Natural
de Alfenas. Filho do ilustre advogado e consagrado historiador Dr.
Vicente de Andrade Racióppi e da Sra. Maria Dias Racióppi,
residentes em Belo Horizonte.
Estudou na Escola
Dom Bosco, de Cachoeira do Campo, em Ouro Preto. Universitário
de Engenharia e professor de matemática, na Capital de Minas
Gerais. Reservista convocado da Companhia Quadros. Cabo e sargento
do 10º RI - Regimento de Infantaria (Belo Horizonte). Embarcou
com a FEB, para a Itália, em 22 de setembro de 1944, como integrante
da 2ª Cia. do 11º RI, (Regimento Tiradentes) de São
João del-Rei, MG.
Na Batalha de
Montese foi ferido e ocultou o ferimento, até o término
da operação. Foi condecorado com a Cruz de
Combate de 1ª Classe, Medalha de Campanha, Medalha Sangue do
Brasil. Foi homenageado e condecorado com a Medalha de Ouro, pelo
povo de Alfenas, MG.
Faleceu de neurose
de guerra, no dia 24 de abril de 1948, tendo sido sepultado no Cemitério
das Dores, em Cachoeira do Campo, MG.
A Associação
dos Ex-Combatentes do Brasil, Seção Regional de Belo
Horizonte, de que foi Vice-Presidente, deu o seu nome à Biblioteca
que na sua sede foi inaugurada no dia 7 de setembro de 1950.
Dos muitos elogios
que recebeu, deve ser destacado o do General Olímpio Falconière
da Cunha, em carta que escreveu ao seu progenitor, em 30 de abril
de 1948, em que salienta as belas qualidades civis e militares de
Celso Racióppi.
Homenagem
e Advertência
Está
em falta o País com inúmeros dos bravos soldados que
o defenderam na última guerra. Ainda recentemente o Marechal
Mascarenhas de Moraes, que comandou os brasileiros na guerra, referia-se
a esse descaso, assinalando, entretanto, que iriam ser tomadas providências
para justa assistência aos nossos soldados, que, por doença
ou outros motivos decorrentes do fato de terem sido mobilizados,
se encontram em penosa situação. Há antigos
expedicionários, que, impossibilitados para o trabalho, se
vêem obrigado a viver da caridade alheia.
Ao
Entusiasmo com que foram acolhidos os expedicionários brasileiros
vitoriosos seguiu-se, de parte dos poderes públicos, a displicência
no trato de seus problemas. A luta, embora incruenta para obtenção
de qualquer providência justa a favor dos ex-combatentes,
exige reservas de energia iguais às reclamadas para a tomada
bélica de um forte. Muitos Desanimam...
No
que se refere à assistência aos inúmeros expedicionários
que retornaram não mutilados, mas presas de males neuropsíquicos
originados pela guerra, que, na frase de um cientista europeu, matou
mais mentes do que corpos, a desatenção foi completa.
A
memória de um desses heróis, vítima de neurose
de guerra, combinada com o descaso oficial pela saúde dos
soldados que voltaram da Europa trazendo-nos a vitória. Belo
Horizonte acaba de prestar significativa homenagem.
Regressando
ao Brasil com seus companheiros vitoriosos, Celso Racióppi,
presa da neurose de guerra, faleceu, em 24 de abril de 1948, em
Cachoeira do campo, junto às Escolas D. Bosco, onde estudou
quando menino.
Celso
Racióppi, embora doente, mas dotado de grande força
de vontade, insistia em estudar e trabalhar. Foi um dos fundadores
da Associação dos Ex-combatentes do Brasil de Minas
Gerais. Seus companheiros elegeram-no Vice-Presidente da Associação.
Empolgava-o a causa da assistência aos ex-combatentes, pois
Celso Racióppi, que não via os seus próprios
Males, era um inteligente observador do que ocorria com muitos de
seus companheiros.
A
Câmara Municipal de Belo Horizonte, querendo homenagear-lhe
à memória, autorizou o Prefeito, em lei que o Sr.
Américo Giannetti acaba de sancionar, a dar o nome de “Expedicionário
Celso Racióppi” a uma rua que se abre na Capital.
É
belo e emocionante o preito da Cidade à memória do
seu estudante, que pelejou em Montese, escapou da morte na Europa,
conheceu a alegria da vitória, recebeu a consagração
dos aplausos de seus patrícios para vir morrer, vítima
dos desígnios sinistros da guerra, em sua própria
terra natal...
Ele
tem dois sentidos: o de honrar a memória de Celso Racióppi,
fixando o seu exemplo para outros jovens, e o de lembrar aos responsáveis
pela Pátria o seu dever para com os combatentes que não
morreram...
José
Clemente
Expedicionário
3º Sargento Celso Racióppi
O
Sargento Celso soube muito bem cumprir o dever de cidadão
nos campos de batalha da velha Europa, não desmerecendo o
valor e a tradição do soldado brasileiro.
O
reconhecimento do governo ao lhe conceder a mais alta condecoração,
Cruz de Combate de 1ª classe, é atestado indiscutível
da maneira altamente honrosa como se portou em combate. A sua vida
militar foi exemplo permanente de virtudes militares que dará
necessariamente ótimos resultados a todos os que o procurem
seguir, honrando as nossas tradições de bravura, abnegação
e heroísmo.
General
Olímpio Falconière da Cunha
Carta de 30.04.1948 ao progenitor de Celso Racióppi
Expedicionário
e Universitário
3º Sgt 2647 da FEB na Itália
1º Batalhão, 2ª Cia. 11º RI
(Regimento Tiradentes)
1921 -
31 de dezembro: Nasceu em Alfenas, Sul de Minas. Estudou
nas Escolas Dom Bosco de Cachoeira do Campo e em Ouro Preto.
1941
- Universitário de Engenharia em Belo Horizonte e professor
de matemática.
1942
- Reservista pela Companhia Quadros, convocado.
1943
- Cabo e Sargento no 10º RI em Belo Horizonte.
1944 -
22 de setembro: Embarcou com a FEB para a Itália.
1945 -
14 de abril: Na Batalha de Montese foi ferido e ocultou o
ferimento até o termino da operação. Condecorado
com a Cruz de Combate de 1ª classe, Medalha de campanha e Medalha
de Guerra.
1945 -
26 de junho: Audiência de Pio XII e visita às
catacumbas de Roma.
1945 -
17 de setembro: Regressou ao Rio de Janeiro com a FEB vitoriosa.
1945 -
24 de abril: Faleceu de neurose de guerra. Sepultado em cachoeira
do Campo, Minas Gerais, no Cemitério das Dores.
1950 -
7 de setembro: Inaugurada na Sede da Associação
dos Ex-Combatentes do Brasil, a Biblioteca Celso Racióppi.
1954 -
5 de julho: Sancionada a Lei Nº 392, dando a uma rua,
em Belo Horizonte, z denominação de “Rua Expedicionário
Celso Racióppi”.
1955 -
28 março: Na Sede do Tiro de Guerra, de Alfenas, fundou-se
o “Clube Celso Racióppi”, presidido por Crispim
José Silveira Pinto, tendo como patrono o Ex-Combatente alfenense
Celso Racióppi.
Pais
de Celso Racióppi
Dr. Vicente de Andrade Racióppi, advogado natural da Cidade
de Queluz de Minas (Conselheiro Lafaiete) e Sra. Maria Dias Racióppi,
natural de Ouro Preto. Residência: Belo Horizonte.
FONTES:
Arquivos do Vet. Cap Divaldo
Medrado
Arquivos de Roberto R. Graciani (Autor do site)
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