O SERVIÇO QUE A FEB PRESTOU A PÁTRIA

I – INTRODUÇÃO

“-Meu pai – diz a menina – que é a guerra? Que lhe fez ela para que você se tornasse nervoso enrijecido e em sua testa cravar-se uma ruga sempre que é mencionada?”.

- A guerra, minha filha, é a destruição; é, também, a concórdia dentro da discórdia reinante. Ela fez-me uma grande chaga na alma e no corpo deixou cansaço de tudo que fizemos para ajudar a conquistar a paz para o mundo.

- Paizinho, eu e minha mãezinha, rezamos muito para você voltar da guerra. Deus ouviu nossas orações, não é?

- Sim, minha filha. Mas vocês não só rezaram. Vocês estavam ao meu lado quando metralhas esvoaçavam pelos ares e bem junto a mim na espreita do inimigo, porque a oração ultrapassa os limites que o homem não consegue atingir.

Com este diálogo entre pai e filha, iniciamos esta palestra com a qual pretendemos mostrar o serviço que a gloriosa FORÇA EXPEDICIONÁRIA BRASILEIRA prestou à Pátria.

II – A SEGUNDA GUERRA MUNDIAL

Vários foram os fatores que deram motivo a chamada Segunda Guerra Mundial e, entre eles, destacamos como principais a má redação e a má execução do tratado de paz, estabelecido após a PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL, em 1918, na cidade de VERSALHES.

Alistado no Exército Alemão, participou do primeiro conflito mundial, um jovem de nacionalidade austríaca chamado ADOLF HITLER, pessoa que haveria de, mais tarde, se tornar muito importante na política alemã, principalmente durante o desenrolar da SEGUNDA GRANDE GUERRA.

Valendo-se de seus dons de oratória e de sua dramática gesticulação e impetuosa demagogia, encontrou no caos em que ficou reduzida a nação alemã. Caminho fácil para sua ascensão aos mais altos cargos da administração de sua pátria adotiva.

A morte, em 1934, do Marechal Von Hindeerburg presidente da Alemanha, possibilitou, sua ascensão ao alto cargo de CHEFE DA NAÇÃO. Ele que, como chefe do PARTIDO NACIONAL SOCIALISTA ALEMÃO, havia conquistado o cargo de Chanceler e que vinha promovendo extensa pregação no sentido da implantação do Nazismo na Europa, e também uma rigorosa perseguição ao povo judeu, e que havia se tornado figura muito importante na política alemã implanta o NAZISMO e se transforma em PROTETOR DO POVO ALEMÃO. Dá início à preparação psicológica do povo para a guerra e manifesta o seu desrespeito ao tratado de paz, fazendo ressurgir a indústria bélica alemã que se encontrava paralisada.

Em 1936 firmou um tratado com a ITÁLIA, que foi chamado de EIXO-ROMA BERLIM. No mesmo ano elevou o Eixo até TÓQUIO através de um tratado com o JAPÃO.

As vitórias obtidas pela Alemanha nos casos da anexação da AUSTRIA e na ocupação da TCHECOSLOVAQUIA, devido as atitudes pacíficas e conciliadoras da França e da Inglaterra, criou uma mística em torno da política de expansão territorial e do imperialismo racista de HITLER que tinha como um dos lemas de seu governo a LUTA PELO ESPAÇO VITAL.

Em 1939, depois de conseguir que a RÚSSIA se tornasse sua aliada, determinou a invasão à POLÔNIA, cujas fronteiras foram transpostas pelos exércitos da Alemanha na madrugada do dia 1º de setembro, sete dias depois de haver firmado o tratado com a RÚSSIA.

O inesperado ataque à pacíficas e indefesas POLONIA, surpreendeu o mundo inteiro. Chamberlain, em Londres, na Câmara dos Comuns, ante ao fato consumado, afirmou que a GRÖBRETANHA cumpriria o seu tratado com POLÔNIA. “Não temos – disse Chamberlain – nenhuma queixa contra o povo alemão, exceto que se permite ser dirigido por um governo nazista. Enquanto existir esse governo e utilizar os métodos de que se vangloriam nos últimos anos, haverá paz na Europa”.

Enquanto isso em Londres, HITLER, na Chancelaria do Raichstag, pronunciava violento discurso condenando o Tratado de Versalhes, afirmando na oportunidade que “novembro de 1918 não voltaria a repetir-se na história alemã”.

Fiel ao seu compromisso, no dia 3, o Governo Britânico comunicou a HITLER, que, a partir das três horas da tarde a GRÃ-BRETANHA entraria em guerra contra a Alemanha caso não cessasse imediatamente o ataque a POLÔNIA. No mesmo dia horas depois a FRANÇA, por intermédio de seu embaixador, fazia entrega de um ultimato semelhante.

