontes, estradas de ferro e de rodagem, campos de aviação, posições de artilharia, edifícios ocupados por tropas inimigas, concentrações de material e tropa, depósitos de munição e gasolina, fábricas e refinarias.

O Grupo de Caça da FAB apoiou também diretamente a FEB na conquista de Monte Castelo, em fevereiro de 1945.

Durante a guerra, a FAB adotou o lema "Senta a pua", conclamando seus homens a se lançarem sobre o inimigo com decisão, golpe de vista e vontade de aniquilá-lo.

O PÓS-GUERRA E AS DÉCADAS SEGUINTES

Terminada a guerra, foram organizados vários cursos de aprimoramento para os oficiais da Aeronáutica. A Escola de Comando e Estado-Maior da Aeronáutica, criada em 16 de dezembro de 1947, teria uma influência marcante na formação dos futuros comandantes da FAB. Além desta, foi também criado em 1949 um curso preparatório de cadetes-do-ar, visando a um melhor recrutamento para a Escola de Aeronáutica.

A década de 1950 foi marcada na FAB pela introdução de aviões a jato, de aviões quadrimotores e de helicópteros, o que exigiu uma melhor preparação de pessoal e a modernização dos parques de aeronáutica, bem como da infra-estrutura das bases aéreas.

Por outro lado, a FAB participou ativamente nesse período do inquérito instaurado na base aérea do Galeão para investigar o Atentado da Toneleros, desferido em 4 de agosto de 1954 contra o jornalista Carlos Lacerda. Um dos mais veementes opositores da política do Presidente Getúlio Vargas, Lacerda fora ferido no episódio, que resultara na morte de seu acompanhante, o Major-Aviador Rubens Vaz. Devido à sua forma independente de atuação e às suas repercussões, o inquérito conduzido pela FAB tornou-se conhecido com o nome de República do Galeão.

Durante o governo de Juscelino Kubitschek, a crise política iniciada no período Vargas teve prosseguimento com a rebelião de alguns oficiais da FAB no episódio conhecido como a Revolta de Jacareacanga.

Em 1960, a FAB integrou o contingente enviado pela Organização das Nações Unidas ao Congo, com o objetivo de controlar a luta desencadeada nesse país logo após sua independência.

Atualmente, a FAB tem trabalhado principalmente na Amazônia, através da I Zona Aérea (Belém do Pará) e do CAN, desenvolvendo um programa de transportes, de missões sociais e econômicas, de integração e assistência ao índio e de missões de busca e salvamento.

Alzira Alves de Abreu / Dora Flaksman

FONTES:
LAVENÈRE WANDERLEY, N. História; LIMA, R. Senta.



A 1ª ELO NA ITALIA

Na Segunda Guerra Mundial, a atuação da Força Aérea Brasileira - FAB, com a 1ª Esquadrilha de Ligação e Observação1ª ELO, subordinada à Artilharia Divisionária do 2º Escalão da Força Expedicionária Brasileira - FEB, no “Front” do Teatro de Operações do Mediterrâneo, na Itália, possuía a missão de observação do setor da linha de contato com o inimigo e a regulagem dos tiros de artilharia da FEB, voando em avião de treinamento primário e desarmado, o conhecido Piper Cub ou melhor o famoso “Teço-Teco”, impondo sua presença na frente de combate; podendo ter a surpresa de um ataque alemão. Organizada como uma Unidade composta de elementos de duas forças brasileiras, sob comando único. Seu efetivo formado por elementos da Força Aérea Brasileira e da artilharia da Força Expedicionária Brasileira, os primeiros eram os pilotos e mecânicos dos aviões e os segundos, os observadores aéreos e os motoristas das viaturas (pessoal de apoio). A observação e a correção do tiro eram feitas com o avião sobre o objetivo inimigo, que tanto podia ser um depósito de munição, uma concentração de tropa ou um comboio de munição. A altitude do vôo era sempre a suficiente para fugir ao alcance da artilharia antiaérea do inimigo. As coordenadas, para a correção dos tiros da “Poderosa” (a Artilharia), eram transmitidas pelo rádio, diretamente do observador para a central de tiro.

