Solenidade Alusiva aos 63 anos da
TOMADA DE MONTE CASTELO


12º BI
Belo Horizonte - MG.

Foi realizada no dia 21 de fevereiro no 12º BI em Belo Horizonte, solenidade alusiva aos 63 anos da Tomada de Monte Castelo. Estavam presentes o General de Exército Luiz Cesário da Silveira Filho, Comandante Militar do Leste, o Ten Cel João Marcos Machado de Oliveira, Comandante do 12º BI e o Ten Cel Joel Lopes Vieira, Presidente da ANVFEB, Seção Regional em Belo Horizonte.
A solenidade contou com grande número de veteranos e familiares. Durante a cerimônia foi cantado o Hino Nacional, Canção do Expedicionário e a execução do toque de Presença de Ex-Combatente. Houve a leitura de dois textos que estão disponibilizados abaixo.

Boletim Alusivo à Tomada de Monte Castelo

(Texto do CML 2008)
Após sete décadas de convívio pacífico com as demais Nações, o Brasil foi compelido moralmente a participar da Segunda Guerra Mundial. Tomou essa grave decisão em desagravo à soberania ultrajada, à neutralidade desrespeitada ao afundamento covarde de navios mercantes desarmados e, sobretudo, para garantir a sobrevivência da democracia e dos valores morais e espirituais da humanidade, ameaçados pelo totalitarismo do nazi-fascismo.
A Força Expedicionária Brasileira (FEB), mesmo enfrentando dificuldades iniciais durante sua organização, treinamento e aclimatação ao teatro de operações europeu, contribuiu decisivamente para o triunfo da causa aliada, reafirmando perante o mundo o valor combativo do soldado brasileiro.
A 21 de fevereiro de 1945, exatamente há 63 anos atrás, a FEB tomou de assalto o Monte Castelo, posição fortemente organizada e presumivelmente inconquistável, não somente pela situação privilegiada de dominância como por estar defendida por tropa inimiga adestrada, experiente e combativa, que já repelira, com êxito, três ataques anteriores desfechados pelos aliados.
A Tomada de Monte Castelo constituíra-se num imperativo moral para os bravos expedicionários. Desafiados pelos insucessos e estimulados pelos sentimentos de honra e dignidade, os soldados brasileiros encararam corajosamente a crua realidade da guerra e prepararam-se, durante o rigoroso inverno, para o combate decisivo. A intensificação da instrução, as infiltrações audazes das patrulhas, os golpes-de-mão, a inquietação da artilharia e dos morteiros inimigos, a chuva, a neve, a temperatura de 18n graus abaixo de zero, foram sacrifícios impostos aos nossos pracinhas, tornando-os combatentes de escol. Na data de hoje comemoramos, lançaram-se com ímpeto irresistível ao ataque esmagando resistências, desenlaçando os defensores aferrados ao terreno, tendo logrado êxito na conquista do objetivo que há muito os desafiava.
Ao evocarmos o feito heróico de Monte Castelo, motivo de justo louvor para todos os brasileiros, rendamos nossas homenagens a todos aqueles atenderam, solícitos, ao chamamento da Pátria em perigo: aos bravos companheiros da Marinha de Guerra e da Aeronáutica que, nas águas minadas do Atlântico Sul e na conquista da supremacia aérea do céu italiano, foram dignos de suas maiores tradições; aos valorosos soldados, que completaram o sucesso obtido em Monte Castelo, coroando-o com vitórias em La Serra, Fornovo, Collecchio, Castelnuevo e Montese; e ao que, vitoriosos, tiveram a felicidade de retornar aos seus lares e aos menos afortunados, que pagaram com o sacrifício supremo de suas vidas, o preço de nossa liberdade.
A Pátria agradecida não os esqueceu. Os seus nomes permanecerão indelevelmente gravados em nossas mentes e nossos corações, como exemplos de patriotismo, de abnegação, de idealismo, de fé no primado da justiça e da democracia, bem como de repúdio às ideologias totalitárias.
Belo Horizonte, MG, 21 de fevereiro de 2008.

General de Exército Luiz Cesário da Silveira Filho
Comandante Militar do Leste

MONTE CASTELO

Texto: Ten Cel Joel Lopes Vieira
Presidente da Seção Regional da FEB em Belo Horizonte.