Estava deflagrado o grande conflito armado que haveria de abalar o mundo e que só terminaria a 8 de maio de 1945.

O quadro de guerra ficou assim configurado: de um lado a Alemanha nazista, a Itália fascista a Rússia comunista e o Japão que também era dirigido por um governo totalitário. Do outro lado, a dominada Polônia, a França, a Inglaterra e seus domínios. Outras nações haveriam de, mais tarde, tomarem partido ao lado dos países democratas. Inclusive o Brasil, constituindo-se assim o que foi chamado de NAÇÕES UNIDAS.

III – A ESTRATÉGIA NAZISTA

O poder bélico alemão ficou evidenciado nas batalhas contra o bravo povo polonês que resistiu heroicamente à invasão. Suas divisões de infantaria e de cavalaria, embora disposta ao sacrifício, nada puderam fazer ante o ímpeto arrasador das tropas motorizadas nazistas, principalmente os moderníssimos tanques com grande poder de fogo. Além disso, a aviação nazista empregou a tática de destruir os núcleos de resistência e de produção ao mesmo tempo em que os russos transpunham as fronteiras e marchavam sobre o solo polonês para encontrarem as tropas nazistas.

Dominada a POLÔNIA que foi ocupada por tropas russas e alemãs, a Alemanha, que havia testado a guerra subterrânea que promovia através de grupos simpatizantes do nazismo, grupos que passavam a colaborar com os alemães após a ocupação de sua própria pátria, sendo por isto mesmo chamados de “QUINTA COLUNA’, incentivou a propaganda em vários outros países”.

Agravam-se, então, as tensões entrem a Rússia e a Finlândia. Os russos invadem a Finlândia, que, não podendo resistir por longo tempo, foi obrigada a pedir a paz e entregar as bases e os territórios que a Rússia reclamava.

Enquanto a Rússia dominava a Finlândia, a Alemanha invadia simultaneamente a Noruega e a Dinamarca de maneira surpreendente que era a estratégia dos belicosos países totalitários principalmente a Alemanha com o que denominavam de “BLITZKRIEG” que, traduzido para nosso idioma, quer dizer GUERRA RELÂMPAGO.

Esta astuciosa maneira de fazer a guerra, mostrou o despreparo dos países democratas e, sobretudo o envelhecimento rápido de seus armamentos e equipamentos.

Na madrugada de 10 de maio de 1940, depois de haverem dominado a Noruega e a Dinamarca. Os nazistas lançaram-se ao mesmo tempo contra as fronteiras de Luxemburgo, Holanda e Bélgica.

Luxemburgo não ofereceu resistência e foi ocupado no mesmo dia. A Holanda, país quase desarmado, poderia apelar pela inundação de seu território e a Bélgica contava resistir através das fortificações do Canal Alberto. Entretanto, nada puderam fazer, ante a surpresa do ataque bem planejado e bem organizado. A Holanda foi invadida por inúmeros pára-quedistas com a missão de impedirem a abertura das principais comportas e a Bélgica não conseguiu deter o ímpeto arrasador das tropas nazistas que depois de transporem a Bélgica, investiram sobre a LINHA MARGINOT que os franceses consideravam inexpugnável. Aconteceu, então, o que ninguém esperava, isto é, o rompimento da LINHA MARGINOT, ficando sitiada grande parte das tropas aliadas que combatiam na Bélgica.

Na impossibilidade de romper o cerco a fim de se reunir ao grosso das tropas, os sitiados opinaram pelo abandono do continente para se refugiarem na Inglaterra. Para tanto, reuniram-se em Dunquerque, enquanto as tropas francesas mantinham-se em combate desigual com as poderosas forças nazistas, realizaram a retirada e atravessaram o CANAL DA MANCHA em embarcações de pesca e de recreio. Foi um dos feitos mais gloriosos das tropas aliadas.

Enquanto isso acontecia, a Itália que aguardava uma oportunidade para se manifestar, declara guerra a França e procede a invasão do território francês através dos Alpes.

IV – A INVASÃO DA RÙSSIA

Com a rendição da França, a Grã-Bretanha ficou praticamente só. A guerra estava se tornando muito difícil, mas ela procurava resistir valentemente. A Alemanha e a Itália eram “donas” da Europa e para vencerem a guerra, faltava somente eliminar o último beligerante. Mas a Grã-Bretanha através da palavra firme de seu Primeiro Ministro, tomou a decisão heróica de resistir. “Novamente nos mostraremos capazes de defender sozinhas estas ilhas, que são o nosso lar, e se for necessário resistiremos por longos anos. NUNCA NOS RENDEREMOS” - foram as palavras de Churchill .

