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I
– INTRODUÇÃO
“-Meu
pai – diz a menina – que é a guerra? Que lhe fez
ela para que você se tornasse nervoso enrijecido e em sua testa
cravar-se uma ruga sempre que é mencionada?”.
- A guerra, minha filha, é a destruição; é,
também, a concórdia dentro da discórdia reinante.
Ela fez-me uma grande chaga na alma e no corpo deixou cansaço
de tudo que fizemos para ajudar a conquistar a paz para o mundo.
- Paizinho, eu e minha mãezinha, rezamos muito para você
voltar da guerra. Deus ouviu nossas orações, não
é?
- Sim, minha filha. Mas vocês não só rezaram. Vocês
estavam ao meu lado quando metralhas esvoaçavam pelos ares e
bem junto a mim na espreita do inimigo, porque a oração
ultrapassa os limites que o homem não consegue atingir.
Com este diálogo
entre pai e filha, iniciamos esta palestra com a qual pretendemos mostrar
o serviço que a gloriosa FORÇA EXPEDICIONÁRIA BRASILEIRA
prestou à Pátria.
II
– A SEGUNDA GUERRA MUNDIAL
Vários foram
os fatores que deram motivo a chamada Segunda Guerra Mundial e, entre
eles, destacamos como principais a má redação e
a má execução do tratado de paz, estabelecido após
a PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL, em 1918, na cidade de VERSALHES.
Alistado no Exército Alemão, participou do primeiro conflito
mundial, um jovem de nacionalidade austríaca chamado ADOLF HITLER,
pessoa que haveria de, mais tarde, se tornar muito importante na política
alemã, principalmente durante o desenrolar da SEGUNDA GRANDE
GUERRA.
Valendo-se de seus dons de oratória e de sua dramática
gesticulação e impetuosa demagogia, encontrou no caos
em que ficou reduzida a nação alemã. Caminho fácil
para sua ascensão aos mais altos cargos da administração
de sua pátria adotiva.
A morte, em 1934, do Marechal Von Hindeerburg presidente da Alemanha,
possibilitou, sua ascensão ao alto cargo de CHEFE DA NAÇÃO.
Ele que, como chefe do PARTIDO NACIONAL SOCIALISTA ALEMÃO, havia
conquistado o cargo de Chanceler e que vinha promovendo extensa pregação
no sentido da implantação do Nazismo na Europa, e também
uma rigorosa perseguição ao povo judeu, e que havia se
tornado figura muito importante na política alemã implanta
o NAZISMO e se transforma em PROTETOR DO POVO ALEMÃO. Dá
início à preparação psicológica do
povo para a guerra e manifesta o seu desrespeito ao tratado de paz,
fazendo ressurgir a indústria bélica alemã que
se encontrava paralisada.
Em 1936 firmou um tratado com a ITÁLIA, que foi chamado de EIXO-ROMA
BERLIM. No mesmo ano elevou o Eixo até TÓQUIO através
de um tratado com o JAPÃO.
As vitórias obtidas pela Alemanha nos casos da anexação
da AUSTRIA e na ocupação da TCHECOSLOVAQUIA, devido as
atitudes pacíficas e conciliadoras da França e da Inglaterra,
criou uma mística em torno da política de expansão
territorial e do imperialismo racista de HITLER que tinha como um dos
lemas de seu governo a LUTA PELO ESPAÇO VITAL.
Em 1939, depois de conseguir que a RÚSSIA se tornasse sua aliada,
determinou a invasão à POLÔNIA, cujas fronteiras
foram transpostas pelos exércitos da Alemanha na madrugada do
dia 1º de setembro, sete dias depois de haver firmado o tratado
com a RÚSSIA.
O inesperado ataque à pacíficas e indefesas POLONIA, surpreendeu
o mundo inteiro. Chamberlain, em Londres, na Câmara dos Comuns,
ante ao fato consumado, afirmou que a GRÖBRETANHA cumpriria
o seu tratado com POLÔNIA. “Não temos – disse
Chamberlain – nenhuma queixa contra o povo alemão, exceto
que se permite ser dirigido por um governo nazista. Enquanto existir
esse governo e utilizar os métodos de que se vangloriam nos últimos
anos, haverá paz na Europa”.
Enquanto isso em Londres, HITLER, na Chancelaria do Raichstag, pronunciava
violento discurso condenando o Tratado de Versalhes, afirmando na oportunidade
que “novembro de 1918 não voltaria a repetir-se na história
alemã”.
Fiel ao seu compromisso, no dia 3, o Governo Britânico comunicou
a HITLER, que, a partir das três horas da tarde a GRÃ-BRETANHA
entraria em guerra contra a Alemanha caso não cessasse imediatamente
o ataque a POLÔNIA. No mesmo dia horas depois a FRANÇA,
por intermédio de seu embaixador, fazia entrega de um ultimato
semelhante.
