2º Ten Moacyr Alves de Mendonça
Ex-Combatente da 2ª Guerra Mundial

1º RI - Regimento de Infantaria - Regimento Sampaio
Rio de Janeiro - RJ

Natural de Descoberto – MG

UNIDADE:
1º Regimento de Infantaria

POSTO OU GRADUAÇÃO:
2º Tenente - Foi promovido a 1º Tenente durante o desenrolar da Campanha. Retornando ao Brasil
solicitou seu licenciamento e retornou às suas atividades civis – Cirurgião-Dentista.

CONDECORAÇÕES:
Medalha de Campanha
Medalha de Guerra

Entrevistado por um Membro da Diretoria da Anvfeb/JF.

UM ACONTECIMENTO QUE FICOU GRAVADO EM SUA MEMÓRIA.


Por ocasião da tomada de Montese, quando conduzia o meu Pelotão de Fuzileiros para, naquela tarde do dia 14 de abril de 1945 – se não me falha a memória – a fim de substituir elementos da 9ª Cia. de Fuzileiros do 11º Regimento de Infantaria que era comandada pelo distinto, então, Capitão Hugo de Abreu, fui advertido pelo Sargento Santino, um bravo companheiro pertencente ao meu Pelotão:

- Veja, Tenente, como caem granadas na região para qual nos dirigimos!...

Realmente o bom bombardeio era intenso. Mas que fazer? Era para lá que deveríamos ir, custasse o que custasse. A guerra é assim mesmo. A gente assume responsabilidades tais que somos obrigados a seguir para frente a qualquer preço. O que não podemos é voltar. Voltar é covardia e ser covarde na guerra é crime...

Divagava sobre as responsabilidades que assumimos, quando me lembrei de que para tudo existe remédio. Para o nosso caso, naquela situação, o único seria rezar.

- Você acredita, Santino, no poder da oração?

- Acredito, respondeu prontamente o Sargento.

- Então – retruquei – vamos rezar para que nada nos aconteça de mal porque, haja o que houver, nos vamos enfrentar aquele bombardeio para poder cumprir nossa missão.

A marcha continuou e a coluna ficou silenciosa. Só se ouvia o barulho dos nossos passos sobre a estrada. Ninguém falava.

Perguntei, então, a mim mesmo: -será que estão rezando?... Se estavam não posso afirmar. O que posso dizer é que eu estava e com muita devoção.

Chegamos, enfim ao ponto em que as granadas estavam caindo. Nesse ponto deveríamos deixar a estrada e subir uma rampa onde haviam feito uma picada a fim de atingirmos o setor que iríamos operar.

Naquele momento o bombardeio amainou e eu disse aos meus homens:

- Depressa!...Vamos atravessar rapidamente este setor, - recomendei.

Havia subido a rampa o último elemento do Pelotão, quando o bombardeio recomeçou. O inimigo estava sendo acuado e se batia desesperadamente para manter suas fortificações.

Apresentei-me ao Capitão Hugo e assumi as responsabilidades do setor que me foi destinado. Minha responsabilidade de Comandante do Pelotão não permitiu que eu pensasse em outra coisa senão a defesa do meu setor e a segurança do meu pessoal.

Quando tudo serenou, analisei o fato do bombardeio haver amainado justamente no momento em que atingíamos a região que estava sendo batida pela artilharia.

A coincidência foi muito grande, razão porque este acontecimento permanece vivo em minha memória.

FONTE:
Do livro "Histórias de Pracinhas" Contadas por eles mesmos
Autor: Vet Maj Álvaro Duboc Filho

Matéria gentilmente enviada por
Zenaide Duboc
Filha do Vet Maj. Álvaro Duboc Filho
(Colaboradora do site)