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FEB, ao chegar à Itália, passou por três fases distintas:
- a preparação e a adaptação, compreendendo:
equipamento da tropa; instrumento e emprego do armamento; e aclimatação
ao ambiente;
- a estabilização de 4 meses, durante o inverno, chamada
“defensiva agressiva”, e;
- a grande movimentação decorrente da Ofensiva da Primavera.
A FEB levou o seu equipamento individual e o fardamento “Tipo
FEB”, de brim e de flanela, com peças internas, também
de brim e de flanela.
Na Itália, foram recebidos artigos diversos que completaram o
material de estacionamento e o uniforme, para suportar o intenso frio
e a lama. As unidades da 1ª linha receberam equipamentos e agasalhos
para a vida na neve, sob temperaturas próximas de 15 graus negativos.
Quanto à alimentação tivemos alguns problemas.
No primeiro estacionamento, a demora no fornecimento de fogões
e o desconhecimento de seu manejo obrigaram ao consumo, por 4 dias,
da Ração C, constituída de por duas latas de cada
refeição, de modo que, no fim de cada dia, tiveram que
ser retiradas e queimadas mais de 30 mil latas.
Um problema sério foi conseguir sapatos americanos, nos tamanhos
dos pés de nossos homens. Além do mais, a numeração
era diferente. Uma estatística rápida levantou os totais
de cada tamanho. Finalmente o calçado foi fornecido.
A tropa, depois de 15 dias, quando do deslocamento para o norte, foi
organizada em quatro escalões de embarque, da ordem de 1.200
homens, que seguiam a pé, às 5 h da manhã, rumo
à estação de Bagnoli, num percurso de 10 Km, para
embarcar em composição ferroviária.
O transbordo se dava, no fim da viagem, por volta das 17h, para 60 caminhões
americanos, com reboques que rumavam para a cidade de Tarquínia.
Enquanto esse movimento ferroviário era executado, um comboio
diário de caminhões percorria 350 Km, levando pessoal
e material para o mesmo destino.
Durante 4 dias essa operação se repetiu, enquanto à
noite caminhões transportavam para o porto 11 mil volumes que
seguiram por mar para Civitavecchia – sacos B e bagagem das unidades.
Nessa fase inicial, a Companhia de Manutenção teve papel
destacado, montando viaturas e recebendo armamento para serem entregues
às diversas unidades e a diversos órgãos já
em atividade. Nessa fase, 400 viaturas passaram pela Companhia de Manutenção
e foram entregues a tropas estacionada em Tarquínia. A 15 de
agosto, o 1º Escalão deslocou-se, com meios próprios,
para Vada. Foi a primeira prova a que se submeteram unidades e motoristas
em deslocamento de tamanha envergadura.
Viaturas entregues 3 a 4 horas antes da partida tiveram que ser dirigidas
por motoristas não adaptados e sem prática de deslocamento
em comboio e à noite. Entretanto, o tempo e a experiência
adquirida proporcionaram procedimento bem mais aceitável nos
movimentos que se seguiram.
Nos primeiros estacionamentos, as atividades logísticas eram,
praticamente, de recebimento e distribuição de rações,
gasolina, material de intendência, viaturas e armamento. A entrada
em ação do Destacamento FEB modificou, por completo, as
atividades dos efetivos dos Serviços, com efetivos reduzidos,
para vencer grandes distâncias até os órgãos
fornecedores americanos e a linha de frente.
Os três Batalhões do 6º RI, que eram a base do Destacamento
FEB, e os demais elementos foram substituindo tropas americanas na sua
nova frente. A 4ª Seção teve a seu cargo a realização
de todo o transporte de pessoal e material, feito em 5 dias, do Sercchio
para o Reno. Empregou 397 viaturas, de várias unidades que conduziram
4.283 homens e seu material. O controle do trânsito ficou a cargo
do Pelotão de Polícia, num percurso de 120 Km. A chegada
das unidades do grosso da 1ª DIE à Região de Porreta
Terme e a sua entrada em linha constituíram um capítulo
especial nas atividades de transporte.
A Estrada 64 era via de suprimento e os caminhos que partiam das estradas
principais subiam encostas abruptas, sujeitas aos fogos adversários.
O Serviço de Engenharia lutou bravamente para manter esses caminhos
em condições de trânsito.
Os quatro ataques a Monte Castelo e os movimentos de patrulhas exigiram
dos Serviços ações especiais.
Os primeiros mortos e feridos puseram em atividade os órgãos
do Serviço de Intendência e do Serviço de Saúde,
que evacuaram os, mortos para o Cemitério de Pistóia.
O Serviço de Saúde levou os feridos para o 32º Hospital,
que atendia em primeira mão, os feridos graves, e para o 16º
Hospital de Evacuação, mais à retaguarda, em Pistóia.
O Serviço de Engenharia, além do trabalho de conservação
de estradas, forneceu meios para disfarce e material de organização
do terreno, paras reforçar as posições defensivas.
O Serviço de Intendência manteve a regularidade do suprimento
por intermédio de um comboio diário que, dos depósitos
do V Exército, transportava gênero e gasolina para Lê
Piève, onde mantinha um Posto de Distribuição para
atender às unidades e aos órgãos diversos, em ação
na frente do Vale do Reno, apesar da neve que cobria as estradas.
O Serviço de Transmissões instalou uma rede telefônica
perfeita, permitindo ligações para qualquer unidade empenhada
e com todos os órgãos em atividade, inclusive para a retaguarda
com órgãos brasileiros e americanos.
O Serviço de Material Bélico, por intermédio da
Companhia de Manutenção, instalada em Pistóia,
reparou viaturas e armas de toda espécie e forneceu a munição
necessária ao combate.
