3º Sgt Celso Racióppi
Ex-Combatente da 2ª Guerra Mundial

1921
1948

11º RI - Regimento de Infantaria (Regimento Tiradentes)
São João del-Rei, MG

Natural de Alfenas. Filho do ilustre advogado e consagrado historiador Dr. Vicente de Andrade Racióppi e da Sra. Maria Dias Racióppi, residentes em Belo Horizonte.

Estudou na Escola Dom Bosco, de Cachoeira do Campo, em Ouro Preto. Universitário de Engenharia e professor de matemática, na Capital de Minas Gerais. Reservista convocado da Companhia Quadros. Cabo e sargento do 10º RI - Regimento de Infantaria (Belo Horizonte). Embarcou com a FEB, para a Itália, em 22 de setembro de 1944, como integrante da 2ª Cia. do 11º RI, (Regimento Tiradentes) de São João del-Rei, MG.

Na Batalha de Montese foi ferido e ocultou o ferimento, até o término da operação. Foi condecorado com a Cruz de Combate de 1ª Classe, Medalha de Campanha, Medalha Sangue do Brasil. Foi homenageado e condecorado com a Medalha de Ouro, pelo povo de Alfenas, MG.

Faleceu de neurose de guerra, no dia 24 de abril de 1948, tendo sido sepultado no Cemitério das Dores, em Cachoeira do Campo, MG.

A Associação dos Ex-Combatentes do Brasil, Seção Regional de Belo Horizonte, de que foi Vice-Presidente, deu o seu nome à Biblioteca que na sua sede foi inaugurada no dia 7 de setembro de 1950.

Dos muitos elogios que recebeu, deve ser destacado o do General Olímpio Falconière da Cunha, em carta que escreveu ao seu progenitor, em 30 de abril de 1948, em que salienta as belas qualidades civis e militares de Celso Racióppi.

Homenagem e Advertência

Está em falta o País com inúmeros dos bravos soldados que o defenderam na última guerra. Ainda recentemente o Marechal Mascarenhas de Moraes, que comandou os brasileiros na guerra, referia-se a esse descaso, assinalando, entretanto, que iriam ser tomadas providências para justa assistência aos nossos soldados, que, por doença ou outros motivos decorrentes do fato de terem sido mobilizados, se encontram em penosa situação. Há antigos expedicionários, que, impossibilitados para o trabalho, se vêem obrigado a viver da caridade alheia.

Ao Entusiasmo com que foram acolhidos os expedicionários brasileiros vitoriosos seguiu-se, de parte dos poderes públicos, a displicência no trato de seus problemas. A luta, embora incruenta para obtenção de qualquer providência justa a favor dos ex-combatentes, exige reservas de energia iguais às reclamadas para a tomada bélica de um forte. Muitos Desanimam...

No que se refere à assistência aos inúmeros expedicionários que retornaram não mutilados, mas presas de males neuropsíquicos originados pela guerra, que, na frase de um cientista europeu, matou mais mentes do que corpos, a desatenção foi completa.

A memória de um desses heróis, vítima de neurose de guerra, combinada com o descaso oficial pela saúde dos soldados que voltaram da Europa trazendo-nos a vitória. Belo Horizonte acaba de prestar significativa homenagem.

Regressando ao Brasil com seus companheiros vitoriosos, Celso Racióppi, presa da neurose de guerra, faleceu, em 24 de abril de 1948, em Cachoeira do campo, junto às Escolas D. Bosco, onde estudou quando menino.

Celso Racióppi, embora doente, mas dotado de grande força de vontade, insistia em estudar e trabalhar. Foi um dos fundadores da Associação dos Ex-combatentes do Brasil de Minas Gerais. Seus companheiros elegeram-no Vice-Presidente da Associação. Empolgava-o a causa da assistência aos ex-combatentes, pois Celso Racióppi, que não via os seus próprios Males, era um inteligente observador do que ocorria com muitos de seus companheiros.

A Câmara Municipal de Belo Horizonte, querendo homenagear-lhe à memória, autorizou o Prefeito, em lei que o Sr. Américo Giannetti acaba de sancionar, a dar o nome de “Expedicionário Celso Racióppi” a uma rua que se abre na Capital.

É belo e emocionante o preito da Cidade à memória do seu estudante, que pelejou em Montese, escapou da morte na Europa, conheceu a alegria da vitória, recebeu a consagração dos aplausos de seus patrícios para vir morrer, vítima dos desígnios sinistros da guerra, em sua própria terra natal...

Ele tem dois sentidos: o de honrar a memória de Celso Racióppi, fixando o seu exemplo para outros jovens, e o de lembrar aos responsáveis pela Pátria o seu dever para com os combatentes que não morreram...

José Clemente

Expedicionário 3º Sargento Celso Racióppi

O Sargento Celso soube muito bem cumprir o dever de cidadão nos campos de batalha da velha Europa, não desmerecendo o valor e a tradição do soldado brasileiro.

O reconhecimento do governo ao lhe conceder a mais alta condecoração, Cruz de Combate de 1ª classe, é atestado indiscutível da maneira altamente honrosa como se portou em combate. A sua vida militar foi exemplo permanente de virtudes militares que dará necessariamente ótimos resultados a todos os que o procurem seguir, honrando as nossas tradições de bravura, abnegação e heroísmo.

General Olímpio Falconière da Cunha
Carta de 30.04.1948 ao progenitor de Celso Racióppi

Expedicionário e Universitário
3º Sgt 2647 da FEB na Itália
1º Batalhão, 2ª Cia. 11º RI
(Regimento Tiradentes)

1921 - 31 de dezembro: Nasceu em Alfenas, Sul de Minas. Estudou nas Escolas Dom Bosco de Cachoeira do Campo e em Ouro Preto.

1941 - Universitário de Engenharia em Belo Horizonte e professor de matemática.

1942 - Reservista pela Companhia Quadros, convocado.

1943 - Cabo e Sargento no 10º RI em Belo Horizonte.

1944 - 22 de setembro: Embarcou com a FEB para a Itália.

1945 - 14 de abril: Na Batalha de Montese foi ferido e ocultou o ferimento até o termino da operação. Condecorado com a Cruz de Combate de 1ª classe, Medalha de campanha e Medalha de Guerra.

1945 - 26 de junho: Audiência de Pio XII e visita às catacumbas de Roma.

1945 - 17 de setembro: Regressou ao Rio de Janeiro com a FEB vitoriosa.

1945 - 24 de abril: Faleceu de neurose de guerra. Sepultado em cachoeira do Campo, Minas Gerais, no Cemitério das Dores.

1950 - 7 de setembro: Inaugurada na Sede da Associação dos Ex-Combatentes do Brasil, a Biblioteca Celso Racióppi.

1954 - 5 de julho: Sancionada a Lei Nº 392, dando a uma rua, em Belo Horizonte, z denominação de “Rua Expedicionário Celso Racióppi”.

1955 - 28 março: Na Sede do Tiro de Guerra, de Alfenas, fundou-se o “Clube Celso Racióppi”, presidido por Crispim José Silveira Pinto, tendo como patrono o Ex-Combatente alfenense Celso Racióppi.

Pais de Celso Racióppi
Dr. Vicente de Andrade Racióppi, advogado natural da Cidade de Queluz de Minas (Conselheiro Lafaiete) e Sra. Maria Dias Racióppi, natural de Ouro Preto. Residência: Belo Horizonte.

FONTES:
Arquivos do Vet. Cap Divaldo Medrado
Arquivos de Roberto R. Graciani (Autor do site)
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