HISTÓRIAS
DE “PRACINHAS” CONTADAS POR ELES MESMOS
Explicação
Necessária
Não
foi a vaidade que nos levou a realizar este trabalho e sim a oportunidade
que nos foi oferecida de poder transmitir um pouco do entusiasmo cívico-patriótico
dos bravos companheiros que, nos campos de batalha da milenária
Itália, representando o Exército Nacional, tão
alto elevou o valor do soldado brasileiro, tornando o Brasil conhecido
em todo o mundo e respeitado no meio das Nações Unidas.
A edição deste livro começou, quando, em 1974,
durante a minha gestão de Presidente da Associação
Nacional dos Veteranos da FEB – Seção Regional
de Juiz de Fora, o COLÉGIO SÃO LUIZ, (hoje extinto),
programou um trabalho para seus alunos com a finalidade de incentivar-lhes
o amor a Pátria. Tal trabalho consistia em entrevistar Veteranos
da FEB, residentes em Juiz de Fora, no qual o nosso companheiro, Coronel
R.R Rubens de Andrade, como professor do citado estabelecimento de
ensino, teve ação importante na organização
e orientação de como obter, durante as entrevistas um
relato de um acontecimento ocorrido durante a Campanha na Itália,
e que havia ficado gravado na memória.
Terminado o trabalho, que contou com a participação,
do Capitão RR. Francisco Albino Moreira, então Diretor
de Educação Cívica e Cultural da ANVEFEB/JF,
foi providenciado o arquivamento das entrevistas por constituírem
informações importantes sobre o que foi a participação
desta região das Minas gerais na formação da
gloriosa FORÇA EXPEDICIONÁRIA BRASILEIRA.
Os jovens entrevistadores foram agraciados com um título de
Menção Honrosa, sendo os três melhores premiados
com uma Medalha de Honra ao Mérito, que lhes foram entregues
em solenidade realizada no Círculo Militar de Juiz de Fora.
Em 1981, voltei a fazer parte da Diretoria da Associação.
Iniciamos um trabalho com a finalidade de verificar a autenticidade
dos acontecimentos gravados pelos entrevistadores e, então,
sentimos que o assunto merecia divulgação com a finalidade
de documentar, através do que foi relatado pelos “pracinhas”
para dignificar o nome da Pátria em terra estrangeira.
Analisando o que foi dito pelo Coronel Rodolf Bromler, famoso e culto
comandante de uma unidade da 1ª Divisão de Pára-quedista
do Grupo de Exército do Marechal Kesselring, em seu livro,
“Monte Cassino”, verifica-se um pequeno contraste entre
o conceito dos estrategistas que só consideram “Grandes
Batalhas” as que tiveram a participação de muitos
efetivos e que colheram grandes resultados.
Batalha, de acordo com os dicionários, são combates
gerais ou parciais, entre dois Exércitos ou duas Esquadras.
Entretanto, a nossa FORÇA EXPEDICIONÁRIA BRASILEIRA,
que era uma simples Divisão de Infantaria, incorporada ao IV
Corpo do V Exército Norte Americano, segundo aquele “generoso
inimigo sem ódio ou sem rancor”, como a ele se refere
o Marechal Lima Brayner em seu livro “A VERDADE SOBRE A FEB”,
contribuiu com seu avanço arrojado, para o rápido aniquilamento
das forças Ítalo-Alemãs da Ligúria e,
efetivamente para a rendição incondicional do Grupo
de Exército C Alemão”.
Por outro lado, se perguntássemos a um soldado qual foi sua
grande batalha, poderíamos ser surpreendidos com a resposta
de que foi um combate a dois e do qual ambos sairiam feridos.
Foi para contar esses pequenos combates a dois que nos empenhamos
no trabalho de rever as entrevistas realizadas pelos alunos do extinto
Colégio São Luís.
É verdade que muito já foi dito sobre a participação
da FEB, na 2ª Guerra Mundial, principalmente sobre seus feitos
gloriosos; mas é também verdade que ninguém falou
sobre os pequenos combatentes e, sobretudo, sobre os casos particulares
de cada um. Os “pracinhas”, sem que eles mesmos saibam
ou sintam, guardam muitos acontecimentos que merecem ser contado para
que se avaliar o quanto de amor e de entusiasmo cívico existe
no peito do povo brasileiro.
É pena que a idéia deste trabalho tenha surgido justamente
na fase final da trajetória de nossa vida, quando a audição
e a visão já começam a enfraquecer em função
do tempo que tudo desgasta e consome, ao mesmo tempo em que os desenganos
vão lentamente corroendo o nosso espírito de luta diminuindo
a coragem e a resistência para o trabalho, deixando em seu lugar
uma certa apatia pelas coisas terrenas que são, incontestavelmente,
transitórias.
Mesmo assim e apesar de tudo, realizamos o que nos foi possível.
Deixamos, entretanto, para quem desejar aprimorar o trabalho que iniciamos
muita matéria e, isto, porque nem todas as entrevistas foram
revisadas, como também, nem todos os Veteranos da FEB de Juiz
de Fora, foram entrevistados.
Pelo que tivemos a oportunidade de dizer, o mérito, deste trabalho
pertence ao Professor Civis Gonçalves Gomes, emérito
professor, que patrioticamente programou um trabalho com a finalidade
de desenvolver, em seus alunos, o entusiasmo cívico-patriótico
e também aos seus ex-alunos, cujos nomes deixamos gravados
nas entrevistas que realizaram com entusiasmo e carinho.
Revendo as entrevistas e promovendo as pesquisas para apurar a veracidade
dos acontecimentos narrados, acrescentamos às mesmas as expressões
militares desconhecidas pelos entrevistadores, mas conservamos, sempre
que possível, as expressões usadas.
Agradecemos, ao professor Civis e a seus dedicados ex-alunos, a oportunidade
que nos proporcionaram de apresentar estas HISTÓRIAS DE PRACINHAS
CONTADAS POR ELES MESMOS ou, em outras palavras, as HISTÓRIAS
QUE A HISTÓRIA NÃO CONTA.
Agradecemos, outrossim, a colaboração sincera e espontânea
do estimado companheiro e amigo Major RR. José da Fonseca e
Silva, atual Diretor de Educação Cívica-Cultural
da Seção Regional de Juiz de Fora; aos incentivos e
apoio que nos foi concedido pelo Coronel RR. Rubens de Andrade e pelo
prestimoso amigo Capitão RR. Francisco Albino Moreira.
Concluímos, estas explicações, com nossas escusas
pela simplicidade do trabalho e pelos enganos que por ventura contenha.
Juiz
de Fora, junho de 1981.
Álvaro Duboc Filho

