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Natural
de Bom Sucesso - MG
UNIDADE:
11º REGIMENTO DE INFANTARIA
(Cia. de Serviços)
POSTO OU GRADUAÇÃO:
2º Sargento. Ao retornar ao Brasil, reintegrou-se às fileiras
do
Exército, até ser transferido para a reserva no Posto
de Major.
CONDECORAÇÕES:
Medalha de Campanha
Cruz de Combate de 2ª Classe
Medalha de Guerra
Entrevistado pela aluna: Ester dos Santos Noronha.
UM
ACONTECIMENTO QUE FICOU GRAVADO EM SUA MEMÓRIA
“O
que vou contar aconteceu na noite de 31 de dezembro de 1944 para 1º
de janeiro de 1945.
O romper do ano de 1945 foi saudado pela artilharia aliada, em resposta
ao bombardeio da artilharia “tedesca”. O ano de 1945 estava
sendo esperado como o “ANO DA PAZ E DA CONCÓRDIA”.
A humanidade já estava cansada do troar dos canhões, dos
fogos das metralhadoras e dos gritos de dor , dos gemidos dos feridos
e das destruições que se via por toda parte.
Era mais ou menos uma hora da madrugada quando fui acordado por um Cabo
que rondava em torno do estacionamento da Companhia de Serviço
para informar-me de que havia um tiroteio na região de Porreta
Terme, pequena e velha cidade distante poucos quilômetros do nosso
estacionamento.
Após cientificar-me do fato, procurei ligação telefônica
com o Quartel General da 1ª D.I.E., pois havia ocorrido um alerta
de que, possivelmente, pára-quedistas alemães seriam lançados
na região. O oficial que atendeu ao telefone chamou ao aparelho
o Chefe da 3ª Seção do E.M. e este, depois de ouvir-me
atentamente, disse apenas:
- Organize uma Patrulha, apure o fato e comunique-me depois.
Organizei a Patrulha o mais rapidamente possível, com elementos
voluntários, e partimos em direção à Porreta
Terme.
Caminhando por estreitos caminhos cobertos de neve, senti que, quanto
mais avançávamos, mais nos aproximávamos da região
onde pipocavam os tiros de metralhadoras e de fuzis.
Cautelosamente e em silêncio, entramos na cidade por uma rua tortuosa,
de velhas casas mal cuidadas e nos dirigimos ao Centro, justamente onde
continuava o tiroteio.
Cercamos o local e tivemos a surpresa de verificar que ao invés
de pára-quedistas alemães, ali estavam os “partigiane”
(soldados italianos que colaboravam com as tropa aliadas), festejando
a entrada do ano novo e, como não, dispunham de rojões
, comemoravam o evento com rajadas de metralhadoras tiros de fuzis dirigidos
para o alto.
Com muita dificuldade e isto por não me expressar bem em italiano
para lhes fazer sentir que aqueles tiros para o alto poderiam atrair
concentrações de artilharia sobre a cidade, das próprias
forças aliadas, consegui dissolver a reunião mandando
que se retirassem em paz.
Retornando ao estacionamento com a Patrulha, telefonei para o Q.G. e
informei ao Chefe da 3ª Seção, sobre as providências
tomadas.
Ouvi, como resposta, um simples “muito obrigado”.
Este acontecimento ficou gravado em minha memória e, muitos anos
depois, constatei que aquele oficial que determinara que eu organizasse
uma patrulha de reconhecimento para averiguar a razão do tiroteio
em Porreta Terme, na fria madrugada do dia 1º de janeiro de 1945,
era o então Tenente Coronel HUMBERTO DE Alencar CASTELO BRANCO,
hoje Marechal e ex-Presidente da Republica.”
NOTA:
Este fato consta no Diploma da Medalha Cruz de Combate que foi conferida
ao então 2º Sargento Sebastião Rodrigues.
O Marechal Lima Brayner em seu livro “A VERDADE SOBRE A FEB”
(página 394) faz referencia a uma Escola de Formação
de Agentes, sob a direção de chefes alemães. Esses
agentes – quase sempre italianos – infiltravam entre os
refugiados que atravessavam as nossas linhas e passavam agir espalhando
boatos delatando nossas posições e atividades.
No final do ano de 1944 e princípio de 1945, os boatos de que
os alemães estavam preparando um violento ataque começava
a preocupar os componentes da FEB. Por outro lado, a atividade da artilharia
inimiga desenvolvida nesse período, principalmente a de grosso
calibre (170) que redobrou sei bombardeio sobre a região de Porreta
Terme, conseguindo inúmeras baixas e destruições
pareciam confirmar o boatos que corriam.
FONTE:
Do livro "Histórias de Pracinhas" Contadas por eles
mesmos
Autor: Vet Maj Álvaro Duboc Filho
Matéria
gentilmente enviada por
Zenaide Duboc
Filha do Vet Maj. Álvaro Duboc Filho
(Colaboradora do site)
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