2º Sgt Sebastião Ferreira de Oliveira
Ex-Combatente da 2ª Guerra Mundial

1º Regimento de Artilharia Pesada Curta (4º Grupo)
Rio de Janeiro - RJ

Natural de Itaocara - RJ.


UNIDADE:
I/1º Regimento de Artilharia Pesada Curta (4º Grupo)

POSTO OU GRADUAÇÃO:
2º Sargento. Reintegrou-se às fileiras do Exército ao retornar ao Brasil,
nela permanecendo até ser transferido para a reserva no posto de Major.

CONDECORAÇÕES:
Medalhas de Campanha
Medalha de Guerra
Militar de Bronze
Militar de Prata

UM ACONTECIMENTO QUE FICOU GRAVADO EM SUA MEMÓRIA.


“Muitos foram os acontecimentos que ficaram gravados em minha memória. Acredito, entretanto, que tenha sido este que vou narrar, o mais importante e o mais difícil, merecedor de crédito.

Uma tarde, após enfrentar a fila do rancho, dirigi-me para o local onde eu e meus companheiros estávamos acantonados, que era uma casa de camponeses italianos, constituída de uma saleta, um quarto e a cozinha, para deglutir aquela “bóia” que, diga-se de passagem, era boa e nutritiva.

Após a refeição, permanecemos no local e iniciamos um gostoso “papo”, sobre assuntos diversos, principalmente sobre os acontecimentos recentemente ocorridos na Campanha ou na Pátria distante. Procuramos, assim, matar o tempo até a hora que deveríamos substituir nossos companheiros, na guarnição da peça.

Estávamos, “ferrados” naquele “papo”, quando fomos surpreendidos por um bombardeio de artilharia de grosso calibre. Uma granada explodiu no barranco ao lado da casa. Imediatamente “todo mundo” desapareceu da sala em demanda ao seu abrigo individual. Eu, entretanto, por considerar corriqueira a situação, tranqüilamente permaneci por mais alguns segundos a fim de encontrar o meu capacete. Perdi a tranqüilidade quando outra granada explodiu no barranco da frente da casa, impedindo a abertura da porta.

Estava procurando sair daquela situação de prisioneiro quando outra granada atingiu o teto da casa, incidindo, justamente, na sala onde eu me encontrava.

Fiquei apavorado e creio que perdi a noção do tempo. Lembro-me, entretanto, que durante o espaço de tempo em que estive esperando a explosão da granada, passou pelo meu pensamento tanta coisa que não sou capaz de relacionar para poder narrar, mas acredito que tenha entregado minha alma a Deus e fiquei esperando a explosão que, Graças a Ele, não se deu.

O que aconteceu poderia ser atribuído a um milagre. Na verdade, a granada estava sem a espoleta. Ela certamente deve ter se desligado do corpo da granada devido ao movimento de rotação do projétil durante a trajetória, coisa que não era a primeira vez que acontecia.

Saí dali, convicto de que ainda não havia chegado a minha vez. Deus, certamente, tinha uma outra missão para mim...”

NOTA:
O General Raul da Cruz Lima Júnior, em seu livro – “QUEBRA CANELA”, (página 90) conta-nos que a granada 170mm caíra ao lado da casa, deflagrando só a primeira espoleta e falhando a segunda-feira. Se não tivesse ocorrido esta falha, teríamos ficado sepultados sob os escombros da casa, que não resistiria ao arrebatamento de demolição.

A circunstância de algumas granadas não funcionarem era atribuída à sabotagem dos italianos que os nazistas obrigavam a trabalhar como “braço escravo” nas fábricas de munições controladas pelos alemães.

FONTE:
Do livro "Histórias de Pracinhas" Contadas por eles mesmos
Autor: Vet Maj Álvaro Duboc Filho

Matéria gentilmente enviada por
Zenaide Duboc
Filha do Vet Maj. Álvaro Duboc Filho
(Colaboradora do site)