Estava deflagrado o grande conflito armado que haveria de abalar o mundo
e que só terminaria a 8 de maio de 1945.
O quadro de guerra ficou assim configurado: de um lado a Alemanha nazista,
a Itália fascista a Rússia comunista e o Japão
que também era dirigido por um governo totalitário. Do
outro lado, a dominada Polônia, a França, a Inglaterra
e seus domínios. Outras nações haveriam de, mais
tarde, tomarem partido ao lado dos países democratas. Inclusive
o Brasil, constituindo-se assim o que foi chamado de NAÇÕES
UNIDAS.
III
– A ESTRATÉGIA NAZISTA
O
poder bélico alemão ficou evidenciado nas batalhas contra
o bravo povo polonês que resistiu heroicamente à invasão.
Suas divisões de infantaria e de cavalaria, embora disposta ao
sacrifício, nada puderam fazer ante o ímpeto arrasador
das tropas motorizadas nazistas, principalmente os moderníssimos
tanques com grande poder de fogo. Além disso, a aviação
nazista empregou a tática de destruir os núcleos de resistência
e de produção ao mesmo tempo em que os russos transpunham
as fronteiras e marchavam sobre o solo polonês para encontrarem
as tropas nazistas.
Dominada a POLÔNIA que foi ocupada por tropas russas e alemãs,
a Alemanha, que havia testado a guerra subterrânea que promovia
através de grupos simpatizantes do nazismo, grupos que passavam
a colaborar com os alemães após a ocupação
de sua própria pátria, sendo por isto mesmo chamados de
“QUINTA COLUNA’, incentivou a propaganda em vários
outros países”.
Agravam-se, então, as tensões entrem a Rússia e
a Finlândia. Os russos invadem a Finlândia, que, não
podendo resistir por longo tempo, foi obrigada a pedir a paz e entregar
as bases e os territórios que a Rússia reclamava.
Enquanto a Rússia dominava a Finlândia, a Alemanha invadia
simultaneamente a Noruega e a Dinamarca de maneira surpreendente que
era a estratégia dos belicosos países totalitários
principalmente a Alemanha com o que denominavam de “BLITZKRIEG”
que, traduzido para nosso idioma, quer dizer GUERRA RELÂMPAGO.
Esta astuciosa maneira de fazer a guerra, mostrou o despreparo dos países
democratas e, sobretudo o envelhecimento rápido de seus armamentos
e equipamentos.
Na madrugada de 10 de maio de 1940, depois de haverem dominado a Noruega
e a Dinamarca. Os nazistas lançaram-se ao mesmo tempo contra
as fronteiras de Luxemburgo, Holanda e Bélgica.
Luxemburgo não ofereceu resistência e foi ocupado no mesmo
dia. A Holanda, país quase desarmado, poderia apelar pela inundação
de seu território e a Bélgica contava resistir através
das fortificações do Canal Alberto. Entretanto, nada puderam
fazer, ante a surpresa do ataque bem planejado e bem organizado. A Holanda
foi invadida por inúmeros pára-quedistas com a missão
de impedirem a abertura das principais comportas e a Bélgica
não conseguiu deter o ímpeto arrasador das tropas nazistas
que depois de transporem a Bélgica, investiram sobre a LINHA
MARGINOT que os franceses consideravam inexpugnável. Aconteceu,
então, o que ninguém esperava, isto é, o rompimento
da LINHA MARGINOT, ficando sitiada grande parte das tropas aliadas que
combatiam na Bélgica.
Na impossibilidade de romper o cerco a fim de se reunir ao grosso das
tropas, os sitiados opinaram pelo abandono do continente para se refugiarem
na Inglaterra. Para tanto, reuniram-se em Dunquerque, enquanto as tropas
francesas mantinham-se em combate desigual com as poderosas forças
nazistas, realizaram a retirada e atravessaram o CANAL DA MANCHA em
embarcações de pesca e de recreio. Foi um dos feitos mais
gloriosos das tropas aliadas.
Enquanto isso acontecia, a Itália que aguardava uma oportunidade
para se manifestar, declara guerra a França e procede a invasão
do território francês através dos Alpes.
IV
– A INVASÃO DA RÙSSIA
Com
a rendição da França, a Grã-Bretanha ficou
praticamente só. A guerra estava se tornando muito difícil,
mas ela procurava resistir valentemente. A Alemanha e a Itália
eram “donas” da Europa e para vencerem a guerra, faltava
somente eliminar o último beligerante. Mas a Grã-Bretanha
através da palavra firme de seu Primeiro Ministro, tomou a decisão
heróica de resistir. “Novamente nos mostraremos capazes
de defender sozinhas estas ilhas, que são o nosso lar, e se for
necessário resistiremos por longos anos. NUNCA NOS RENDEREMOS”
- foram as palavras de Churchill .
