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Natural
de Itaocara - RJ.
UNIDADE:
I/1º Regimento de Artilharia Pesada Curta (4º Grupo)
POSTO OU GRADUAÇÃO:
2º Sargento. Reintegrou-se às fileiras do Exército
ao retornar ao Brasil,
nela permanecendo até ser transferido para a reserva no posto
de Major.
CONDECORAÇÕES:
Medalhas de Campanha
Medalha de Guerra
Militar de Bronze
Militar de Prata
UM ACONTECIMENTO QUE FICOU GRAVADO EM SUA MEMÓRIA.
“Muitos foram os acontecimentos que ficaram gravados em minha
memória. Acredito, entretanto, que tenha sido este que vou narrar,
o mais importante e o mais difícil, merecedor de crédito.
Uma tarde, após enfrentar a fila do rancho, dirigi-me para o
local onde eu e meus companheiros estávamos acantonados, que
era uma casa de camponeses italianos, constituída de uma saleta,
um quarto e a cozinha, para deglutir aquela “bóia”
que, diga-se de passagem, era boa e nutritiva.
Após a refeição, permanecemos no local e iniciamos
um gostoso “papo”, sobre assuntos diversos, principalmente
sobre os acontecimentos recentemente ocorridos na Campanha ou na Pátria
distante. Procuramos, assim, matar o tempo até a hora que deveríamos
substituir nossos companheiros, na guarnição da peça.
Estávamos, “ferrados” naquele “papo”,
quando fomos surpreendidos por um bombardeio de artilharia de grosso
calibre. Uma granada explodiu no barranco ao lado da casa. Imediatamente
“todo mundo” desapareceu da sala em demanda ao seu abrigo
individual. Eu, entretanto, por considerar corriqueira a situação,
tranqüilamente permaneci por mais alguns segundos a fim de encontrar
o meu capacete. Perdi a tranqüilidade quando outra granada explodiu
no barranco da frente da casa, impedindo a abertura da porta.
Estava procurando sair daquela situação de prisioneiro
quando outra granada atingiu o teto da casa, incidindo, justamente,
na sala onde eu me encontrava.
Fiquei apavorado e creio que perdi a noção do tempo. Lembro-me,
entretanto, que durante o espaço de tempo em que estive esperando
a explosão da granada, passou pelo meu pensamento tanta coisa
que não sou capaz de relacionar para poder narrar, mas acredito
que tenha entregado minha alma a Deus e fiquei esperando a explosão
que, Graças a Ele, não se deu.
O que aconteceu poderia ser atribuído a um milagre. Na verdade,
a granada estava sem a espoleta. Ela certamente deve ter se desligado
do corpo da granada devido ao movimento de rotação do
projétil durante a trajetória, coisa que não era
a primeira vez que acontecia.
Saí dali, convicto de que ainda não havia chegado a minha
vez. Deus, certamente, tinha uma outra missão para mim...”
NOTA: O General Raul da Cruz Lima Júnior, em seu livro
– “QUEBRA CANELA”, (página 90) conta-nos que
a granada 170mm caíra ao lado da casa, deflagrando só
a primeira espoleta e falhando a segunda-feira. Se não tivesse
ocorrido esta falha, teríamos ficado sepultados sob os escombros
da casa, que não resistiria ao arrebatamento de demolição.
A circunstância de algumas granadas não funcionarem era
atribuída à sabotagem dos italianos que os nazistas obrigavam
a trabalhar como “braço escravo” nas fábricas
de munições controladas pelos alemães.
FONTE:
Do livro "Histórias de Pracinhas" Contadas por eles
mesmos
Autor: Vet Maj Álvaro Duboc Filho
Matéria
gentilmente enviada por
Zenaide Duboc
Filha do Vet Maj. Álvaro Duboc Filho
(Colaboradora do site)
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