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Natural
de Ouro Preto - MG
UNIDADE:
II/11º Regimento de Infantaria POSTO
DE GRADUAÇÃO:
3º Sargento. Retornando ao país, permaneceu nas fileiras
do
Exército até ser transferido para a reserva no posto de
Major. CONDECORAÇÕES:
Medalhas de Campanha
Cruz de Combate de 2ª Classe
Medalha de Guerra
Militar de Bronze
Militar de Prata
Marechal Hermes
Marechal Caetano de Faria.
Entrevistado pela aluna Edna Cristina de Oliveira Cunha
UM ACONTECIMENTO QUE FICOU GRAVADO EM SUA MEMÓRIA
“Três
mulheres – três camponesas daquela região –
levando consigo pequenos balaios para transportarem a colheita que pretendiam
fazer, entraram em um cercado e, enquanto duas se livravam de suas mantas,
uma se distanciou, indo à frente”. Não havia dado
vinte passos quando uma súbita explosão, seguida de um
clarão vermelho e cegante, envolveu o corpo daquela mulher e
cobriu o ambiente de uma nuvem de fumaça misturada com terra,
enquanto que um cheiro de enxofre irradiou em derredor da terra revolvida.
Depois de um pequeno silêncio, ocasionado pelo espanto e pelo
terror, ouvimos tênues e, aos poucos, mais fortes, angustiados
gemidos de dor. Olhamos, então em redor e vimos penduradas na
cerca de arame, ali existentes, tabuletas com os dizeres “LAD
MINE – (Cuidado – Terreno Minado)”.
Dentro daquele cercado, havia uma plantação de batatas,
possivelmente feita durante a permanência dos alemães naquela
região. Obrigados a abandonarem as posições defensivas
que ali mantinham, deixaram enterradas, onde havia uma plantação
de batatas, algumas minas para nos surpreender.
Àquele terreno, uma área de mais ou menos oitenta metros
quadrados, poderia ter sido outrora uma pequena praça, já
que num dos extremos, justamente o que confinava com a rodovia, havia
uma ermida, onde se podia ver um oratório que abrigava em seu
interior um Cristo Crucificado medindo mais ou menos um metro de altura,
mutilado por estilhaços de granadas que atravessaram as frágeis
paredes do pequeno templo. A Cruz, tombada em ângulo incrível,
porém ainda de pé, sustinha pelos cravos, a imagem. O
braço direito, decepado, estava estendido sobre o pequeno altar,
parecendo ter sido ali colocado por pessoa devota.
Nós, os elementos do II/11º Regimento que acabávamos
de ali chegar, ouvimos os lamentos das duas mulheres e seus pedidos
de socorro para a que se encontrava estendida sobre o solo, imóvel
e cruelmente ferida. Mas...
Foi neste justo momento que surgiram dois titans. Um era Sargento e
o outro um simples soldado. Munidos de um simples sabre, ajoelharam-se
no terreno e, lado a lado, com calma e metodicamente, iam apunhalando
o terreno em direção ao local onde se encontrava a mulher
ferida que depois ficamos sabendo que era uma mocinha. A tarefa era
árdua e não permitia erros. Qualquer pequeno erro poderia
mandar aqueles dois valentes para os ares.
Angustiados, acompanhávamos o trabalho daqueles dois bravos companheiros
e tínhamos a impressão de que eles estavam cavando as
suas próprias sepulturas. Se eles estavam com medo, não
sabemos, mas, se estavam dominavam-no muito bem, pois calmamente e atentamente
iam executando o trabalho.
Já haviam retirado e neutralizado 13 minas anti-pessoal. Estava
faltando poucos metros para atingir o local onde se encontrava o corpo
da moça ferida. A nossa expectativa era muito grande e havia
até quem estivesse rezando para que nada acontecesse de mal aqueles
bravos.
Finalmente – que alívio – chegaram ao local onde
se encontrava a moça ferida, porém ainda com vida. Pegaram
o seu corpo e retornaram ao ponto de partida, onde já se encontrava
uma ambulância para recolher o corpo da moça.
Depois que a ambulância partiu, foi que demos expansão
a nossa alegria. Abraçamos aqueles dois bravos companheiros que,
através daquela demonstração de coragem e sangue
frio, mostraram o preparo militar da nossa tropa em operação
de guerra e, sobretudo, o respeito e o amor ao próximo de nossa
gente.
Honra, pois, aos heróis!...
- SARGENTO WALDIR JOSÉ DA SILVA
- SOLDADO MARTINIANO VENDRAMINI.
Esses dois valentes companheiros eram integrantes do Pelotão
de Minas da Cia. de Comando do II/11º Regimento de Infantaria.
 Na
manhã do dia 11 de abril de 1945, o Comando do II/11º Regimento
de Infantaria recebeu, conforme foi noticiado, uma nota de serviço
na qual o IV Corpo informava que a “aviação inimiga
estaria em atividade e que providências urgentes deveriam ser
tomadas no sentido da proteção individual do pessoal,
com reforçamento das já existentes e que fossem construídos
das já existentes e que fossem construídos”fox holes”
e tomadas medidas que garantissem a segurança da tropa.”
