2° Sgt Euclídes Geraldo Pires
Ex-Combatente da 2ª Guerra Mundial

11º RI - Regimento de Infantaria - Regimento Tiradentes
São João del-Rei - MG

Natural de São João del-Rei - MG

UNIDADE:
II/11º Regimento de Infantaria

POSTO OU GRADUAÇÃO:
2º Sargento. Retornando ao Brasil, reintegrou-se às fileiras do
Exército até sua transferência para a reserva no posto de Major.

CONDECORAÇÕES:
Medalhas de Campanha
Medalha de Guerra
Cruz de Combata de 1ª Classe
Militar de Bronze
Militar de Prata
Pacificador
Mascarenhas de Moraes.

Entrevistado pelo aluno Artur Inácio Giovanni da Silva


UM ACONTECIMENTO QUE FICOU GRAVADO EM SUA MEMÓRIA.


Muitos foram os acontecimentos ocorridos durante a memorável Campanha da FEB na Itália que ficaram gravados em minha memória – disse o Major Pires. Uns muito tristes e outros alegres.

Eu não gosto de falar sobre os acontecimentos negativos, por isto, para atender ao seu pedido, vou contar como foi que minha carteira de guardar liras salvou minha vida e a de vários componentes de meu Pelotão.

O meu Pelotão achava-se instalado defensivamente em casamatas tomadas pelo inimigo, em Monte Dela Torracia quando, um dia aproveitando a folga que geralmente os alemães nos concedia na parte da manhã, convidei o Sargento Pio Lana para um “papinho” debaixo de uma árvore existente a poucos metros de “minha residência”. Começamos a “papear” e, aos poucos, foram chegando os soldados do Pelotão, cooperando assim para que o “papo” ficasse bem firme.

A conversa girava em torno de diversos assuntos brasileiros. Era muito gostoso relembrar acontecimentos havidos em nossa Pátria distante, tanto que ninguém se lembrava da falar sobre “sinhorinhas”, assunto que, aliás, era proibido.

Estava a conversa muito animada, quando me lembrei que a minha carteira de notas (liras quando tinha), estava com a parte de plástico destinada a guardar documentos e retratos estragados. Levantei-me e disse:

- É, a conversa está muito boa, mas eu preciso consertar a minha carteira de guardar liras. Vou costurar um pedaço de pano verde-oliva na parte dos documentos e dos retratos que “pifou”.

Retirei-me e a seguir e tomei a direção da minha casamata, tendo os demais companheiros procedidos da mesma maneira. Estava encerrada a reunião e todos se dirigiram para as suas “residências”. Ainda não havíamos atingido nossos “confortáveis lares”, herança legada pelos “tedescos”, quando uma granada de 150 ou 170 mm, explodiu bem em cima da árvore que nos servia de abrigo, uma velha castanheira, abrindo no local onde havíamos estado a “papear”, uma enorme cratera.

Foi, assim, que minha carteira salvou-me a vida e a de vários companheiros.

NOTA: Usei essa carteira por muitos anos após a guerra. Muitas vezes fui obrigado a dar explicações a curiosos e a críticos sobre a razão daquela “carteira que já era”...

FONTE:
Do livro "Histórias de Pracinhas" Contadas por eles mesmos
Autor: Vet Maj Álvaro Duboc Filho

Matéria gentilmente enviada por
Zenaide Duboc
Filha do Vet Maj. Álvaro Duboc Filho
(Colaboradora do site)