Muito difícil era a situação dos domínios Britânicos. A Inglaterra era freqüentemente bombardeada pela aviação nazista e a Itália, na África, ocupara a Somália Britânica e ameaçava apoderar-se de uma posição vital: O CANAL DE SUEZ. Por outro lado, os alemães, ao mesmo tempo em que não descuidava da campanha subterrânea por intermédio da chamada QUINTA COLUNA, ativavam a construção de submarinos com a finalidade de conseguir o domínio dos mares a fim de dificultar o abastecimento da ilhas britânicas e da comunicação com suas colônias.

Esta era a situação quando aconteceu o que poucos esperavam, isto é, o desentendimento entre a Alemanha e a Rússia, dando motivo a invasão desta por aquela na madrugada do dia 22 de junho de 1941.

No dia seguinte a este acontecimento, Churchill, declarou que a Inglaterra ajudaria a Rússia: “Ninguém tem sido um opositor mais firme ao comunismo do que fui nos últimos 25 anos. Não apagarei uma só palavra do que pronunciei sobre o mesmo. Mas tudo isso se desvanece ante o espetáculo que agora se está vislumbrando. O passado com seus crimes, suas loucuras e suas tragédias extingue... Todo homem ou Estado que lute contra o nazismo, terá nossa ajuda. Todo homem ou Estado que marche com Hitler, é nosso inimigo” - disse Churchill.

As primeiras ações foram favoráveis às tropas que, em três semanas despojaram os russos dos territórios que eles ocupavam na Polônia, na Finlândia e nos Bálticos. Depois, entretanto, a coisa foi se tornando um tanto difícil, porque os russos passaram a usar a tática de só deixarem cinzas ao inimigo, isto é, ao retirarem-se de uma posição, deixavam as habitações destruídas, as plantações arrasadas e queimadas e sacrificavam os animais que não podiam conduzir. Isto obrigou os alemães, que abasteciam suas tropas com recursos das regiões ocupadas, a organizarem uma extensa rede de abastecimento, rede que era freqüentemente atacada por guerrilheiros russos. O resultado disso foi o enfraquecimento dos exércitos nazi-fascistas, pois quanto mais avançavam menor se tornava o seu poder combativo.

Muito poderíamos falar sobre o que foi a brava resistência do povo russo, como também sobre a Campanha da África e da Guerra Marítima. Mas este não é o nosso objetivo.

V – A NEUTRALIDADE DAS NAÇÕES AMERICANAS

Apesar da demonstrada simpatia da grande maioria dos países americanos pela causa aliada, todos eles se mantinham em estreita neutralidade, situação que mudou inteiramente quando os Estados Unidos foram forçados a entrarem na guerra em resposta ao covarde e traiçoeiro ataque às Bases Americanas em Pearl Harbor.

Convencido de que pacificamente viveria sem tropeços, mesmo que surgissem rugidos ameaçadores, o Brasil procurava nortear sua política no sentido pacifico. Entretanto, tendo em vista uma série de acontecimentos havidos após o início do conflito na Europa, onde a FORÇA se sobrepunha á JUSTIÇA, sentiu necessidade de preparar a defesa do seu litoral, tarefa bem difícil para um pais de grande extensão territorial e de vasto litoral que tinha seu desenvolvimento dificultado e retardado por vários fatores e, entre eles, as dificuldades de ligações entre o NORTE e o SUL.

A ligação entre o Norte e Sul do país se processava através do litoral (via marítima). Não havia, como ainda não há, uma Estrada de Ferro, ligando os estados, como também não havia estradas de rodagem que permitisse o transporte rodoviário, razão porque o pequeno desenvolvimento que se observava e se processava através do litoral. Daí o seu empenho em se manter, como todos os países americanos, em rigorosa neutralidade.

As vitórias alcançadas pelos exércitos totalitários na Europa, na África e o severo castigo imposto às Ilhas Britânicas pelos aviões nazistas, pareciam prenunciar a implantação de uma nova ordem mundial, passando as chamadas POTÊNCIAS DO EIXO a procurarem um modo de estender o conflito às nações americanas.

O violento e inesperado ataque das Forças Aéreas e Navais Nipônicas as bases em PEARL HARBOR, no dia 7 de dezembro de 1941, nada mais era que uma forma de obrigarem os Estados Unidos a entrarem na guerra.