Muito difícil era a situação dos domínios
Britânicos. A Inglaterra era freqüentemente bombardeada pela
aviação nazista e a Itália, na África, ocupara
a Somália Britânica e ameaçava apoderar-se de uma
posição vital: O CANAL DE SUEZ. Por outro lado, os alemães,
ao mesmo tempo em que não descuidava da campanha subterrânea
por intermédio da chamada QUINTA COLUNA, ativavam a construção
de submarinos com a finalidade de conseguir o domínio dos mares
a fim de dificultar o abastecimento da ilhas britânicas e da comunicação
com suas colônias.
Esta era a situação quando aconteceu o que poucos esperavam,
isto é, o desentendimento entre a Alemanha e a Rússia,
dando motivo a invasão desta por aquela na madrugada do dia 22
de junho de 1941.
No dia seguinte a este acontecimento, Churchill, declarou que a Inglaterra
ajudaria a Rússia: “Ninguém tem sido um opositor
mais firme ao comunismo do que fui nos últimos 25 anos. Não
apagarei uma só palavra do que pronunciei sobre o mesmo. Mas
tudo isso se desvanece ante o espetáculo que agora se está
vislumbrando. O passado com seus crimes, suas loucuras e suas tragédias
extingue... Todo homem ou Estado que lute contra o nazismo, terá
nossa ajuda. Todo homem ou Estado que marche com Hitler, é nosso
inimigo” - disse Churchill.
As primeiras ações foram favoráveis às tropas
que, em três semanas despojaram os russos dos territórios
que eles ocupavam na Polônia, na Finlândia e nos Bálticos.
Depois, entretanto, a coisa foi se tornando um tanto difícil,
porque os russos passaram a usar a tática de só deixarem
cinzas ao inimigo, isto é, ao retirarem-se de uma posição,
deixavam as habitações destruídas, as plantações
arrasadas e queimadas e sacrificavam os animais que não podiam
conduzir. Isto obrigou os alemães, que abasteciam suas tropas
com recursos das regiões ocupadas, a organizarem uma extensa
rede de abastecimento, rede que era freqüentemente atacada por
guerrilheiros russos. O resultado disso foi o enfraquecimento dos exércitos
nazi-fascistas, pois quanto mais avançavam menor se tornava o
seu poder combativo.
Muito poderíamos falar sobre o que foi a brava resistência
do povo russo, como também sobre a Campanha da África
e da Guerra Marítima. Mas este não é o nosso objetivo.
V
– A NEUTRALIDADE DAS NAÇÕES AMERICANAS
Apesar
da demonstrada simpatia da grande maioria dos países americanos
pela causa aliada, todos eles se mantinham em estreita neutralidade,
situação que mudou inteiramente quando os Estados Unidos
foram forçados a entrarem na guerra em resposta ao covarde e
traiçoeiro ataque às Bases Americanas em Pearl Harbor.
Convencido de que pacificamente viveria sem tropeços, mesmo que
surgissem rugidos ameaçadores, o Brasil procurava nortear sua
política no sentido pacifico. Entretanto, tendo em vista uma
série de acontecimentos havidos após o início do
conflito na Europa, onde a FORÇA se sobrepunha á JUSTIÇA,
sentiu necessidade de preparar a defesa do seu litoral, tarefa bem difícil
para um pais de grande extensão territorial e de vasto litoral
que tinha seu desenvolvimento dificultado e retardado por vários
fatores e, entre eles, as dificuldades de ligações entre
o NORTE e o SUL.
A ligação entre o Norte e Sul do país se processava
através do litoral (via marítima). Não havia, como
ainda não há, uma Estrada de Ferro, ligando os estados,
como também não havia estradas de rodagem que permitisse
o transporte rodoviário, razão porque o pequeno desenvolvimento
que se observava e se processava através do litoral. Daí
o seu empenho em se manter, como todos os países americanos,
em rigorosa neutralidade.
As vitórias alcançadas pelos exércitos totalitários
na Europa, na África e o severo castigo imposto às Ilhas
Britânicas pelos aviões nazistas, pareciam prenunciar a
implantação de uma nova ordem mundial, passando as chamadas
POTÊNCIAS DO EIXO a procurarem um modo de estender o conflito
às nações americanas.
O violento e inesperado ataque das Forças Aéreas e Navais
Nipônicas as bases em PEARL HARBOR, no dia 7 de dezembro de 1941,
nada mais era que uma forma de obrigarem os Estados Unidos a entrarem
na guerra.
Um mês depois desse acontecimento que estarreceu a opinião
pública dos países americanos, foi realizada no Rio de
Janeiro, a 3ª Reunião de Consulta dos Chanceleres Americanos
e, nesta oportunidade, em brilhante discurso, o nosso Chanceler Dr.
