Cabo David Lavinski
Ex- Combatente da 2ª Guerra Mundial

I/2º ROAuR - 2º Regimento de Obuses Autorebocado
Rio de Janeiro
- RJ

2005 é um ano jubilar para o mundo, marcando 60 anos do Dia V-E (Vitória Aliada na Europa). No Brasil, entre muitas solenidades haverá em 1º. de maio uma homenagem no Grande Templo Israelita do Rio de Janeiro aos Heróis Brasileiros Judeus da II Guerra Mundial.

O numero exato jamais será conhecido. Deus sabe os seus nomes. Uma Comissão se formou para levantar os brasileiros de fé judaica que participaram das operações bélicas contra a Alemanha Nazista.

Até agora (abril de 2005) 40 nomes foram arrolados, representando um percentual elevado para a comunidade judaica da época, nucleada em imigrantes portanto dispensados do Serviço Militar.

Assim, foram os filhos desta geração de imigrantes que voluntariamente acorreram ao chamado da Pátria que acolhera seus pais e avós.

Durante a cerimônia no Grande Templo haverá uma nominata de todos os ex-combatentes judeus, ao mesmo tempo em que uma Banda Militar executará a Canção do Expedicionário.


1944. David estava acantonado no Forte de Campinho, subúrbio do Rio de Janeiro, com o seu Grupo de Artilharia. Embarcou em 22 de setembro com o 2º. e 3º. dos 5 escalões da FEB, integrando o Grupamento General Cordeiro de Farias, Comandante da Artilharia Divisionária da FEB. Era véspera de Yom Kippur. A bordo do navio da Marinha Americana, U.S.S. General W. A. Meenor, de transporte de tropas, o gaúcho de 4 Irmãos David Lavinsky ouviu pelo fonoclama um Rabino Capelão Naval americano convocando os judeus que estivessem a bordo para o Kol Nidrei.

Compareceram trinta militares da fé mosaica, entre brasileiros e americanos. A cerimônia teve de ser interrompida pela ameaça de ataque de submarinos nazistas e o navio começou a navegar em zigue-zague, o que provocou enjôo em muitos expedicionários, inclusive David, que se julga um homem valente, tendo sido a única ocasião em toda a sua vida que sentiu medo, muito medo.

David era cabo, servindo no I Grupo do 2º. Regimento de Obuses Autorebocado (I/2º. ROAuR). Pertence a uma família de agricultores judeus que até hoje se dedica ao plantio de soja e trigo no Rio Grande do Sul. Nasceu na antiga Erechim, hoje município de Getulio Vargas, aos 5 de março de 1920, filho de Gregório e Sara.

O anti-semitismo grassava na Rússia Czarista e na Polônia. Entre os que também tentaram amenizar o sofrimento de seus irmãos, destacou-se o Barão Maurice de Hirsch. Descendente de uma antiga família de banqueiros e industriais da Baviera, destacou-se como financista em Bruxelas, e fez fortuna construindo ferrovias para o então poderoso Império Otomano.

Os judeus eram pobres, e Hirsch, junto com sua esposa Clara de Bischoffsheim tentou minorar a calamidade criando centros educativos e de ajuda.

A perda do único filho determinou o lançamento de todas as energias e fortuna do casal num dos esquemas filantrópicos mais extraordinários da historia. A Tzedaka, milenar palavra hebraica que significa caridade, a que o judaísmo obriga seus fieis, passou a ser o centro das suas vidas, ainda que estivessem longe de serem religiosos, muito menos ortodoxos.

O barão fundou a Jewish Colonization Agency, que comprava terras no interior do Brasil, Argentina, Estados Unidos e Canadá, e pagava as passagens dos judeus que quisessem sair da Europa sofrida e se transformarem em agricultores naquelas terras abençoadas, carentes de povoação e mão-de-obra, onde prosperariam e conservariam sua ricas tradições.