Um mês depois desse acontecimento que estarreceu a opinião pública dos países americanos, foi realizada no Rio de Janeiro, a 3ª Reunião de Consulta dos Chanceleres Americanos e, nesta oportunidade, em brilhante discurso, o nosso Chanceler Dr. Oswaldo Aranha fez sentir que “A América foi e será o Continente da Solidariedade, a qual se realiza, não por força de Alianças Militares ou Conflitos Armados, mas pelos imperativos da Democracia, do Direito e da Justiça...”

No encerramento da reunião, foi anunciado que, em face ao traiçoeiro ataque aos Estados Unidos, o Brasil, fiel ao Tratado das Nações Americanas, deixava de lado a exemplar neutralidade em que vinha mantendo e rompia relações diplomáticas e comerciais com os Países do Eixo.

Sem nenhuma atenção à atitude pacifica do Brasil, os submarinos alemães e italianos atacaram e afundaram diversas unidades de nossa marinha mercante, culminando com o covarde e traiçoeiro torpedeamento dos navios Araraquara, Aníbal Benévolo. Baependi, Itagiba e Arara, repletos de passageiros, nas proximidades do nosso litoral. Morreram, vítima dos torpedeamentos desses navios, nos dias 15,16 e 17 de agosto de 1942 mais de 600 brasileiros, inclusive mulheres e crianças.

Grande foi o descontentamento nacional ante este desacato à nossa soberania. O povo indignado compareceu às praças públicas para pedir ao governo providências no sentido de fazer cessar tais atos de selvageria que, incontestavelmente eram uma maneira direta e deliberada de estender a guerra ao Brasil.

Nos grandes centros, o povo invadiu e depredaram os consulados e outras repartições pertencentes aos países do Eixo, inclusive as bancas de jornal de italianos residentes no Brasil.

Cinco dias depois em 22 de agosto de 1942, o Governo Brasileiro tomou a decisão de reconhecer a situação de beligerância, declarando guerra a Alemanha, Itália e mias tarde ao Japão. Outros países americanos como a Bolívia, Colômbia, Costa Rica, Cuba, Republica Dominicana, El Salvador, Guatemala, Haiti, Honduras, México, Nicarágua e Panamá seguiram o exemplo brasileiro. Chile, Equador, Paraguai e Venezuela mantiveram uma situação de rompimento de relações comerciais e diplomáticas, enquanto a Argentina permaneceu neutra, declarando-se em guerra quando o conflito estava para terminar.

O Brasil e o México foram os únicos países que, juntamente com os Estados Unidos e o Canadá participaram ativamente da guerra.

O Brasil enviou a Itália uma FORÇA EXPEDICIONÀRIA, um GRUPO DE CAÇA e uma ESQUADRILHA ÁEREA DE OBSERVAÇÃO e sua MARINHA DE GUERRA esteve em serviço de comboio e de patrulhamento no Atlântico Sul. O México cooperou com aviadores.

VI – MOBILIZAÇÃO GERAL

Decretado o estado de Beligerância, foram ativados os trabalhos de mobilização, tanto no que diz respeito a mobilização dos recursos de que dispunha o país quanto a convocação de reservistas para o serviço militar e abertura de voluntariado.

Como todos os países democratas, o Brasil não estava preparado para participar de um conflito armado. As nossas FORÇAS ARMADAS não dispunham de armamento e equipamentos modernos . O que existia era antigo e há muito ultrapassado. Sua artilharia de campanha era dotada de canhões de 75 milímetros, de curto alcance e de tração animal. Não dispunha de unidades motorizadas e poucas eram as armas automáticas e mesmo assim, antigas, como já foi dito. Nosso despreparo, tendo em vista a evolução dos últimos anos, era muito grande. Não possuímos nem conhecíamos o material moderno que estava sendo empregado na guerra e a nossa tecnologia era muito pouco desenvolvida. Nossas organizações táticas eram arcaicas e os serviços deficientes. Ressentia-se o nosso moral, do que se aproveitava a propaganda nazi-fascista. Daí a necessidade de enviar aos Estados Unidos vários oficiais das diversas armas e serviços para fazerem cursos de emergência e estágios com a finalidade de colherem ensinamentos que possibilitassem a organização dos quadros de nossa FORÇAS ARMADAS aos moldes do Exército Americano e instruir tropa.

Aos poucos, entretanto, a tropa mobilizada foi se adaptando ao material moderno e, adestrando aos novos métodos de combate, adquirindo a confiança necessária para a organização de uma FORÇA EXPEDICIOÁRIA para combater além mar, objetivo que foi atingido graças ao entusiasmo, a boa vontade, e a capacidade de improvisação de nossa gente, principalmente daqueles que tinham a responsabilidade do comando ou de chefia.