Oswaldo Aranha fez sentir que “A América foi e será
o Continente da Solidariedade, a qual se realiza, não por força
de Alianças Militares ou Conflitos Armados, mas pelos imperativos
da Democracia, do Direito e da Justiça...”
No encerramento da reunião, foi anunciado que, em face ao traiçoeiro
ataque aos Estados Unidos, o Brasil, fiel ao Tratado das Nações
Americanas, deixava de lado a exemplar neutralidade em que vinha mantendo
e rompia relações diplomáticas e comerciais com
os Países do Eixo.
Sem nenhuma atenção à atitude pacifica do Brasil,
os submarinos alemães e italianos atacaram e afundaram diversas
unidades de nossa marinha mercante, culminando com o covarde e traiçoeiro
torpedeamento dos navios Araraquara, Aníbal Benévolo.
Baependi, Itagiba e Arara, repletos de passageiros, nas proximidades
do nosso litoral. Morreram, vítima dos torpedeamentos desses
navios, nos dias 15,16 e 17 de agosto de 1942 mais de 600 brasileiros,
inclusive mulheres e crianças.
Grande foi o descontentamento nacional ante este desacato à nossa
soberania. O povo indignado compareceu às praças públicas
para pedir ao governo providências no sentido de fazer cessar
tais atos de selvageria que, incontestavelmente eram uma maneira direta
e deliberada de estender a guerra ao Brasil.
Nos grandes centros, o povo invadiu e depredaram os consulados e outras
repartições pertencentes aos países do Eixo, inclusive
as bancas de jornal de italianos residentes no Brasil.
Cinco dias depois em 22 de agosto de 1942, o Governo Brasileiro tomou
a decisão de reconhecer a situação de beligerância,
declarando guerra a Alemanha, Itália e mias tarde ao Japão.
Outros países americanos como a Bolívia, Colômbia,
Costa Rica, Cuba, Republica Dominicana, El Salvador, Guatemala, Haiti,
Honduras, México, Nicarágua e Panamá seguiram o
exemplo brasileiro. Chile, Equador, Paraguai e Venezuela mantiveram
uma situação de rompimento de relações comerciais
e diplomáticas, enquanto a Argentina permaneceu neutra, declarando-se
em guerra quando o conflito estava para terminar.
O Brasil e o México foram os únicos países que,
juntamente com os Estados Unidos e o Canadá participaram ativamente
da guerra.
O Brasil enviou a Itália uma FORÇA EXPEDICIONÀRIA,
um GRUPO DE CAÇA e uma ESQUADRILHA ÁEREA DE OBSERVAÇÃO
e sua MARINHA DE GUERRA esteve em serviço de comboio e de patrulhamento
no Atlântico Sul. O México cooperou com aviadores.
VI
– MOBILIZAÇÃO GERAL
Decretado o estado de Beligerância, foram ativados os trabalhos
de mobilização, tanto no que diz respeito a mobilização
dos recursos de que dispunha o país quanto a convocação
de reservistas para o serviço militar e abertura de voluntariado.
Como todos os países democratas, o Brasil não estava preparado
para participar de um conflito armado. As nossas FORÇAS ARMADAS
não dispunham de armamento e equipamentos modernos . O que existia
era antigo e há muito ultrapassado. Sua artilharia de campanha
era dotada de canhões de 75 milímetros, de curto alcance
e de tração animal. Não dispunha de unidades motorizadas
e poucas eram as armas automáticas e mesmo assim, antigas, como
já foi dito. Nosso despreparo, tendo em vista a evolução
dos últimos anos, era muito grande. Não possuímos
nem conhecíamos o material moderno que estava sendo empregado
na guerra e a nossa tecnologia era muito pouco desenvolvida. Nossas
organizações táticas eram arcaicas e os serviços
deficientes. Ressentia-se o nosso moral, do que se aproveitava a propaganda
nazi-fascista. Daí a necessidade de enviar aos Estados Unidos
vários oficiais das diversas armas e serviços para fazerem
cursos de emergência e estágios com a finalidade de colherem
ensinamentos que possibilitassem a organização dos quadros
de nossa FORÇAS ARMADAS aos moldes do Exército Americano
e instruir tropa.
Aos poucos, entretanto, a tropa mobilizada foi se adaptando ao material
moderno e, adestrando aos novos métodos de combate, adquirindo
a confiança necessária para a organização
de uma FORÇA EXPEDICIOÁRIA para combater além mar,
objetivo que foi atingido graças ao entusiasmo, a boa vontade,
e a capacidade de improvisação de nossa gente, principalmente
daqueles que tinham a responsabilidade do comando ou de chefia.
