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Mais
uma vez, com a finalidade de dar cumprimento ao plano de comemoração
festiva das datas nacionais, aqui estamos para ler um trabalho elaborado
com o objetivo de focalizar a CONQUISTA DO MONTE CASTELO.
Não temos – nem poderíamos ter – pretensões
literárias. O colorido que procuramos dar tem por objetivo transmitir
o que sentimos, esperando, desse modo, poder interpretar o sentimento
de todos os companheiros que, longe da Pátria, jogando com a
vida, repetiam constantemente:
“Não permita Deus que eu morra. Sem que volte
para lá”.
Amanhecia
o dia 21 de fevereiro de 1945. “A cobra havia fumado”
a noite inteira, mas assim, parecia haver um pouco de alegria em todos
os semblantes.
O inverno declinava. O gelo que encobria a terra estava se transformando
em água, engrossando o leito dos rios. A topografia do terreno
se transmudava com o aparecimento das casas, das obras de arte e com
o reflorescimento das árvores que, até então, desnudas,
com os galhos voltados para o alto, pareciam mortas.
Aquele panorama todo branco que a neve impunha, estava desaparecendo.
Os raios solares, vencendo a densidade das nuvens brancas, nos apresentavam,
naquele dia, um pedaço de céu azul, alegrando nossos olhos
ávidos do azul e do verde de nossa Pátria, dando-nos a
impressão de que a natureza estava acordando e que a vida ressurgia.
Nossos aviadores da Esquadrilha Aérea de Observação
da Artilharia, em seus “teco-tecos”,
sobrevoavam a zona de ação da FEB e,
de quando em quando, pelo rádio, ouviam-se seus prefixos:
Alma um...Lata três etc...Etc.
Também nossos observadores avançados, através do
fio estendido com sacrifício pelos nossos homens de transmissão,
mandavam ou recebiam mensagens. Os aviões de bombardeio de nosso
Grupo de Caça passavam em direção a Castelo.
- “A cobra hoje vai fumar no duro”
– houve quem comentasse.
As notícias que tínhamos eram que nossas tropas haviam
conquistado Fornece e C Vitellino
e que a 10ª Divisão de Montanha
do Exército Americano, batia-se bravamente, mas não tinham
conquistado, na jornada anterior, seus objetivos.
Tais notícias chegavam até nós sob forma de boatos.
Eu era um Sub-Tenente de artilharia e estava empenhado em minha missão
de promover o reabastecimento de minha bateria.
Dizia um:
A nossa Infantaria está marchando em direção
ao Monte Castelo.
Outro dizia:
- “O Major Sizeno, comandante do II
Batalhão do 1º R.I. fará o ataque
frontal, enquanto o Major Uzada, comandante
do I Batalhão e o Major Francklin,
comandante do III Batalhão, atacarão respectivamente pelo
flanco direito e esquerdo”.
As horas passavam e outras notícias surgiam:
-‘Uma Companhia Americana da 10ª Divisão
de Montanha, perdida na região de Mazzancana-Fornace-zona
de ação da FEB -abriu fogo contra uma
Companhia do Batalhão do Major Uzeda,
matando um soldado e ferindo outros.”
A luta pela conquista do Monte Castelo continuava
ardorosamente. Os bravos representantes da Infantaria de Sampaio honravam
as tradições dos heróis do passado. Aquela notícia
de que o Major Uzeda, depois de uma parada
de 50 minutos para dar fôlego a sua tropa, havia reiniciado a
marcha em direção a Castelo com o comando “AVANTE
CAMARADAS!” Fazia vibrar nosso entusiasmo patriótico.
A tarde caia...
Descrever exatamente como se processou a conquista de Monte
Castelo, não é tarefa fácil para
nós, modestos pracinhas, empenhados em sua missão de combatente.
Vamos, por isso, transcrever o diz o Marechal Floriano Lima
Brayner em “A VERDADE SOBRE A FEB”.
O Marechal Lima Brayner que, como Coronel
chefiou o Estado Maior, recebeu naquela tarde memorando do General Mascarenhas
a missão de ir ao P.C do 1º R.I; em Sarretone,
no sopé da Montanha, onde se encontrava o General Zenóbio,
para saber o que havia, conta-nos: - “Afinal, perguntei Ao General
Zenóbio, o que devo dizer ao General Mascarenhas,
para tranqüilizá-lo?”
Diga, respondeu firmemente o destemido caudilho corumbaense, que dentro
de 15 minutos estarei em cima do Monte Castelo, sem qualquer dúvida:
E passando da palavra a ação, chamou o Tenente Coronel.
Ademar de Queiroz e determinou:
“Transmita ao Comando da A.D. o pedido de uma última
concentração, de 5 minutos de duração, com
a mais viva cadência e o máximo de potência, com
a totalidade dos meios. Passaremos, em seguida, ao ataque final.”
Regressei ao observatório das Divisões tão rápido
quanto possíveis, aproveitando o intenso bombardeio que nossa
Artilharia concentrava sobre a montanha fantasma,
cegando-lhe os observatórios e silenciando-lhe as armas.