Por sua vez, a 1ª Seção empenhou-se no recompletamento
das Unidades, requisitando homens ao Depósito de Pessoal que
com seu efetivo da ordem de 10 mil homens, estacionado em Stafole, cobriu
os claros decorrentes de mortes e baixas.
A 3ª fase teve inicio com a tomada de Monte Castelo, La Serra e
Castelnovo, no fim do mês de fevereiro de 1945. As tropas brasileiras,
sacudidas por esses acontecimentos, depois de longa permanência
na neve e sob cargas de tantas apreensões, foi aliviada em seu
equipamento e não mais se deteve até o término
da campanha. A 4ª Seção, na previsão de grandes
transportes, estabeleceu e previu Postos de Polícia para o controle
do trânsito e acionou o Serviço de Intendência, para
a constituição de estoques de gasolina e de rações
de reserva em pontos avançados. Prescreveu, ainda, a localização
de pontos de coleta do Pelotão de Sepultamento.
No aproveitamento do êxito, os deslocamentos caracterizaram-se
pelos movimentos de tropa a longas distâncias e em prazos curtos.
As unidades de Infantaria deixavam, ao longo das estradas, suas munições
excedentes e seus canhões. A própria Artilharia empregou
seus caminhões no transporte da Infantaria, organizando o que
se chamou de “Empresa de Mudança Roda de Ouro”, enquanto
seus canhões foram sendo grupados em parques improvisados à
margem das estradas. A Infantaria tinha que se deslocar profunda e rapidamente
para barrar todas as saídas que dos Apeninos desembocassem no
Vale do Rio Pó.
O Serviço de Saúde teve na vacinação de
todo o efetivo da FEB no Brasil, o principal fator responsável
pelo satisfatório estado sanitário. Perfeitamente entrosado
com os hospitais e órgãos americanos de saúde,
o nosso Serviço cumpriu fielmente a sua tarefa. Evacuou os feridos
e doentes com seus próprios meios e, quando foi necessário,
recebeu ajuda do V Exército, como no primeiro ataque a Monte
Castelo, quando 143 baixas de combate fizeram congestionar a corrente
de transporte para o 16º Hospital de Evacuação, em
Pistóia, em virtude da grande distância a ser percorrida.
O valor de suas atividades pode ser avaliado pelo número de perdas
no período de novembro de 1944 a fevereiro de 1945: 884 feridos,
3.316 doentes, 406 acidentados, rendo passado pelo Posto de Triagem
– 4.606 homens, incluídos nesse total 111 aliados (americanos,
ingleses e italianos), 11 feridos inimigos e 174 civis italianos.
O estado sanitário da tropa no período de novembro de
1944 a fevereiro de 1945 sofreu a influência das condições
climáticas adversas a que se submeteram homens afeitos a temperaturas
mais elevadas, O inicio do inverno, no final de dezembro, marcou o ponto
alto das baixas por doença, com 1176 homens retirados de suas
funções, principalmente por afecções nas
vias respiratórias. O “pé-de-trincheira” foi
galhardamente vencido pela artimanha do nosso pracinha. Enquanto tínhamos
50 homens nos hospitais, os americanos tinham dez vezes mais. Isso deu
motivo a uma investigação, a pedido dos órgãos
americanos, intrigados com o acontecimento.
O Serviço de Intendência destacou-se entre os demais, por
suas atividades diárias e ininterruptas para alimentar, vestir,
aquecer, transportar o efetivo da Divisão e atender, algumas
vezes, ao Depósito de pessoal, em Stáfole. Tinha ainda,
missão humana e desagradável de recolher e enterrar os
mortos, reunindo-os no Cemitério Brasileiro de Pistóia.
Graças à sua atividade, toda a nossa tropa pode enfrentar
os rigores do clima.
O Serviço de Intendência desenvolveu esforço hercúleo
para que a tropa bem desempenhasse o seu papel e notável foi
a sua atuação na fase final da campanha, quando tinha
de apoiar contingentes que progrediam em várias direções,
realizando lances profundos, afastando-se, cada vez mais, dos órgãos
de suprimento.
O Comandante da FEB disse sobre as atividades logísticas:
“Louvo
a grande dedicação e a eficiência com que os órgãos
logísticos se empenharam nos transportes, no remuniciamento
e nas evacuações que, sempre impecáveis, foram
certamente os elementos preponderantes dos êxitos que a Divisão
alcançou. A justa apreciação das condições
de tempo, dando à tropa os elementos de vida e de combate no
momento oportuno, concorreu poderosamente para que o Comando executasse
as suas decisões no ritmo previsto.
Nas
operações que se desenvolveram, em toda a campanha,
deram os órgãos logísticos cabal cumprimento
ao que lhes foi exigido, graças à sua operosidade, vigilância
e espírito de iniciativa e, com isso, a tropa foi atendida
a tempo e à hora e as dificuldades foram contornadas com rara
habilidade. O seu maior mérito está em terem conseguido
ajustar todo o sistema de apoio às operações,
sem falha e sem desfalecimento. Por ocasião da rendição
das tropas inimigas, os seus trabalhos foram inestimáveis na
organização e execução da apreensão
do material capturado aos alemães, esforçando-se ininterruptamente,
nas jornadas de 29 e 30 de abril, de modo a tornar mais grandiosa
aquela vitória de nossas armas”
General
Mascarenhas de Moraes – Cmt FEB.
FONTE:
Revista VERDE OLIVA - Edição
Histórica.
Adaptação do texto de autoria do Marechal
José Machado Lopes
Revista do Exército Brasileiro.
Matéria
gentilmente enviada por
Zenaide Duboc - Barbacena, MG
(Colaboradora do site)
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