Muito poderíamos falar sobre o que foi a formação
da DIVISÃO EXPEDICIONÀRIA que foi retirada de um Exército
de pequeno efetivo, praticamente desarmado e organizado nos moldes de
uma missão militar francesa. Entretanto, para não alongar
muito, vamos esclarecer que ela não foi organizada com a ELITE
BRASILEIRA. Seu efetivo saiu das diversas camadas sociais e das diversas
regiões do país. Isto que, na época, foi considerado
de forma negativa, foi contornada pelos bravos FEBIANOS e hoje é
considerada uma providência positiva.
A organização da FEB foi a seguinte:
*INFANTARIA:
Comando e Estado Maior da Infantaria Divisória
1º Regimento de Infantaria: Vila Militar
– Rio de Janeiro
6º Regimento de Infantaria: Caçapava
– São Paulo
11º Regimento de Infantaria: São
João del-Rei – Minas Gerais.
*ARTILHARIA:
I/1º Regimento de Obuses Auto-Rebocado:
Criado e organizado no Quartel do 1º Grupo de Obuses - São
Cristóvão - Rio de Janeiro.
II/1º Regimento de Obuses Auto-Rebocado:
Formado com elementos do 1º Grupo de Artilharia de Dorso - Campinho
- Rio de Janeiro.
III/1º Regimento de Obuses Auto-Rebocado:
Formado com
elementos do 6º Grupo de Artilharia de Dorso - Quitaúna
- São Paulo.
I/1º Regimento de Artilharia Pesada Curta:
Proveniente da motorização do Grupo Escola de Artilharia
- Deodoro - Rio de Janeiro.
*ENGENHARIA:
9º Batalhão de Engenharia: Aquidauana
- Mato Grosso
*CAVALARIA:
Esquadrão de Reconhecimento:
Organizado pelo 2º Regimento Moto-Mecanizado, recentemente organizado
na Vila Militar - Rio de Janeiro.
*SAÚDE:
1º Batalhão de Saúde:
Organizado em Valença - Rio de Janeiro - com elementos das Formações
Sanitárias das 1ª e 2ª Regiões Militares - Rio
de Janeiro e São Paulo.
*TROPAS ESPECIAIS:
Companhia do Quartel General da 1ª Divisão de
Infantaria Divisionária
Companhia de Manutenção
Companhia de Intendência
Companhia de Transmissões
Pelotão de Polícia
Banda de Música Divisionária
Esquadrilha Aérea de Ligação e Observação
de Artilharia.
*ÓRGÃOS
NÃO DIVISIONÁRIOS:
Comando e Estado maior dos O.N.D.
Depósito de Pessoal.
O comando da FEB coube ao então General de Divisão
João Batista Mascarenhas de Moraes. A infantaria
teve como comandante o General de Brigada
Euclides Zenóbio da Costa. A Artilharia
o General de Brigada Oswaldo Cordeiro de Farias
e os ÓRGÃOS NÃO DIVISIONÁRIOS obedeceram
ao comando do General de Brigada Olímpio Falconiere
da Cunha.
VII
– NOSSA MARINHA DE GUERRA
Coube a nossa brava Marinha de Guerra os primeiros serviços de
guerra através do patrulhamento do litoral e no comboio de navios
mercantes. Sua situação, no que diz respeito ao armamento
e ao equipamento era precária. Dispunha de navios com várias
décadas de existência os quais para mantê-los em
ação, foi obrigada a fazer funcionar dia e noite seus
estaleiros, enfrentando as dificuldades resultantes da escassez de matéria
prima. Mesmo assim e apesar de tudo, muitos submarinos foram afundados
no Atlântico Sul.
Comboiou 2.961 navios, sendo 1396 nacionais; 1051 americanos; 235 e
299 de outras nacionalidades. Não houve perdas de navios escoltados
pela nossa marinha de Guerra.
VIII
– NOSSA AERONÁUTICA.
Em que pese sua recente criação, a nossa Aeronáutica
não ficou restrita à proteção do tráfego
marítima e defesa do litoral. Ela enviou, para combater na Itália
um GRUPO DE CAÇA que foi treinado e organizado nos Estados Unidos
e uma ESQUADRILHA ÁEREA DE LIGAÇÃO E OBSERVAÇÃO
DE ARTILHARIA, esta sob o comando do Capitão Aviador João
Fabrício Belloc e aquele sob o comando do Major Aviador Nero
Moura.
No período de 6 a 29 de abril de 1945, o Grupo de Caça
Brasileiro concorreu para que lhe fosse atribuído oficialmente,
15% dos veículos destruídos e 20% das pontes demolidas;
36% das danificações em depósitos de combustíveis
e 85% das danificações em depósitos de munições.
No dia 22 de abril, nosso Grupo de Caça, operou com grande bravura.