Como era de praxe, toda Unidade que se prezava tinha o seu distintivo, quando da chegada ao Teatro de Operações, utilizando inicialmente a 1ª ELO, o desenho de um gafanhoto, que era o apelido que os americanos davam às Unidades de Observação de Artilharia (os grasshoppers), posteriormente foi substituído, pelo emblema idealizado pelo Capitão Aviador Fortunato Câmara de Oliveira, piloto do 1° Grupo de Aviação de Caça. O emblema foi idealizado com a seguinte heráldica: O Oficial - o piloto; O binóculo – o observador na sua constante vigília; O canhão – a “Poderosa Artilharia”; As asas – a Força Aérea Brasileira; As nuvens brancas – a paz, tão desejada; O Azul – a imensidão do céu.

Durante a campanha, operou a 1ª ELO em diversas Bases, conforme o andamento das Linhas de Frente, tais como: Pisa, Vila Real de Caça do Rei da Itália (San Rossore); Pistóia (Base de San Giorgio); Suviana; Porreta Terme; Piacenza; Montechio Emília e por último na Base de Portalbera. Terminado a guerra e juntamente com a missão da tropa de ocupação, a Esquadrilha continuou a prestar serviços a FEB, realizando vôos de ligação e serviço de transporte de correio, entre as cidades de Milão e Alexandria.

Por haverem realizado mais de 35 missões aéreas sobre território inimigo, tanto os Oficiais da FAB, como os Observadores da FEB, receberam do Governo americano a condecoração “Air Medal”, entregue pelo General Truscott, Comandante do 4º Corpo de V Exército Americano. Expressam-se assim, alguns números, do trabalho efetuado pela esquadrilha: 1.282 h 50 min - horas voadas em missão de guerra; 684 missões de guerra; 2.399 aterragens; 400 regulagens de tiro; 184 dias operacionais.

“... REFERÊNCIA ALTAMENTE HONROSA ...”

“A rapidez e o desenvolvimento dos engenhos da guerra moderna exigiram da Artilharia, a arma do projétil, meios próprios que se sobrepuseram ao terreno e ao clima, e que orientassem, com segurança, precisão e oportunidade, os seus tiros através das linhas inimigas. E foi no modesto e frágil avião de turismo, transformado agora em olhos perscrutadores e audazes, que se encontrou a solução de tão magno problema, pois o seu emprego estava sujeito a várias exigências técnicas, como pouca velocidade, fácil manobra no campo e estabilidade no ar.”

Nasceu, assim, esse órgão novo e eficiente, entre nos batizado de Esquadrilha de Ligação e Observação e elemento integrante da Artilharia Divisionária.

Dizer do seu trabalho nesta Campanha é cantar um hino ao destemor e à noção do dever dos aviadores e artilheiros que a constituem.

Não houve mau tempo, não houve neve, tão pouco acidentes e pistas impróprias, das quais às vezes não podiam regressar, que arrefecessem o ânimo e a disposição de seus componentes.

Destinados a regular o tiro das baterias, sobrevoando a zona das posições, sem ultrapassar os nossos elementos, a eles se pediu, também, a vigilância do campo de batalha, e em avião impróprio e desarmado penetravam a fundo no terreno inimigo, enfrentando uma defesa antiaérea para a qual não estavam preparados.

Durante muito tempo e desde a nossa chegada à região do vale do Reno, eram os únicos olhos que a Divisão possuía, além do conjunto de alturas que queríamos conquistar; seu vôo desassombrado obrigou continuamente o inimigo a se manter em silêncio e imóvel, receoso do tiro certeiro de nossa Artilharia, cuja ajustagem sempre conduzia com absoluta perfeição. Eia pois, camaradas aviadores, artilheiros, mecânicos e todo o pessoal da ELO: com o esforço por vós despendido, na conservação do material sempre em condições de vôo e no cumprimento de missões que todos os dias vos são atribuídas, tendo cooperado, grandemente, para a exaltação das armas brasileiras na luta árdua e rude que estamos empreendendo ao lado das Nações Unidas.

Asseguro-vos, assim, que sois credores da admiração de todos os chefes, da amizade de vossos camaradas e do reconhecimento de vossos patrícios, e que a vitória do BRASIL muito depende de vosso trabalho e abnegação.

(a) General de Divisão João Baptista Mascarenhas de Moraes, Comandante-em-Chefe
Publicado no Boletim Interno nº 120, do dia 30 de abril de 1945. (Ofensiva da Primavera)

FONTE:
“Com a 1ª ELO na Itália - Crônicas” Fausto Vasques Villanova.
Instituto Histórico-Cultural da Aeronáutica

Matéria gentilmente enviada pelo
Cel R1 Aer Paulo Fernandes Filho


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