P. P.C do Batalhão (II/11º R.I - Major Ramagem) estava instalado
na região de Tola, na base do Monte Terminale, justamente na
junção com o Morro Della Torraccia. Estávamos em
preparativos para o ataque a Montese, por isso, aquela ordem de “cavar
buco” nos parecia perda de tempo. Mesmo assim, durante todo o
dia. Mos empenhamos no trabalho, procurando fazer o que de melhor pudesse.
O nosso companheiro, 2º Sargento Paulo Jacques Catapreta, que exercia
as funções de auxiliar do S/2 estava realizando um bom
trabalho. Munido de pá e picareta, cavou um “buco”
retangular, espaçoso, com nichos nas partes laterais. Transportou
das imediações pesadas toras de madeira para serem colocadas
a guisa de teto com a terra batida em cima. Sem dúvida nenhuma,
iriam construir um excelente abrigo de proteção.
Às 12 horas mais ou menos, tendo soado a hora do rancho a cozinha
estava situada a 120 metros, mais ou menos, do P.C ao Batalhão.
Procuramos nossas marmitas e nos dirigimos para o local da distribuição,
para onde caminhavam alguns oficiais do E.M. do Batalhão, como
também vários elementos da tropa. A turma que havia trabalhado
na construção dos abrigos estava “doida” de
fome. A turma do Catapreta continuava em seu labor. Mas teve que parar
porque, naquele momento, o Capitão Vasconcelos chamou o Catapreta
para atender ao telefone, já que o Capitão Pinheiro (S2),
não se encontrava presente.
Praguejando, o nosso bravo companheiro se encaminhou para o telefone
e, enquanto anotava a informação para ser transmitida,
ouviu-se o estampido de um arrebentamento de granada de grosso calibre,
vindo das imediações do velho estábulo abandonado
que era onde estávamos cavando os nossos abrigos. Os que lá
ainda se achavam. Lançaram-se ao solo e, depois, de alguns minutos
de espera, levantaram-se. Não houve outro arrebentamento de granada,
o que nos levou a concluir que aquela granada havia sido esporádica.
Depois de atender ao telefone, Catapreta retornou ao estábulo
para, na parte externa do mesmo, pegar sua marmita que se encontrava
no Saco de Campanha. Ao passar pelo seu “buco” teve uma
surpresa: a granada, possivelmente de um obus 170m/m, havia caído
justamente no abrigo que ele estava construindo. O que havia ali agora
era uma imensa cratera, de onde escapava um tremendo odor de pólvora
e fumaça.
Catapreta foi salvo de uma morte inglória. Isto foi motivo de
satisfação para todos nós e, ainda hoje, quando
nos encontramos recordamos este acontecimento. 
Do
alto do morro Dela Torraccia, onde me encontrava como chefe do Centro
de mensagem do II/11º R.I. fui levado a observar um lado que me
sinto na obrigação de narrar para homenagear um destemido
companheiro e seus não menos destemidos comandantes. Refiro-me
a progressão heróica e destemida de um Pelotão
de Fuzileiros da 9ª Companhia do III Batalhão do 11º
Regimento de Infantaria, que obedecia ao comando do então 3º
Sargento JOSÉ DA FONSECA E SILVA.
Avançando resolutamente em direção aos objetivos
visados, em terreno minado e sob fogos de morteiros e de armas automáticas,
o Pelotão Fonseca ia galgando e transpondo elevações,
desaparecendo nas contra-encostas para aparecer na encosta da elevação
seguinte, deixando um rastro de companheiros mortos ou feridos pelo
caminho.
Em determinado momento o valente Pelotão Fonseca para, observa
e logo a seguir invade uma casamata inimiga na encosta de Serreto. Outras
casamatas são invadidas pelo valente Pelotão que, em renhido
corpo-a-corpo consegue fazer inúmeros prisioneiros, inclusive,
o Comandante de um Batalhão e mais 4 oficiais.
ENALTECER UM BRAVO É ENALTECER A PÁTRIA.
NOTA: O Major Alceste contou acontecimentos ocorridos
com os companheiros. Nada contou sobre sua participação.
Entretanto, sobre sua ação, o seu Comandante de Companhia,
o Capitão Luiz Gonzaga Ferreira da Cunha, diz que “sob
as piores condições do terreno e tempo e qualquer que
fossem as atividades inimigas, sempre cumpria integralmente todas as
missões que lhe foram confiadas, agindo muitas vezes por iniciativa
própria, cooperando eficazmente nos combates finais do que resultou
a vitória definitiva das armas brasileiras na Europa a 2 de maio
de 1945.”
FONTE:
Do livro "Histórias de Pracinhas" Contadas por eles
mesmos
Autor: Vet Maj Álvaro Duboc Filho
Matéria
gentilmente enviada por
Zenaide Duboc
Filha do Vet Maj. Álvaro Duboc Filho
(Colaboradora do site)
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