Nesse dia ele dispunha somente de 23 aparelhos e 22 pilotos. Todos estiveram
em ação e, ao retornarem à base, o número
havia diminuído. Um teve seu avião incendiado. Desceu
de pára-quedas e foi aprisionado pelo inimigo.
IX
-FORÇA EXPEDICIONÁRIA BRASILEIRA.
Na manhã do dia 16 de julho de 1944, desembarcou em Nápoles,
na Itália, um contingente de tropa de um país latino-americano
pouco conhecido na Europa.
Levando em conta a cor do uniforme e a circunstância de se encontrar
desarmado, um observador menos prevenido diria que se tratava de prisioneiros
de guerra alemães. Mas, se bem observasse os conjuntos fundamentais,
resultantes de um caldeamento de raças verificaria que havia
se enganado era a FEB - FORÇA EXPEDICIONÁRIA
BRASILEIRA que ali se encontrava para revidar a afronta
dos torpedeamentos de nossos pacíficos navios mercantis e a morte
de várias centenas de brasileiros. Se ali não se encontrava
o que de melhor existia no país sob o aspecto físico e
intelectual, ali estava – sem dúvida – o que de melhor
existia em entusiasmo cívico e ardor patriótico.
“Raça Pura”, “Raça privilegiada”,
“Raça Inferior” e outras, eram frases que se ouvia
naquela época, usadas pelos adeptos do nazismo, a chamada QUINTA
COLUNA, com a finalidade de promover o nazismo, evidenciar a superioridade
racial do povo germânico e ao mesmo tempo abater a moral de nossa
gente. Apresentavam-nos como um povo inferiorizado pela cruza indolente,
desnutrido, raquítico e sifilítico. Apelidaram nossos
militares de “PRACINHAS” e afirmaram que “ERA
MAIS FÁCIL UMA COBRA FUMAR QUE A FEB EMBARCAR”.
Mas a FEB embarcou e...A COBRA FUMOU.
Combatendo contra ao “incomparáveis soldados” que
a propaganda nazi-fascista procurava exaltar através de maus
brasileiros, até mesmo alguns oficiais cuja composição
racial nada tinha de “ariano”, o nosso “pracinha”
foi se impondo e conseguiu mostrar ao mundo a falsidade da legenda dos
“super-homens”.
Durante 239 dias de ação continua em terreno hostil e
desconhecido, a FEB esteve em contato com 13 divisões inimigas,
sendo 10 alemãs e 3 italianas. Conseguiu aprisionar 20.573 inimigos
(mais que seu efetivo de combate), sendo 2 generais, 792 oficiais e
19.679 praças.
Terminada a guerra, verificaram que não haviam desmerecido as
tradições de seus antepassados e que haviam conquistado
para o Brasil, um lugar de honra no cenário internacional e regressaram
à Pátria convictos de que haviam cumprido seus deveres.
Convivendo diuturnamente com um povo que é obrigado a permanecer
parado durante todo o período invernal, consumindo combustível
ou energia para aquecer o lar, lhes fez compreender a excelência
do clima de sua pátria, país de primavera eterna. Voltaram
com uma mensagem de Fé e de Confiança no destino da Pátria
e procuraram divulgar essa mensagem. Hoje os “pracinhas”
que ainda vivem, quando assistem um desfile militar de bem fardados,
bem armados, bem nutrido e bem treinado soldados do Brasil; quando vêm
nossos atletas destacarem-se nesta ou naquela modalidade esportiva,
coisa que não acontecia antes da guerra; quando observam que
os brasileiros de hoje desinibidos e confiantes, marcham resolutos para
o desenvolvimento do país, compreendem que seus esforços
não foram em vão e bendizem seus sacrifícios .
AS BATALHAS MAIS IMPORTANTES VENCIDAS PELA FEB FORAM:
* CAMAIORE - 18 de setembro de 1944.
* MONTE PRANO - 26 de setembro de 1944
* MONTE CASTELO - 21 de fevereiro de 1945
* CASTELNUOVO - 05 de março de 1945
* MONTESE - 14 de abril de 1945
* COLLECCHIO - 20 de abril de 1945
* FORNOVO - 28 de abril de 1945
No cemitério de Pistóia, na Itália ficaram 451
brasileiros, sendo 13 oficiais, 430 praças e 8 oficiais da Força
Aérea. Foram feridos 2.722 combatentes e caíram prisioneiros
35 praças. Foram considerados extraviados 1º combatentes,
dos quais 14 foram enterrados como desconhecidos.
Hoje os restos mortais desses bravos patrícios repousam no
MONUMENTO NACIONAL AOS MORTOS DA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL,
na Praia do Flamengo, no Rio de janeiro.
