Canção da Volta do Expedicionário
”Adaptação do original pelo professor Osmar Barbosa”

 

Você sabe de onde eu venho?
É do livre desempenho
que cumpri por meu Brasil.
Venho da terra européia
trazendo escrita a Odisséia
na altivez do meu fuzil.
Venho dos campos nevados
onde deixei sepultados
os meus irmãos tropicais,
dormido após a vitória
o eterno sono da glória,
na glória imortal da paz.


Você sabe de onde eu venho?
É de uma pátria que eu tenho
no fundo da cicatriz.
venho dos ermos ferinos,
do sopé dos Apeninos,
onde lutei como quis.
Venho do Pó calmo e belo,
do alto do Monte Castelo,
de onde expulsei o alemão.
Venho da frente mais forte,
trazendo, ao vencer a morte,
o Brasil no coração.


Venho da terra estrangeira
onde a raça brasileira
deu lição de amor e fé.
Venho da fria montanha,
do vasto sul de Bolonha,
de Roma, da Santa Sé.
Comigo trago a saudade,
a honra de minha nação.
Trago os troféus da batalha,
a eloqüência da metralha
na minha ardente emoção.


Venho do chão libertado,
do solo estranho lavado
no sangue de meus irmãos,
da bravura sertaneja,
do Coliseu da peleja,
do rubro altar dos cristãos,
da cruzada americana
para o calor da choupana,
para os verdes estendais,
conquistando após a guerra
o meu pedaço de terra,
terra santa de meus pais.


Por mais lutas que eu passasse
permitiu Deus que eu voltasse
para o meu torrão natal.
Quero enfim a paz paterna,
encontrar na unção materna
a ternura divinal.
Volto sereno e feliz
aos carinhos de meu lar,
satisfeito do que fiz
do outro lado do mar,
pois meu coração me diz quanto
me devo orgulhar.

Extraída do livro “ Nosso Valente Pracinha”
Autores: Edelzia dos Santos Campos Ribeiro Bulcão Junior & Prado Ribeiro
Edição: 1947

www.anvfeb.com.br