Natural
de Juiz de Fora - MG
UNIDADE:
III/11ºRegimento de Infantaria
POSTO OU GRADUAÇÃO:
Soldado.
Ao retornar ao Brasil foi licenciado e retornou às atividades
civis.
CONDECORAÕES:
Medalhas de Campanha
Sangue do Brasil
Cruz de Combate 1ª Classe
Entrevistado por um Membro da Anvfeb/JF
UM ACONTECIMENTO QUE FICOU GRAVADO EM SUA MEMÓRIA
“Eu
preferiria não falar sobre o assunto, mas não posso
deixar de atender ao convite do estimado companheiro para falar de
um acontecimento ocorrido durante a Campanha da Itália, que
ficou gravado em minha memória.
Não era e não continuo não sendo, uma pessoa
agressiva e violenta. Sou calmo, tranqüilo e pacífico.
Entretanto, naquela manhã do dia 14 de abril de 1945, marchando
em direção às fortificações inimigas
situadas na região de Serreto, durante o Combate de Montese,
vendo os companheiros tombarem feridos, fui sendo possuído
de uma intransigente vontade de lutar, de violentar e até mesmo
de matar.
Assaltamos, naquele dia, várias casamatas alemãs até
que, em frente a uma delas. Caí ferido. Levantei-me, logo após
com o rosto sangrando e a blusa manchada de sangue, mas continuei
com redobrada violência. O comandante do meu Grupo de Combate
sentiu o meu problema e mandou que eu fosse evacuado. Não atendi
a sua ordem argumentando que não queria deixar os companheiros
em pleno combate.
Quando conseguimos dominar completamente a situação,
verificamos que havíamos feito mais de 60 prisioneiros, inclusive
quatro oficiais. Foi aí que o nosso Comandante de Pelotão,
o então, Sargento Fonseca, tomando conhecimento de que alguns
elementos do Pelotão, apesar de feridos, relutavam em deixar
o campo de luta, resolveu escalá-los para tomar parte na Escolta
que deveria conduzir os prisioneiros ao P.C do Batalhão, para
que pudessem receber, no Posto Médico o tratamento e as providências
necessárias.
Para tal serviço foram escalados o Soldado Agostinho, um outro
soldado cujo nome não me vem à memória e eu.
Para comandar e escolta foi designado o Sargento Clério que
também estava levemente ferido.
Logo que começamos a descer a elevação, um prisioneiro
pisou em uma mina que eles (os alemães) mesmos ali colocaram,
ocasionando uma explosão que feriu cerca de 20 pessoas e, entre
elas, eu, o Agostinho e o Sargento Clério, que faleceu na hora.
O Soldado Agostinho sofreu um desmaio em virtude do deslocamento de
ar da explosão e eu ferimentos em ambas as pernas, além
de ficar em estado de choque.
Recuperando-se do desmaio, o Soldado Agostinho, carregou-me em seu
ombro morro abaixo em direção ao P.C. do Batalhão,
onde fomos socorridos. Agostinho, após receber os cuidados
necessários, voltou para o Pelotão, eu, menos feliz,
fui encaminhado ao Hospital e não retornei ao meu Pelotão.
Nunca esqueci da prova de amizade do Agostinho que passou a ser o
meu melhor amigo. Até hoje não consigo compreender como
ele encontrou forças para me carregar, pois seu braço
estava ferido por um tiro e tinha desmaiado.
Agostinho, hoje, é meu compadre.”
NOTAS:
“O Soldado FIRMO GOMES DE CARVALHO,
foi agraciado com a Medalha Cruz de Combate de 1ª Classe.
No diploma que lhe foi conferido, consta:
“No
ataque às nossas posições de Guanela, na noite
de 2 para 3 de dezembro de 1944, debaixo de forte bombardeio e fogos
de metralhadora e nas patrulhas do dia 15 de fevereiro de 1945, portou-se
com muito sangue frio e bravura pessoal, na identificação
das diversas posições inimigas.
No ataque a Montese, destacou-se no assalto as resistências
inimigas de Serreto, onde foi ferido, só permitindo que o evacuasse
quando ferido pela segunda vez , ocasião em que se encontrava
sem sentido.”

CLÉRIO BORTOLO
3º
Sargento. Natural de Juiz de Fora. Filho de Luiz Bortolo e de Angelina
Marcato Bortolo.
Faleceu em combate, em Montese. Foi agraciado com Medalha de Campanha,
Sangue do Brasil e Cruz de Combate de 2ª Classe.
No decreto que lhe concedeu a Medalha de Cruz de Combate de 2ª
Classe, lê-se: “por
uma ação excepcional na Campanha da Itália.”
Em Juiz de Fora há uma rua com o nome desse bravo juiz-forano
que era possuidor de uma alma boa, mas era valente como poucos”.
FONTE:
Do livro "Histórias de Pracinhas" Contadas por
eles mesmos
Autor: Vet Maj Álvaro Duboc Filho
Matéria
gentilmente enviada por
Zenaide Duboc
Filha do Vet Maj. Álvaro Duboc Filho
(Colaboradora do site)