Ao chegar, encontrei o General Mascarenhas bem
integrado com a marcha do combate, pois percebia que aquela concentração
maciça e total seria o prenúncio do ataque final. Estava
em declínio o bombardeio e pouco depois se assinalava maior intensidade
de fogo inimigo para, em seguida, declinar-se e tornar-se mais longínquo.
Nesse momento, ingressei no P.O. com grande satisfação
do chefe brasileiro.
- O que está se passando?- perguntou Mascarenhas.
- Tudo dentro da seqüência normal, General. A última
concentração de A.D. deve ter sido seguida
da ordem de retomada do ataque, do qual já estava ciente o Oficial
de ligação da 10ª Divisão de Montanha.
Em seguida, o General Zenóbio ocupará
Monte Castelo. Manda-lhe dizer-lhe que dentro
de 15 minutos estaria no alto da montanha.
- Mas os 15 minutos, desde que você deixou o P.C do Zenóbio,
já deve ter se escoado.
Eram 18 horas. De fato, conferimos os relógios. Os bombardeios
amainaram completamente. O telefone tocou. Eu atendi e chamei o General
Mascarenhas outro lado, gritando de emoção,
Zenóbio anunciava:
- Ocupamos a montanha. O I/Iº Regimento de Infantaria (Uzeda)
atingiu a cota 977, ao completar o envolvimento. O III Batalhão
(Frankclin) também atingiu o alto, arrematando a ação
frontal. Fizemos muitos prisioneiros, embora muita tropa conseguisse
retirar-se pela brecha que conservara. Vamos realizar o dispositivo
de defesa para a conservação do objetivo.
"Monte Castelo está definitivamente em nosso
poder.”
Quem, no dia seguinte,
passou pelo Monte Castelo, não viu
os cadáveres dos bravos pracinhas que ali tombaram no cumprimento
do dever, mas viram as confortáveis casas-matas alemãs
– verdadeiras fortificações. Viu o terreno crivado
de buracos, uma grande quantidade de material bélico abandonado,
as casas completamente destruídas e o chão manchado de
sangue dos nossos pracinhas que ali morreram para indicar às
gerações futuras o caminho da LIBERDADE
pela qual Tiradentes deu a vida e para elevar o nome do BRASIL
no conceito das NAÇÕES.
Para aqueles que, há mais de um quarto de século, envergando
o uniforme verde oliva do Exército de Caxias – o nosso
Exército – como integrantes que eram da FEB;
viveram os acontecimentos daquele dia, ainda hoje, quando lembram que
ao mesmo tempo choravam a morte dos companheiros, vibravam de contentamento
e davam graças a Deus por não terem desmerecido as tradições
legadas por Caxias, Ozório,
Sampaio, Antônio João,
Guia Lopes, Marcílio Dias
e tentos outros, que sentem, os cabelos arrepiarem.
Aquele desabafo do Major Francklin ao chegar
ao cume da montanha, à frente de seu batalhão que ao mesmo
tempo, choravam e riam:
- “ESTE É NOSSO, NINGUÉM NOS TOMA!”.
E não tomaram mesmo. A FEB jamais cedeu uma posição
conquistada.
Muito Obrigado!
(Palestra pronunciada pelo Major Álvaro
Duboc Filho na véspera da data do 27º aniversário
da Tomada de Monte Castelo – na Rádio Sociedade de Juiz
de Fora)
FONTE:
Matéria gentilmente enviada pela
Sra Zenaide Duboc, filha do Veterano
Álvaro
Duboc Filho
SOLENIDADE
COMEMORA DIA DA VITÓRIA EM BARBACENA
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| Ex-Combatente
Ary Lopes sendo homenageado pelo prefeito Martins Andrada e pela
Presidente da FUNDAC Zenaide Araújo. |
Evento
aconteceu na Praça do Rosário com a participaçao
de autoridads civis e militares e estudantes.
O Dia da Vitória foi celebrado em Barbacena com um grande evento
pela manhã de terça-feira dia 08 de maio. A solenidade
reuniu na Praça do Rosario, autoridades e estudantes e grande
número de pessoas.Também foi celebrada missa pelo Padre
Paulo Simoões da Escola Preparatória
de Cadetes do Ar (EPCAR).O grande homenageado foi o ex-combatente
Ary Lopes, representando os barbacenenses
combatentes da Força Expedicionária Brasileira. "A
guerra sempre foi e será uma constante na vida dos povos"
declarou Ary, durante seu discurso.
Em sua explanação o Prefeito Martim Andrada
ressaltou a importância do Monumento Histórico instalado
na Praça do Rosário que voltou a ter o fuzil, uma de suas
principais peças além da reforma da praça que esta
valorizando aimda mais o monumento.
FONTE:
Jornal Oficial da Prefeitura de Barbacena, MG
Matéria
gentilmente enviada por
Zenaide Duboc
(Colaboradora do site)
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