Benito Andréa Amilcare Mussolini
Com lances teatrais de uma tragicomédia, Benito Andréa Amilcare Mussolini governou a Itália durante 21 anos, provocando ódio e amor nos italianos e inspirando a adoção de regimes autoritários em outros países. Seu governo pode ser resumido em uma frase de sua autoria: "Pode-se conseguir sucesso com 97% de aplauso público e 3% de realizações sólidas."

Filho de um ferreiro socialista, Mussolini nasceu na cidade de Predappio, no centro da Itália, em 29 de julho de 1883. Estudante rebelde foi expulso de dois colégios por agressão a colegas e professores. Em 1902 foi para a Suíça com o único propósito de escapar do serviço militar obrigatório. Dois anos depois voltou para a Itália e tornou-se jornalista e militante socialista. Uma ficha policial da época destaca Mussolini como "um dos mais talentosos e perigosos jovens oradores que fazem em público a defesa do socialismo".

A devoção de Mussolini pelo socialismo durou pouco. Em 1914, contrariando a orientação do grupo de esquerda ao qual pertencia, defendeu a participação da Itália na Primeira Guerra Mundial, fato que provocou sua expulsão do Partido Socialista. Livre das amarras impostas pela orientação de esquerda, alistou-se no Exército e partiu para o front, onde em 23 de fevereiro de 1917 foi ferido em combate.

Terminada a guerra, em 1919 criou grupos paramilitares inspirados nas legiões do antigo Império Romano, os "faci d'Azione Rivoluzionaria", que recebiam grande apoio da burguesia, temerosa com a expansão de grupos comunistas e socialistas na Itália. Nesse ano Mussolini passou a utilizar o codinome pelo qual ficou mundialmente conhecido, Duce (líder).

O poder dos fascistas cresceu em todo país. Em 27 de outubro de 1922 Mussolini liderou a Marcha Sobre Roma, uma operação muito mais simbólica que militar, exigindo que o poder lhe fosse entregue. Pressionado, o Rei Vittorio Emanuelle III nomeou o Duce como Primeiro-Ministro dois dias depois. Mussolini governou com mão de ferro, acumulando poderes especiais e liquidando as oposições, dedicando especial atenção aos esquerdistas ao qual servira. Construiu grandes obras públicas e fez ações para exaltar sua imagem e a da Itália. Um de seus orgulhos era dizer que graças ao fascismo os trens italianos estavam partindo na hora marcada. Um dos fatos mais importantes de seu governo foi o acordo com a Igreja Católica, criando o Estado do Vaticano, dentro de Roma, por meio do Tratado de Latrão, em 1929.

Seguindo o exemplo do líder Alemão Adolf Hitler, ordenou operações militares para conquistar territórios. Em outubro de 1935 a Itália invadiu a Etiópia e em abril de 1939 a Albânia. Em maio do mesmo ano Mussolini e Hitler fizeram uma aliança militar que uniu os dois países no Pacto de Aço. "Tenho os alemães no bolso. (...) Hitler é um peso-leve descuidado que carece totalmente dos meus dons e pode ser facilmente manipulado para servir aos interesses italianos." Declarou o Duce na época.

A participação da Itália na Segunda Guerra foi sempre uma sombra da alemã, já que suas Forças Armadas em julho de 1940, 11 dias antes da rendição francesa às tropas alemãs. Na ocasião, ele fez uma previsão extremamente otimista sobre o conflito: "Até setembro tudo estará acabado e só precisarei de uns poucos milhares de mortos para participar de uma conferência de paz na qualidade de vencedor."

Três anos depois a guerra ainda não tinha acabado e as tropas aliadas já controlavam a sul da Itália. Em 25 de julho de 1943 o Grande Conselho Fascista decidiu por 19 votos a 7 destruir Mussolini, que foi preso no dia seguinte. O novo governo italiano fez as pazes com os aliados e declarou guerra à Alemanha. Em 12 de setembro de 1943 Mussolini foi resgatado da prisão, numa base militar, por pára-quedistas alemães e estabeleceu então a República de Salò, que era mantida por tropas alemãs e contava com o apoio de uns poucos fascistas que ainda lhe eram fiéis. O Duce continuava violento. Mandou executar vários partidários acusados de traição, inclusive um genro. O conde Galeazzo Ciano, que tinha sido seu Ministro das Relações Exteriores.

Mas a sorte da Itália já estava selada e os alemães começaram a abandonar o país. E, em 27 de abril de 1945, Mussolini estava fugindo para a Suíça disfarçado de soldado alemão, ao lado da amante Clara Petacci, escoltado por um comboio de 30 veículos ocupados por soldados alemães, quando foi reconhecido por partisans, guerrilheiros antifascistas de esquerda, nos arredores de Azzano. O Duce fez uma interpretação teatral para os guerrilheiros: fingiu-se de bêbado, sentado sobre o galão de gasolina. não convenceu. No dia seguinte ele e Clara foram executados durante a viagem para Milão, por Walter Audisio, integrante da resistência e do Partido Comunista. O corpo do Duce foi levado para Milão e exposto ao público na Praça Loreto, pendurado pelos pés como um porco, ao lado da amante e de outros fascistas mortos, numa estrutura de madeira improvisada.

FONTE:
Acervo Roberto R. Graciani

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