EFETIVO DA FEB:
Tropa Divisionária: 15.069
Tropa não Divisionária: 10.265
TOTAL: 25.334
X
– TÉRMINO DA GUERRA
No dia 27 de abril de 1945, depois de conseguir sitiar o inimigo na
região de FORNO-RESPICIO, o então Coronel Nelson de Melo,
comandante do 6º Regimento de Infantaria, expediu um ultimato às
tropas inimigas que combatiam naquela região, informando-as de
que elas se encontravam cercadas e impossibilitadas de qualquer retirada,
intimando-as a se renderem incondicionalmente ao Comando das tropas
Regulares do Exército Brasileiro.
A rendição se processou no dia seguinte e em 02 de maio
foi dada a ordem de cessar fogo na Itália. Poucos dias depois,
isto é, no dia 08 de maio, a Alemanha rendia-se. Estava terminado
o GRANDE CONFLITO ARMADO NA EUROPA.
É
entusiasmante falar sobre o que foi a ação da FEB na Itália.
Não queremos deixar de, como uma síntese, repetir as palavras
de autoridades aliadas e até mesmo do inimigo:
- GENERAL MARK CLARK - Comandante do 5º Exército
Americano:
“Foi um privilégio ter a FEB como parte do
XV Grupo de Exército”.
- MAJOR GENERAL WILLIS D.CRITTENBERGER - Comandante
do IV Corpo:
“Os feitos da FEB, durante a campanha do IV Corpo
na Itália, terão lugar proeminente quando for escrita
a história da Guerra”.
- CORONEL DO EXÉRCITO ALEMÃO RUDOLF BOHMLER:
“A Divisão Brasileira fez-se notar mais uma
vez, quando as forças do 5º Exército franquearam
Bologna... As Divisões Brasileiras, responsáveis pelo
flanco sul, alcançou, em poucos dias, a distante cidade de Alexandria.
(Nessa ocasião, a Divisão brasileira aprisionou toda a
148º Divisão de INFANTARIA alemã na região
de Fornovo de Taro). Esse avanço arrojado, colhendo o Comando
Alemão de surpresa, contribuiu para o rápido aniquilamento
das forças ítalo-alemã da Ligúria e, efetivamente,
para a rendição incondicional do Grupo de Exército
Alemão”.
Ao lado da igreja de Noviano de Rossi, uma cidade ao norte da Itália,
foi inaugurada pelo povo italiano, poucos anos depois, uma grande lápide
de mármore, com a seguinte inscrição, assim traduzida:
HONRA E GLÓRIA
SOBRE ESTAS AMENAS COLINAS SOB A SUPERVISÃO DO GRANDE
MARECHAL J.B. MASCARENHAS DE MORAES E O COMANDO DO VALOROSO CORONEL
NELSON DE MELO E COM A ZELOSA PARTICIPAÇÃO CRISTÃ
DO INTRÉPIDO SACERDOTE DOM ALEXANDRO CAVALLI ARCIPRESTE DE NOVIANO
DE ROSSI COM O INTUITO DE SALVAR VIDAS HUMANAS E EVITAR HORRORES E DESTRUIÇÕES
NOS DIAS 27, 28, E 30 DE ABRIL DE 1945. AS FORÇAS ARMADAS BRASILEIRAS
(FEB) CHEGERAM E IMPUSERAM A RENDIÇÃO INCONDICIONAL AS
TROPAS ALEMÃS EM PLENA E TRIUNFANTE VITÓRIA. ANO DE 1945.
Qual os gregos de Termópilas, os modestos “pracinhas”
brasileiros deixaram na Itália uma mensagem para as gerações
futuras.
XI
– CONCLUSÃO
Atentem sobre o que disse aquela menina, filha de um febiano , hoje
advogada em Vitória, ES. Ela, como todos os componentes das famílias
febianas, sentiu a angústia dos longos meses de espera pelo retorno
do pai, irmão, esposo filho. Viu estampado no semblante de sua
mãe e no de seu avô paterno, o sofrimento, a tristeza,
a solidão e a insônia que eram suas companheiras inseparáveis.
Com eles chorou e rezou muito para que Deus lhe devolvesse o pai, esposo
e filho com saúde e não doente, mutilado ou acovardado.
E OS PRACIANHAS?
Eles se esforçaram para resistirem ao frio das montanhas geladas
dos Apeninos e lutaram para evitar o congelamento de seus membros superiores
e inferiores, principalmente, esperando a qualquer momento serem atingidos
por mortíferos tiros, estilhaços de granadas ou explosões
de minas espalhadas pelo terreno. Assistiram ao hasteamento da BANDEIRA
BRASILEIRA em solo estrangeiro e vibraram de entusiasmo cívico;
viram tombarem, mortos ou feridos,queridos companheiros e choraram de
tristeza; penalizaram-se ante o sofrimento das famílias italianas,
vitimas daquela catastrófica guerra e ao mesmo tempo davam graças
a Deus porque no Brasil não havia guerra; sofreram a angústia
que a brancura dos campos nevados provoca e, saudosos da família,
pensando no azul do céu e no colorido sempre verde do solo de
sua pátria, recitavam, como oração, os versos de
uma canção:
“NÃO PERMITA DEUS QUE EU MORRA
SEM QUE VOLTE PARA LÁ”
Regressaram e foram recebidos festivamente pela Pátria e licenciados
logo em seguida. Era justamente isto que eles desejavam, mas não
era o aconselhável de vez que necessitavam de readaptação
a vida civil, pois haviam permanecido como convocados justamente os
períodos em que o homem se define sobre esta ou aquela profissão.