Comemoramos, nesta data, uma das mais importantes Vitórias da Força Expedicionária Brasileira nos Campos de Batalha da Itália, durante a 2ª Guerra Mundial.
No dia 21 de Fevereiro de 1945, a FEB recebeu a missão de mais uma vez atacar e desalojar o inimigo instalado em Monte Castelo.
Monte Castelo é uma elevação nos contrafortes apeninos e que era muita bem fortificada e ferrenhamente defendida pelo inimigo.
Postados à sua frente havia campos de minas anti-pessoal e anti-carros, um perfeito cruzamento de fogos de armas automáticas, barragens de morteiros e artilharia, e o inimigo tinham perfeito conhecimento das condições e possibilidades do terreno à sua frente, o que o tornava um baluarte quase inexpugnável.
Por todas estas condições que lhes eram favoráveis e pela bravura e pertinácia do inimigo que o defendia, Monte Castelo já havia rechaçado 4 ataques das tropas brasileiras, impondo-nos pesadas perdas humanas e materiais.
Por esse motivo, Monte Castelo tornou-se como que um espinho cravado na garganta do Brasileiro e a sua conquista teria que ser realizada, por nós, a qualquer preço.
O Soldado Brasileiro soube tirar proveito dos reveses sofridos. Agora, já mais maduro nos campos de batalha e afeito às artimanhas do inimigo, Tornou-se um combatente à altura de revidar as derrotas sofridas.
A jornada de 21 de fevereiro de 1945 assinalaria, de qualquer modo, a captura de Monte Castelo.
O ataque desembocou à hora prefixada e as reações inimigas fizeram-se sentir enérgicas e crescentes, dando margem a lances imprevistos e flutuações inevitáveis.
Tirando partido da precisão e violências da nossa Artilharia, o ataque brasileiro redobrou de fúria e impulsão. A tenacidade, a coragem e a vontade de vencer conseguiram dobrar a resistência do inimigo, valente e pertinaz. E, assim, Monte Castelo passou para as mãos brasileiras.
Para os pracinhas brasileiros, no entanto, esta vitória representa um Símbolo e um Marco na vida de nossa tropa em terras ultramar.
Assinalou o início de uma série de vitórias esplêndidas para nossas armas, vitórias que elevaram o nome do Brasil e o prestígio do nosso Exército.
A história de Monte Castelo, nossos reveses, a defensiva de inverno, a inolvidável vitória final, constituem páginas de ouro da história militar do Brasil: é uma História de fé, de energia, de tenacidade, de estoicismo e de bravura, a ser contada a nossos filhos e a nossos netos, que se orgulharão, ao ouvi-la, de serem brasileiros e vestirem a farda verde oliva do Glorioso Exército Brasileiro.
Exmas autoridades presentes, Senhoras e Senhores: Estão presentes nesta formatura alguns daqueles Pracinhas que na sua juventude atravessaram os mares e foram lutar ao lado dos Exércitos aliados, em defesa da liberdade, da democracia,contra a opressão e para revidar as agressões sofridas, quando nossos navios desarmados e transportando pessoal e material, em nossas águas territoriais, foram covardemente torpedeados e afundados.
Estes Veteranos aqui presentes são aqueles pracinhas que como um tigre, se arremeteram e conquistaram Castelnuovo, Monte Castelo, Soprassasso, Montese, Fornovo, fazendo inúmeros prisioneiros, para depois conduzi-los como crianças amigas a quem tudo se dá.
São aqueles Pracinhas que morriam tentando resgatar o corpo do companheiro, porque o brasileiro não aceitava deixar no chão do combate seus companheiros feridos ou mortos.
São aqueles Pracinhas que viam os seus companheiros gravemente feridos, nos estertores da morte, pedir socorro e ele nada mais podia fazer.
São aqueles Pracinhas que gravemente feridos procuravam sufocar a dor, não gemendo, para não permitir o inimigo localizar as nossas posições.
Hoje aqui estamos, plácidos anciões, cabelos brancos, que nos faz lembrar a neve dos apeninos, passos vagarosos, mas dentro do peito de cada um pulsa, ainda e sempre, o mesmo coração vibrante de patriotismo e satisfação pelo dever cumprido.
Muitos não voltaram à Pátria querida; sacrificaram a vida no cumprimento do dever; e é em memória a alma desses heróis que solicito a todos presentes um minuto de silêncio, enquanto ouviremos o respectivo toque.
Para terminar estas minhas palavras permitam-me que leia, em homenagem aos companheiros que lá tombaram, os versos magníficos de um poeta inglês:
“Estamos mortos porque não quisemos viver e desonrar a nossa Pátria. Certo, a vida não vale grande coisa, mas para os moços vale, e nós éramos moços”.

Fotografias da Solenidade

Autoridades Presentes
Veteranos aguardando o início da solenidade.
Veteranos aguardando o início da solenidade.
Tropa formada
Tropa formada
Apresentação
Guarda a Bandeira
Veteranos em continência a Bandeira.
Veteranos em continência a Bandeira.
Veteranos em continência a Bandeira.
Veteranos e convidados
Bandeira
Vista geral
Cap Divaldo Medrado, Cap Murilo e Cap Alberto Chaves
Colocação da corbelha de flores no quadro
do Marechal Marcarenhas de Moraes.
Colocação da corbelha de flores no quadro
do Marechal Marcarenhas de Moraes
.
Corbelha de flores no quadro
do Marechal Marcarenhas de Moraes
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Desfile
Vet Enf Carlota Melo, Cap Alberto Chaves e Vet Rafael Inácio Braz
Desfile
Vet Joaquim Marçal Rodrigues e Vet David Lavinsky
Veteranos formados para o desfile.
Entre eles o Vet Mário Couto, Cap Medrado, Cap Murilo
Veteranos formados para o desfile.
Veteranos formados para o desfile.
Entre eles o Vet Mário Couto, Ten Taitson e Vet Geraldo
Oswaldo Nogueira Espeschit, Vet Otávio Vieira,
Sr. Machado e Vet Mário Couto
Vet Hélio do Espirito santo e Ten Taitson
Sr. Ari, Vet Hélio do Espirito Santo e Vet João
Cap Murilo, Cap Alberto Chaves, Vet Enf
Carlota Melo e Sra Do Carmo
Cap Alberto Chaves e Ten Cel Joel Lopes Vieira