David Lavinsky, gaúcho de Quatro Irmãos reside atualmente em Belo Horizonte.
Havia acabado de prestar o serviço militar e dado baixa como cabo telegrafista e motorista quando o Brasil declarou guerra aos países do Eixo. Era reservista de 1ª. categoria quando, aos 14 de fevereiro de 1944 foi incorporado como voluntário ao estado efetivo do grupo, sendo promovido a Cabo Metralhador.

Alistou-se como voluntário e aceitou a função de soldado "para evitar a extinção do povo judeu", segundo suas próprias palavras. Até o dia em que, já embarcado no navio norte-americano que transportava o contingente militar brasileiro para a Itália, foi chamado pelo alto-falante para a cerimônia do Iom Kipur, não conhecia outro judeu que tivesse participado da FEB.

A tripulação era toda norte-americana e como houvesse muitos judeus a bordo, havia um rabino-capelão, que oficiou parte da celebração, que teve de ser interrompida pelas manobras que o navio precisou fazer para fugir dos torpedos disparados pelos submarinos alemães.

Já no front, Lavinsky participou de toda a campanha da Itália dirigindo caminhões que transportavam munição para as unidades de artilharia. Trata-se do Grupo Bandeirante, antigo I Grupo do II Regimento de Obuses 105mm de Quitauna, hoje transformado no 21 Grupo de Artilharia de Campanha Leve de Barueri, a unidade que até hoje comemora a última missão de tiro na Itália, a 01:45 da madrugada do dia 29 de abril de 1945, coincidindo com a rendição da 148 DI alemã.


David foi elogiado pelo Capitão Comandante da 2ª. Bateria, Walmick Emerson, nos seguintes termos: “Agradeço e louvo o Cabo David Lavinski pela eficiência e cooperação na marcha e ocupação de posição na noite de 13 para 14 de novembro de 1944.”

A 15 de junho de 1945, recebeu mais um elogio individual do Cmt Bia: “O Cabo David Lavinski, metralhador durante toda a Campanha da Europa, mostrou ser um subordinado disciplinado, zeloso com o material que lhe foi distribuído, sempre pronto para atender as ordens e de eficiente manejo da sua metralhadora. Apesar dos rigores do inverno, sempre esteve alerta de sentinela. É um cabo cioso de suas funções dotado de espírito militar e sobretudo de boa educação.

A 20 de junho foi novamente elogiado individualmente pelo Cmt Bia nos seguintes termos: “O Cabo 456 David Lavinski, metralhador, pela atuação que teve no desempenho das suas funções na ofensiva da primavera que começou com o ataque ao triangulo Montese- Montelo – Monte de Bufani, e culminou com o ataque as rotas do inimigo na Italia. Sempre que necessário estava a postos, conservando em bom funcionamento as metralhadoras que lhe foram confiadas, disciplinado, honesto, trabalhador e tem perfeita consciência do cumprimento do dever.”

A 5 de julho, o Exmo Sr Major General U. S. Army Willis D. Crittenberg conferiu-lhe o título de MEMBRO HONORÁRIO do IV U. S. Army Corps.

Aos 15 de agosto, já no Brasil, foi licenciado do serviço ativo do Exercito, indo residir na Estação de Erebango – RS.

Por ter participado das operações de guerra na Itália, David foi condecorado pelo Presidente da República com a Medalha de Campanha pelos relevantes serviços prestados ao esforço de guerra, em diploma assinado pelo Ministro da Guerra, General Pedro Aurélio de Góis Monteiro.

Sr. Lavinski assinando o Livrode Honra
do Monumento, apos a solenidade do dia 1 de maio
de 2005 em homenagem ao Dia da Vitoria.
Ao fundo aparece o veterano Cel Sali Szanferber.

Sr Lavinski ladeado pelos filhos do ex-combatente
General Moyses Chahon, já falecido, e pelo casal
Marlene e Israel Blajberg.

FONTE:
Sr. Israel Blajberg


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