CONSTITUIÇÃO

1ª DIE - Divisão de Infantaria Expedicionária
CONVITE AO GENERAL MASCARENHAS DE MORAES

Com a decisão do governo de enviar a Força Expedicionária ao exterior, surgiram os comentários sobre os prováveis Generais comandantes dessa Força. Era voz corrente que os chefes mais em evidência estavam apontados para o Corpo de Exército e Divisões. Mascarenhas, no comando da 2ª RM, figurava naturalmente entre os nomes falados. Certa vez, em uma reunião festiva, chegou-se a aventar essa possibilidade e um oficial presente, o Major R/2 Reynaldo Ramos Saldanha da Gama, professor da Universidade de São Paulo, solicitou a Mascarenhas participar da primeira tropa expedicionária que se deslocasse sob seu comando. Mascarenhas, modesto como sempre, deu a perceber nada saber a respeito e que, por certo, não seria atingido pela escolha para missão de tanta relevância, tanto mais que a sua idade, 60 anos, era fator negativo para tal.

Cerca de dois meses depois, a 10 de agosto de 1943, recebeu o seguinte telegrama cifrado, do General Eurico Dutra, Ministro da Guerra:

" 25 H1- Urgente - 9-VIII-1943 - Cifrado - General Mascarenhas - São Paulo _Consulto prezado camarada de aceita comando de uma das Divisões que constituirão Corpo Expedicionário pt Impõe-se resposta urgente porque caso afirmativo fará estágio Estados Unidos pt
General Eurico Dutra - Ministro da Guerra"

No mesmo momento, em seu Gabinete, redigiu com o oficial de seu Estado-Maior, Major Antônio de Souza Júnior, a resposta, com o mesmo laconismo da consulta do Ministro e a qual deveria ter chocado a frieza do General Dutra:

"General Dutra - Rio - Urgentíssimo - De São Paulo - 20-40 - 10-VIII - 1943 - 17,15 - 345 Muito honrado e com satisfação respondo afirmativamente consulta Vossa Excelência acaba fazer-me em rádio 25 H1 pt
General Mascarenhas de Moraes

Essa constituição foi fixada em Portaria Ministerial de 9 de agosto de 1943, a qual também designava os órgãos não divisionários. Essa estrutura obedecia aos padrões vigentes nos Estados Unidos e já consagrados pela experiência da guerra em pleno desenvolvimento.

A Portaria Ministerial nº 47/44, de 9 de agosto de 1943, estabeleceu as primeiras normas gerais de estruturação da 1ª DIE, fixando-lhe a organização abaixo:

INFANTARIA DIVISIONÁRIA (ID), ao comando do Gen Zenóbio da Costa composta pelos regimentos de Infantaria - 1º RI (Regimento Sampaio - Rio de Janeiro, ao comando do Cel Aguinaldo Caiado de Castro), 6º RI (Regimento Ipiranga - Caçapava-SP, ao comando do Cel João Segadas Viana, futuro ministro da Guerra 1961-62), 11º RI (Regimento Tiradentes - São João del-Rei, ao comando do Cel Delmiro Pereira de Andrade). Comandou ao final da guerra o 6º RI o Cel Nelson de Melo, futuro ministro da Guerra em 1962. O 1º RI teve ação destacada na conquista de Monte Castelo, em 21 de fevereiro de 1945, além de em outras ações. O 6º RI teve papel destacado na conquista de Castelnuovo e rendição em Fornovo, em 29 de abril de 1945, da 148º Divisão de Infantaria Alemã e de remanescentes da divisão italiana, Itália. O 11º RI teve atuação destacada no combate de Montese, em 14 de março de 1945, além de em outras ações.

ARTILHARIA DIVISIONÁRIA (AD), ao comando do Gen Osvaldo Cordeiro de Farias e composta dos grupos de Artilharia I-GO-105 (Grupo de São Cristóvão - Rio, ao comando do Ten Cel Levy Cardoso), II-GO-105 (Grupo Monte Bastione, de Campinho - Rio, ao comando do Cel Geraldo Dacamino, sendo o primeiro a entrar em ação na Itália), III-GO-105 (Grupo Bandeirante de Quintaúna, em São Paulo - SP, ao comando de Ten Cel José de Souza Carvalho), IV-GO-155 (Grupo Montese, ao comando do Ten Cel Hugo Panasco Alvim), 1ª Esquadrilha de Ligação e Observação (1º ELO da FAB, sob controle operacional da FEB); 9º Batalhão de Engenharia de Combate, de Aquidauana-MS, ao comando do Ten Cel José Machado Lopes; 1º Batalhão de Saúde de Valença - RJ ao comando do Maj Bonifácio Borba; Esquadrão do Reconhecimento, atual Esquadrão Ten Amaro de Valença - RJ, ao comando inicialmente do Cap Franco Ferreira e depois do Cap Plínio Pitaluga atual (em 2000) acadêmico emérito da Academia de História Militar Terrestre do Brasil . Tropa especial (Companhia de Transmissões, Companhia de Manutenção Leve, Companhia de Intendência, Companhia do Quartel General, Banda de Música e, Pelotão de Polícia organizado à base da mobilização de policiais da Guarda Civil de São Paulo).Banda de Musica, Agência do Banco do Brasil, Pagadoria Fixa; Secção Brasileira de Base, Deposito de Intendência; Serviço Postal, Serviço de Justiça, Depósito de pessoal (destinado a adestrar a tropa e completar os quadros); Pelotão de Sepultamento.

FONTES:
Tristão de Alencar Araripe
Ministro do Superior Tribunal Militar - A Coerência de uma Vocação.
S Ge Ex - Imprensa do Exército - Rio de Janeiro - 1969.


Brasil Conflitos Externos
Cel Cláudio Moreira Bento
Academia de História Militar Terrestre do Brasil

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