Muito poderíamos falar sobre o que foi a formação da DIVISÃO EXPEDICIONÀRIA que foi retirada de um Exército de pequeno efetivo, praticamente desarmado e organizado nos moldes de uma missão militar francesa. Entretanto, para não alongar muito, vamos esclarecer que ela não foi organizada com a ELITE BRASILEIRA. Seu efetivo saiu das diversas camadas sociais e das diversas regiões do país. Isto que, na época, foi considerado de forma negativa, foi contornada pelos bravos FEBIANOS e hoje é considerada uma providência positiva.

A organização da FEB foi a seguinte:

*INFANTARIA:
Comando e Estado Maior da Infantaria Divisória
1º Regimento de Infantaria: Vila Militar – Rio de Janeiro
6º Regimento de Infantaria: Caçapava – São Paulo
11º Regimento de Infantaria: São João del-Rei – Minas Gerais.

*ARTILHARIA:
I/1º Regimento de Obuses Auto-Rebocado:
Criado e organizado no Quartel do 1º Grupo de Obuses - São Cristóvão - Rio de Janeiro.

II/1º Regimento de Obuses Auto-Rebocado:

Formado com elementos do 1º Grupo de Artilharia de Dorso - Campinho - Rio de Janeiro.

III/1º Regimento de Obuses Auto-Rebocado:
F
ormado com elementos do 6º Grupo de Artilharia de Dorso - Quitaúna - São Paulo.

I/1º Regimento de Artilharia Pesada Curta:
Proveniente da motorização do Grupo Escola de Artilharia - Deodoro - Rio de Janeiro.

*ENGENHARIA:
9º Batalhão de Engenharia: Aquidauana - Mato Grosso

*CAVALARIA:
Esquadrão de Reconhecimento:
Organizado pelo 2º Regimento Moto-Mecanizado, recentemente organizado na Vila Militar - Rio de Janeiro.

*SAÚDE:
1º Batalhão de Saúde:
Organizado em Valença - Rio de Janeiro - com elementos das Formações Sanitárias das 1ª e 2ª Regiões Militares - Rio de Janeiro e São Paulo.

*TROPAS ESPECIAIS:

Companhia do Quartel General da 1ª Divisão de Infantaria Divisionária
Companhia de Manutenção
Companhia de Intendência
Companhia de Transmissões
Pelotão de Polícia
Banda de Música Divisionária
Esquadrilha Aérea de Ligação e Observação de Artilharia.

*ÓRGÃOS NÃO DIVISIONÁRIOS:
Comando e Estado maior dos O.N.D.
Depósito de Pessoal.

O comando da FEB coube ao então General de Divisão João Batista Mascarenhas de Moraes. A infantaria teve como comandante o General de Brigada Euclides Zenóbio da Costa. A Artilharia o General de Brigada Oswaldo Cordeiro de Farias e os ÓRGÃOS NÃO DIVISIONÁRIOS obedeceram ao comando do General de Brigada Olímpio Falconiere da Cunha.

VII – NOSSA MARINHA DE GUERRA

Coube a nossa brava Marinha de Guerra os primeiros serviços de guerra através do patrulhamento do litoral e no comboio de navios mercantes. Sua situação, no que diz respeito ao armamento e ao equipamento era precária. Dispunha de navios com várias décadas de existência os quais para mantê-los em ação, foi obrigada a fazer funcionar dia e noite seus estaleiros, enfrentando as dificuldades resultantes da escassez de matéria prima. Mesmo assim e apesar de tudo, muitos submarinos foram afundados no Atlântico Sul.

Comboiou 2.961 navios, sendo 1396 nacionais; 1051 americanos; 235 e 299 de outras nacionalidades. Não houve perdas de navios escoltados pela nossa marinha de Guerra.

VIII – NOSSA AERONÁUTICA.

Em que pese sua recente criação, a nossa Aeronáutica não ficou restrita à proteção do tráfego marítima e defesa do litoral. Ela enviou, para combater na Itália um GRUPO DE CAÇA que foi treinado e organizado nos Estados Unidos e uma ESQUADRILHA ÁEREA DE LIGAÇÃO E OBSERVAÇÃO DE ARTILHARIA, esta sob o comando do Capitão Aviador João Fabrício Belloc e aquele sob o comando do Major Aviador Nero Moura.

No período de 6 a 29 de abril de 1945, o Grupo de Caça Brasileiro concorreu para que lhe fosse atribuído oficialmente, 15% dos veículos destruídos e 20% das pontes demolidas; 36% das danificações em depósitos de combustíveis e 85% das danificações em depósitos de munições.

