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O
Monumento tem sete metros de altura e quatro de largura. Afigura do
soldado, em bronze, tem três metros e nas faces laterais, há
alto relevo alusivo ao embarque de voluntários para a Campanha
da Itália. Na parte posterior, uma frase musical, em bronze,
da marcha de Guerra “Brasil”, de autoria de Thiers Cardoso.
Na parte frontal, uma coroa de louros, em bronze, com a seguinte legenda:
“Campos, à glória eterna dos que lutaram pela Pátria”.
O
monumento, que já recebeu os despojos do Capitão de Voluntários
da Pátria, Manuel Teodoro de Almeida Batista, morto na Batalha
de Tuiuti, está preparado para receber também, os campistas
que serviram na Campanha da Itália.
Trabalho
do escultor campista Modestino Kanto. Iniciativa do Dr. Thiers Cardoso
e uma comissão de jornalistas. Esta
localizado na Praça São Salvador.
Ato
Inaugural:
Foi inaugurado em 14 de abril de 1947.
Sobre o ato
inaugural, “O Estado”, de 14 de abril de 1947 e em o número
seguinte publicou:
Na
segunda-feira, feriado municipal, por Decreto do Prefeito Quiles Sales,
será uma data histórica para Campos, que inaugurará,
nesse dia, o Monumento ao Expedicionário, mandado erigir pelo
povo, através de subscrição pública. A Comissão
Pró-Monumento ao Expedicionário teve à sua frente
os Srs. Thiers Cardoso e Alcides Maciel, como representante da Imprensa.
Às
oito horas, realizou-se missa solene, oficiada pelo Bispo Otaviano Pereira
de Albuquerque, na Catedral, seguindo-se a transladação
dos despojos do Cap de Voluntários da Pátria Manuel Teodoro
de Almeida Batista, morto na campanha do Paraguai.
À
10 horas, teve lugar a solenidade de inauguração do monumento,
na Praça são Salvador, iniciado com o discurso do Sr.
Prefeito, em nome do povo campista. Presentes as representações
escolares do município, bem como uma revoada dos aviões
do Aeroclube local.
A
seguir, houve o desfile militar em continência às ilustres
autoridades presentes,
Integrando
a comitiva do Exmo. Governador do estado, achavam-se presentes o Cap
João Batista Vieira, ajudante de ordens; Engenheiro Brito de
Almeida Santos, Secretário de Viação e Obras Públicas;
Artur Tilau, Secretário de Agricultura; Engenheiro Fernando Lavrador,
Chefe do Gabinete e Áreas Leão, Diretor do departamento
de engenharia da SVOP; João de Morais, Diretor do Departamento
de Estradas de Rodagem e o jornalista J. T. de Castro Alves, da Imprensa
Estadual.
O
Coronel Edmundo Macedo Soares e Silva, Governador do Estado, pronunciou
o seguinte discurso:
Meus
concidadãos:
Não me surpreende que, neste 14 de abril, em Campos, estejamos
reunidos numa solenidade cívica, inaugurando um monumento que
perpetua a memória dos que lutaram pela Pátria.
Em
nenhuma parte do Brasil, mais do que neste município, se conservou
a mentalidade brasileira.
Pela
sua própria formação histórica e pelo
relativo isolamento geográfico, assim tinha de ser.
Campos
não sofreu nenhum influxo de imigração numerosa
que viesse modificar suas características originais. A tradição
local é profundamente brasileira, seus vultos são representativos
da cultura e das aspirações da raça. Não
pode surpreender a ninguém, pois, que o povo que, não
obstante sua índole pacífica e pacifista, sempre se
levantou para lutar pelos seus direitos, que os campistas que perderam
milhares de representantes seus no solo paraguaio, se reúnam
hoje, em redor deste trabalho de Modestino Kanto, para homenagear
o Soldado Brasileiro. A idéia foi de particulares. Tinha de
ser. Haveria de vir do povo, na sua irreprimível ânsia
patriótica de exprimir a admiração e a gratidão
dos campistas pelo que fizeram nossos Expedicionários na Itália.
Toda
a Campanha da Itália constituiu uma página de glória.
Montese foi uma epopéia. Nossos homens tiveram de cumprir seu
dever frente a uma das mais ativas defesas do teatro de operações
em que se bateram. Comove e arrebata pensar naquele sargento encontrado
morto, finda a peleja, junto a uma casamata conquistada, tendo preso
a uma das mãos uma flâmula inimiga! Empolga imaginar
a bravura daquele jovem tenente que, depois de ocupar com o seu pelotão
uma posição perigosa, teve o sangue frio de tomar todas
as providências para que sua ação fosse reforçada.
