A ENGENHARIA NO FRONT
Excelente desempenho
Audaz na Guerra

Torna-se difícil selecionar feitos que caracterizem a atuação do Batalhão de Engenharia de Combate, tantos e tão variados foram eles que a imaginação não os consegue fixar nem ordená-los por importância técnica ou tática no contexto das operações da 1ª DIE.

No inverno de 1944, suportando frio de até 18 graus negativos sobre a camada de neve superior a 1 metro, a tropa estava distendida em larga frente – 18 Km – em “defensiva ativa”. À direita, (leste), operava a 1ª Divisão Blindada Inglesa.

Nesse quadro, o Comandante de um batalhão de carros da Divisão Inglesa, comunicava que iria “dar um golpe-de-mão” (movimento de vai-e-vem) sobre Vergato, não só para testar a resistência inimiga, como para fazer alguns prisioneiros. Para isso teria que utilizar a ponte sobre Riola Vecchia.

Foi-lhe mostrado o inconveniente da utilização da ponte, perfeitamente enquadrada pela artilharia inimiga e que, ao menor sinal de sua utilização, seria fatalmente atingida.

Feito o reconhecimento encontrou-se, a uns 500 metros a jusante da ponte um “by-pass”, acessos fáceis, desembocando bem próximo ao objetivo.

A 3ª Companhia de Engenharia de Combate recebeu ordem de encher os seus “dumps” (caminhões basculantes) com brita nº 2 e, reforçada por mais 10 “dumps”, de ficar em condições de preparar o “by-pass”, nivelando o pedregoso Rio Riola.

A pedido, da Artilharia cegou os observadores alemães durante 1 hora, tempo em que os caminhões despejaram a brita, nivelando o leito do rio e preparando o “by-pass”.

Ao clarear do dia seguinte, os carros da Divisão Inglesa irromperam em Vergato,, executando o golpe-de-mão com pleno êxito e retornando incólumes à sua base.

Em plena exploração do êxito, foi dada a ordem de transpor o Rio Panaro para tomar Vignola e de articular-se para prosseguir sobre o Rio Pó.

A Engenharia do Vº Exército informava que todas as pontes do Rio Panaro estavam destruídas e que provavelmente os seus vãos estariam minados.

Ao ser feito o reconhecimento, foi encontrada em frente ao Castelo Buono Compagne que fechava o acesso a Vignola, uma ponte ainda intacta, mas já com os fornilhos prontos para receber os explosivos, onde os alemães trabalhavam febrilmente.

Sem perda de tempo, montou-se uma potente base de fogos (metralhadoras, bazucas e morteiros) e o castelo onde o inimigo se alojava foi atacado. As bandeiras brancas indicaram o resultado feliz do ataque.

Impediu-se que o inimigo colocasse as cargas explosivas nos fornilhos. Imediatamente, a 1ª Companhia ocupou Vignola, esperando a chegada da Infantaria.

Terminada a guerra, com a rendição incondicional dos últimos elementos nazi-fascistas, Valença, às margens do Pó, foi ocupada. Procurou-se, nessa cidade normalizar a vida da população, colocando à testa da Prefeitura um síndico (prefeito), fazendo funcionar a Escola, onde as crianças recebiam farta merenda (chocolate, pão, manteiga e queijo), reabrindo o hospital, melhorando as condições do asilo de velhos e, sobretudo, protegendo os populares da vingança dos partizanos.

Ao deixar Valença com destino a Francolise, cada soldado do Batalhão depôs na cama de um asilado, ou hospitalizado, todas as suas roupas de inverno e os cobertores, já que era pleno verão.

O Batalhão formou a coluna de marcha, ladeado pela população que, com palmas nas mãos e lágrimas nos olhos, desejava “molto auguri”. No último veículo, um potente guindaste, numa flâmula lia-se “Arrivederci, Valença”.

A Engenharia mostrou excelente desempenho, especialmente nas operações de Monte Castelo.

FONTE:
Revista VERDE OLIVA - Edição Histórica.
Adaptação do texto de autoria do Marechal José Machado Lopes
Revista do Exército Brasileiro.

Matéria gentilmente enviada por
Zenaide Duboc - Barbacena, MG
(Colaboradora do site)