No dia 22 de abril, nosso Grupo de Caça, operou com grande bravura. Nesse dia ele dispunha somente de 23 aparelhos e 22 pilotos. Todos estiveram em ação e, ao retornarem à base, o número havia diminuído. Um teve seu avião incendiado. Desceu de pára-quedas e foi aprisionado pelo inimigo.

IX -FORÇA EXPEDICIONÁRIA BRASILEIRA.

Na manhã do dia 16 de julho de 1944, desembarcou em Nápoles, na Itália, um contingente de tropa de um país latino-americano pouco conhecido na Europa.

Levando em conta a cor do uniforme e a circunstância de se encontrar desarmado, um observador menos prevenido diria que se tratava de prisioneiros de guerra alemães. Mas, se bem observasse os conjuntos fundamentais, resultantes de um caldeamento de raças verificaria que havia se enganado era a FEB - FORÇA EXPEDICIONÁRIA BRASILEIRA que ali se encontrava para revidar a afronta dos torpedeamentos de nossos pacíficos navios mercantis e a morte de várias centenas de brasileiros. Se ali não se encontrava o que de melhor existia no país sob o aspecto físico e intelectual, ali estava – sem dúvida – o que de melhor existia em entusiasmo cívico e ardor patriótico.

“Raça Pura”, “Raça privilegiada”, “Raça Inferior” e outras, eram frases que se ouvia naquela época, usadas pelos adeptos do nazismo, a chamada QUINTA COLUNA, com a finalidade de promover o nazismo, evidenciar a superioridade racial do povo germânico e ao mesmo tempo abater a moral de nossa gente. Apresentavam-nos como um povo inferiorizado pela cruza indolente, desnutrido, raquítico e sifilítico. Apelidaram nossos militares de “PRACINHAS” e afirmaram que “ERA MAIS FÁCIL UMA COBRA FUMAR QUE A FEB EMBARCAR”. Mas a FEB embarcou e...A COBRA FUMOU.

Combatendo contra ao “incomparáveis soldados” que a propaganda nazi-fascista procurava exaltar através de maus brasileiros, até mesmo alguns oficiais cuja composição racial nada tinha de “ariano”, o nosso “pracinha” foi se impondo e conseguiu mostrar ao mundo a falsidade da legenda dos “super-homens”.

Durante 239 dias de ação continua em terreno hostil e desconhecido, a FEB esteve em contato com 13 divisões inimigas, sendo 10 alemãs e 3 italianas. Conseguiu aprisionar 20.573 inimigos (mais que seu efetivo de combate), sendo 2 generais, 792 oficiais e 19.679 praças.

Terminada a guerra, verificaram que não haviam desmerecido as tradições de seus antepassados e que haviam conquistado para o Brasil, um lugar de honra no cenário internacional e regressaram à Pátria convictos de que haviam cumprido seus deveres.

Convivendo diuturnamente com um povo que é obrigado a permanecer parado durante todo o período invernal, consumindo combustível ou energia para aquecer o lar, lhes fez compreender a excelência do clima de sua pátria, país de primavera eterna. Voltaram com uma mensagem de Fé e de Confiança no destino da Pátria e procuraram divulgar essa mensagem. Hoje os “pracinhas” que ainda vivem, quando assistem um desfile militar de bem fardados, bem armados, bem nutrido e bem treinado soldados do Brasil; quando vêm nossos atletas destacarem-se nesta ou naquela modalidade esportiva, coisa que não acontecia antes da guerra; quando observam que os brasileiros de hoje desinibidos e confiantes, marcham resolutos para o desenvolvimento do país, compreendem que seus esforços não foram em vão e bendizem seus sacrifícios .

AS BATALHAS MAIS IMPORTANTES VENCIDAS PELA FEB FORAM:

* CAMAIORE - 18 de setembro de 1944.
* MONTE PRANO - 26 de setembro de 1944
* MONTE CASTELO - 21 de fevereiro de 1945
* CASTELNUOVO - 05 de março de 1945
* MONTESE - 14 de abril de 1945
* COLLECCHIO - 20 de abril de 1945
* FORNOVO - 28 de abril de 1945

No cemitério de Pistóia, na Itália ficaram 451 brasileiros, sendo 13 oficiais, 430 praças e 8 oficiais da Força Aérea. Foram feridos 2.722 combatentes e caíram prisioneiros 35 praças. Foram considerados extraviados 1º combatentes, dos quais 14 foram enterrados como desconhecidos.

Hoje os restos mortais desses bravos patrícios repousam no MONUMENTO NACIONAL AOS MORTOS DA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL, na Praia do Flamengo, no Rio de janeiro.