Juiz
de Fora, 2 de maio de 1984
Ilmo
Sr.
Maj. Álvaro Duboc Filho
Rua Vieira Pena, 51
Juiz de Fora
Meu
caro Duboc:
Li com atenção as “Histórias de Pracinhas
Contadas por Eles Mesmos”, que você teve a feliz iniciativa
de reunir e organizar, apresentando-as com sua própria história.
São depoimentos de bravos brasileiros, alguns tão singelos,
outros tão carregados de entusiasmo, que nos falam do dia-a-dia
da guerra, em que o Brasil se empenhou junto com seus aliados contra
o nazi-fascismo. São fragmentos de um grande painel que, reunidos
e conjugados, nos dão a visão dessa terrível
realidade humana, que é a guerra, todos eles impressionantes
na sua nitidez e comoventes na sua fraqueza. Relatos de dedicação,
de valentia, de sangue-frio, de tenacidade, de solidariedade humana,
que nos dão aqueles que, ainda jovens, foram levados a combater
pela Liberdade nos campos da Itália.
Vale publicá-las. Essas histórias haverão de
contribuir para que se tenha da guerra visão mais íntima
e para que compreendamos e valorizemos nossa participação
no conflito, que tantos dos nossos “pracinhas” sacrificou
e a tantos outros enalteceu, ainda quando lhes tenha deixado, no corpo
e na alma, a marca indelével.
Oxalá outros tenham igual iniciativa e recolham, por esse Brasil
a fora, os depoimentos que ainda faltam para que se complete o grande
quadro.
Agradeço-lhe o haver-me propiciado a leitura dos originais
e dou-lhe parabéns pela iniciativa, fazendo votos para que
seu trabalho encontre logo um editor que o ponha nas mãos de
quantos se interessam pela História de nossa Pátria.
Seu velho amigo
Almir de Oliveira
Nota:
O Doutor Almir de Oliveira é advogado, jornalista. Professor
Emérito da Universidade federal de Juiz de Fora, membro da
Academia Mineira de Letras e do Instituto Histórico e geográfico.

Caro Major Duboc
Saudações,
Foi com indivisível prazer, que li todas as Histórias
de “Pracinhas" Contadas por Eles Mesmos e reli várias
com indescritível emoção.
Estas histórias são ao meu ver as mais sinceras e emocionantes,
porque foram contadas com simplicidade, humildade e sinceridade sem
rebuscar ou fazer frases de efeito.
Muito contente fiquei ao verificar que os meus ex-alunos do Colégio
São Luís cooperaram para a junção de todas
as histórias, dando assim, a oportunidade da elaboração
do futuro livro, que mais vai honrar a participação
da FEB na 2ª Grande Guerra e se Deus quiser a última das
guerras a última das guerras entre as Nações.
Fomos participar dessa tragédia, devido a insensatez de meia
dúzia de alemães, de italianos e de japoneses que na
vaidade de poder e demonstração de força, levavam
vários países a uma guerra odiosa. Queira Deus que os
amigos de ontem, não se tornem inimigos amanhã e nos
leve a mais catastrófica guerra atômica. Que os exemplos
maléficos e desastrosos da 2ª guerra sirvam para que os
atuais e futuros dirigentes meditem bastantes e pensem nos seus patrícios
e familiares não levando novamente aos horrores de uma guerra.
Leve, meu caro Major Duboc, avante a sua idéia de publicação,
pois dará oportunidade a que muitos dos nossos patrícios
tomem conhecimento da valentia dos nossos pracinhas e sintam pelas
histórias deles, os horrores de uma guerra.
Queira aceitar os meus cumprimentos e louvo-lhe a iniciativa e ao
mesmo tempo os meus sinceros agradecimentos.
Cordialmente,
Prof. Cívis Gonçalves Gomes.
Nota:
O Professor Civis Gonçalves Gomes é Diretor da Guarda
Mirim de Juiz de Fora.
FONTE:
Do livro HISTÓRIAS DE “PRACINHAS” CONTADAS
POR ELES MESMOS
AUTOR: VETERANO MAJOR ÁLVARO DUBOC FILHO
Matéria
gentilmente enviada por
Zenaide Duboc, Filha
do Veterano Álvaro Duboc Filho
Barbacena, MG
(Colaboradora do site)

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