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Natural
de Juiz de Fora - MG
UNIDADE:
I/11 Regimento de Infantaria
POSTO OU GRADUAÇÃO:
Soldado. Ao retornar ao Brasil foi licenciado e retornou às suas
atividades civis.
Posteriormente Levindo Elói Vieira necessitou de cuidados psiquiátricos
recebendo
tratamento no Hospital Militar do Exército. Julgado incapaz foi
reformado como Cabo.
CONDECORAÇÕES:
Medalhas de Campanha
Sangue do Brasil
Entrevistado por um Membro da Diretória da Anvfeb/JF
UM ACONTECIMENTO QUE FICOU GRAVADO EM SUA MEMÓRIA
“Interrogado
sobre um acontecimento ocorrido durante a Campanha da FEB na Itália
que havia ficado gravado em sua memória, respondeu”:
- Eu escrevi tudo o que se passou comigo durante a Campanha na Itália.
Apresentou-nos, então, dois quadros cuidadosamente emoldurados
contendo quatro folhas de papel almaço escritas com letras de
forma. Ali estava toda a sua história e de onde nos foi possível
extrair o seguinte:
Eu pertenci a 1ª Cia do Batalhão do 11º Regimento de
Infantaria. Minha Companhia se tornou conhecida devido aos acontecimentos
ocorridos na madrugada do dia 3 de dezembro de 1944, quando alguns abandonaram
as suas posições e fugiram para a retaguarda.
Para mim, simples soldado e sem nenhuma experiência de Linha de
Frente, a noite do dia 2 de setembro de 1944, foi de muitas preocupações,
pois corria um boato de que os alemães iam desencadear um violento
ataque com a finalidade de cortar a nossa retaguarda. Entretanto, o
dia 2 havia transcorrido sem incidentes que desse motivo a tal preocupação.
Mas, quando a noite caiu, o metralhar das armas automáticas e
de fuzis intensificaram-se e começamos a ficar assustados, principalmente
quando as granadas de artilharia e de morteiros começaram a cair
no setor onde estávamos.
O bombardeio às nossas posições não parava.
Tivemos que reprimir vários ataques durante a noite e, pela madrugada
o bombardeio e o metralhar das armas automáticas foram intensificados.
Correu, então, o boato (como já referi) de que os alemães
iam nos atacar pela retaguarda. Foi aí que comecei a verificar
que alguns companheiros estavam abandonando as posições.
Eu segui a turma e nem podia deixar de seguir. Havia uma grande desorientação
e ninguém sabia para onde ir. Eu estava com meus nervos muito
abalado e muito assustado.
Quando o dia clareou, a situação começou a se normalizar.
Mas não retornamos às nossas posições, porque
disseram que outra tropa havia nos substituído.
Depois deste desagradável acontecimento, minha Companhia foi
para a retaguarda para se refazer.
No dia 12 de mesmo mês, minha Companhia foi empregada no Combate
e se portou muito bem, apesar de ter sido um dia de muito trabalho,
muito sacrifício e muita insegurança.
Quando partimos para o ataque, naquele dia, o que sabíamos era
que iríamos atacar as fortificações nazistas em
Abetaia, um povoado bem próximo a Monte Castelo.
A partida para o ataque se deu às 6 horas da manhã sob
um bombardeio de artilharia e fogos de metralhadoras e fuzis. Marchando
em linha dupla, por estradas cobertas de lama, éramos um excelente
alvo para o inimigo situado em posições dominantes. Quem
marchava do lado do barranco tinha melhor proteção, mas
quem estava posicionado “na contra mão” corria risco
maior de vida. As granadas caiam mais daquele lado. Muitos companheiros
caíram feridos. Eu consegui escapar, mas sentindo muita tristeza
pela perda de vários companheiros e quase vencido pelo cansaço.
Não gosto de recordar que naquele dia, deixei caído na
lama fria das estradas muitos companheiro que pediam socorro e pelo
amor de Deus. Mas, “não podíamos parar”. Tínhamos
que continuar avançando. Os feridos deveriam ser socorridos pelos
padioleiros.
No dia 3 de março de 1945, na região de Gaggio Montano,
fui ferido por estilhaços de granada de mão. Não
sei explicar como tudo realmente, aconteceu. Sei, apenas que foi durante
um encontro com uma patrulha inimiga.
Em virtude do ferimento recebido, fui evacuado para o Hospital de Livorno
para tratamento. Quando recebi alta retornei para minha Companhia, mas
meu Comandante achou que eu não tinha mais condições
de continuar em minhas atividades de fuzileiro e transferiu-me para
a retaguarda.”
Nota:
Lendo para o Veterano Levindo o seu comentário, percebemos que
chorava" E foi chorando que nos disse: -" Eu não gosto
de recordar esses acontecimentos..
O
Tenente Coronel THOMAS CASTELO BRANCO, em seu livro “O BRASIL
NA SEGUNDA GRANDE GUERRA” (páginas 251 a 259) conta o que
foi o infortúnio da noite de 2 para 3 de dezembro de 1944 e nas
páginas 259 e 29, como se deu o ataque de dia 12 de dezembro
de 1944.
FONTE:
Do livro "Histórias de Pracinhas" Contadas por eles
mesmos
Autor: Vet Maj Álvaro Duboc Filho
Matéria
gentilmente enviada por
Zenaide Duboc
Filha do Vet Maj. Álvaro Duboc Filho
(Colaboradora do site)
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