EFETIVO DA FEB:

Tropa Divisionária: 15.069
Tropa não Divisionária: 10.265
TOTAL: 25.334

X – TÉRMINO DA GUERRA

No dia 27 de abril de 1945, depois de conseguir sitiar o inimigo na região de FORNO-RESPICIO, o então Coronel Nelson de Melo, comandante do 6º Regimento de Infantaria, expediu um ultimato às tropas inimigas que combatiam naquela região, informando-as de que elas se encontravam cercadas e impossibilitadas de qualquer retirada, intimando-as a se renderem incondicionalmente ao Comando das tropas Regulares do Exército Brasileiro.

A rendição se processou no dia seguinte e em 02 de maio foi dada a ordem de cessar fogo na Itália. Poucos dias depois, isto é, no dia 08 de maio, a Alemanha rendia-se. Estava terminado o GRANDE CONFLITO ARMADO NA EUROPA.


 

É entusiasmante falar sobre o que foi a ação da FEB na Itália. Não queremos deixar de, como uma síntese, repetir as palavras de autoridades aliadas e até mesmo do inimigo:

- GENERAL MARK CLARK - Comandante do 5º Exército Americano:

“Foi um privilégio ter a FEB como parte do XV Grupo de Exército”.

- MAJOR GENERAL WILLIS D.CRITTENBERGER - Comandante do IV Corpo:

“Os feitos da FEB, durante a campanha do IV Corpo na Itália, terão lugar proeminente quando for escrita a história da Guerra”.

- CORONEL DO EXÉRCITO ALEMÃO RUDOLF BOHMLER:

“A Divisão Brasileira fez-se notar mais uma vez, quando as forças do 5º Exército franquearam Bologna... As Divisões Brasileiras, responsáveis pelo flanco sul, alcançou, em poucos dias, a distante cidade de Alexandria. (Nessa ocasião, a Divisão brasileira aprisionou toda a 148º Divisão de INFANTARIA alemã na região de Fornovo de Taro). Esse avanço arrojado, colhendo o Comando Alemão de surpresa, contribuiu para o rápido aniquilamento das forças ítalo-alemã da Ligúria e, efetivamente, para a rendição incondicional do Grupo de Exército Alemão”.

Ao lado da igreja de Noviano de Rossi, uma cidade ao norte da Itália, foi inaugurada pelo povo italiano, poucos anos depois, uma grande lápide de mármore, com a seguinte inscrição, assim traduzida:

HONRA E GLÓRIA

SOBRE ESTAS AMENAS COLINAS SOB A SUPERVISÃO DO GRANDE MARECHAL J.B. MASCARENHAS DE MORAES E O COMANDO DO VALOROSO CORONEL NELSON DE MELO E COM A ZELOSA PARTICIPAÇÃO CRISTÃ DO INTRÉPIDO SACERDOTE DOM ALEXANDRO CAVALLI ARCIPRESTE DE NOVIANO DE ROSSI COM O INTUITO DE SALVAR VIDAS HUMANAS E EVITAR HORRORES E DESTRUIÇÕES NOS DIAS 27, 28, E 30 DE ABRIL DE 1945. AS FORÇAS ARMADAS BRASILEIRAS (FEB) CHEGERAM E IMPUSERAM A RENDIÇÃO INCONDICIONAL AS TROPAS ALEMÃS EM PLENA E TRIUNFANTE VITÓRIA. ANO DE 1945.

Qual os gregos de Termópilas, os modestos “pracinhas” brasileiros deixaram na Itália uma mensagem para as gerações futuras.

XI – CONCLUSÃO

Atentem sobre o que disse aquela menina, filha de um febiano , hoje advogada em Vitória, ES. Ela, como todos os componentes das famílias febianas, sentiu a angústia dos longos meses de espera pelo retorno do pai, irmão, esposo filho. Viu estampado no semblante de sua mãe e no de seu avô paterno, o sofrimento, a tristeza, a solidão e a insônia que eram suas companheiras inseparáveis. Com eles chorou e rezou muito para que Deus lhe devolvesse o pai, esposo e filho com saúde e não doente, mutilado ou acovardado.

E OS PRACIANHAS?