Ficaram sem saber o que fazer e, além disso, passaram a encontrar
certa dificuldade, visto que as empresas dificultavam as admissões
ao emprego quando verificavam que se tratava de um ex-combatente porque
ali poderia estar um “neurótico”.
Os que continuaram nas fileiras do Exército também tiveram
dificuldades de readaptações. Estavam realizados como
militares e eram freqüentemente hostilizados por algum maus companheiros
que, por despeito ou pelo prazer de agredir, não perdiam uma
oportunidade para dizer que a “FEB havia ido fazer turismo na
Itália”. Muitos (a grande maioria) não esperaram
completar 35 anos de serviço para serem transferidos para a reserva.
Aproveitaram uma Lei na qual o Governo lhes concedia o direito de serem
transferidos para a reserva com todos os vencimentos , o soldo e gratificação
integral! Mas a forma de remuneração no Exército
foi modificada mais tarde e eles passaram a pagar tributo por não
terem, como aqueles que aqui ficaram e que não tiveram o desgaste
físico que eles tiveram, condição para esperarem
os 35 anos de serviço.
E
O BRASIL?
O
Brasil progrediu muito após a SEGUNDA GUERRA MUNDIAL e, hoje
começa a despontar como potência mundial. Ele, que na época
teve que importar todo o material bélico e equipamentos, começa
a exportar armamento e equipamentos e até mesmo rações
de campanha.
Após a guerra, tendo em vista a ação dos “pracinhas”
durante a Campanha da Itália, houve quem profetizasse que “no
dia em que os brasileiros empregarem ajuizadamente sua vivacidade, sua
inteligência no sentido do Bem, o Brasil será o primeiro
país do mundo”.
Este foi o serviço que a FEB prestou à Pátria.
Os FEBIANOS orgulham de sua FEB que hoje pertence a todos os brasileiros.
MUITO
OBRIGADO.
COLETÃNEA DE:
ENTREVISTAS,
SOLENIDADES, PRONUNCIAMENTOS E PALESTRAS SOBRE A FORÇA EXPEDICIONÁRIA
BRASILEIRA REALIZADA PELA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DOS VETERANOS
DA FEB – SEÇÃO DE JUIZ DE FORA, DURANTE O PERÍODO
DE DEZEMBRO DE 1969 A OUTUBRO DE 1977.
FONTES
DE CONSULTAS:
01.
MASCARENHAS DE MORAES, JOÃO BATISTA
- "A FEB POR SEU COMANDANTE"
02. MASCARENHAS DE MORAES, JOÃO BATISTA -
"MEMÓRIAS"
03. LIMA BRAYNER, FLORIANO - "A VERDADE
SOBRE A FEB"
04. VEIGA CABRAL, MÁRIO DA - "HISTÓRIA
DE BRASIL"
05. PUBLICAÇÃO SEMANAL ILUSTRADA – EDITORA
CODEX - "A SEGUNDA GUERRA"
06. MOCELIN, FERNANDO PEREYRON
07. PALHARES, GENTIL - "DE SÃO
JOÃO DEL-REI AO VALE DO PÓ"
08. CARVALHO, ESTEVÃO LEITÃO DE
- "A SERVIÇO DO BRASIL NA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL"
09. CASTELO BRANCO, MANOEL THOMAS - "O
BRASIL NA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL"
10. MEDEIROS, ELZA CANSANÇÃO
- "NAS BARRAS DO TEDESCO"
11. MELLO HENRIQUE, EBERTO - "A FEB.
DOZE ANOS DEPOIS"
12. DUBOC FILHO, ALVARO - "ANOTAÇÕES
PARTICULARES"
13. SILVEIRA, JOEL - "HISTÓRIAS
DE PRACINHAS"
14. GRITEMBERG, WILLIS DE - CAMPANHA AO NORDESTE
DA ITÁLIA
Tradução do original inglês THE END CAMPAIGN AGROSS
ITALI, pelo MAJOR CARLOS MEIRA E CAPITÃO JORGE EDUARDO XAVIER.
Matéria
gentilmente enviada por
Zenaide Duboc - Barbacena, MG
(Colaboradora do site)
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