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Natural
de Guarani - MG
UNIDADE:
III/11º Regimento de Infantaria
POSTO OU GRADUAÇÃO:
3º Sargento. Permaneceu nas fileiras do exército ao retornar
à Pátria, sendo transferido para a reserva no posto de
Major
CONDECORAÇÕES:
Medalhas de Campanha
Cruz de Combate de 2ª Classe.
Entrevistado por um Membro da Diretoria da Anvfeb/JF
UM ACONTECIMENTO QUE FICOU GRAVADO EM SUA MEMÓRIA
Para
atender a dedicada solicitação, meu caro companheiro da
gloriosa Campanha da FEB na Itália, vou contar um pouco do que
vi e observei.
Levar as linhas telefônicas aos Pelotões do Batalhão,
na frente de combates, não era tarefa fácil. Os Pelotões
se posicionavam distantes uns dos outros, em virtude da frente de combate
ser muito extensa. Além disso, para ficarem ocultas das vistas
do inimigo e também para atender a rapidez do serviço,
as linhas eram estendidas no solo e isto ocasionava uma certa confusão
porque outras unidades, em posição na mesma frente, passavam
suas linhas pelo mesmo local, isto é, aproveitavam o itinerário.
Acontecia que, quando uma granada ou outra coisa qualquer cortava os
fios, havia muita dificuldade em testar a linha.
Outra inconveniência era o fato de que a neve umedecia as emendas
dos fios e fechava em curto-circuito e,aí tornava difícil
localizar onde se encontrava o defeito, mas esse trabalho era realizado
com muito entusiasmo pela turma de comunicação.

No
dia 14 de abril de 1945 – Combate de Montese - o III/Batalhão
do 11º R.I; que progredia em Direção a Paravento,
estava com dois Pelotões da 9ª Cia. (Capitão Hugo)
detidos, quando entrou uma voz no meu rádio “Rádio
de Comunicação com Batalhão), com a seguinte mensagem:
- Alô, Quadro (Quadro era o prefixo da minha Cia. 9ª). Peço
dar sua posição exata, neste momento.
Respondi imediatamente:
- Não posso dar minha posição pelo rádio.
Enviarei um mensageiro ao Batalhão com os dados.
- Aqui é o Coronel Castelo Branco, do Estado Maior, quem fala!
- É o Sargento das Transmissões de Quadro. Desligo.
Até hoje não sei se era realmente o então, Coronel
Castelo Branco que havia falado comigo. Mandei um mensageiro ao P.C
do Batalhão informando sobre o recebimento de tal mensagem. Nada
mais fiquei sabendo sobre o assunto.

Ao
amanhecer do dia 19 de abril de 1945, no P.C da Companhia instalada
em uma casinha velha, semidestruída por bombardeios, situada
no Morro de Paravento, me foram entregues, quatros prisioneiros alemães
para que eu os encaminhasse ao P.C. do Batalhão.
Coloquei-os com as mãos na nuca, com a frente voltada para a
parede, para uma revista.
Quando ia iniciar a revista, o meu Capitão, chamou-me e disse
que precisava falar com um Pelotão, mas não conseguia.
Parece-me – disse - me que a linha está partida.
Como não havia quem fosse capaz de correr a linha, saí,
imediatamente e logo a pouca distância encontrei e corrigi o defeito.
Voltei rapidamente ao P.C e fiquei surpreendido em encontrar os prisioneiros
com as mãos na nuca e virados para a parede.
- Puxa vida!...Isto que é disciplina militar comentei.

Quando
estávamos na defensiva em MONTE BELVEDERE, realizamos muitas
patrulhas e tomei parte em algumas delas. Numa que foi, comandada pelo
Sargento Chaves, fomos até a uma pequena elevação
e lá ficamos durante algum tempo observando o horizonte, procurando
localizar uma casamata alemã que tinha uma metralhadora que muito
nos hostilizavam. Em dado momento tivemos a impressão de que
um soldado alemão observava os nossos movimentos. O Sargento
Chaves pensou em atirar e chegou mesmo a pegar no fuzil; achou, entretanto,
melhor não atirar para não provocar uma reação.
- Vamos retornar. Nossa missão está cumprida, disse.
Quando iniciamos o retorno, aquele soldado que de longe parecia observar
nossos movimentos levantou os braços e nos acenou com um adeus.
Até hoje não compreendi a razão daquele adeus.
Será que era realmente um adeus ou ele pensou que era uma patrulha
alemã?... É possível que tenha pensado que era
uma patrulha alemã. O nosso uniforme, principalmente o de inverno,
era bem parecido com o uniforme dos alemães e esta semelhança
deu origem a desagradáveis ocorrências.

NOTA:
Sobre um acontecimento que – pareceu-nos causado pela
semelhança do uniforme, o Marechal Lima Brayner, que foi Chefe
do Estado Maior da FEB; em seu livro “ A VERDADE SOBRE A FEB”
– página 355, conta-nos:
“Inexplicavelmente ocorreu um grave incidente que ficou bem esclarecido.
Uma Companhia Americana, da 10ª Divisão de Montanha, sob
a alegação de ter perdido a direção da zona
de ação de sue Batalhão, dirigiu-se de Mazzancana
para Fornace, onde encontrava uma Companhia do 1/1º Regimento de
Infantaria, e abriu fogo sobre a mesma, matando um soldado nosso e ferindo
outros além de gerar tremenda confusão.
Alegou o Capitão americano que confundira a tropa brasileira
com a alemã. A justificativa não ficou bem clara, pois
o ataque suspeito dentro da zona de ação da 1ª D.I.E,
foi feito pelas costas da nossa tropa”.
FONTE:
Do livro "Histórias de Pracinhas" Contadas por eles
mesmos
Autor: Vet Maj Álvaro Duboc Filho
Matéria
gentilmente enviada por
Zenaide Duboc
Filha do Vet Maj. Álvaro Duboc Filho
(Colaboradora do site)
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