Eles se esforçaram para resistirem ao frio das montanhas geladas dos Apeninos e lutaram para evitar o congelamento de seus membros superiores e inferiores, principalmente, esperando a qualquer momento serem atingidos por mortíferos tiros, estilhaços de granadas ou explosões de minas espalhadas pelo terreno. Assistiram ao hasteamento da BANDEIRA BRASILEIRA em solo estrangeiro e vibraram de entusiasmo cívico; viram tombarem, mortos ou feridos,queridos companheiros e choraram de tristeza; penalizaram-se ante o sofrimento das famílias italianas, vitimas daquela catastrófica guerra e ao mesmo tempo davam graças a Deus porque no Brasil não havia guerra; sofreram a angústia que a brancura dos campos nevados provoca e, saudosos da família, pensando no azul do céu e no colorido sempre verde do solo de sua pátria, recitavam, como oração, os versos de uma canção:

“NÃO PERMITA DEUS QUE EU MORRA
SEM QUE VOLTE PARA LÁ”

Regressaram e foram recebidos festivamente pela Pátria e licenciados logo em seguida. Era justamente isto que eles desejavam, mas não era o aconselhável de vez que necessitavam de readaptação a vida civil, pois haviam permanecido como convocados justamente os períodos em que o homem se define sobre esta ou aquela profissão. Ficaram sem saber o que fazer e, além disso, passaram a encontrar certa dificuldade, visto que as empresas dificultavam as admissões ao emprego quando verificavam que se tratava de um ex-combatente porque ali poderia estar um “neurótico”.

Os que continuaram nas fileiras do Exército também tiveram dificuldades de readaptações. Estavam realizados como militares e eram freqüentemente hostilizados por algum maus companheiros que, por despeito ou pelo prazer de agredir, não perdiam uma oportunidade para dizer que a “FEB havia ido fazer turismo na Itália”. Muitos (a grande maioria) não esperaram completar 35 anos de serviço para serem transferidos para a reserva. Aproveitaram uma Lei na qual o Governo lhes concedia o direito de serem transferidos para a reserva com todos os vencimentos , o soldo e gratificação integral! Mas a forma de remuneração no Exército foi modificada mais tarde e eles passaram a pagar tributo por não terem, como aqueles que aqui ficaram e que não tiveram o desgaste físico que eles tiveram, condição para esperarem os 35 anos de serviço.

E O BRASIL?

O Brasil progrediu muito após a SEGUNDA GUERRA MUNDIAL e, hoje começa a despontar como potência mundial. Ele, que na época teve que importar todo o material bélico e equipamentos, começa a exportar armamento e equipamentos e até mesmo rações de campanha.

Após a guerra, tendo em vista a ação dos “pracinhas” durante a Campanha da Itália, houve quem profetizasse que “no dia em que os brasileiros empregarem ajuizadamente sua vivacidade, sua inteligência no sentido do Bem, o Brasil será o primeiro país do mundo”.

Este foi o serviço que a FEB prestou à Pátria. Os FEBIANOS orgulham de sua FEB que hoje pertence a todos os brasileiros.

MUITO OBRIGADO.

COLETÃNEA DE:

ENTREVISTAS, SOLENIDADES, PRONUNCIAMENTOS E PALESTRAS SOBRE A FORÇA EXPEDICIONÁRIA BRASILEIRA REALIZADA PELA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DOS VETERANOS DA FEB – SEÇÃO DE JUIZ DE FORA, DURANTE O PERÍODO DE DEZEMBRO DE 1969 A OUTUBRO DE 1977.

FONTES DE CONSULTAS:

01. MASCARENHAS DE MORAES, JOÃO BATISTA - "A FEB POR SEU COMANDANTE"
02. MASCARENHAS DE MORAES, JOÃO BATISTA - "MEMÓRIAS"
03. LIMA BRAYNER, FLORIANO - "A VERDADE SOBRE A FEB"
04. VEIGA CABRAL, MÁRIO DA - "HISTÓRIA DE BRASIL"
05. PUBLICAÇÃO SEMANAL ILUSTRADA – EDITORA CODEX - "A SEGUNDA GUERRA"
06. MOCELIN, FERNANDO PEREYRON
07. PALHARES, GENTIL - "DE SÃO JOÃO DEL-REI AO VALE DO PÓ"
08. CARVALHO, ESTEVÃO LEITÃO DE - "A SERVIÇO DO BRASIL NA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL"
09. CASTELO BRANCO, MANOEL THOMAS - "O BRASIL NA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL"
10. MEDEIROS, ELZA CANSANÇÃO - "NAS BARRAS DO TEDESCO"
11. MELLO HENRIQUE, EBERTO - "A FEB. DOZE ANOS DEPOIS"
12. DUBOC FILHO, ALVARO - "ANOTAÇÕES PARTICULARES"
13. SILVEIRA, JOEL - "HISTÓRIAS DE PRACINHAS"
14. GRITEMBERG, WILLIS DE - CAMPANHA AO NORDESTE DA ITÁLIA

Tradução do original inglês THE END CAMPAIGN AGROSS ITALI, pelo MAJOR CARLOS MEIRA E CAPITÃO JORGE EDUARDO XAVIER.

Matéria gentilmente enviada por
Zenaide Duboc - Barbacena, MG
(Colaboradora do site)