Vejam
bem, são qualidades que, por vezes, nos negam e nas quais não
pensamos comumente como apanágio da nossa gente e, no entanto,
foram elas reveladas em horas, as mais decisivas da vida de um homem,
na batalha, face ao inimigo – bravura, espírito de sacrifício,
sangue frio. E que inimigo guerreiro, bem equipado, duríssimo
na arremetida como na defesa!
No
momento em que os pessimistas não são picos, exalta
e conforta ressaltar as qualidades positivas do brasileiro, as quais
hão de permitir vencer todas as vicissitudes da hora presente.
Não
somos, atualmente, diferentes do que fomos no passado. Bem avisada
se mostrou a comissão, que tomou a seu cargo realizar esta
obra, pensando em reunir os restos de um veterano glorioso da guerra
do Paraguai à memória dos que tombaram em solo europeu.
Sucumbiram, sem dúvida, pela mesma idéia, a de defender
a Pátria, em qualquer emergência, com sacrifício
da própria vida. É a realização da promessa
que canta o conscrito nos quartéis e que está inscrita
no Monumento: “Todo o vigor que o nosso corpo encerra é
teu, só teu, Brasil amado!”.
Há
poucos dias, era Petrópolis que imortalizava os seus “Pracinhas”
sacrificados no estrangeiro. Hoje é Campos. Muitos foram os
fluminenses que integraram a FEB. Os que não voltaram não
formam legião. Mas não é isso que importa. Todos
os que partiram poderiam ter sido imolados no altar da Pátria.
Felizmente, o alto padrão de instrução de nossas
tropas e o valor dos seus comandantes impediram isso.
Desejo,
convosco, prestar uma homenagem especial ao grande condutor das tropas
brasileiras, em quem não sabemos o que mais admirar, se a competência
ou a modéstia: Marechal Mascarenhas de Moraes. Ele representa
bem, com as suas virtudes, os chefes que comandaram nossos bravos
homens e com os quais contraímos uma imensa divida de gratidão.
Lembramo-nos
também, neste momento, do homem que, do silêncio do seu
gabinete, no Ministério da Guerra, dirigiu a tarefa da formação
e preparo da tropa, indo depois à Itália para sentir
sua ação e necessidades: o Sr. General de Divisão
Eurico Gaspar Dutra, Presidente da Republica.
Todos
cumpriram, rigorosamente, seu dever: chefes e comandados, elevando
a uma grande culminância, no concerto das Nações,
o nome do nosso país. Fomos fieis aos nossos ideais e mostramo-nos
dignos de nossas tradições.
Na
hora grave que vivemos no mundo, nossas atitudes do passado, remotas
e recentes, devem inspirar-nos a ação do presente. Os
melhores exemplos, encontramo-los em nós mesmos. Assimilemos
tudo o que pudermos de outras nações, mas não
esqueçamos nunca que, no livro de nossa História, há
ensinamentos de que nos devemos aproveitar.
O
maior de todos, tem sito o da coesão que sempre conseguimos
manter através dos tempos, salvando este patrimônio imenso
que nos está entregue e que é a nossa Pátria.
Se
olharmos em torno de nós, veremos que as nações
podem ser submetidas as maiores desastres, quando se enfraquecem.
Não
consintamos, assim, que a desunião nos transforme em território
indefeso. Mantenhamos nossa índole pacífica, mas não
admitamos que utopias destruam nossas próprias forças,
deixando-nos na impossibilidade de conservar as armas que são
indispensáveis à manutenção de nossa soberania.
Pode
parecer quase inútil, no Brasil, a advertência que acabo
de fazer. Oxalá assim o fosse. É mister que, de qualquer
maneira, fiquemos atentos, a fim de que não sejamos surpreendidos.
Meus
senhores:
Esta
festa é de Campos. Acedendo ao convite para comparecer a ela,
desejei manifestar-vos o apreço em que tive a vossa idéia
e em que vos tenho. A presença aqui, de altas autoridades federais,
incluindo o representante do Sr. Presidente da República, demonstra
que na Capital do país o pensamento é o mesmo.
Os
campistas destemidos, altivos e patriotas, merecem bem essas marcas
de consideração e simpatia.
Podeis
orgulhar-vos do monumento que, de agora em diante, passa a fazer parte
do conjunto desta linda praça. São os campistas de hoje
dizendo aos do futuro: Procedam como nós, para a glória
dos fluminenses e para a grandeza da Pátria comum.
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