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APESAR
DO INCÔMODO, |
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Durante
a 2ª Guerra Mundial, em solo italiano, havia algumas coisas que
nos incomodavam constantemente: o frio intenso, a saudade insuportável,
os tiros contínuos, a ração fria, os malditos morteiros
com seus assobios e granadas invisíveis, o conflito intolerante,
a abstinência obrigatória, o ódio cego, a mortes
inevitáveis, a impaciência crescente e a sempre presente
incógnita do amanhã. Apesar de tudo, a missão tinha
que ser cumprida. E isso, cada soldado, fazia questão de executar
da melhor maneira. - Precisamos avaliar a situação antes de prosseguirmos. Quero trincheiras e muito cuidado nos deslocamentos! Na cota a nossa frente, havia uma ou várias trincheiras que de vez em quando cuspiam inquietantes rajadas de metralhadora seguidos de incômodos tiros de morteiros. - Detesto este assobio
após o disparo do morteiro. Disse um soldado. Por mais que tentássemos não conseguíamos identificar a origem exata dos disparos. O tempo passava e com ele aumentava a sensação de impotência. Até que o cabo chefe de peça interrompeu aquela espera inacabável: - Permissão
para falar capitão! Mal o cabo fechou a boca outra rajada de metralhadora zuniu sobre nossas cabeças fazendo toda companhia buscar proteção nas trincheiras e abrigos. Segundos depois da rajada, outro longo e temido assobio que cessa num estouro. Tínhamos perdido as contas de quantas granadas haviam sido disparadas, porém, até aquele momento ninguém tinha sido atingido. A sorte acompanha os audazes! Bastou o silencio tomar conta região defensiva para o capitão levantar-se decidido e questionando os soldados: - Tá com
tosse? Mais dois soldados se apresentaram. Com isso, éramos cinco ‘kamikazes brasileiros rumo a uma cota cujo número de inimigos desconhecíamos. Após um rápido ressuprimento de munição e água partimos cautelosamente pela única via de acesso existente. Ali, todos os ensinamentos de progressão em combate foram utilizados. Os sinais convencionados eram os únicos meios de comunicação. No trajeto, o silêncio macabro permitia que ouvíssemos a mais leve brisa balançar os arbustos e as folhas das árvores. - Bum! Bum! Bum! Bum! Bum! Bum! As batidas dos nossos corações pareciam às de um bumbo da banda de música. A cada sinal de alto, a tensão retesava os músculos. O dedo inquieto ansiava por apertar o gatilho do fuzil. Os segundos pareciam minutos. Os minutos horas. Quando de repente: - Ratatatatátatátatá! Uma surpreendente
e mortal rajada de metralhadora rompeu o silêncio. Retraímos
frustrados sem a metralhadora, sem o morteiro, sem os inimigos e sem
um dos nossos. - Cuidado sargento!
Estamos bem próximo. Passaram alguns minutos e do nada começou Uma verdadeira chuva de disparos, assobios e estouros de granadas de morteiros. No meio da fumaça e da poeira surgiu o sargento conduzindo três alemães e a maldita metralhadora. - Retrair! Retrair! A coisa ta feia! Ordenou o sargento. De volta à
companhia percebemos que a saraivada de tiros de morteiros continuou
por incontáveis minutos. Se tivéssemos ficado, provavelmente
seríamos atingidos. A captura da metralhadora e dos três
inimigos foi vital para o sucesso da tomada daquela cota. Os prisioneiros
informaram exatamente como havia sido montada a linha de defesa alemã
naquele ponto. *** Quem conta a história acima é o ex-combatente da 2º Guerra Mundial Manoel Castro Siqueira. Nascido em 29 de julho 1923, na cidade de Amabai – MS, hoje com 83 anos, o herói integrou o 6º Regimento de Infantaria (Regimento Ipiranga), na função de atirador de morteiro do Pelotão de Petrecho da 5ª Companhia. FONTE:
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